Amigos por destino, apaixonados por acaso.
6 Existem palavras que não necessitam ser ditas...
Notas iniciais
P.O.V RENATA
O fim de semana chegando...
Eu quase não havia aproveitado meu sábado e já estava pensando em que canto eu ia me jogar para dormir no domingo, até que recebi uma ligação:
–Alô?- disse um garoto pelo celular.
–Alan?- Eu disse.
Alan é o garoto da horda cruel, que deixou Eduardo na mão.
–Renata! Oi, queria te convidar para ver um filme aqui em casa!
–Hum... Claro, mas qual filme? E quem vai?
– O filme, vamos ter que decidir ainda, só eu, você e o Eduardo, mais ninguém.
Um momento o Eduardo?
–Vou ver com a minha mãe, se eles já não marcaram um compromisso para me arrastar junto, já volto, te respondo pelo whatsapp ok?
–Claro, até mais.
Minha mãe falou que eu podia ir, meio a contragosto, mas deixou.
CHAT ON
RENATA- Oi, minha mãe deixou.
ALAN- Que bom, tu tem conta em alguma locadora?
RENATA-Sim, em uma ali do centro, por quê?
ALAN- Para a gente, poder pegar o filme, dai, mas não se preocupa que eu pago tá?
RENATA- Ok, mas tu já tem a ideia de algum filme?
ALAN- “O exorcista”.
RENATA-Um momentinho, eu vou ter que ver filme de terror?
ALAN- Sim, qual o problema?
RENATA-É que eu nunca vi filme de terror, mas tem uma primeira vez pra tudo na vida.
ALAN- Hahahaha, quero só ver, o Eduardo, que gosta de pregar uma peça.
RENATA-Vou ter que sair agora, que horas amanhã? E é na tua casa né?
ALAN- Tchau Renatinha, as 3:30, sim na minha casa.
CHAT OFF
Pronto, o meu problema de tédio, estava solucionado, o problema, é que o Eduardo, realmente gosta de pregar peças, era capaz de ele vir correndo com um facão atrás de mim, só para me assustar.
E aquele dia, custou a passar...
Quando amanheceu domingo, imediatamente me lembrei da minha “sessão da tarde”.
Fiquei o dia todo ansiosa, esperando ás três e meia chegarem, e quando isso finalmente aconteceu, eu só faltava pular de alegria e realmente foi oque eu fiz.
Chegando na casa de Alan, só faltou ele me matar.
–Porque você não me disse que a locadora abre só ás cinco?
–Ai, eu nem me lembrei- eu disse, me desculpando, se aquilo era uma desculpa.
–Tudo bem, como o Eduardo mora perto de lá, umas 20 para ás cinco, nós saímos daqui, ele vai nos esperar lá.
E assim passamos o tempo, vendo trailers de filmes de terror, eu levando susto a cada ruído que eu ouvia, o Alan rindo da minha cara, eu esperando o tempo passar logo para ver o Eduardo...
Quando finalmente saímos da casa do Alan, para buscar o filme e o Eduardo, Alan ligou para ele. Eu tentava escutar oque diziam, mas eu não consegue, até que o Alan se vira pra mim e diz:
–O Eduardo está vendo um filme, só com roupas intimas.
–Oque isso vai mudar na minha vida?- eu disse- talvez na da Sabrina, mas não da minha.
–Vai saber...
Acho que ele já havia percebido...
De longe alguém abanou para a gente, umas três quadras a nossa frente.
–É ele- disse Alan, abanando de volta.
–É uma velinha- eu disse.
–Não, é o Eduardo, ele abanou não viu?
–Ainda acho que é uma senhora.
–Não é!- ele disse rindo.
Quando ele estava a apenas meia quadra de distância, eu percebi que era realmente ele.
E meu Deus, eu poderia cair no chão com um infarto... Ele estava tão lindo... Com uma camiseta azul e uma calça de jeans preta, com os tênis verdes da Vans dele...Para combinar com os olhos E o cabelo despenteado... Era um charme aquilo... Um charme só dele.
–A locadora ainda não abriu, mas podemos ir à outra... Eu não gosto muito, porém...
–Vamos- falou Alan.
Enquanto escolhíamos o filme, Eduardo esperava na porta da locadora “original”, a qual nós iriamos tirar o filme primeiro. Acabamos que não pegamos nenhum filme ali e sim na outra, que era o plano desde o inicio. Pegamos o filme “A morte do demônio”, e em minha opinião não tinha nada de terror naquilo, quem iria querer cortar o próprio braço? Ou invocar um demônio, ninguém com consciência pelo menos.
Durante o filme, cada um escolheu ser um personagem, eu optei por ser a Mia, uma garota que prometeu que não iria mais consumir drogas e junto com essa promessa, veio um fim de semana na cabana da família, que matou quase todos eles. O Eduardo optou por ser o David, irmão da Mia, que na cena final, morre tentando salvar ela e o Alan, um carinha, que eu não lembro o nome, que foi quem invocou o demônio.
A história era mais ou menos assim, não prestei muita atenção pois fiquei olhando Eduardo recolhido no sofá a maior parte do tempo, parecia que ele assim como Alan realmente estava com medo.
Mia, David, Olivia, outra garota namorada do David que eu não lembro o nome e o carinha que eu também não lembro o nome, foram para o meio da floresta, numa cabana que era da família deles (da família do David e da Mia), dai a Mia começou a ficar louca dizendo que estava sentindo um cheiro terrível, dai enquanto eles estavam na sala da cabaninha, o vovô, que é o cachorro deles, começa a puxar o tapete, dai o David retira o tapete e dá de cara com a entrada para o porão cheia de sangue, os malucos, porque americano é tudo maluco quando se trata de não sentir medo, resolvem descer para ver o motivo do sangue.
Eles veem uma porta e abrem, e dão de cara com o cheiro que a Mia estava sentindo, tinha uns cinquenta gatos pretos pelo menos pendurados e meio queimados e um livro, fechado com arame na volta, dai eles sobem de volta para a sala e o David diz pra Mia que o cheiro já vai passar, porque depois ele vai enterrar os gatos.
Depois o carinha que eu não me lembro do nome, leva o livro com arame pro quarto dele e com um alicate abre, durante todo o livro tem frases tipo “Não leia, não olhe..” e coisas falando a respeito de um ser malévolo, que pode ser invocado, dai o carinha teimoso lê as palavras e invoca um demônio que possui a Mia e depois vai possuindo eles um por um...
A história é bem chatinha de se contar toda, acho que vou recomendar pros meus amigos que gostam de terror e todo mundo que gosta desse tipo de filme também.
Depois que acabou o filme, o Eduardo praticamente pulou em cima de mim, quase quebrando o sofá onde eu estava deitada e eu junto, ele queria tirar meus tênis e começamos nossa própria guerrinha de vida ou morte.
Ele tentava tirar meus tênis, enquanto eu tentava persuadi-lo a não fazer isso, mas logo vi que não ia dar certo e comecei a contra atacar.
Sem pensar eu falei:
–Edu, tira seu cotovelo dai, ele está num lugar meio... “malicioso”.
Alan a qualquer momento iria cair duro no chão de tanto rir. Quando acabamos nossa guerrinha, resolvemos sair para caminhar em um clube que ficava a meia quadra da casa do Alan.
O tal lugar estava fechado.
Como eu estava com uma “mini piranha” no cabelo para prender uma mecha rebelde que eu tenho uma das né... Eu retirei do meu cabelo e coloquei no de Eduardo, que por um instante não percebeu, mas quando viu que eu me aproximei dele para retirar algo do seu cabelo, imediatamente, retirou a piranha do lugar e fingiu jogar longe, oque não funcionou muito bem, afinal eu vi que estava na sua mão.
Quando disse isso pra ele, bem eu acreditei que ele realmente tinha jogado longe agora, até que percebi que estava no bolso traseiro, e voltei a incomodar ele, com minhas tentativas falhas de convence-lo apenas com palavras.
Como eu estava com o meu celular na mão, eu o coloquei no bolso traseiro direito da minha calça, que recebeu um tapa, exatamente nesse local do Eduardo, fiquei meio envergonhada, porém como somos amigos, acabei chamando ele de tarado, mas eu ainda não havia desistido da minha piranha.
Até que sem querer coloco meu braço por cima do ombro dele, vou retirar imediatamente envergonhada, a minha tentativa era apenas de segurar as mãos dele, para que me olhasse nos olhos e intendesse a minha suplica infantil para me devolver minha piranha de “estimação”, quando ele passa os braços pela minha cintura e me abraça... Aquele garoto só podia estar de brincadeira, mas ao contrário do que Sabrina e Ágata mandariam eu fazer, não me aproveitei do momento, apenas fiquei ali, até ele me soltar, no momento em que Alan virou para trás e começou a nos incomodar dizendo:
–Como se não bastasse o agarramento no sofá, agora na rua também, tá safadinho hein Edu?
Quando meus pais vieram me buscar, eu estava no mundo da lua... Eu não deveria contar para Sabrina aquilo, afinal, ela sempre teve uma quedinha pelo Edu, porém a Ágata era outro assunto...
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