Amigos e Amantes

19 Segunda Temporada - Capítulo Dois


[Parte 1 – Narrado por Lutt]

Logo pela manhã, percebi que teríamos mais um dia de paz na nossa família. Eu estava sentado à mesa, tomando meu café e lendo meu jornal. Desirée apareceu e veio me cumprimentar.

- Bom dia, meu bem. – ela veio até mim e me beijou. Logo seguiu para seu lugar e se sentou.
- Buenos dias. – eu respondi.
- Nossa. A viagem agora é para onde?
- Espanha, minha linda. Espanha.
- Ai, ai. Esse meu marido diplomata. – eu ri de seu comentário.
- Você também vai ter que pegar pesado hoje, né?
- Sim. O zoológico me chamou. Parece que um dos elefantes entrou em depressão.
- E bicho sofre disso?
- Haha. Claro. – Dio veio correndo até as pernas de Desirée – Não é, meu lindo? – ela brincava com ele.
- Ah, claro. Esqueci que tem um bicho aqui em casa tentando roubar minha mulher. Por que eles não poderiam ter depressão...
- Pare com isso.
- Cadê a Vittany?
- Dormindo. Como sempre.
- Não mais, mãe. – minha linda filha aparecia para se juntar a nós.

Ela era simplesmente magnífica. Tinha herdado os olhos de esmeralda da mãe, e eles brilhavam ainda mais em contraste com os cabelos negros que herdara de mim. Cabelos negros, completamente lisos e compridos. Com aquela franja dela, ela parecia uma bonequinha. Pele muito branca, olhos verdes, cabelos negros e 1.60 de altura. A filha era tão perfeita quanto a mãe, mas... Elas não conseguiam se dar bem.

- Decidiu virar gente? – perguntou Desirée.
- Meu bem, não começa. – tentei evitar uma briga entre as duas.
- Qual é, mãe? Vai começar cedo?
- Por que vocês fazem isso, hein?
- Ora. Pergunta para a sua filha a onde ela está indo. – ela levou a xícara de café à boca.
- Onde você está indo, minha filha?
- Para a escola, pai.
- Há-há. Quem não te conhece, que te compre.
- Me deixa em paz.
- Ok. Eu espero a primeira que irá se pronunciar e me contar o que está acontecendo.
- Ela vai é se encontrar com aquele marginalzinho. Ela tem matado aula frequentemente.
- Mentira dela, pai!
- Vittany. Sua mãe não mente.
- Todos nesta casa estão contra mim, é? – Vittany se levantou, pegou um croissant e sua mochila e logo partiu em direção à porta.
- Vittany? Minha filha, volte aqui... –fui interrompido com a batida da porta.

Eu abaixei a cabeça e dei um suspiro pesado. Desirée tapou o rosto com as mãos.

- Por quê? Por que, meu Deus? – ela sussurrava – Com tantas garotas por aí, logo a minha filha tem que ser a rebelde de 16 anos?
- Acalme-se, Desirée. Ela sabe o que faz.
- Não, Lutt. Ela não sabe o que faz. Aliás, não faz nem a MENOR IDEIA de que o que ela está fazendo a está prejudicando.
- Esse “marginalzinho”... Ele é um perigo mesmo?
- Lutt. – ela se inclinou um pouco sobre a mesa e me olhou mais atentamente – Ela não é mais virgem.
- Aos 16??!! – eu perguntei estupefato – E você não fez nada?
- Eu não fiz nada?! Lutt! Você nunca para em casa, está sempre viajando, e sou eu quem não faz nada?!
- Eu trabalho para colocar dinheiro dentro desta casa!
- Eu também trabalho e muito! Eu também sou responsável por boa parte deste dinheiro!
- Ok! Melhor eu ir embora... Antes que a gente comece a brigar feio. E também, não quero chegar atrasado para o meu voo. – ela fez um bico e aninhou mais o Dio.

Eu me levantei, peguei minha bolsa e fui dar um beijo de despedida em Desirée. Ela virou o rosto. Eu não iria retrucar a atitude dela, então a beijei na testa e fui embora.

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[Parte 2 – Narrado por Vittany]

Ninguém merece! Meus pais vivem no meu pé! Mas minha mãe... AARG!! Ela estava me encurralando! Realmente eu não iria para a aula, iria encontrar o meu namorado, Pedro, 20 anos. Ele era lindo, perfeito e maravilhoso. Loiro do olho azul! Parece até ator de filme hollywoodiano! Sem falar que era muito bom... Naquilo.Eu toquei a campainha da casa dele e logo ele abriu a porta. Abriu aquele seu sorriso maravilhoso e me puxou, sua boca veio logo de encontro a minha. Abraçada a ele, beijando-o loucamente, ele fechou a porta e foi andando comigo para a cama.

- Não, não. Espere.
-Qual é, gata? Vai dizer que você não quer?
- Claro que eu quero, Pedro. Mas calma. Primeiro a gente diz “oi”.
- Minha gata. A gente já passou dessa fase há algum tempo, não é?
- Ah, Pedro. Que seja, então. – eu o agarrei e caímos na cama.

Eu adorava admirar o corpo nu dele. Hihi. Eu sei que sou uma verdadeira pervertida, mas ele é meu namorado. Eu posso! De repente, senti náuseas. Corri para o banheiro quando senti meu café da manhã voltar por minha garganta. Vomitei e me recompus. Aquele croissant deveria estar estragado. Ou talvez... Ai, meu Deus. Eu cacei minhas roupas pelo quarto e me vesti às pressas. Fui até a farmácia mais próxima e comprei o bendito do exame de gravidez.

Esperei Pedro acordar de seu cochilo. Eu estava sentada sobre a poltrona no canto do quarto.

- Oi, minha linda. Saiu daqui por quê?
- Pedro, precisamos conversar.
- Xiii. Já até vi. Que foi, gata? — ele se levantou e vestia a calça que estava ao lado da cama.
- Pedro. Eu estou grávida.

Ele, que me olhava com um sorriso, logo fechou a cara. Fez uma expressão indiferente.

- Ah, que legal.
- Legal? Você acha isso apenas “legal”?
- Quando que você vai tirar?
- Como é?!
- Pode deixar que eu pago.
- Eu VOU ter esse filho, Pedro.
- Você pirou?
- Não, não pirei.
- Você disse que não tinha problema...
- Como se a culpa fosse só minha.
- Escolha. Esse filho ou eu.
- O quê?! Prestou bem atenção no que você está me propondo?!
- Escolha, Vittany! — não respondi.
— Você vai se arrepender disso...

Eu estava me sentindo indignada. Humilhada. Saí correndo da casa dele, batendo porta. Se ele pensava que iria me separar desse filho que eu estava esperando, ele estava muito enganado. Eu fui para o único lugar do mundo em que eu sei que encontraria paz. A casa da tia Vivian. Toquei a campainha e ela a abriu.

- Vittany! Minha sobrinha e afilhada linda! Entre, por favor. – eu entrei.
- Obrigada, tia. Tio Wagner... Está trabalhando?
- Sim, ele está. Não se preocupe, minha querida. Estamos sozinhas. – ela sussurrou a última parte – Então, meu bem, o que a traz aqui?
- Estou grávida. – ela riu e se virou para mim.
- Desculpe?
- Eu. Estou. Grávida!
- Meu Deus... – ela desabou sobre o sofá.
- O Pedro mandou que eu tirasse o bebê.
- Meu Deus...
- Mas eu não vou tirar, tia. Eu quero essa criança.
- Meu Deus...
- Tia! Você sabe falar “meu Deus”?!
- Pra você ver o que sua mãe aturou ao meu lado. – ela colocou uma das mãos sobre a testa — Caramba. A Desirée... Ela vai matar você. Vai me matar. Vai matar o Pedro. Ela vai matar todo mundo... Já contou para ela?
- Eu não quero que ela fique sabendo.
- AH, MINHA QUERIDA! Você pode tentar esconder essa barriga dela por até três ou quatro meses... Mas com a quantidade de comida que você vai botar pra fora, você não vai conseguir esconder essa gravidez dela nem por UMA SEMANA! Vai por mim!
- Ai, tia. Você acha mesmo que eu devo contar?
- Hoje ainda.
- Ok. Mas posso ficar aqui até a hora que ela chegar em casa? Eu juro que conto.
- Tudo bem, Vittany. Tudo bem. Aproveite e pense no que está acontecendo. Nossa... A Desirée... Ela deve ter te avisado tanto!
- Ah, não, tia. Você também?
- Ela é sua mãe! Já pensou na reação dela? Mas deixe pra lá. Quem vai lhe dar o devido sermão será ela e não eu.
- Obrigada, tia. – falei com um tom sarcástico. Viviam se levantou e foi para a cozinha, provavelmente procurar por um calmante.
- Meu Deus...

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[Parte 3 – Narrado por Desirée]

Quando cheguei em casa, as luzes estavam apagadas. Acendi as luzes, joguei minha bolsa sobre o sofá e dei um suspiro cansado. Quando Vittany apareceu, eu me assustei.

- Oi, mãe.
- Ahn... Oi.
- Como foi seu dia hoje? – achei aquilo tudo muito estranho.
- Ótimo...
- O que o elefante tinha? – de onde surgiu tanto interesse?
- Ah, não era depressão. A fêmea estava grávida. – eu ri. Percebi que ela se contraiu um pouco – Surpreendente, não é?
- É... realmente.
- Bom, agora o pessoal do zoológico terá um grande problema.
- Como assim? – sua voz era trêmula.
- Um filho muda tudo. É alimento, é remédio, é casa, cuidados especiais. Haha. Até mesmos os bichos têm essas preocupações. Não é, meu lindão? – eu brinquei com Dio.
- Ah, pois é. Bom, vou para meu quarto. Dio, vem comigo. – o cachorro obedeceu ao seu chamado.
- Vittany.
- Sim? – ela olhou para mim.
- Como foi a aula de matemática hoje?
- Ah, foi ótima. É... Ótima...
- Ahn...
- Tchau, mãe. – ela se virou.
- Mais um a coisa... – ela se voltou para mim de novo.
- De acordo com seu horário escolar... Você não teve aula de matemática hoje. – lhe lancei meu olhar 43.

Ela arregalou os olhos e fugiu para o quarto. Todo aquele interesse, ela estava muito boazinha comigo. Não gritou, nem discutiu. Eu não quero nem imaginar... O que ela pode ter aprontado.