Amigos e Amantes
1 Capítulo 1 - Estranhos não são bem vindos
- Definitivamente...esta escola e os estudantes daqui são as coisas mais estranhas e indefinidas que eu já vi em toda a minha existência!
- E sua existência é tão longa assim? — olhei para Viviam que me lançava seu olhar de ironia. Suas palavras sairam meio abafadas devido ao biscoito que ela mordia. Me debrucei sobre a mesa, aproximando meu rosto do dela, logo mordi a outra metade do biscoito, encostando meus lábios aos dela, e em seguida o quebrei com os dentes. Voltando a encostar na cadeira, respondi:
- Em toda a minha curta...porém...produtiva existência.
- Por que diz isso? — dizia terminando de mastigar metade do biscoito.
- Olhe para as pessoas neste refeitório e me aponte duas pessoas normais. — mastiguei minha metade.
- Eu e você.
- Boa resposta.
Em um segundo o sinal tocou, nos levantamos e fomos em direção à nossa sala. Agora teríamos aula de história.
- Odeio história! — disse Viviam.
- Odeio o professor de história!
Eu e Viviam costumávamos concordar em várias coisas, principalmente naquelas que odiávamos. Viviam era muito bonita, cabelos e olhos negros, a pele tinha um bronzeado mediano. Era um pouco mais alta que eu, 1.76. Enquanto eu me resumia ao insignificante 1.70. Ela era normalmente fria, mas quando queria se expressar, o fazia como ninguem, um verdadeiro escândalo. Eu, igualmente fria, já era mais racional. Ela brincava dizendo que eu era um ser sem expressão. Enfim, chegamos à sala e sentamos nos lugares de sempre. Logo o professor anuncia a chegada de dois novos alunos. Dois garotos transferidos de uma escola que ficava do outro lado da cidade. Isso era muito incomum, então eu e Viviam nos olhamos com uma cara de deboche.
- Sempre tem um garoto... — disse Viviam.
- Sempre um transferido... — fiz questão de complementar a frase.
Logo os dois alunos adentraram a sala. O primeiro era alto, tinha os olhos castanhos e o cabelo curto loiro, era muito bonito. Seu nome era Eric. O segundo jovem tinha os cabelos negros, mais negros que os de Viviam e os olhos... Ah! Os olhos! Eram acinzentados. Maravilhoso, aqueles olhos quase alvos. Surpresa ao ver de relance a expressão de minha amiga, virei o rosto para visualizar melhor. Ela estava com os olhos vidrados, fixados, congelados no loiro. Eu, por mais fria que fosse, pude perceber. Seus olhos tinham um \"toque\" de admiração. Logo, logo teria outro nome... Paixão. Encostei à cadeira e apoiei o queixo sobre uma das mãos virando o rosto para a parede e murmurei:
- Sempre um garoto... Sempre o transferido...
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