Amizade Colorida
2 Jamie e Dylan
Notas iniciais
2. Jamie e Dylan
Flintwood era uma micro-cidade que ficava dentro de Nova Iorque. Não podia ser considerada uma cidade, pois tinha apenas algumas ruas com poucas casas. O que mais tem lá é lojas de departamento — como Apple, Zara, etc — e empresas grandes. Em Flintwood o clima é perfeito, pois não possui muitos moradores de rua, não possui muitos carros e as pessoas não arrumam muitas confusões, além de ter garotas lindas — tanto de corpo como de rosto — e poucos homens. Era a cidade perfeita para Dylan arrumar uma bela namorada sem precisar se preocupar com presenças indesejadas, como os ex-namorados de suas namoradas e inimigos datados, e sem precisar esquentar a cabeça com separações inusitadas.
Dylan desembarcou no aeroporto internacional de Nova Iorque. Chegando lá, Jamie estava à sua espera. De cara Dylan achou a moça de olhos marrom claro de cabelos lisos perfeitos ideal para ter uma relação séria sem se comprometer e se preocupar com confusões adversas. Ele riu quando chegou perto dela, pois a garota segurava uma placa com os seguintes dizeres: "Dylan Zaper, estou te esperando para acompanhá-lo". O fato da placa dizer "acompanhá-lo" era o que fazia ele rir, pois onde morava e residia no trabalho, as tais acompanhantes eram conhecidas por serem garotas de programa, ou prostitutas.
– Olá — Disse ele, constrangido, pois a moça estava muito bem arrumada e com um perfume deslumbrante, e ele com shorts curtos camisa branca simples e um chinelo azul.
– Boa tarde. Dylan Zaper? — Ela perguntou, dando um sorrisinho falso.
– Sim sou eu.
– Eu vou guiá-lo até o seu hotel para você se trocar e em seguida vamos direto para a empresa, QQ, onde fará sua entrevista.
– Claro, claro — Ele gaguejou falando a frase toda, pois não acreditava que podia chamar uma garota tão bonita, com o corpo tão perfeito, de acompanhante — Posso perguntar qual é o seu nome?
– Com certeza — Ela deu o mesmo risinho que tinha dado antes — Jamie Culling.
– Você é muito bonita, quero dizer, perfeita.
– Obrigado. Você também não é de se jogar fora. Já pegou sua bagagem?
– Não, estou esperando vir. Ainda não passou pela esteira. — Ele deu uma coçada rápida na calça, pois estava percebendo que estava ficando ereto de tão bela que era a moça.
– Pode deixar que eu resolvo o seu problema. Como a sua mala é da QQ , eu já sei qual pegar. Já volto.
Ela tirou o salto, pulou em cima da esteira de bagagem e entrou no canto destinado à passagem de mala. Deu um gemido por conta de uma batida que ela tinha dado no cotovelo. Dylan não aguentou e ficou com o negócio dele totalmente duro. Quando ele percebeu que a calcinha dela era branca e dava para ver por causa que ela estava com uma mini-saia ele não aguentou e mexeu o dedo para cima e para baixo na calça umas cinco vezes, parecendo que estava se masturbando.
Quando ela voltou, ele disfarçou a ereção ajeitando o pé para a esquerda, onde o volume da calça ficava proporcional.
– Vamos, gostosão. — Jamie geralmente chamava todos os homens que acompanhava de gostosão, como se fosse um costume, mas Dylan interpretou aquilo como uma cantada das pesadas.
– Vamos, gostosona. — Retrucou ele, ainda gaguejando.
Ela deu um risinho e o acompanhou até o carro — uma BMW vistosa e vermelha — onde colocou as malas. Andaram mais uns 85 quilômetros para chegarem em Flintwood, onde ele subiu no hotel designado a ele e se trocou. Ele parou um instante para usar o banheiro, mas Jamie não tinha percebido e deu vontade dela usar o banheiro também. Como ele não tranca portas, ela entrou despercebida e se deparou com Dylan completamente nu, fazendo xixi.
– Caralho! Que pintão! — Ela percebeu que falou demais numa hora não apropriada — Ai meu Deus. Falei besteira. Me desculpe, me exitei e falei merda. Eu sou assim, sabe? Desde que eu terminei com meu último namorado eu vivo no mundo da lua e falo o que me dá na cabeça. Sério, me desculpa?
– Tudo bem, eu estou acostumado — Disse Dylan levantando a calça e lavando as mãos — minha namorada morreu uns dias atrás, por isso resolvi vir pra cá.
– Que bad, minhas condolências. Mas como eu ia falando, não tenho muita sorte no amor. Geralmente não fico com um cara mais de duas semanas.
– Nossa! Minha situação é a mesma. O namoro mais longo que eu tive durou três semanas e dois dias. Mas não foi um namoro "consumado", tanto que nem cheguei a transar com ela.
– Que coincidência! — Ela deu novamente o risinho — O melhor a fazer é esquecer o passado, pois quem vive de passado é museu. Vamos aos "finalmentes", pois já estamos atrasados para a sua entrevista. Quando acabar, se você quiser ir na minha casa assistir um filme é só falar. Eu trabalho no sexto andar, só pra constar.
– É claro que eu quero. Como eu ia dizer não para uma garota tão linda, não é?
– Não sou linda, para de falar merda. Vamos logo, se não você vai virar um pintudo desempregado.
Rindo, os dois saíram para a entrevista de Dylan. Ele era designer de modelos de sites e revistas e ia trabalhar na QQ, que era uma empresa de revistas e jornais.
Chegando na sede, Jamie o levou até a sala de entrevista.
– Você fica aqui e eu subo. Não esquece que eu trabalho no sexto andar. Quando acabar é só me chamar.
– Muito obrigado, Jamie. Se não fosse por você, eu não chegaria aqui na hora marcada. Quanto acabar pode deixar que eu te chamo.
– Então tá. Beijinhos.
– Abraço. — Dylan falou sem pensar, por isso ficou puto consigo mesmo por dizer "abraço" e vez de "beijo".
Ele entrou na sala de entrevista e demorou quase duas horas para sair. A lista de empregos que ele já teve era extensa (eram mais de 540 empregos) e ele tinha que explicar como era cada um, detalhadamente.
Já Jamie trabalhava sem cessar, mesmo estando com um tédio horrível e sentindo falto do que mais gostava, um contato masculino para acalmar seus nervos. No momento ela sabia que não podia se relacionar sério com um homem porque sua cabeça estava atolada de insatisfação por causa dos foras dos outros namorados. Quando o trabalho deixou um arzinho livre, ela rapidamente abriu uma nova aba em seu navegador e entrou no Google. Pesquisou: "Relacionamento sem se envolver psicologicamente". Saiu vário resultados, mas um nome entre todos destacou o ponteiro do seu mouse: "Amizade Colorida, entenda o que é". Com a curiosidade aflorando sua cabeça ela começou a ler:
"A amizade colorida é um tipo de relacionamento onde duas pessoas, “supostamente” amigas, acabam se envolvendo de uma maneira mais “profunda”. É o paralelo entre uma amizade verdadeira e umas “pegadas” ocasionais. Mas este paralelo é tão “doido” que acabam se encontrando como se fossem duas retas concorrentes. Ta! chega de loucura de matemática-geométrica-sentimental e vamos ao que importa. Na postagem de hoje tentarei falar, nos pormenores, o que seria uma amizade colorida, de onde ela vem, porque acontece e tudo mais que possa ser pertinente falar. Sei que muitas pessoas estão neste tipo de relacionamento, algumas supostamente aproveitando os “benefícios” e outras sofrendo de verdade por se darem conta de que fizeram mal tal escolha. Depois de termos explicado que o melhor namoro vem da amizade, agora é hora de falar de que tipo de amizade eu estava falando."
Ela parou para ver os tipos de amizade colorida que existiam, um se destacou: "Entre amigos do dia-a-dia". No texto, dizia que a amizade colorida entre os amigos do dia-a-dia começa quando o homem ou a mulher sentem atração meramente sexual e física pelo outro colega, não querendo ter uma relação séria. Apenas ter sexo casual e quando acabasse a transa, os amigos agiam como normalmente agem os amigos.
"Como eu nunca pensei nisso?" — Pensou Jamie enquanto analisava as imagens do post — "Preciso encontrar um amigo colorido pra mim ainda hoje." — Mas Jamie ficou melancólica, pois era próxima demais de todos os seus amigos. O que ela ia fazer agora? Não podia ficar com seus amigos íntimos e ter sexo casual com eles, pois ela morria de medo de brigar e nunca mais olhar na cara deles. — "E o tal do Dylan? Pelo que eu vi ele é super legal, daria um bom peguete. Além do mais ele é super dotado pelo que eu pude ver. Vou tentar com ele hoje, quando a gente tiver assistindo o filme lá em casa!" — Ela deu uma risadinha e se levantou para encontrar seu chefe, que queria ter uma conversa com ela.
– Sente-se, senhorita Jamie. Nós temos muito o que conversar. — Disse o chefe, estendendo a mão para a cadeira designada para ela sentar.
– E o que gostaria de falar, chefinho? — O jeito carinhoso dela chamar as pessoas era sempre mal interpretado pelas pessoas.
– A coisa é séria. Sente-se, por favor.
– Chefinho, sabe o que é? Meu ex-namorado morreu hoje e eu estou tentando ver se eu acho o suspeito do crime, se ele não tiver se suicidado, é claro.
– Nós vamos conversar sobre esse assunto também, mas eu prefiro que a senhora se sente para acertarmos as contas! — O chefe se inclinou para trás e pegou um charuto holandês e começou a fumar.
O que o chefe dela queria tanto conversar? Seria uma coisa séria? Seria ela demitida? Como ele sabia da morte de Hills? Ela estava achando tudo aquilo muito estranho.
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