Notas iniciais
Essa é a minha segunda história original (não me julguem), continuando a abordar a vida de Laís, porém outra "aventura", seu primeiro amor e como ele a mudou. Do mesmo universo do relato de uma garota depressiva, Laís conta a história de seu primeiro amor e como esse algo a mais com seu melhor amigo acabou se tornando uma amizade descolorida.Espero que gostem!

Caros leitores,

Aqui é a Laís Vargas Barreto novamente, porém agora nessas páginas escrevo mais uma história minha que marcou bastante emocionalmente. Esta é a história do meu primeiro amor, o cara que me fez perceber o que significa "estar apaixonada", amar alguém que não sua família e amigos de outro jeito de sentir. Alguém que foi o meu melhor amigo.

Como meu relato sócio-acadêmico, isso começou no colégio Cogumelo, uns 12 anos atrás mais ou menos. Eu e Lucas "estudávamos" juntos no Jardim de Infância do Cogumelo (não lembro muito bem como nossa relação era na época), em outras palavras brincávamos juntos, ele era da minha sala, por assim dizer meu amigo.
Depois do JI, Lucas mudou de colégio e eu continuei no mesmo até mudar pra Nova na 4a série do Fundamental e tudo o mais que aconteceu no meu relato.

Enfim, como todas as amizades, nos afastamos por um tempo. Até que Lucas me achou no facebook, me mandou mensagem e disse "estudei contigo no JI, esperava que pudéssemos nos conhecer melhor" (algo do tipo). Aceitei a solicitação de amizade e começamos de novo a fazer parte um da vida do outro (pelo menos virtualmente). Aos poucos fomos conversando, e a cada dia (conforme os anos se passaram e) por mais banais que fossem os assuntos, nos tornamos amigos íntimos (até demais em certos aspectos, pois perguntávamos coisas relacionadas a sexo um para o outro como curiosidades quando mais novos, mas eu não cheguei a perguntar nada muito “pesado” que eu me lembre).

Essa relação de forte amizade se estendeu por um longo tempo até que Lucas me pediu em namoro antes de nos conhecermos pessoalmente, na época estava confusa quanto se os meus sentimentos por ele eram de apenas amizade, ou algo a mais, além do medo que eu tinha por nunca ter beijado na boca (na época do pedido) e namorado sério. Com o meu olhar de hoje, percebo que eu o amava, mas ainda não tinha coragem, não sabia se estava pronta pra assumir algo tão sério com uma pessoa que eu nem ao menos vi com meus próprios olhos (querendo ou não vida virtual e real são coisas bem diferentes).

Apesar de ter recusado, continuamos nos falando normalmente depois de um tempo (acabei o ignorando para digerir tudo e me concentrar em outras partes de minha vida, também antes acabava fazendo isso de vez em quando), mas tentando marcar de nos encontrarmos. Eu normalmente acabava desmarcando esses encontros em cima da hora, pode se dizer pelo mesmo medo, ou algo parecido.

No entanto, o máximo que fizemos antes de nos encontrarmos pessoalmente foram conversas por skype (vídeo) com duração de horas afim como quando também acontecia em conversas de texto pelo chat do face e pelo whatts. Nosso primeiro encontro cara a cara foi no cinema do shopping Curitiba, conversamos um pouco antes de começar o filme e percebi que estava conversando com o mesmo cara do whatts, nossa química foi inegável, só um pouco prejudicada pela ansiedade de nunca o ter visto antes. Rolou até um beijo (rsrs, não foi o meu primeiro beijo, essa é outra história, hahah).

Depois disso, passei a encontrá-lo perto ou no salão de festas do prédio dele que era na frente de uma portaria do Clube Carrosel (já que eu fazia teatro lá), não nos encontrávamos toda semana, mas o suficiente para indo conhecendo-o melhor como amigo e também caso fossemos nos tornar algo a mais futuramente.

Assim como quando conversava com Lucas (não sei quando comecei a me sentir assim exatamente enquanto conversava com ele, ou se foi só quando me encontrei com ele que percebi o que sentia), e quando o encontrei no cinema da primeira vez, no primeiro daqueles encontros senti um bater de coração rápido, forte e intenso, mãos quentes e suadas, ansiedade (mais pra boa, como quando ia beijar alguém), um quentinho no peito, o quanto ele era importante pra mim e o quanto ele me fazia feliz e percebi que a felicidade dele era a minha felicidade, e entendi, estava apaixonada pelo meu melhor amigo.

Continuamos conversando e nos encontrando, cada vez mais os encontros passaram a ser mais românticos (alguns beijos, mãos bobas, sorrisos bobos e sinceros conseguidos com facilidade, mãos dadas, abraços) do que deveriam se fossemos apenas amigos, nessa hora sabia que eu o amava, tinha certeza que estava apaixonada por Lucas (já cheguei a me declarar pra ele — não pessoalmente – mas nossos metrônomos estavam dessincronizados – quando eu me declarava ele não me amava do mesmo jeito e vice-versa) e ele por mim (nessas horas houve a sincronia), apesar de não ter me pedido em namoro de novo, tínhamos um rolinho sério de alguns meses com encontros não-semanais que não eram mais do que isso porque ele não queria assumir compromisso pelos motivos dele.

As reviravoltas dessa história são as brigas que tivemos (que em minha opinião foram poucas) por diversos motivos. Depois que brigávamos eu tirava uma pausa na nossa amizade (simplesmente parava de conversar com ele por um tempo), até que eu esfriasse a minha cabeça e a importância de nossa amizade e amor de mim por ele superasse isso. Porém depois de nossa última briga nossa “amizade” ou seja lá o que tivesse sobrado disso, nunca mais foi a mesma.

Eis que estávamos conversando normalmente uma noite quando Lucas decide me perguntar algo, mas não sabia como ou se era adequado e eu insisti que ele me perguntasse se eu me masturbava (essa era a pergunta)! Mano que pergunta totalmente mais invasiva (ele também havia me perguntado antes em outras conversas, quando eu queria perder minha virginidade, etc)!

Brigamos e simplesmente paramos de conversar, minha intenção era nunca mais falar com ele na vida, porém ele era meu melhor amigo poxa vida! Com Lucas eu podia ser eu mesma, ele me amava do jeitinho que eu era e eu o amava também do mesmo jeito, ele me entendia, sempre estava lá por mim quando eu mais precisava (assim como eu também estava para ele), amava cada qualidade minha e aceitava cada defeito meu, ele me conhecia mais do que ninguém (sorry Amanda kkkk), ele era importante pra mim, me fazia sentir de um jeito que nenhum outro homem havia feito na vida! Ele me fazia feliz e percebi que a felicidade dele era a minha felicidade, eu o amava!

Depois dessa briga fiquei sem conversar com ele por um tempo, entretanto ele era importante demais pra eu simplesmente jogá-lo fora da mina vida, tentei ser amiga dele de novo, puxava conversa no whatts às vezes e as conversas não duravam nem uma hora direito. Com o passar do tempo, nem ele nem eu puxávamos mais conversas, não havia mais o “esforço”, aquela reciprocidade de fazer aquela relação dar certo como sentia com ele e senti com pouquíssimas pessoas. Resolvi tentar convencê-lo de se encontrar comigo para saber aonde isso ia dar, mas Lucas quebrou meu coração e o resto de nosso whatever ao me contar que estava namorando e que ele e sua nova namorada não aprovavam eu me encontrar e continuar amida dele. Não converso com ele desde então, pois aquele homem que amei morreu pra mim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!