Amigos por destino, apaixonados por acaso.
5 Lembranças
Notas iniciais
“ Você se foi e eu virei,
o vazio de alguém.
Uma metade qualquer,
de uma música sem começo”
Me perdi em meus pensamentos, olhando através da janela do ônibus. Será que tudo, sempre será assim.. tão confuso? Ainda lembro da excursão para o museu, em que eu e Daniel sentamos juntos e, ele não parava de me fitar, me deixando muito envergonhada. Quase nos beijamos nessa viagem, se não fosse o meu medo de, perder a amizade dele e virar o rosto, quando ele tentou tomar a iniciativa.
FLASHBACK ON
Meu coração começou a bater mais rápido, avisando que Daniel estava entrando no ônibus. Normalmente eu sento com Sabrina ou Renata, mas parece que elas se combinaram, assim como o resto da turma, que Daniel teria que sentar comigo. Cato um livro dentro da minha mochila, para fingir que estou lendo, quem sabe assim, ele não percebe minha presença e acaba sentando em outro lugar. Minha tentativa foi falha.
– Posso ler com você? – aquela voz rouca pergunta. Meu coração falha uma batida e eu concordo positivamente.
Como se eu conseguisse me concentrar, naquele amontuado de palavras a minha frente, quando aquele Deus Grego está tão perto de mim. Seu perfume me hipnotiza e seu calor, faz com que eu queria me aninhar ao seu corpo e não larga-ló nunca mais. Largo o livro em minha mochila e Daniel coloca seus fones de ouvidos.
Ele está tão envolvido na batida da música, de olhos fechados e seus dedos batem na sua perna, conforme o tempo da música. Meus olhos estão fixos em seus movimentos e em um momento de impulso, eu agarro sua mão, tirando-o de seutrance, causado pela música.
– Quer ouvir música comigo? – ele pergunta, me oferecendo um dos seus fones. Concordo e ele troca de música.
“My eyes are no good-blind without her
The way she moves, I never doubt her
When she talks, she somehow creeps into my dreams
She's a doll, a catch, a winner
I'm in love and no beginner
Can never grasp or understand just what she means”
Sempre soube que Daniel era apaixonado por música, ele até ganhou um violão no Natal, porque queria aprender a tocar. Tive a oportunidade de ser a primeira, à ver ele tocar e também, a primeira fã que ele conquistou. Sinto meu rosto queimando e olho para Daniel, ele está me fitando com seu sorriso tímido no rosto.
– O que aconteceu? – pergunto, devolvendo-o seu fone de ouvido.
– Nada. – ele responde, ainda sorrindo.
– Então, para de me olhar! – ainda estou desconfiada, o que aconteceu com Daniel? De uma hora pra outra, começa a me olhar. Muito estranho isso.
– Não consigo.. – arregalo os olhos e desvio o olhar. Meu coração já entendeu tudo, mas meu cérebro não quer acreditar.
– Por que? – pergunto baixinho, cruzo os dedos para ele não falar, o que eu estou pressintindo que ele vai falar.
– Porque você é bonita, Ágata.
Pelos meus cálculos, eu devo ter ficado uns dois minutos paralisada. Sem saber o que falar, fazer e até mesmo, esquecendo de respirar. A única coisa que eu consegui dizer, foi ‘hm’ e depois fiquei olhando pela janela. Até sentir aqueles braços quentes, me envolvendo.
– Que foi? – pergunto, não acredito que ele vai fazer isso.
– Deixa eu te abraçar? – realmente, esse garoto só pode estar brincando com a minha cara.
– Deixo.. – inspirei e respirei duas vezes, milhões de pensamentos passaram pela minha cabeça. E então, ele me aninhou em seu peito, passando seu braço por trás das minhas costas e apertando minha mão.
Cada momento ali, aninhada ao garoto que eu amo, foi único. Eu guardava cada minuto na minha memória, agora eu acredito que, o tempo congela quando estamos juntos à quem amamos.
Fechei os olhos e inspirei seu perfume, será que isso, não passava de uma ilusão da minha cabeça? Belisquei meu braço e nada mudou.
– Ágata.. – ouvi Daniel chamar meu nome e então, percebi que aquilo não era um sonho.
– O-Oi. – olhei para seus olhos e ele colocou a mão em meu queixo, impossibilitando que eu desviasse o olhar.
– Daniel.. – minha voz falhou, afinal.. como alguém pode se concentrar, quando aquele Deus Grego quer beijar você? – Eu não posso! – me desvencilhei de seus dedos e comecei a choraminguar baixinho.
– Poxa, por que? – ele perguntou desanimado, mas eu sabia, que no fundo, ele estava magoado.
– Nós somos amigos. – e então, passamos o resto da viagem abraçados, sem falar mais nada.
FLASHBACK OFF
Normalmente, eu fico triste ao lembrar dessa viagem. Porque eu perdi uma chance única, com Daniel. Mas hoje, eu percebo que talvez, o destino quis que fosse assim e, se eu não tivesse negado, ele nunca estaria sendo feliz com a Clara.
– Ágata! – escuto a voz de Renata me chamando e caminho em sua direção.
– Oi Rê. – dou-lhe um abraço.
– Você não vai acreditar no que aconteceu. – ela está muito nervosa, pelo visto, boa notícia não é.
– O que? Conta logo, to morrendo de curiosidade. – olho para todos os lados, para checar se ninguém, está ouvindo nossa conversa.
– O Eduardo agora é.. – ouço gritos e um bolinho começa a ser formar, à nossa esquerda.
Vamos até lá, verificar o que está acontecendo e uma alegria repentina, surge dentro de mim. Daniel e Clara estão terminando.
– Você é uma mentirosa. – ouço Daniel gritar com ela, apontando o dedo na sua cara.
Clara sai chorando para o banheiro e suas colegas a seguem. O feitiço se virando contra o feiticeiro? Corro na direção de Daniel, afim de conquistar meu amigo de volta.
– Dani.. – ele se vira para me olhar, seus olhos estão marejados. – Você está bem? – ele balança a cabeça negativamente e, eu lhe ofereço um abraço. Ele aceita.
Todas as lembranças voltam, tudo que eu precisava era isso. Mostrar para ele, que independente de quem ele namore, de quantas vezes ele me machuque. Eu sempre vou estar ao lado dele, nos momentos tristes e nos momentos alegres.
Porque o amor é isso, é o apoio, a fortaleza. E eu amo esse garoto, mais que tudo no mundo.
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