Amigos e Amantes

24 Segunda Temporada - Capítulo Sete


Notas iniciais
Chega do clima ruim >.

[Narrado por Vittany]

[Flaskback On]

Papai, Tia Viviam e Tio Wagner entraram cabisbaixos no quarto. Meu pai chorava como nunca havia feito na vida e era consolado por minha tia.

- O que aconteceu? – perguntei.

- Sua mãe foi levada para a sala de cirurgia. – disse Wagner.

- O que ela tem?

- Não sabemos. – dessa vez foi Viviam.

- Pai, por favor, fique calmo.

- Não se preocupe comigo. – ele limpou as lágrimas do rosto e se fez de forte, provavelmente para não me deixar nervosa.

Passaram-se quatro horas, e o silêncio e a tristeza dominaram o quarto. Um médico entrou e imediatamente meu pai pulou da cadeira em que estava, mas logo percebi que foi por outro motivo.

- O que você faz aqui? – a raiva tomou conta de sua voz na mesma velocidade em que as lágrimas sumiram.

- É muito bom reencontrá-lo depois de tanto tempo. – disse um médico louro. Tia Viviam saltou também.

- Eric... – ela estava pasma. Ele voltou seu olhar para ela e vislumbrou seu corpo, de cima em baixo, admirado.

- Viviam... Você está... Linda. – ela sorriu, Wagner fechou um pouco a cara.

- O que. Você. Faz. Aqui? – meu pai repetiu, com pausas dramáticas.

- Surpresa. Formei-me em medicina na Irlanda e decidi voltar. Agora segure seu coração: sou o médico responsável por sua filha e por sua esposa.

- Seu cretino! O que você fez com Desirée? – ele avançou contra o louro e precisou de Wagner impedindo-o.

- Relaxe, não estuprei sua mulher. Quer ouvir as notícias ou não? – Wagner o obrigou a sentar, ele ainda estava raivoso. O médico botou as mãos no bolso e começou:

- Bom. Eu notícias boas e ruins, sobre as duas.

- Eu primeiro, as minhas notícias são mais simples. – eu disse. Ele se virou para mim.

- A boa é que você ficará bem e terá alta amanhã.

- Graças a Deus. – disse Viviam.

- E a ruim é que... Você perdeu seu bebê.

Eu não reagi, depois da dor que senti já esperava por isso. Ninguém disse nada, acho que em respeito ao meu silêncio.

- E minha mãe? – perguntei, ele se virou para meu pai e meus tios desta vez.

- Desirée... Quebrou cinco costelas com a pancada e lesionou o pulmão direito, isso causou a hemorragia interna. Estávamos contendo o sangramento, conseguimos e ela não corre riscos.

Todos abriram um sorriso. Meu pai se jogou para trás, na cadeira, respirando aliviado.

- Mas... – Eric voltou.

- Mas o quê? Por Deus, Eric! – meu pai esbravejou.

- Ela... O sangramento comprometeu as vias respiratórias por tempo suficiente para... Deixá-la em coma. E infelizmente, não há previsão de...

- Acordar. – disse meu pai, voltando a desesperar.

- Lutt, pelo menos ela não corre mais riscos... – ele a interrompeu.

- Viviam! Coma é morte em vida! É ainda pior! Porque quando alguém morre, sabemos que aquela pessoa nunca mais irá voltar. No coma, nós ficamos aflitos sem saber se ela irá acordar amanhã ou daqui a 50 anos! Aquela... Idiota, não podia... – ele baixou o rosto e escondeu com uma das mãos.

- Pai... – eu estava mal por ele.

- Eu sinto muito. – disse Eric.

Depois das “maravilhosas” notícias, meu pai acabou que agradeceu a Eric por tudo, tio Wagner nem teve ciúmes e tia Viviam descobriu que havia realmente esquecido de Eric.

[Flashback Off]

Eu estava lembrando e lembrando aquele dia, durante a aula de história. O professor chamou minha atenção e me obriguei a voltar para o mundo real. E estava sendo assim... Sempre e sempre... Todos os dias. Meu pai viaja incessantemente, tentava fugir do que lembrava minha mãe, fugia até de mim. Já fazia três meses que todo aquele acidente aconteceu. No fim do dia, peguei minha mochila e fui embora.

- Ei, Vittany. – Bob me chamou.

- Que foi, Bob?

- Você não vai esquecer esse apelido, não é?

- Não.

- Que seja. Quer sair hoje?

- Depois de três meses de muita insistência por parte da Fabiana, você decidiu agir?

- Nunca pedi para que ela fizesse nada.

- Certo... – ela duvidava – De qualquer forma, não posso.

- Compromisso?

- Vou... Visitar minha mãe. – suas feições mudaram.

- Posso... Ir com você?

- Ao hospital? – fiquei surpresa.

- Sua mãe está internada no museu de arte, por acaso?

- Babaca.

- Posso ou não?

- Faça o que quiser. – ela saiu andando e ele a seguiu.

=§=

No hospital, fizemos a identificação e entramos no quarto de mamãe. Ele ficou incrivelmente surpreso, boquiaberto.

- O que foi, Bob?

- Sua mãe... Ela é...

- Linda, não é?

- Linda mesmo. – sentei na cama ao lado dela e fiquei brincando com seu cabelo ruivo.

- Não conheço mulher mais linda que ela. – eu sorria.

- Realmente. “Mulher” mais bonita não existe, mas “garota”... – ele me olhou, fingi que não percebi.

Inclinei-me e dei um beijo no rosto dela. Três meses daquele jeito. Quando será que nossa vida voltaria ao normal? Então pensei ter ouvido um ruído, pisquei duas vezes e ignorei. De repente, duas belas esmeraldas foram ficando expostas pouco a pouco. Uma felicidade imensa me preenchia e eu podia sentir o Leony vendo aquela cena com um belo sorriso no rosto.

- M-mãe? – ela abriu os olhos e piscou duas vezes.

Sem esperar por outra reação dela, eu a abracei com euforia. Senti seu braço vindo em minhas costas, eu chamei imediatamente um enfermeiro pela campainha ao lado da cama. Depois de três meses, a enfermeira sorriu ao tirar a maioria dos fios dela.

- Leon! – eu pulei nele e o abracei – Obrigada, muito obrigada! Você me deu sorte, eu não acredito! – ele retribuiu o abraço, mesmo espantado.

- Leon, é? – ele sorriu satisfeito e de canto – Não foi nada. – Eric então apareceu.

- Desirée. Você acordou! Nossa!

- Eric?! – ela disse já sem mais da metade dos fios – Você voltou... E como médico?

Ficamos conversando um pouco. Eric contou, em resumo, sua vida, o que havia acontecido com ela, comigo, com meu bebê, etc. Eu lhes apresentei o Leon, minha mãe abriu um de seus sorrisos maldosos.

- Leon, por favor, cuide bem de minha filha. – dizia com a voz calma e feliz.

- Você... Não vai reclamar de nada a respeito dele? – perguntei estupefata.

- Por quê? Já estão se relacionando? Vittany!!! Aprovado, viu?

- Mãeee!! – Leon apenas ria, sem parar.

- Do jeito que você está animada, te darei alta amanhã mesmo. – disse Eric.

Ela sorriu e se virou para mim:

- Seu pai está viajando?

- Sim. Japão.

- Volta quando?

- Hoje. – ela sorriu e voltou para Eric.

- Quero alta hoje, Eric.

- Mas Desirée...

- Eric. Você me deve essa. – ele suspirou.

- Está bem vou cuidar dos papéis. – ele sorriu e se retirou.

Meu mundo parecia brilhar, sorrindo para mim de novo. Eu estava nas nuvens.

Notas finais
reviews *-* mereço?