Amo te odiar
28 A canção de Marcelo e Malu
Notas iniciais
Um deslise.
Bastou um deslise para que Malu ficasse chateada com Marcelo. Chateada foi pouco, ela ficou bem brava com ele, quase que a vida deles dá uma virada completa por conta de uma noite. Marcelo conversou com Malu, pediu desculpas, diz foi vacilo dele, mas que era normal, acontecia. Mas ela não queria ouvir, brigou com ele e pediu para dar um tempo, só para pensar.
— Está terminando comigo? — Perguntou Marcelo.
— Não, Marcelo. Não estou terminando, só estou pedindo um tempo para pensar. — Disse Malu. — Esse tempo também será bom para você entender que há consequências, e naquela noite nossas vidas poderiam ter mudado radicalmente, por causa de um esquecimento seu. Ainda estou brava com você, por isso preciso desse tempo para pensar e me acalmar.
— Está bem, Maria Luíza. — Marcelo falou com pesar. — Vamos ficar um tempo sem se ver. Quando as coisas acalmarem, eu volto a te procurar.
Marcelo saiu cabisbaixo do apartamento de Malu, até o beijo de despedida deles foi frio e carregado de tristeza.
...
Os dias passaram. Marcelo voltava para o escritório, após uma reunião. Enquanto dirigia passou em frente a um bar e que teria a noite do Karaokê. Ele teve uma ideia. Assim que chegou no escritório, pegou o celular e mandou uma mensagem para Malu, dizendo o seguinte:
— Oi, Malu. Não sei se ainda está brava comigo, mas queria conversar com você. Sei que errei, fui um idiota ao tratar o meu esquecimento como algo normal e não pensar em como isso poderia te afetar. Por isso, se você quiser, quero te convidar para sair, tem um bar em que terá uma noite do Karaokê. Podemos conversar, nos entender, talvez cantar um pouco. Enfim, resolver como ficamos. Sinto a sua falta. Eu te amo!
Malu recebeu a mensagem de Marcelo, leu atentamente e ficou pensativa, será que iria a esse encontro? Já se passaram dias, mas ainda estava bem chateada com Marcelo e ainda se lembra da discussão que tiveram.
Após o fim do trabalho, Malu voltou para casa e depois de muito pensar, respondeu a mensagem de Marcelo.
— Oi, Marcelo. Mesmo tendo se passado um tempo, eu ainda estou chateada com você, principalmente depois da nossa discussão. O que aconteceu poderia ter sido uma grande reviravolta em nossas vidas, virado literalmente de cabeça para baixo e isso me deixou muito brava. Confesso que, nesses dias em que estivemos separados, senti a sua falta, de estar com você. Também te amo muito e quero me acertar com você. Por isso, aceito o seu convite. Te espero no sábado. Eu te amo, Marcelo!
...
O encontro começou diferente. Combinaram de se encontrar no bar, Marcelo queria ir buscar Malu, mas foi opção dela de se encontrarem no local e que não precisaria de ele ir busca-la. Marcelo respeitou a decisão dela e foi sozinho primeiro. Alguns minutos depois, Malu chegou, o coração de Marcelo deu uma leve disparada, se cumprimentaram de forma discreta.
— Então, Marcelo. Pode começar. — Disse Malu, se sentando.
— Bom... — Começou Marcelo, apertando as mãos. — Quero que saiba que não foi por mal, não foi de propósito que esqueci. Tava tão empolgado, que acabei confundindo, tinha certeza de que tinha colocado, mas, na verdade, eu não tinha. Fiquei muito assustado com o que você me falou e depois que passou, fui um idiota ao te dizer tudo aquilo, que era normal esquecer, quando disse aquilo, não estava pensando em você. Por isso, eu queria te pedir desculpas e vou entender se continuar brava comigo, mas só peço uma chance para me perdoar e que não acabe com o nosso amor, por causa de uma besteira minha.
— Entendo o que disse, Marcelo. — Disse Malu. — Eu fiquei muito assustada, falando sério, eu entrei em pânico, já estava pensando em como ficaria a minha vida, o meu emprego, como eu iria lidar com tudo. Só que o que me deixou mais chateada foi ver você tratar o assunto com a maior naturalidade, te ouvir dizer que era normal esquecer. Agora eu te pergunto, Marcelo, e se o resultado tivesse dado positivo? Como iriamos fazer?
— Bem eu...iria assumir.
— Tenho certeza de que iria. Mas não estou falando apenas disso, não é apenas assumir um filho ou me pedir em casamento, se te conheço, já pensou nessa possibilidade, mas isso é fácil. Não é como em um fim de novela ou de um filme, em que eu falo que estou grávida, nos abraçamos, nos beijamos, vivemos felizes para sempre e vem o fim. Não, não é assim. As nossas vidas iriam mudar e muito, nós iriamos morar juntos, até que não seria uma ideia ruim, mas seriamos praticamente forçados a fazer isso. Eu teria que mudar a minha rotina de trabalho e adiar alguns planos que tenho. Você também tem sonhos, não tem?
— Tenho.
— Então, se tivesse dado positivo, você teria que trabalhar não apenas para se sustentar, mas para sustentar mais duas pessoas. Teria que adiar esses planos. Além de algo importante, nós não estamos prontos para ser pais, não agora.
— Se tivesse dado positivo, seria difícil, mas daríamos um jeito.
— Daríamos um jeito? — Malu riu de forma irônica. — Não entendeu nada do que eu disse, não é, Marcelo? Desse jeito, não há como conversar.
Malu se levantou e Marcelo segurou o braço dela.
— Maria Luíza, espera. Me desculpa pelo o que eu disse. Eu fiquei assustado só de imaginar o que disse, aí, quando isso acontece, eu falo um monte de asneiras. Por favor, fique e vamos conversar. Se for preciso, eu fico o tempo todo em silêncio, só você vai falar.
Malu voltou a se sentar e disse:
— Não precisa ficar quieto, eu quero ouvir a sua voz. Vamos encontrar uma solução juntos.
Malu fez um carinho na mão de Marcelo e continuou:
— Eu também te devo desculpas. Fiquei tão assustada e nervosa com tudo, que acabei descontando em você.
— Tudo bem. — Marcelo sorriu. — Nós dois erramos, e juntos vamos encontrar uma solução. Você me perdoa?
— Te perdoo.
Os dois quase se beijaram, mas foram interrompidos pelo dono do bar, que anunciou que a noite do Karaokê iria começar. Todos no bar aplaudiram e ele continuou dizendo que, para começar, precisava de um casal.
— Vamos? — Perguntou Malu, empolgada.
— Você quer ir cantar na frente de todo mundo? — Marcelo parecia espantado.
— Ora, Marcelo, vamos. Será divertido e também, será bom para afastar esse clima ruim entre nós. Na mensagem, você disse que talvez pudéssemos cantar.
— Tudo bem, mas já vou avisando que não canto muito bem.
Marcelo levantou a mão e junto com Malu, foi até o palco. Eles olharam o catálogo e uma música praticamente saltou aos olhos dos dois.
— É... — Disse Marcelo.
— A nossa música. — Completou Malu.
Malu disse que já tinham escolhido a música, então, o dono do bar colocou o código e minutos depois a música começou a tocar. Marcelo ainda estava bem tímido em cantar na frente de tantas pessoas, Malu segurou na mão dele e olhando nos olhos começou a cantar. Marcelo ficava fascinado ao ouvir Malu cantar e ela ficou impressionada ao vê-lo cantando, ele disse que não cantava muito bem, mas sua voz era bem suave. Suas vozes combinaram algumas vezes, na vez de cada um, cantaram o refrão, sempre se olhando nos olhos. Terminaram a canção cantando: “I hate that I love you so.. so..( eu odeio te amar tanto assim, assim ...)”.
Todos no bar aplaudiram os dois e até houve assobios. Marcelo e Malu agradeceram e saíram do palco, voltando para a mesa.
— Nossa, que nervoso. — Malu se sentou.
— E você estava mais preparada para cantar do que eu. — Marcelo fez o mesmo. — Você canta muito bem.
— Obrigada. E você, hein? Escondendo o jogo. “Eu não canto muito bem”. Sua voz é ótima, queria a ouvir o tempo todo.
— Agora que fizemos as pazes, posso cantar para você todos dias, sempre que quiser.
— Sim, fizemos as pazes. Mas, oh Marcelo, presta atenção no que vou te falar. É sério e importante. Da próxima vez que formos transar, se certifique que colocou o preservativo. Ouviu? Entendeu? Não vou aguentar passar por esse susto de novo.
— Entendido, antes de te amar vou verificar se coloquei e vou fazer isso antes de prosseguir. Sem preservativo, nem pensar. — Marcelo aproveitou para brincar com Malu. — Só se quisermos uma mini Malu ou um Marcelo Júnior.
— Marcelo! — Malu falou espantada.
— Estou brincando, meu amor. — Marcelo deu um beijo no rosto dela. — Tomarei mais cuidado da próxima vez. Eu te amo muito, Malu, não aguento ficar separado de você.
— Eu também te amo, Marcelo. Não quero nunca mais ter que separar de você.
Os dois se beijaram. Tudo terminou bem para os dois, passaram por um susto daqueles, brigaram, mas conseguiram resolver e reataram. Na noite do Karaoquê, a canção de Marcelo e Malu só fortaleceu o amor entre os dois.
Fale com o autor