Amizade Colorida - Cobrade
10 Capitulo 10
Notas iniciais
Jade
Após alguns minutos conseguimos voltar para o quarto sem sermos vistos por ninguém. Ainda podia sentir meu coração acelerado, tanto pelo sexo como pelo medo de ser pega ali. Mas, sinceramente, eu faria tudo de novo. É muito bom correr riscos, principalmente se for junto com o Cobra. Já ele parecia não se importar.
– No que está pensando? –ele perguntou enquanto terminava de secar o cabelo, havia acabado de sair do banho.
– Tem uma coisa que eu preciso te contar.
– Aconteceu alguma coisa?
– Não, nada muito importante. É uma bobagem, na verdade, mas acho que eu devo te contar. –ele me olhou e sentou-se ao meu lado- Promete não ficar chateado? -ele balançou a cabeça em sinal positivo e deu sinal para que eu proceguisse- É que quando eu saí para fazer as minhas fotos eu conheci um cara e ele me ajudou, me mostrou o lugar de novo, porque eu estava meio perdida.
– É isso? Tudo bem, por que eu ficaria chateado?
–Por que ele me chamou pra jantar e eu aceitei. –falei mais rápido do que deveria e pude perceber que ele levantou nervoso.
– Você o que?
– Eu aceitei! — Pode repetir, por favor. Você não esta falando sério está? -Claro que estou. Qual o problema disso? Parece que eu disse algo muito absurdo. Fala sério, é só um jantar. Ele é simpático e tem uma conversa boa, nos identificamos em várias coisas.
– Qual o problema? Acho que você se esqueceu de que nós viemos juntos para cá, essa é a nossa viajem e temos que sair juntos!
– E por isso eu tenho que ficar presa a você? As coisas não são assim. Eu não estou te entendendo. Juro que não. Acabamos de nos conhecer, somos só amigos, qual o problema?
– Eu e você somos amigos, não somos? E olha só para gente, acabamos de transar. E fazemos isso frequentemente.
– O que você quer dizer com isso? Quem acha que eu sou? Essas piranhas que transam com o primeiro homem que veem? Eu não sou assim! Achei que você soubesse disso.
Sentia meu rosto queimando de raiva, um nó se formava em minha garganta e se eu não me controlasse iria chorar a qualquer momento. E eu não queria chorar na frente dele, não mesmo. Idiota! Não acredito que esse é o conceito dele sofre mim. Ou, pensando melhor, ele disse isso da boca para fora? Ele pode ter ficado com ciúmes e... Não, não! Não quero me iludir.
– Não foi isso que eu quis dizer, me perdoa. –Fraca! Eu já estava chorando. Ele se aproximou e secou minhas lágrimas com o polegar- Você sabe que eu não penso isso, pelo contrário. Você é diferente de todas essas meninas.
– Se não é isso que pensa, por que disse?
– Eu não sei. Não sei, eu acho que fiquei com medo.
– Com medo de que? –perguntei e uma pontinha de esperança começou a crescer dentro de mim.
– Medo de te perder. Você é uma ótima amiga e eu não quero ser substituído.
– Você não vai, seu lugar ninguém toma. Você confia em mim?
– Confio. Mas... A gente não conhece esse cara, vai que ele é algum maníaco ou esquizofrênico? –não consegui segurar a risada.
– Cobra, nós não estamos em um filme. Mas pode ficar tranquilo, eu sei me cuidar. Vamos jantar no restaurante do hotel mesmo. Se acontecer alguma coisa, o que eu acho difícil, eu grito e você aparece pra me salvar.
Cobra
Ela saiu saltitante e foi tomar banho. Parecia uma adolescente iludida com o primeiro encontro. Esse cara é um babaca, tenho certeza. Faz pose de homem romântico, mas no final só vai querer leva-la para cama. Mas eu não vou deixar isso acontecer, o único nome que ela pode gemer é o meu. Ela saiu do banheiro apenas de calcinha e sutiã, uma lingerie vermelha de renda que me deixava louco. Por que colocar uma coisa tão sexy se ninguém vai ver? Será mesmo que ninguém vai ver? Quando me desliguei dos meus pensamentos ela já tinha terminado de se maquiar e me pedia ajuda para fechar o vestido preto, curto e justo, que marcava todas as suas curvas. Aproximei-me de seu pescoço e tentei fazer um chupão ali para tentar marcar território, mas ela se afastou de mim, impedindo-me.
– Tem certeza que não prefere ficar aqui comigo? Sua noite vai ser bem mais divertida.
Aproximei-me para beija-la e, dessa vez, ela não me impediu e deu abertura para minha língua. O beijo dela estava diferente dos de sempre, estava mais quente e excitante. Será que ela está liberando hormônios só de pensar nesse tal homem?
– Tenho que ir, depois continuamos de onde a gente parou.
Ela virou as costas para mim e saiu rebolando. Ela iria passar a noite se divertindo com outro homem e eu aqui, sozinho neste quarto. Esperei vinte minutos mais ou menos, coloquei uma roupa e fui para o restaurante. Eles estavam sentados em um mesa em um canto mais reservado, fiquei observando de longe. Ela estava rindo, então ele era engraçado. Pode até ser, mas aposto que ele não é mais engraçado do que eu e nem sabe a hora que deve parar de fazer graça e falar sério. O garçom chegou servindo um vinho. Ótimo! Interrompeu o assunto. Porra! Ele está segurando a mão dela. Eu vou lá! Não, não posso ir lá. O que eu vou dizer? Vim buscar minha garota? Não posso, até porque ela não é minha garota, ou é?
Desisti de ver aquela palhaçada, fui para o bar, que ficava afastado do local em que eles estavam e pedi uma dose de qualquer bebida forte.
– O que um rapaz jovem como você faz aqui sozinho? –o barman perguntou e olhei para ele desinteressado.
– Não é da sua conta!
– Eu percebi que você estava observando aquele casal...
– Eles não são um casal. –falei com a vos alterada e bati as duas mãos no balcão, fazendo ele se assustar.
– Não é o que parece. –esse cara quer morrer?
– Não estou vendo nada de mais ali, eles são só amigos. Na verdade, ela está comigo.
– Sei que não tenho nada com isso, mas se eu fosse você não deixaria isso assim. Ela fica lá se divertindo e você aqui? Parecendo um homem que acaba de tomar um pé na bunda. Está vendo aquelas meninas sentadas aqui do lado? Elas garantem uma noite maravilhosa, só precisam de uma ajudinha, se é que em entende. Se quiser posso te apresentar a elas.
– Não, eu não preciso disso. Pensando bem, acho que elas podem me servir para alguma coisa sim.
O garçom fez um sinal para uma delas, que levantou e veio em nossa direção. Ela tinha os cabelos lisos, longos e ruivos. Era bonita. Com certeza me chamaria atenção se não fosse pela roupa que dizia subliminarmente “me coma”. Adiantei um dinheiro a ela e lhe dei todas as instruções. Segui de mãos dadas com ela em direção à mesa, eu estava fora de mim. Até agora não estava entendendo porque eu estava fazendo isso, mas agora já era tarde. Jade tinha nos visto e me olhava com a testa franzida e um semblante nada bom.
– Jade, que coincidência te encontrar aqui. –disse falso e esboçando o melhor sorriso que eu podia- Essa é a Sabrina, uma amiga. Podemos jantar com vocês?
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