A única certeza que tenho nesse mundo é que não existe amor. Na verdade, o amor é uma grande bobagem, as pessoas se machucam com ele, principalmente mulheres. Se eu já senti amor por alguém? Já. E foi exatamente por isso que cheguei a essa conclusão. Após a morte da minha mãe comecei a namorar um garoto que era meu “sonho de consumo” desde criança. Namoramos por quase dois anos e descobri que ele me traia sempre que tinha oportunidade. A parti dai passei a desacreditar no amor.

– Jade, por favor. Para de chorar!

Estávamos deitados no sofá da minha casa, eu enterrava minha cabeça em seu peito e ele acariciava meus cabelos em uma tentativa inútil de me acalmar.

– Eu não acredito. Como ele teve coragem de fazer isso comigo Cobra?

– Não queria dizer isso, mas eu te avisei que aquele cara era um babaca Jade. E você me escutou? Não!

– Não é hora de me dizer isso, não resolve o problema! Você deveria estar me consolando e limpando as minhas lágrimas.

– Você tem razão, me desculpa. -ele disse e colocou a mão no meu queixo o erguendo pra que eu o olhasse- Ele não merecia nenhuma das suas lágrimas, por isso não quero te ver chorando. -ele então seca as que restam com o polegar.

– Eu sei -digo baixinho.

– Tenho que ir, já está tarde. Promete que vai ficar bem?

– Não, eu preciso de você. Dorme aqui comigo?

Cobra

Jade me olhou com aquele olhar que convence qualquer pessoa e não tive coragem de dizer não a ela. Ela precisava de mim e eu tinha que estar ao lado dela nesse momento. Pedi que esperasse um tempo para que eu fosse até minha casa buscar as minhas coisas. Já estava preparado para ouvir o interrogatório da minha mãe. Ela iria ficar muito feliz em saber que eu dormiria na casa da Jade. Na imaginação dela, eu e a Jade éramos apaixonados um pelo outro e não tínhamos coragem de admitir. Sonho! Como eu morava uma rua depois dali não demorei nada. A porta da sala de Jade ainda estava aberta a minha espera e ela estava sentada no sofá olhando fixo para um ponto qualquer.

– O que é isso Jade?

Perguntei ao perceber o que ela estava vestindo. Um “pijama” que não era dos mais indecentes, mas ainda sim chamava atenção. Um shortinho que ia até o meio da coxa e uma blusa de alcinha, que realçava seus seios. Desde quando Jade tinha aquele corpão?

– Isso o que? –ela percebeu meu olhar para seu corpo e sorriu corada- Ah, é que eu durmo de pijama. –ela brincou quebrando o clima- Esta muito ruim?

– Não, assim está ótimo!

– Vamos dormir, eu estou morta de sono.

Ela foi em direção ao quarto e eu a segui. Ela praticamente se jogou na cama e me olhou para que eu fizesse o mesmo. Só para lembrar, eu estava muito sem graça. Nunca tinha visto a Jade como mulher, pra mim ela sempre tinha sido uma menina indefesa que precisava dos meus cuidados. Deitei ao seu lado de barriga para cima, sem muito me mexer Ela jogou as pernas para cima de mim e deitou em meu peito. Comei a acariciar seus cabelos e consegui relaxar.

– Obrigada por tudo Cobra, você é um amigo maravilhoso. Eu amo você.

– Eu amo mais.