Amigos, Amigos, Amores À Parte
1 Capítulo 1 – Idiota (Verônica)
Capítulo 1 – Idiota (Verônica)
Certo, eu sou uma completa idiota.
Antes de começar essa incrível história (Percebam a ironia) sobre minha incrível vida de trouxa (Pura verdade), devo esclarecer algumas coisas básicas: Meu nome é Verônica Cast, dezesseis anos e sou apaixonada por Hunter Farell por mais ou menos sete anos (Sim, sete longos anos. Faz ideia de quanto tempo é sete anos? Sete anos. Oitenta e quatro meses. Trezentos e trinta e seis semanas. Já disse que sou trouxa? Pois é). Mas ele não gosta de mim.
Motivo?
A) Não sou bonita o suficiente?
B) Não sou legal o suficiente?
C)Não sou popular o suficiente?
D)Não sou boa o suficiente?
E) Todas as alternativas acima estão corretas.
Se você escolheu a alternativa E, acertou em cheio. Hunter Farell namora simplesmente a garota mais incrível da escola. Mais bonita. Mais legal. Mais popular. Ele namora Ester Duarte. Ester é tão legal que nem consigo odiá-la. E ela namora o cara que eu gosto por três anos (Três anos. Trinta e seis meses. Cento e quarenta e quatro semanas. É tempo para caramba)
Mas voltando a história. Eu sou trouxa. Sou tão trouxa que fico observando enquanto Hunter e Ester se pegam bem no meio do refeitório. É em momentos como esses que adoraria odiar Ester. Aquela... coisinha fofa.
— Você está secando eles, sabia? – Helena, minha melhor amiga fala, chamando a minha atenção. Também olhava para a famosa Mesa dos populares.
A Mesa dos populares é composta por seis pessoas. Hunter Farell (Meu crush, antes mesmo do termo crush existir). Ele é o capitão do time de futebol e admito que mesmo não entendendo nada de futebol (Sinceramente, para mim, aquilo só parece um bando de caras correndo atrás de uma bola), vou a todos os jogos. Ester Duarte, diferente do que você deve pensar, ela não é uma líder de torcida alienada por moda, diferente disso, Ester ajuda a professora de artes com as criancinhas (Ester é tão legal que me dá nos nervos). Mike Moraes, é o melhor amigo de Hunter e o capitão do time de basquete. É considerado como o “Garoto mais bonito de toda a escola” (Claro que não concordo com isso) e mais da metade das garotas são apaixonadas por ele, mas mesmo assim, nunca o vi com ninguém, nem com mulher, nem com homem. Max Farell, é o primo de Hunter, um babaca completo, ainda não sei como Hunter aguenta morar com ele. Sasha Lins, essa sim é uma patricinha alienada por moda. Uma vadia de primeira, boatos falam que Sasha já transou com metade da escola. E por fim, Hugo Trindade. Hugo, provavelmente é o mais perto da minha panelinha, inteligentíssimo, só tira nota dez. Está na mesma turma que eu, é o meu rival em todas as matérias.
— Ela sabe sim – Foi Matias que respondeu por mim. Matias é o único garoto do meu grupo. Gay assumido. Um amorzinho. Sempre de bom humor – E provavelmente está imaginando ela e o famoso Hunter juntos. Será que ele vai ser o personagem principal de mais uma de suas historinhas?
— Não são historinhas, são fanfics. Hunter não principal de nenhuma delas – Sussurrei a última parte, com medo de Hunter ouvir. E ele estava do outro lado do refeitório.
— Fala sério Verônica – Cacau disse. Ela e Matias são gêmeos não idênticos – Já li todas as suas histórias e sempre tem um personagem moreno alto, de cabelos castanhos e olhos verdes. E geralmente esse personagem se apaixona pela nerd loira indefesa.
Senti meu rosto ficar quente. Eu estava corando. Como eu disse: Sou uma trouxa de primeira.
— Por que você não diz logo para ele? – Matias falou – Faz quanto tempo que você gosta dele? Cinco.
Sete.
— Como se fosse fácil assim. Eu iria gaguejar e morrer de vergonha, e no final Hunter iria rir da minha cara.
— E você provavelmente sairia no jornal – Cacau riu – Já imagino até o título. Nerd confessa seu amor e é rejeitada por garanhão da escola. Eu compraria.
Revirei os olhos, mesmo sendo verdade. Tudo que acontecia em relação aos populares, saia no jornal.
— Cacau, querida irmã, você não está ajudando aqui.
— Parem os dois – Helena falou e os irmãos pararam. Helena sempre foi assim, tinha uma aura de autoridade. Parece até uma policial ou diretora de presidiu – Se Verônica não quer confessar, ela não vai confessar, não vamos insistir em nada – Estava prestes a sorrir quando Helena resolveu continuar seu discurso de autoajuda – Se ela quiser ficar mais sete anos apaixonada por Hunter, que fique. A escolha é dela.
Matias e Cacau riram e senti meu rosto esquentar mais.
— Lena, você também não ajudou muito – Murmurei, emburrada – Podemos parar de falar sobre minha vida amorosa e ir para sala? O sinal vai tocar em poucos minutos e não quero que a professora brigue comigo.
— Nerd — Os irmãos cantarolaram e eu revirei os olhos.
Esses loucos são meus melhores amigos. E os adoro do mesmo jeito.
Quando o último sinal toca, Helena me encontra no corredor. Helena é um ano mais velha que eu e está no último ano, igual Cacau e Matias. Eu era o mascote do grupo.
— Vamos na quadra, o time de futebol foi desafiado.
— Por quem?
— Pelos caras da E.G.K. Aqueles idiotas ainda não entenderam que nunca vão vencer nosso time.
Concordo com um aceno e a sigo, em silencio. A muitos anos atrás (Certo, parece que vou começar a contar um conto de fadas) a E.G.K e a E.G.M (Escola em que estudo) eram a mesma escola. Então o diretor e sua esposa brigaram e as escolas se separaram. Até hoje as escolas brigam por atenção. Geralmente ganhamos.
Sento ao lado de Helena nas arquibancadas.
— Uou — Matias dá um gritinho quando os jogadores entram em campo. As meninas da torcida fazem dão uns pulinhos e toda a arquibancada gritam. Meu coração acelera quando vejo Hunter. Estava magnifico como sempre. Perfeição era apenas apelido para aquele Deus Grego. – Que fofo, nossa mascotezinha já está vermelhinha.
Cubro meu rosto envergonhada e Helena dá um belo tapa na cabeça de Matias. Cacau ri e já sei o que está por vir. Mais uma piada. E Cacau pegava pesado.
— Verônica tem essa carinha de santa, mas de santa não tem nada. Se tivesse chances já teria era lascado um belo beijo em Hunt... – Para de falar quando recebe um tapa de Helena.
— Silêncio os dois, estamos em público.
Cacau revirou os olhos e Matias fez um biquinho. Esperei Helena se concentrar no jogo (Sim, diferente de mim, minha melhor amiga gosta realmente de futebol) e dei língua para Matias. Era um ato infantil, mas ele retribuiu.
— Você tem que contar para Hunter que gosta dele – Falou alto. O jogo tinha começado e estavam todos gritando, eu mal conseguia ouvir meus próprios pensamentos.
— Acho melhor não. Não somos parecidos. Estudo a sete anos com ele e ele nunca me notou, nunca falou comigo. Ele nem sabe da minha existência.
Era pura verdade. Me apaixonei por Hunter, no mesmo dia que comecei a estudar no E.G.M. Lembro-me como se fosse hoje (E olha, se passaram sete anos), eu estava perdida, com um papel nas mãos procurando a minha sala, quando eu o vi. Estava tentando aparar uma briga entre um garoto grande demais para ter nove anos e um garotinho franzino. Foi um verdadeiro herói.
Sim, por mais idiota que pareça, me apaixonei por uma pessoa só porque ela salvou outra pessoa.
Já disse que sou trouxa?
— Quando ele conhecer você, vai se apaixonar com certeza. Por isso que precisa confessar logo – Gritou, mas acho que ninguém além de mim estava prestando atenção naquela conversa.
Resolvo olhar para o jogo. Mal tinha começado, mas Hunter já havia feito um gol. Estava 1 X 0. Sorri. Ele realmente era incrível.
— Matias, eu não vou me confessar. Gosto de Hunter, gosto da sensação de estar apaixonada, gosto de observa-lo sem ele saber. Se eu confessar, não vou poder fazer nada disso, porque ele vai saber – Falo. Quando percebo que Matias não está mais respondendo, o encaro. Ele estava branco, como se estivesse acabado de ver um fantasma.
E aparentemente. O fantasma estava bem atrás de mim.
Viro minha cabeça e encaro o que Matias olhava.
Era Mike, melhor amigo de Hunter. Estava sentado na arquibancada de cima e me olhava cinicamente (Era muito bonito de perto). Tinha um sorriso até maldoso nos lábios.
Demorei para entender (Posso ser inteligente, mas sou tão lerda quanto uma lesma). Mike tinha ouvido toda minha conversa com Hunter.
Certo, aquele sorriso maldoso estava me dando medo.
*** *** ***
— Como foi a aula? – Meu pai, Diego, pergunta, assim que dou minha primeira mordida do frango grelhado. Estava uma delícia. Tudo que Berenice faz fica delicioso.
Desde que minha mãe morreu (Isso faz mais ou menos dez anos) papai contratou Berenice para cuidar de mim (Que na época tinha seis anos) e de Sabrina, minha irmã mais nova. Na época, Sabrina tinha acabado de completar um ano, então nem se lembra de mamãe. Eu podia ser nova, mas a imagem dela nunca saiu de minha mente. Lembro-me que aos domingos, ela me levava para tomar sorvete na praça. Só parou de fazer isso quando Sabrina nasceu e mamãe teve que descansar por causa da cesariana, mas assim que melhorou, íamos todo domingo para o parque. Eu, mamãe, papai e Sabrina. Quando mamãe adoeceu e parou de andar, todo domingo meu pai trazia sorvete e tomávamos em torno da cama dela e ficávamos conversando a noite inteira. Quando mamãe parou de falar, continuávamos fazendo isso. Eu e papai tomando sorvete, Sabrina dormindo no berço e mamãe observando tudo atentamente. Quando mamãe morreu...
Balancei a cabeça tentando tirar aqueles pensamentos da mente. Estava começando a ficar melancólica.
— Foi bom – Respondi. Ocultando a parte provavelmente que o melhor amigo do cara que eu gosto está fazendo algo contra mim. Quando contei isso para Helena, ela riu e falou que eu tinha uma ótima imaginação – Minha professora passou um teste de física, vamos fazer semana que vem.
— Está preparada.
Fiz que sim.
— Sim, mas vou ficar estudando a semana inteira.
— Certo, vou pedir para Berenice não lhe interromper – Se virou para Sabrina, que estava calada, mexendo no celular – E você Sabrina, como foi seu dia?
— Normal – Simplesmente respondeu, sem tirar os olhos da tela. Estava concentradíssima.
Eu e papai nos escaramos e seguramos o riso. Sabrina estava com onze anos, praticamente já era uma adolescente.
— Ninguém vai perguntar como foi meu dia?
— Como foi seu dia, Sr. Diego? – Brinquei e Sabrina revirou os olhos.
— Ótimo, fechei três casos. Sabe o que isso significa?
— Que você fechou três casos? – Brinquei novamente e como da primeira vez, Sabrina revirou os olhos.
Adolescentes...
Provavelmente devo parecer uma senhora de oitenta e nove anos falando desse jeito.
— Isso também. Significa que tenho o final de semana livre. E sabe o que isso significa?
— Que vamos sair – Foi Sabrina que respondeu, tinha guardado o celular e agora estava sorrindo.
Sorri também. Era bom ver todos felizes.
Meu pai trabalha na área administrativa de uma empresa de advocacia que abriu recentemente. Não ganha muito, o bastante para vivermos bem sem precisar de muitas coisas. Mas infelizmente tem que trabalhar todos os dias, incluindo sábado e domingo. É um saco.
Terminamos de jantar. Eu lavo minha louça (Berenice provavelmente vai brigar comigo amanhã, vai ficar falando “Parem de fazer isso, é o meu trabalho”) e papai vai ajudar Sabrina com o dever de casa. Toda noite ele faz isso, mesmo cansado, ele a ajuda com o dever. E as vezes, quando Sabrina dorme, papai me acorda no meio da noite e pergunta se posso ajudar ele com a matéria de Sabrina do dia seguinte. É engraçado, meu pai aprende a matéria e ensina para Sabrina.
Notas finais
Se você gostou, não se esqueça de comentar e favoritar a história, que ajuda muito na divulgação.
Qualquer erro é só falar que arrumarei assim que der.
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