Amigos.
1 Amigos.
XXIX- Amigos.
Mas que amigos são esses,
Que te levam pra sonhar nas noites escuras de inverno,
Compartilham de ti grande amor e fraterno.
Inspira dor da inveja e da vingança,
Fulmina seus desejos,
Assume a liderança.
Que amigos são esses,
Que te magoam ainda mais?
Que te profanam ainda mais?
Apesar da funda cova que cavaste com o dedo
Quem há de te ajudar
Amanhã já não é tão cedo
Quanto assim pensar.
Se estiverdes magoada
Ninguém há de se importar.
Que amigos você tem,
Sem dizer aquém
Teme a alcançar?
A que ponto pode ir
Pode o amor persuadir
Aquele a quem deve amar?
Afogas tua própria alma
Por aquele que há de tentar.
Se é sonho, amigo, ou monumento
Quem há de julgar?
Se estiverdes magoada
Ninguém há de se importar.
Rasgam as cartas, o que foi o que será.
Por quê?
Vou me esquecer
Não vou me iludir.
Simplesmente devorar.
O ardor da triste perda
Ou mesmo o ardor da morte
Não se podem comparar.
O ardor da decepção
É força na contramão
Daquele que um dia
Você deixou a confiar.
Se estiverdes magoada
Ninguém há de se importar.
Vê o sonho da mentira,
O orgulho dos falsos
E olhe mais além.
Se aquilo faltar com o aquém,
Não há o que se preocupar,
Pois se estiverdes magoada
Ninguém há de se importar.
Ninguém,
Ninguém,
Ninguém.
Respire.
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