— O que ele fez com você?! — Baiyang perguntou, alterado, ao ver o estado do rival. — Vou te encher de porrada. — Rosnou na direção de Jiuxin que revirou os olhos,mas não fez qualquer menção de se defender.

— Ele me ajudou. — Qiao Chen interveio e se colocou entre os dois.

— Você está todo machucado! — Baiyang retrucou. — Explique isso. — Apontou para o delinquente, que só então lhe olhou feio.

— Odeio que me digam o que fazer. — Resmungou ao colocar as mãos nos bolsos e começar a se afastar.

— Obrigado por hoje. — Qiao Chen falou, surpreendendo a todos.

Jiuxin parou e o olhou.

— Sabe onde me achar, se mudar de ideia. — Continuou a caminhar.

Xinglong segurou seu braço quando passou próximo a ele.

— Você está bem? — perguntou, parecendo preocupado.

Não se deu nem ao trabalho de encarar o ex-amigo.

— Solte ou vai ficar sem a mão.

— O que tem na cabeça de vir até esse parque? Lugar próprio para um crime. — Jiale comentou ao se aproximar do amigo, e Qiao Chen pareceu um tanto sem graça.

— O que houve aqui? Você está bem? — Dachi fez coro.

— Melhor cuidar desses ferimentos. Aqui é muito úmido e corre o risco de infeccionar. — Yan sugeriu.

— Não foi nada. — Qiao Chen tentou se esquivar.

— De jeito nenhum. — Zhuo Zhi falou resoluto. — Vamos. — Disse, levando-o pelo braço.

— Cuidado. — Pediu, ao sentir dor.

— Achei que não era nada. — Baiyang implicou e dois foram o restante do caminho até o restaurante discutindo.

Quando chegaram lá, não demorou para que Xinglong pegasse alguns itens de primeiros socorros e Yan começou a cuidar dos ferimentos piores.

— Estou dizendo, não foi nada. Não precisam se preocupar.

— Está dizendo então que você decidiu ir para um parque escuro, sozinho e que lá, magicamente você ganhou hematomas que não tinha, encontrou um delinquente com hematomas parecidos e que não foi nada? — Zhuo Zhi perguntou, sério.

— Não. Estou dizendo que já passou e que não aconteceu nada. — Tentou emendar, fazendo Baiyang e Zhuo Zhi bufarem. Yan só o olhou, provavelmente analisando. Já Jiale e os outros o olharam com pena, o que o irritou profundamente.

— Jiuxin te machucou? — Xinglong quis se certificar e Qiao Chen arregalou os olhos.

— Não, ele me ajudou. — Negou veemente. — Eu que depois bati nele.

— E ele bateu de volta! — Baiyang retrucou.

— Ele devia ficar apanhando? — Qiao Chen rebateu e os dois já iam começar novamente a discutir quando foram interrompidos por Zhuo Zhi.

— Para você defender quem te bateu, então algo pior aconteceu. — Concluiu, fazendo o outro empalidecer. — Foi aquele jogador do Hai Guang?

Qiao Chen abaixou o olhar, não conseguindo encarar nenhum deles, o que deixou quase todos com os cabelos em pé.

— Você sempre se propõe a ajudar os membros do time, agora é a nossa vez. Pode falar com a gente. — Zhuo Zhi tentou persuadi-lo.

Ele permaneceu de cabeça baixa e não falou nada.

— É melhor chamarmos a técnica. Ela deve estar preocupada com a demora dele em voltar. — Dachi comentou, e Qiao Chen levantou agarrando seu punho, impedindo-o de ligar.

— Não liga agora.

— Temos que avisá-la. — Dachi se desculpou, mas livrou seu punho.

— Mas ela vai ficar brava.

— Não seja idiota. — Baiyang disse. — É sua responsável.

— Minha mãe também era!

O medo dele ser colocado para fora novamente estava mais do que explícito naquelas poucas palavras.

— Ela vai entender. — Dachi comentou, tentando acalmá-lo.

— Claro que vai. Vai ficar super feliz de me ver assim depois de passar um tempo com aquele doido.

— Jiuxin? — Xinglong perguntou confuso.

— Não, Yuan Chi! — Respondeu, exasperado.

— Quem é Yuan Chi? — Jiale perguntou a Dachi, num tom não tão baixo.

— O namorado, eu acho. — Dachi respondeu meio perdido também.

— Eu não tenho namorado! Ele é um maluco! Fica me seguindo por tudo quanto é canto! — Qiao Chen negou veemente.

— O que ele fez? — Zhuo Zhi insistiu e Qiao Chen travou diante dos olhares.

Baiyang se lembrou das marcas no corpo do rival, de dias atrás, e o sangue pareceu sumir de suas faces.

— Ele te atacou. — Ele afirmou.

— Ele me beijou!

— Então, agora são namorados? Você está me confundindo. — Jiale reclamou e bagunçou o cabelo.

— Não! Não está me ouvindo?! — Qiao Chen se estressou. — Não disse que beijei de volta ou que queria. Presta atenção.

— Eu vou matar esse cara! — Baiyang vociferou e realmente parecia prestes a agredir alguém.

— Dois. — Zhuo Zhi concordou. — Você está bem? — Quis se certificar.

— Sim. — Respondeu, mas o amigo pareceu não acreditar muito.

— Ele não vai mais se aproximar de você. — Baiyang prometeu, segurando seu rival pelos braços.

O dia tinha sido horrível e traumatizante, mas aquela promessa o fez sentir melhor. Sentiu-se seguro com as palavras de Baiyang.

— Ainda assim precisamos avisá-la. — Dachi insistiu.

— Não pode ligar. — Qiao Chen implorou.

Zhuo Zhi colocou a mão em seu ombro.

— Ela vai entender.

— Não vai. Nem ele — apontou para Jiale — entendeu e está aqui. Ela vai surtar, e a minha orelha vai sofrer o baque. Vai achar que saí escondido com um garoto por aí. Não acreditar em mim.

— Por que não acreditaria, seu tonto? — Baiyang revirou os olhos.

— Olha o meu tamanho! Quem ia acreditar que um calouro me arrastou para algum lugar? Ninguém. Vai achar que fui porque quis. Vou acabar morando na rua.

— Que dramático. — Baiyang falou para perturbar, mas sabia que o medo do outro era real. — O que sugere então? Parece que um caminhão passou em cima de você.

Zhuo Zhi e Dachi o olharam com reprovação por dar corda para aquela situação, mas ele ignorou.

Yan pigarreou e arrumou os óculos.

— Poderíamos dizer que tentaram assaltá-lo. — Sugeriu. — Os hematomas são condizentes com luta corporal. Isso cobriria todos os pontos.

— Acho que estão confundindo as coisas. Não tem o que ela não entender. Não é como se ele tivesse saído escondido para namorar, e mesmo que tivesse: qual o problema? Não é errado, mesmo que seja um garoto. O que é errado é alguém forçá-lo a fazer algo. São coisas completamente diferentes. — Zhuo Zhi argumentou e Dachi concordou.

— Bom, aconteceu comigo. Então, acho que a escolha é minha. E escolho nunca mais tocar nesse assunto. — Qiao Chen retrucou e começou a mexer no celular, ignorando os demais. Zhuo Zhi suspirou e fechou os olhos.

— Então, vamos falar que ele foi assaltado? Não deveriam ter tentado levar algo?

Baiyang pegou o celular das mãos do rival, jogou no chão e pisou antes que alguém pudesse falar algo.

— Meu celular. — Ele se abaixou e o pegou, vendo o estrago. Quando a tela tremeluziu e apagou, ele começou a fungar.

Baiyang pareceu um pouco sem graça quando os outros o olharam.

— Bom trabalho. Agora ele parece bem traumatizado. — Yan elogiou. — Vai dar certo.

E realmente deu.

Quando a técnica Qi chegou e eles contaram da suposta tentativa de assalta, ela se desesperou.

Verificou cada machucado aparente, fez mil perguntas. E depois que se certificou de que ele não corria riscos e de que estava são e salvo, eles puderam entender um pouco do porquê do medo de Qiao Chen quando ela lhe deu vários tapas nos braços por quase matá-la de preocupação.

— Agradeço por terem me ligado. — Ela se despediu e levou Qiao Chen pelo braço, provavelmente para se certificar de que ele não sairia de suas vistas.

Quando entraram no carro, viu que ele estava meio calado.

— Se tivesse ido direto para casa, não teria acontecido isso. Que fique de lição.

Ele a olhou magoado, mas não retrucou.

Naquela noite, quando ela se levantou para tomar água, viu que ele estava se virando no chão onde dormia, já que tinha desistido de dormir no sofá pequeno há dias.

— Vá dormir. Ninguém vai te atacar aqui.

Ele não respondeu e só se escondeu em meio às cobertas.

Balançou a cabeça. Ele realmente era uma criança grande.

Voltou para cama e dormiu planejando um ligeira reorganização da casa. Não deveria ser confortável dormir no chão. Talvez um celular novo também. Ficar incomunicável só a deixaria mais preocupada.

Nada tinha a ver com se apegar além do necessário, ou fazer planos para o futuro.

Talvez se ela repetisse isso muitas vezes, poderia acreditar.