Amigo? O que seria exatamente essa palavra?
Não há uma definição exata, cada pessoa tem a sua maneira de definir isso. Cada pessoa sente de uma maneira diferente.
Todos nós temos amigos, todos mesmo, sempre há alguém na vida com quem possamos contar, mesmo que às vezes não consigamos os ver.
Amizade é isso mesmo, e dar sem receber nada em troca. Ou pode ser compartilhar tudo.
Amigo que é amigo, faz as coisas porque que quer, e nunca espera nada em troca.
Sempre temos um anjo desse em nossas vidas, sempre mesmo. Assim como eu não soube enxergar o meu, muitas pessoas também não sabem enxergar os seus.
Eu tinha um anjo em minha vida, ela se chamava Anahí. Era a melhor amiga que eu poderia imaginar que eu pudesse ter. só que pra mim, naquela época, ela não existia. Eu viva em meu mundinho particular e não abria as portas para ninguém. Ninguém mesmo.
Era apenas eu e minha solidão constante, minha dor era tanta que eu apenas via tudo escuro, não conseguia enxergar a luz e muito menos o colorido. Tudo estava ruim, ou melhor eu era indigna de tudo.
Anahí era uma boa pessoa, estava sempre me ajudando em tudo, mas eu como era muito cega, nunca via.
-Dulce, você tem que prestar atenção na aula- xingou-me uma loira- se não você vai rodar! E isso não pode!
-desculpe, Anahí! Mas eu não consigo! E se eu rodar? Qual a diferença? Ninguém vai ligar mesmo?-revoltou-se
-eu ligarei, Dulce! e saiba que eu vou te explicar toda a matéria! Levarei o tempo que for necessário, o importante é você aprender!

-Anny, não se preocupe comigo! Eu sei que tu tens mais o que fazer, além de tentar ficar batendo com os burros n´água! Eu não vou aprender! E também! Não estou nem aí!-xingou ela
Dulce não queria ajuda de ninguém. Ela só queria ficar em seu mundinho, quietinha. Ela não queria a pena de ninguém. Pra ela as pessoas só falam com ela por pena. Porque além dela se achar feia, ainda por cima se achava indigna. Achava-se a pior pessoa da face da Terra.
Ela passava o seu recreio sempre sozinha. Algumas pessoas até a convidavam para ela passar com eles, mas ela sempre recusava.
Dulce Maria essa assim mesmo, não tinha mais jeito. Levava a vida solitária que ela queria. Mas no fundo, no fundo, ela não queria aquilo para ela. Mas tinha medo de arriscar, tinha medo de decepcionar as pessoas. Se ela não gostava dela mesmo, como os outros iriam gostar. Era algo incompreensível para ela.
Dulce então seguia sua vida solitária e triste, Anahí sempre tentava faze-la mudar de idéia, mas nunca, nunca ela dava bola. Sempre coitada a pobre da loira.
Apesar de tudo, a loira nunca desistia dela. sempre estava pronta para ajudar Dulce.
Dulce era muito cega e não via isso. Apenas se irritava com a pobre coitada e a tratava muito mal. Mas Anahí ignorava os desaforos, apenas pensava em fazer o bem. E Dulce era alguém a quem ela queria muito ajudar. Muito mesmo.
Até que um dia Dulce estava voltando para sua casa, quando do nada começa a ouvir barulho de sirenes. Eram viaturas policias. Ela assustou-se, o que será que estava acontecendo? Não entendia mais nada.

Até hoje ela não sabe explicar como aconteceu tudo aquilo. Só lembra-se de ver os bandidos passando na sua frente e os policias logo atrás. Só que o grande problema era que eles pararam logo adiante dela. a rua era sem saída. Os bandidos fizeram meia volta e saíram atirando para tudo quanto é lado. Um desses tiros era dirigido a ela, mas do nada Anahí aparece na sua frente e tomou o tiro no seu lugar.
Dulce ficou paralisada em choque. Não sabia o que fazer. Quando o choque passou, começou a gritar. E alguma pessoa que estava ali naquela momento chamou a ambulância.
-Anny, acorda! Pelo amor de Deus! Você não pode morrer!-deu tapinhas no rosto da loira
alguém tirou Dulce de cima de Anahí e pediu para que ela se se acalma.
Passado alguns minutos, a ambulância chegou. Os médicos realizaram todos os procedimentos necessários e Dulce pediu para ir na ambulância. Ela diz que é a colega de Anahí e que tinha a salvado do tiro. Os médicos acabaram concordando.
Dulce chorava o tempo todo na ambulância. Ela se recordava de que Anahí sempre tentava a ajudar; e ela nunca aceitou. Anahí era um anjo e ela a havia ignorado. A havia ignorado porque só pensava em ficar na sua solidão, porque não soube abrir os olhos e enxergar o que estava bem na sua frente. Como ela era burra. Só agora percebia como tinha jogado tudo aquilo fora. Dali poderia ter surgido uma amizade, uma parceria, mas não. Ela tinha jogado fora. Dulce só rezava para que sua amiga ficasse bem, para que ela sobrevivesse.
Dulce ficou o tempo todo no hospital e quando os pais de Anahí chegaram, ela não conseguia explicar-lhe como tudo havia acontecido, ela só conseguia chorar. Os pais de Anahí, sabiam dos problemas de Dulce Maria e mesmo estando mal, eles tentaram ajuda-la. Eles não a pressionaram, deixaram-na à vontade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.