Amo te odiar
5 Coisas em comum. Por:Marcelo
Notas iniciais
E aí, como vai? Eu sou o Marcelo e bom, queria conversar com você que acompanha este capítulo, não que eu não tenha amigos, claro que tenho, porém, o assunto que vou falar pode gerar muita zoação por parte deles. O que estou falando? Eles já me zoam mesmo se eu não falar no assunto. Mas queria alguém que prestasse atenção no que conto e não ficasse “ Tá apaixonado”, “ tá arrasando corações”. Por isso escolhi você, caro leitor, como o meu ouvinte. Você está confortável? Com algum lanche por perto? Então se acomode que a história vai começar.
Eu sou praticamente perseguido pelas meninas na escola, elas ficam me vigiando, algumas só faltam desmaiar quando me vê (parece exagero, mas isso acontece mesmo), por isso tenho o apelido de Arrasador de corações do Santa Mônica. Acho um exagero ser chamado assim, mas no fundo, eu até gosto desse apelido, mexe com a minha vaidade. Toda vez que eu o escuto, dou um riso disfarçado. Posso até arrasar corações, mas para ficar com alguém, no sentido amoroso e romântico da coisa, não basta só ficar suspirando, tem que gostar de verdade. Eu não sou de me apaixonar, pode não parecer, mas sou bem tímido, porém, acho que estou começando a ser envolvido por esse tal de amor, atenção eu disse ACHO, não que tenho certeza, que isso fique bem claro.
...
Tudo começou naquele dia, quando conheci a Malu, quer dizer, Maria Luíza. Quando a vi, senti meu coração bater um pouco mais forte, eu a achei bonita, cabelos cacheados, olhos castanhos e uma pintinha no rosto, bem no meio da bochecha. Ao longo dos dias, chegamos a conversar um pouco, descobri que Mal... Maria Luíza é torcedora do time rival do meu, meu coração começava a bater forte por uma atleticana e eu, sou um cruzeirense, será que isso é o que dizem “os opostos se atraem”? Bom, além dessa informação que falei, descobri que eu e ela temos coisas em comum. Assistimos o mesmo anime, Bakugan – Guerreiros da batalha, entretanto gostamos de atributos diferentes, eu prefiro o atributo Aquos, ela prefere o atributo Darkus.
Outra coisa que temos em comum, é o futebol, gostamos de comentar, falar e de assistir aos jogos. A convivência com ela me fez mudar um pouco, acredita que me tornei um aluno aplicado? Não que antes eu não era, eu até era um pouco, mas eu passava mais tempo na rua soltando pipa e jogando bola, fazia até os deveres correndo, só para aproveitar mais o tempo livre. Lembro bem, minha mãe brigava comigo direto por causa disso, só faltava ela me levar para casa pela orelha, dona Carla é brava, é meiga, carinhosa, mas, também é brava. Depois que passei a conversar e a conviver com a Malu, faço meus deveres com gosto e as vezes até acho divertido.
...
Nessa semana fiquei mais próximo da Malu. Estávamos na aula de matemática, fazendo um exercício bem complicado, quando percebi que a MARIA LUÍZA (desculpe, o jeito que falei, mas, é para ver se acostumo a chama-la por esse nome) se levantou com seu caderno e foi até a professora. As duas ficaram apontando para o caderno, conversando e no final a professora deu um sorriso e fez um elogio para ela, foi baixo, mas, deu para escutar. Malu se sentou no seu lugar novamente e ficou aguardando a aula terminar.
— Terminou o exercício, Maria Luíza? – Perguntei tentando ser irônico.
— Sim, terminei, estava um pouco complicado, mas consegui terminar. – Ela me respondeu com toda a segurança do mundo. — E você, Marcelo, já terminou?
— Ah! Estou na metade, parece que estou chegando no resultado. – Disfarcei, na verdade, nem na metade cheguei.
— Posso ver?
— Ver o quê?
— O seu exercício. Quero ver como está fazendo para chegar ao resultado.
Eu não sabia o que fazer, mas não ia ser grosso com ela, poxa, ela falou comigo de um jeito tão legal, que aceitei a ajuda dela. Malu deu uma olhada em meu exercício e logo torceu o nariz.
— Mas está tudo errado! – Disse ela com uma cara de espanto.
— Como assim? – Tive a coragem de perguntar, é claro que eu sabia que estava tudo errado.
— Vou te explicar. – Ela pegou uma carteira e colocou do meu lado.
Malu me mostrou os meus erros, explicou como eram feitas as contas, eu ouvia as palavras dela, até fazia cara de quem estava entendendo, mas por vezes, meu pensamento voava, sentia o perfume dela, reparava em seus gestos, em como colocava o cabelo atrás da orelha quando estava explicando, mas logo eu voltei foco na explicação. No final, ela me perguntou se eu havia entendido, eu disse que sim, quer dizer entendi um pouco, pelo menos, o início consegui entender, mas não disse nada para ela.
...
O sinal tocou, era a hora do intervalo, eu comprei um pão de queijo e um refresco, com aparelho, eu tenho que tomar cuidado com alguns lanches, porque garra no aparelho, no caso da coxinha, fica fiapinho de frango preso. Ô meleca! Por isso, eu prefiro o pão de queijo, além de ser uma delícia. Me sentei na mesa e fiquei esperando os meus amigos, quando de repente, a Malu passou por mim. Ô meu Deus! Por que eu a chamo pelo apelido? É Maria Luíza, Maria Luíza, Maria Luíza, Ma-ri-a Lu-í-za, Maria Luíza. Voltando ao assunto, ela passou por mim.
— Oi, Marcelo. – Ela me cumprimentou com um lindo sorriso, só agora reparei que ela também usa aparelho, aparelho de borrachinha vermelha, a minha borrachinha é azul, é claro, para combinar com o meu cruzeirão. Mas por que eu reparei nesse detalhe, dela usar aparelho, só agora? Não sei, nem eu mesmo me entendo, as vezes acho que puxei a minha mãe, ela é meio avoada e eu também sou. Não conte isso a ela viu, isso fica entre a gente, ok?
— Oi, Maria Luíza. – Respondi. Até que enfim eu disse o nome dela e não o apelido, uhulll. – Já lanchou?
Ô perguntinha besta, sô. “Já lanchou? ”, mas é que na hora me deu branco e eu não sabia o que falar, aí me veio essa pergunta.
— Sim, eu comprei o pão de queijo. Além de ser uma delícia, não suja tanto o aparelho. – Maria Luíza me respondeu. Pode parecer doideira, mas reparei que ela estava bem tímida quando falou comigo, penso que ficou com vergonha, as bochechas dela estavam vermelhas.
— E... entendeu o exercício? – Ela perguntou, parecia querer puxar assunto comigo, mesmo parecendo tímida.
— Entendi. Exercício complicado aquele, não é? – Respondi.
— É, complicado mesmo, mas deu para resolver. – Maria Luíza falou, mas falou olhando para o chão. Depois, se despediu de mim e saiu correndo, fiz alguma coisa de errado? Falei besteira? Garotas, nunca vou entende-las.
João e Diego chegaram logo depois, se sentaram na mesa e eu perguntei:
— Uai, onde estavam? Sumiram.
— Sumimos não, Marcelo, é que não queríamos atrapalhar sua conversa com a... Malu. – Brincou Diego.
— É Maria Luíza. – Respondi começando a ficar um pouco nervoso. – E nós estávamos apenas conversando, ela me cumprimentou e eu conversei com ela. Não podia deixar a menina no vácuo, não é?
— É tem razão. Mas antes, lá na sala, vocês estavam bem juntinhos, um do ladinho do outro, eu fiquei só observando o namoro de vocês. – Disse João cutucando o meu cotovelo.
— Não tinha namoro nenhum. – Respirei fundo. — Maria Luíza estava apenas me explicando o exercício, entenderam? Me explicando o exercício e só.
— Tudo bem Marcelo, te entendemos, não precisa ficar vermelho não, tá? Sabemos que acha a Maria Luíza uma gracinha, que está caidinho por ela, só não quer admitir. – Disse Diego.
— Ora, Diego. – Dei um soco no ombro dele. — Não quero admitir nada, pelo simples motivo de eu não sentir nada por ela, pronto.
— Tá bom, Marcelo, nós acreditamos. – Disse João dando uma piscadinha. — Mas que está escrito na sua cara, “Maria Luíza, eu te...”
Nem deixei ele terminar a frase, ameacei a levantar da cadeira para correr atrás dele, João saiu feito um foguete e o safado saiu rindo ainda por cima.
...
Tudo bem, não sou indiferente, Maria Luíza é mesmo uma gracinha, cabelo preto cacheadinho, pintinha no rosto, sorriso lindo, parece uma boneca de porcelana de tão branquinha, tem vezes que me pego olhando para ela, fico horas apenas a observando. Tudo o que eu disse são elogios, ok? Elogios! Mas não gosto dela, como namorada. Dizem que quando negamos que gostamos de alguém, é porque estamos escondendo que, na verdade, gostamos da pessoa. Não acredito nisso, não gosto de Malu de um jeito romântico, a nossa convivência está mais próxima de uma amizade, do que de um namoro. Mesmo que ninguém acredite nisso.
É isso, vou me despedindo por aqui, até a próxima!
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