Amizade Colorida

2 Aquele do garoto de Bolton


Notas iniciais
Então, aparentemente por algum motivo estranho eu acabei postando o terceiro capítulo antes do segundo, socorro. Deve ter ficado um pouco confuso, por isso tive que editar tudo de novo e colocar esse capítulo que foi esquecido. Enfim, espero que gostem e prometo não me atrapalhar assim sempre auehuahe boa leitura ♥

— Volto de noite, amadinhos. — Tia Sam falou saindo de casa e deixando eu e Chuck sozinhos ao esperar os garotos.

Nós estávamos no sofá e eu tinha meus pés sobre o colo de Chuck, que fazia massagem nos mesmos. Minhas meias do uniforme estavam atiradas em algum canto do chão do quarto de Chuck, assim como meu blazer e minha camisa. Eu usava uma regata fininha que eu havia deixado na casa de Chuck e minha saia do uniforme ainda, enquanto ele vestia uma bermuda e uma camiseta do Blink-182. Na TV passava um documentário sobre répteis: ele assistia atentamente, o que eu achava muito engraçado, e eu mexia no meu celular, alheia ao programa.

Senti uma de suas mãos subir pela minha perna, massageando minha panturrilha, e me assustei, o que fez Chuck gargalhar.

— Calma, lindinha. — Ele disse e eu revirei meus olhos rindo.

— Eu não tava preparada, tá. — Respondi fazendo birra e dobrando minha perna. Chuck beijou meu joelho e estendeu minha perna gentilmente, voltando a massagear meus pés.

— Seus joelhos cheios de roxo são tão bonitinhos. — Ele disse sorrindo com o canto do lábio de forma perfeitamente encantadora.

A campainha tocou. Pulei do sofá, indo até a porta de entrada, já que certamente eram os garotos. E, bom, uma parte deles realmente era. Zac usava seus óculos de sol, sua camiseta azul escuro com um pequeno bolso mais claro no peito, uma bermuda bege e carregava seu violão embaixo do braço. Ao lado dele, de braços cruzados, estava o famoso primo. Eu juro por Deus que meu coração acelerou só de vê-lo. Cabelos escuros e encaracolados, pele clara com algumas sardas espalhadas pela mesma, enormes olhos azuis e o sorriso mais bonito que eu já havia visto resumiam o ser que estava parado na minha frente.

— E ai, Kat. — Zac disse me dando um beijo na bochecha antes de entrar, com seu primo junto. — Esse é o Jesse, meu primo.

— Muito prazer. — Falei estendendo minha mão para que ele pudesse apertá-la, e ele o fez.

— É todo meu. — Eu já tinha me acostumado com o sotaque inglês de Zac, mas o de Jesse era mais forte e, misturando com a sua voz rouca, ele conseguiu arrancar um arrepio atrás de minha nuca.

Chuck levantou do sofá e foi até nós, com seu melhor sorriso simpático estampado em seus lábios. Ele e Jesse se cumprimentaram com um toque de mãos que puxava pra um tipo de abraço rápido.

— Zac falou muito de você, eu sou Chuck, o baixista. — Meu amigo se apresentou ainda demonstrando simpatia.

— O Harry ainda não chegou? — Zac perguntou se acomodando no sofá. — Que folgado. — Seus pés estavam sobre a guarda do sofá e ele afinava seu violão em seu colo.

Sentei na poltrona que estava perto do sofá, com meu caderninho de letras e uma caneta em mãos. Chuck e Jesse conversavam sobre algo que eu não prestava atenção, mas pareciam se divertir como se conhecessem há anos. Prendi meus cabelos em um coque bagunçado e apoiei meus pés na mesa de centro, acomodando meu caderno em minhas coxas. A campainha tocou mais uma vez, era Harry. Pouco depois todos já tinham conhecido o possível novo guitarrista e se acomodado com seus respectivos instrumentos, menos Harry, que era o baterista, em volta do sofá.

— Kat, certo? — Jesse perguntou já com seu violão no colo, terminando de afiná-lo. Assenti com a cabeça e ele sorriu. — Você é da banda também? — Ele perguntou sem um pingo de maldade em sua voz, o que me impediu de ficar brava.

— Não sou não, eu só ajudo na composição às vezes. — Respondi rabiscando formas abstratas no cabeçalho da folha do caderno.

— Você canta? — Ele fez mais uma pergunta já com seu violão pronto para ser tocado.

— Olha, canto, mas não canto bem. — Falei brincando e Chuck me repreendeu com o olhar.

— Ela canta muito bem, e as letras dela são incríveis. — O loiro me corrigiu revirando os olhos cinzentos. — Você compõe?

— Sim, na verdade posso mostrar pra vocês uma que eu escrevi semana passada. — Ele disse começando a dedilhar as notas iniciais.

A melodia era simples, mas muito gostosa, dava vontade de fechar os olhos pra ter a experiência completa. Ele cantava sem fazer nenhum esforço, e cada palavra que saia da boca dele era extremamente sexy. Adicione o fato dele eventualmente erguer seus olhos até os meus com um sorriso no canto do lábio e entenda o porquê de eu ter me arrepiado por completo. Na metade da música eu já acompanhava a melodia de olhos fechados, a voz dele havia me carregado para outra dimensão. Quando chegou ao fim, eu tive que respirar fundo para não pedir para ele continuar. Ele era bom nesse nível.

— Eu chamo essa de Baby Came Home. — Ele falou depois de concluir a música. Abri meus olhos e olhei em volta, todos estavam com expressões parecidas: apaixonados pela música.

— Cara, eu sabia que você era foda, mas essa música tá demais. — Zac falou animado. — Aprovaram, guys? — Ele perguntou aos outros que ainda estavam chocados.

— Definitivamente! Seja bem-vindo, Jesse. — Chuck exclamou se hesitar. Os garotos vinham procurando um guitarrista/segunda voz há muito tempo, então alguém que além disso sabia compor muito bem era quase um milagre para eles.

A tarde passou rápido. Os meninos compartilharam músicas que já tinham, tocaram e quando a noite chegou parecia que eles eram amigos de longa data. Como sempre, eu fiz um comentário aqui e outro ali em relação às músicas, mas passei a maior parte do tempo escrevendo minhas ideias para letras em meu caderninho. Às vezes ajudava nas harmonias também, mas nada muito grande. Em maior parte, fiz meu dever de casa jogada na poltrona enquanto escutava-os tocar. Eram nove horas quando tia Sam entrou pela porta e pediu para que não tocassem mais, já que ela trabalharia cedo no outro dia.

— Tem uma festa na sexta-feira, quer ir? — Zac perguntou para Jesse enquanto nós comíamos na cozinha.

— Claro, sempre quis saber se as festas americanas são como nos filmes. — O dono dos olhos azuis respondeu brincalhão com seu sotaque forte estupidamente sexy.

— Você é da mesma cidade do Zac? — Perguntei balançando minhas pernas, já que estava sentada na bancada da cozinha.

— Não. Ele é de Harrow e eu sou de Bolton. Bolton é bem no norte da Inglaterra, enquanto Harrow é só meia hora de Londres. — Ele respondeu tranquilamente, comendo um pedaço da pizza que pedimos. — Você é daqui de Santa Mônica mesmo?

— Nascida e criada. — Respondi sorridente.

— Ela mora do lado lá de casa, foi ela quem me mostrou a cidade quando eu cheguei aqui. — Zac disse e Jesse sorriu discretamente.

— Talvez você possa me mostrar a cidade amanhã. — Ele disse com seus olhos azuis completamente sugestivos a me olhar. Obviamente não reclamei.

— A Kat é bem ocupada, amanhã ela tem aula de tecidos acrobáticos. A gente também é daqui, podemos mostrar a cidade sem problemas. — Chuck falou antes de eu poder falar qualquer coisa. Olhei pra ele incrédula.

Não preciso nem dizer que depois disso Jesse não voltou a puxar assunto comigo, e eu não tive vontade de mais nada que não fosse bater no Chuck. Os garotos voltaram para sala e ele e eu ficamos na cozinha para ajeitar as coisas.

— Que porra foi essa, Chuck? — Perguntei ainda irritada. Ele me olhou como se não soubesse do que eu estava falando e eu bufei ainda mais estressada.

— Calma, Kat. Eu não falei nenhuma mentira, falei? — Ok, isso era verdade. Mas não justifica. — Eu te conheço, Kat. Começa com um passeio pela cidade, de repente você se apaixona sem conhecer o cara direito e quebra a cara no final porque ele não era como parecia ser. Me deixa cuidar de ti dessa vez. — Ele pediu e um flashback de todas as vezes que coisa parecida aconteceu veio na minha cabeça.

— Deixo. — Eu disse me dando por vencida. Ele sorriu e, com suas mãos segurando meu rosto, beijou-me a testa lentamente.

— Dorme aqui hoje? — Ele perguntou com um sorriso inocente nos lábios e eu assenti. Isso era tão frequente que eu tinha tudo aqui, desde escova de dentes até a muda de roupa. — Você é a melhor.

— Eu sei, loirinho. Agora vamos pra sala mandar os garotos embora porque eu tô com sono. — Eu falei bocejando e ele riu. Rumamos de volta para a sala e deparamo-nos com os guys recolhendo suas coisas, todos com olhos cansados.

Desbloqueei a tela do meu celular e vi que já passavam das onze. Eu era muito neurótica em relação a quantas horas de sono eu tinha que dormir por noite, que eram 10, então quando percebi que só teria, no máximo, oito horas de sono soltei um grunhido.

— Kat, você quer uma carona pra casa? — Zac perguntou com seu jeito doce de sempre. Sorri agradecida, mas neguei com a cabeça.

— Vou dormir aqui hoje, mas brigada, Zacky. — Eu expliquei bocejando mais uma vez – o sono estava tomando conta de mim. Minha mãe estava em uma viagem de trabalho e eu não vivia com meu pai, então dormir na casa de Chuck era uma ideia mais agradável do que ficar na minha casa completamente sozinha.

— Ah, certo. Nós já vamos andando, então. — Zac anunciou me dando um beijo na bochecha e apertando a mão de Chuck daquele jeito esquisito que os caras fazem. Jesse fez o mesmo, mas no lugar da minha bochecha, beijou minha mão.

— Boa noite. — Ele falou com um sorriso de canto em seus lábios. Senti meu rosto corar e os pelos de minha nuca se eriçarem. Harry me deu um abraço forte, daqueles que levanta os pés do chão e se despediu de Chuck como os outros dois, não muito depois nós estávamos sozinhos.

— Eu tô morta, Chuck. — Eu disse coçando meus olhos, que a essa altura já encontravam dificuldade em se manterem abertos, enquanto meu amigo apagava as luzes da cozinha.

— Vamos subir, então. — Ele me convidou, já perto das escadas, e eu o segui sem hesitar.

A casa de Chuck não era enorme, mas tinha espaço suficiente para que ele, sua mãe e sua irmã mais nova morassem. Tia Sam já estava no décimo sono, enquanto Amy, a irmãzinha de 14 anos, estava na casa de uma amiga, o que deixava a casa silenciosa o suficiente para até o ranger das tábuas do chão ser irritante. Entrei no quarto de Chuck logo depois dele, escovei meus dentes e ele foi tomar um banho antes de deitar.

Abri o armário e retirei uma camiseta do Nirvana que era a minha favorita dele para dormir. Tirei minhas roupas, aproveitando que meu amigo estava no banheiro, e vesti a camiseta e um short de moletom rosa bebe que eu guardava ali na gaveta que ele tinha me cedido. O quarto de Chuck era muito confortável. A cama de casal ficava encostada no canto da janela, que era bem grande, e tinha muitos travesseiros e cobertores. A parede em que ficava a cabeceira tinha muitos pôsteres e fotos, já que ele gostava de fotografar. Tinha uma mesinha ao lado da cama, com uma luminária, e um armário não muito grande na parede contrária à da janela. Ao lado da mesinha ficava a porta do banheiro e na parede em frente a cama ficava uma televisão, com um videogame, e o violão e os três baixos de Chuck, todos nos respectivos apoios.

Joguei-me na cama e liguei o ar condicionado, soltando meus cabelos finalmente. Não demorou muito e Chuck saiu do banheiro, com o corpo úmido e uma toalha presa em volta do seu quadril. Eu já estava acostumada a ter aquela visão, mas certamente se eu não tivesse teria ficado boquiaberta. Como não era o caso, continuei mexendo no meu celular enrolada nos cobertores.

— Você sempre coloca o ar condicionado no mais frio possível, não consigo te entender. — Chuck disse ao vestir uma boxer por baixo da toalha, deixando que a mesma caísse depois de terminar de colocar.

— Só assim pra conseguir dormir nessa cama, é muito cobertor. — Eu respondi bloqueando a tela do celular e voltando meu olhar para ele, que pendurou a toalha no banheiro, apagou a luz e se jogou na cama.

— Tô cansado. — Ele constatou já embaixo das cobertas e deitou sua cabeça em meus peitos. Meus dedos correram por seu cabelo, fazendo cafuné. Eu conseguia ver seus olhos fechados mesmo no escuro, assim como seu sorriso de canto. Um de seus braços passava por cima de mim, abraçando-me, e suas pernas se entrelaçavam nas minhas. — Eu amo seu cheiro. — Ele sussurrou baixinho e respirou fundo.

— Boa noite, Chuck. — Eu falei fechando meus olhos também e, na minha mente, eu só enxergava olhos azuis.

Notas finais
Gostaram? ♥