Amigos e Amantes

13 Capítulo 13 - Um encontro a dois... e meio?


Passear pela cidade foi uma ótima opção! Estava sentindo falta daquela paisagem linda. Fui até o parque próximo à minha casa, passear entre as árvores, respirar um ar mais limpo e quem sabe até tomar um sorvete! Andando pelo parque, eu vi um rapaz passeando com um cachorro, os olhos do animal eram lindos! Adivinha? Prateados, iguais aos do... Pois é... Parece que eu ainda sinto algo por ele. Mas agora ele está namorando a Laila e o melhor que eu tenho a fazer é esquecê-lo. Fui até o rapaz e elogiei o cão. Brinquei com ele, acariciei seu pêlo. Era um animalzinho muito simpático. O dono também. Simpático, bonito, educado, mas... Não era simples assim. Despedi-me deles e voltei a caminhar. Logo cheguei à sorveteria que eu queria, entrei já imaginando o que iria pedir. O garçom veio perguntar meu pedido:

- Um sundae de caramelo, por favor.

- Claro, senhora.

- Ah! Eu irei procurar por uma mesa naquela área. Entregue o sundae lá, ok?

- Pode deixar. – o garçom era bem gentil.

Fui para uma espécie de varanda que a sorveteria tinha. Eu procurava por uma mesa, tranquilamente, quando virei o rosto e tive uma visão que eu não pretendia ter. Lutt e Laila sentados à mesa. Ele, assim que me viu, se levantou com uma expressão de perplexidade e seus olhos prateados me fitavam com intensidade.

- Lutt...

- Desirée...

Laila fechou a cara rapidamente e se levantou agarrando-se ao braço dele.

- Desirée, que surpresa você por aqui!

- Oi, Laila. – desviei o olhar para ela.

- Meu amor, que coincidência, não é mesmo? Pensei que estivesse viajando, Desirée.

- É, eu estava.

- Onde foi? – Lutt perguntava com um pingo de curiosidade.

- Rússia.

- Hum... Não quer se sentar conosco? – ele perguntou.

- Que isso, amor? Ela deve estar esperando um pretendente, não queremos atrapalhar, não é? – aquilo era desaforo! Eu estava começando a querer encrencar.

- Na verdade, estou sozinha. Aceito o convite. – me sentei junto a eles. Lutt conteve um riso, enquanto Laila se rasgava por dentro.

- Mas então, como é lá na Rússia? – ela perguntou, disfarçando.

- Simplesmente perfeito.

- Pena que é muito frio lá, não é?

- Eu gosto de menores temperaturas. É realmente aconchegante.

- Nós também gostamos. Um friozinho é ótimo quando se tem alguém para ficar juntinho de você. – ela se agarrou a Lutt, mais uma vez. Eu fingi não ver, pois iria destruir minha expressão serena.

- Pretende voltar para lá? – Lutt perguntou com pesar. Pelo seu tom de voz, imaginei que resposta gostaria de receber.

- Não sei ao certo. Gostei de lá, talvez eu me mude de vez.

- Hum... Entendo... – Laila observou sua ligeira decepção e tratou de tentar tomar o controle.

- Meu bem, nossos pedidos estão demorando. Não gostaria de ir lá dar uma olhada?

- Claro. Já volto. – ela puxou o rosto dele e o beijou. Vadia! Logo depois, ele saiu nos deixando sozinhas. Tigre e dragão juntos, não iria dar certo. Logo ela desfez o sorriso falso enquanto eu mantive o meu sorriso desafiador.

- Escute bem o que eu vou dizer, garota. – a olhei com desdém. — Ponha-se no seu lugar. Eu sou A NAMORADA, enquanto você é apenas UMA AMIGA, ou ex-amiga, sei lá. Quem você acha que pode mais?

- Laila, você está completamente enganada. Você é APENAS MAIS UMA namorada, enquanto eu sou A AMIGA. Ele ainda irá ter várias do seu tipo, mas eu terei sempre minha preferência. E para você estar tão insegura assim, é porque ele não deve te amar do jeito que você gostaria... – cruzei os braços e mantive minha expressão maliciosa. Ela se levantou com raiva.

- Olha aqui sua... – ela foi interrompida por Lutt, que com as mãos nos bolsos olhou para ela e para mim.

- Algum problema, Laila?

- Ela disse que sua calcinha estava um tanto...incômoda e que por isso iria ao banheiro dar um jeito, não é, Laila? – ela corou e não disse nada ao sair apressada. Lutt se sentou e me olhou fixamente.

- Ela não disse nada disso.

- Ora, eu estou falando que disse.

- Vocês se odeiam, não iriam trocar confidências agora.

- Eu estou dizendo... – olhei para ele com o mesmo olhar malicioso que ele me lançava – a verdade. Acredite se quiser. — ele deu uma risada baixa e balançou a cabeça.

- Você não mudou nada.

- E isso é bom ou ruim?

- Confesso que não sei. – aquela resposta havia pesado um pouco a atmosfera. Logo Laila apareceu e se sentou ao lado de Lutt. Ele passou um braço sobre ela e a puxando para si, disse:

- Querida, se o problema é a calcinha... Podemos cuidar disso lá em casa, mais tarde. – ela riu e corou ao mesmo tempo. Eu me senti mal e decidi desistir do sorvete.

- Bom, vou deixar os pombinhos a sós. – já estava saindo quando meu sundae chega – Ah, olha só! Isso será um presentinho para o casal ternura. – eu sorri falsamente e tirei do bolso uma nota de dez. Entreguei ao garçom e disse para que ficasse com o troco.

Sai sem pressa da sorveteria, não iria perder a pose. Havia perdido o clima para passeios e fui direto para casa. Quando entrei, Viviam estava no quarto. Eu comecei a caminhar pela sala, com um punho fechado em frente a minha boca, quando sentia raiva eu o mordia, para ver se passava. Após caminhar para lá e para cá por algum tempo, vi um lindo vaso bege sobre a bancada da cozinha. Eu peguei o belo mimo e o joguei contra a parede. Ele se estilhaçou em pequenos fragmentos no canto da sala. Viviam apareceu com o barulho, mas ela não tinha pressa. Pelo contrário, estava bem calma e com uma expressão indiferente. Quando chegou na sala e viu o vaso quebrado só disse uma coisa:

- Eu gostava daquele vaso...

- Viviam, tenha paciência!

- Ok, ok. O que houve agora?

- Encontrei o Lutt com a Laila. Como ele pode fazer uma escolha tão podre?!

- Pois é. Eu realmente gostava daquele vaso...

- Viviam!!

- Certo. Você quer apoio moral. Entendi. Bom, você está assim por que o Lutt fez uma péssima escolha, ou por que essa escolha não foi você?

- Viviam, você está conseguindo me irritar!

- Bom, os vasos acabaram... – eu simplesmente sentei no sofá e respirei fundo.

- Desí, você ainda o ama, não é? – não consegui responder. Minha raiva se desfez e eu levei as mãos ao rosto. Ela se sentou ao meu lado e colocou uma mão sobre minha perna.

- Desí, deve apostar no seu sentimento. Se você continuar se repreendendo assim, terei que comprar coisas de borracha para essa casa...

- Eu não acredito que você falou algo assim com um tom tão sério!

- Mas eu gostava daquele vaso! – fiquei indignada e joguei o corpo para trás, encostando ao sofá.

- Quer a minha sincera opinião?

- Desde o primeiro momento!

- Então procure o Lutt.

- Não!

- Diga que o ama.

- Pode esquecer!

- Então morra sozinha! – a olhei surpresa. – Ué, o que foi? Pediu sinceridade...

Eu saí de casa de novo, só que dessa vez eu iria perambular sem rumo pela cidade. A última coisa que ouvi de Viviam foi um suspiro pesado. Já estava de noite e eu me encontrava novamente no parque, sentada em um banco. Pensando, suspirando, suspirando, pensando e sofrendo. Básico... Então o telefone toca, quando eu vejo que era Viviam eu atendo.

- Fala, Viviam.

- Preciso que pegue uns papéis para mim, são importantes.

- Hum, está bem. Onde?

- Na casa do Lutt.

- Não!

- Deixa de ser mesquinha!

- Não!

- Ok, façamos o seguinte... Eu ligo para ele e peço os papéis, assim você só vai precisar tocar a campainha, pegá-los e ir embora.

- Urg, Viviam! Está bem!

- Obrigada, Desí. Amo você. – ela desligou.

- Francamente, eu mereço!

Peguei o metrô, fui até o apartamento dele e toquei a campainha. Ele abriu a porta e se surpreendeu.

- Você aqui?

- Viviam, pediu uns papéis.

- Hum, ok. – ele adentrou o apartamento e mais tarde se virou para mim.

- Entre.

- Espero aqui fora.

- Eu ainda irei procurar, por isso, entre. – aquilo foi uma ordem e eu não sei, porque cargas d’água, eu obedeci. Só sei que Viviam não havia ligado para ele.

- Vou matar a Viviam!