Amigo estou aqui
3 Capítulo 3
— Por que estão se escondendo? — Dayong perguntou ao se aproximar do arbusto onde ele e Baiyang espionavam o suposto casal.
Jiale o puxou para junto dele, e tampou sua boca.
— Não faça barulho, Dachi. — Avisou. — Estamos investigando. — Apontou para os dois perto da máquina de refri, que pareciam totalmente alheios a qualquer coisa que não fosse a discussão que tinham.
— Você quer dizer espionando. — Xinglong se juntou a eles, fazendo um esforço para se encolher atrás do arbusto.
Lu Xia, que também estava com ele, não se abaixou e continuou encarando os dois.
— Abaixa.
— Tem algo errado. — Respondeu e foi em direção de Qiao Chen.
— Lu Xia! — Jiale tentou chamá-lo, mas o garoto não parou.
— Ei! O que está fazendo aqui? — perguntou ao se colocar entre os dois, forçando o rapaz a se afastar do seu amigo.
O rapaz deu um sorriso de canto, e seus olhos pareceram escurecer. Era nítido de que não havia gostado da interrupção.
— Você deve ser o pequeno mascote do Yu Qing. Já ouvi falar de você, calouro. Não achei que fosse tão pequeno. — Provocou.
E Qiao Chen puxou Lu Xia para trás pela camiseta e se colocou entre os dois, protegendo-o.
— Deixe-o em paz. — Falou num tom sério que lhe era estranho.
Apesar da postura rígida e o olhar austero, as mãos dele tremiam.
Yuan Chi o encarou e seu olhar pareceu amenizar. Sorriu e levantou as mãos em rendição. Olhou ao redor e notou que agora tinham uma pequena audiência.
— É melhor eu ir. — Falou com um sorriso travesso no rosto. — Nos vemos outro dia. — Deu uma piscadinha para Qiao Chen, que empalideceu.
Só quando viu o jogador de Hai Guang se afastando é que parou para reparar na platéia. Estava mortificado porque todos tinham presenciado aquilo.
— Você está bem? — Jiale perguntou preocupado, levando-o para se sentar num banco próximo.
Não conseguia responder. Era como se tivesse um bolo em sua garganta.
— Ele já foi. — Lu Xia comentou sem entender muito o que estava se passando. — Era um espião de Hai Guang? — perguntou para Xinglong.
Xinglong pareceu sem graça, e deu um sorriso amarelo.
— Vamos indo ou vamos nos atrasar para o nosso treino. Quero ver como meu Smash Terremoto reage ao saque Twist. — Foi o que bastou para distrair o garoto que arrumou a mochila nas costas e saiu em disparada rumo à quadra pública.
Ele apertou o ombro de Baiyang, cumprimentou-o e saiu.
— Não precisa ficar assim. Vai ficar tudo bem. A gente já sabe de tudo. — Jiale tentou animá-lo, mas tudo o que conseguiu foi com que ele se encolhesse e começasse a chorar copiosamente, o que fez com que Jiale olhasse perdido para Dayong e Baiyang.
— Ninguém vai pensar menos de você por isso. Somos um time. — Chi Dayong fez coro ao parceiro, mas Qiao Chen continuou se encolhendo, e escondendo o rosto dos demais.
Baiyang suspirou, passou a mão na cabeça e arrancou a bandana, bagunçando os cabelos. Se sentou ao seu lado no lado e muito sem graça, deu uns tapinhas no ombro do rival.
— Ei, pare de chorar.
Era bom em consolar crianças, resgatar gatinhos, mas isso estava além das suas aptidões.
— Não está sozinho. — Falou e Qiao Chen, levantou a cabeça e o olhou.
Seu coração se apertou quando viu sua expressão triste e os olhos inchados, e quase parou quando Qiao Chen o abraçou como se sua vida dependesse disso. Ele ainda chorava, mas abraçado a ele, e com a cabeça escondida em seu pescoço.
Seu rosto corou quando viu Jiale fazendo dois joinhas com as mãos em sua direção e Dayong com um sorriso calmo e uma expressão orgulhosa.
Quando a treinadora Qi se aproximou e viu a cena de longe, Dayong e Jiale se afastaram para falar com ela, deixando Baiyang a sós com ele.
Ele batia a mão nas costas do rival, como fazem com os bebês, e isso parecia acalmá-lo, então ele continuou. Quando percebeu, fazia movimentos circulares nas costas dele.
— Tudo pronto. Pode levá-lo hoje. Já avisei a treinadora. — Jiale comemorou, ao retornar não só com Dayong, mas também com Zhuo Zhi que abaixou o rosto para esconder o sorriso.
— Levá-lo? Onde? — Baiyang perguntou sem entender.
— Para sua casa. — Dayong respondeu. — Acho que ele merece um descanso. parece exausto depois de tudo. — Disse ao apontar que Qiao Chen tinha pego no sono.
— Por que para a minha?! — Baiyang corou.
— Porque é você que ele está usando de almofada. — Zhuo Zhi respondeu sério, mas seus olhos brilhavam. Estava se divertindo com aquilo.
— Eu posso levá-lo se você não quiser. — Dayong ofereceu, e Baiyang apertou-o nos braços inconscientemente.
— As chances dele acordar são bem baixas. Duvido que consiga fazê-lo andar. Ele realmente parece exausto. — Yan comentou, mexendo nos óculos, ao observar o colega que continuava apagado, apesar da conversa ao seu redor.
— Eu o levo. — Aceitou e foi se levantando.
Yan o ajudou a levantar Qiao Chen, que abriu os olhos por alguns instantes, mas logo apagou novamente ao puxar Baiyang para um abraço.
— Maldito polvo. — Baiyang reclamou, pegando-o no colo como uma donzela. Bufou ao pensar que aquilo já estava se tornando rotineiro.
Qiao Chen se ajeitou, e pegou no sono novamente ao encostar a cabeça no peito do rival e agarrar sua camiseta.
— Como alguém tão grande pode ser tão fofinho? — Jiale pensou alto fazendo uma careta ao observar o amigo.
— Uma criança grande. — Dayong comentou e Jiale concordou. Em seguida ele pegou a bolsa de Baiyang para ajudar o amigo que já carregava sua carga.
— É melhor levá-lo nas costas. Assim vai se cansar demais e será difícil chegar até a sua casa.
Baiyang revirou os olhos em resposta e prontamente ignorou a sugestão. Yan balançou a cabeça diante da teimosia do amigo.
— Aqui. Pegue um táxi. Ele é muito pesado.
— Não precisa. — A vontade que Baiyang tinha era de fazer Zhuo Zhi comer aquele dinheiro para arrancar aquele sorrisinho e olhar que parecia lê-lo com a maior facilidade.
— Não seja bobo. Somos um time. — Retrucou, encarando Qiao Chen.
Baiyang só aceitou quando viu sua expressão preocupada para com seu rival.
Mesmo com o táxi, acabou chegando um pouco mais tarde do que estava acostumado. Assim que botou os pés em casa, sua mãe o abordou.
— Espero que não tenha trazido outro gatinho para casa. Não temos mais espaço. — Ela parou de falar quando viu que o filho tinha um garoto nos braços.
No dia seguinte, Qiao Chen acordou com a luz do sol batendo em seu rosto. O cansaço que sentia nos últimos dias tinha diminuído drasticamente, suas pernas não doíam de dormir encolhido. Suspirou sorrindo e se espreguiçou.
O sorriso sumiu quando se lembrou de tudo o que aconteceu na noite anterior.
A vergonha que sentiu quando todos descobriram o que aconteceu, o choro que não conseguiu segurar, e o fato de adormecer nos braços do rival. Sentiu-se pequeno. Quebrado.
Abriu os olhos e se sentou rapidamente, assustado. Não estava vestindo seu uniforme de treino cinza, mas um pijama.
— Até que enfim decidiu acordar, Bela Adormecida. — Zhang Baiyang comentou enquanto calçava o sapato e acabava de se arrumar para a escola.
Não pôde evitar fechar mais o pijama, sentiu-se nu ali.
Baiyang revirou os olhos.
— Minha mãe trocou sua roupa ontem. — Explicou, fazendo-o relaxar instantaneamente. — Só o trouxe para cá porque parecia que você precisava descansar. E eu estava certo, você dormiu feito uma pedra. Uma pedra que ronca. — Balançou a cabeça. — Agora vista isso ou vamos nos atrasar. — Jogou um uniforme da escola em seu rosto. — Tem um banheiro no fim do corredor se quiser tomar uma ducha. E vê se não enrola, não quero me atrasar. — E saiu.
Qiao Chen ficou alguns minutos ainda parado tentando assimilar tudo. Quando desceu, após uma ducha rápida, encontrou Baiyang e uma senhora que provavelmente era a mãe dele sentados à mesa tomando café.
E pela primeira vez em muito tempo, ele foi paparicado e entulhado de comida. Foi relutantemente para a escola.
— Sua mãe é um amor. — Comentou para o rival. — Incrível que tenha um filho como você. — Riu, fazendo o outro revirar os olhos.
— Cala a boca e anda mais rápido.
Os dois se apressaram em direção à escola, num silêncio um tanto constrangedor até que Qiao Chen parou de andar, fazendo o outro também parar e olhá-lo.
— Sinto muito pelo trabalho ontem.
Baiyang o olhou e bufou. Não queria se atrasar.
— Não foi nada. Agora vamos. — Falou, puxando-o pelo braço.
— Não vai falar nada? — perguntou depois de alguns minutos.
— Você quer falar? — devolveu a pergunta e o outro abaixou a cabeça.
— Não.
Era a mais pura verdade. Se pudesse nunca mais tocaria no assunto esqueceria tudo de ruim que lhe aconteceu nos últimos dias e continuaria sua vida como se nada tivesse acontecido.
— Então não iremos. — Baiyang falou, fazendo o outro sorrir.
No caminho para a escola, Baiyang se desviou quando viu uma pequena figura escondida nos arbustos.
— Não é, Baiyang? Baiyang? — Qiao Chen olhou ao redor, e percebeu que o rival tinha parado há vários metros atrás, sem avisar. — O que está fazendo aí? Vamos nos atrasar. — Perguntou ao se aproximar do outro.
Arregalou os olhos quando se abaixou junto ao rival. Ele tinha em mãos um gato minúsculo e preto.
— É um bebê. — Explicou, mostrando o bichinho que se aninhou em suas mãos, provavelmente em busca de calor.
— Você vai levar para casa? Você já tem um monte! — Só durante o breve café da manhã, Qiao Chen tinha contado mais de nove gatos na casa de Baiyang.
— Claro, ele vai acabar morrendo aqui sozinho. — Falou, apontando para os arbustos onde uma gata adulta jazia morta, provavelmente a mãe do gatinho.
Mal ele acabou de falar e Qiao Chen pegou o gatinho de suas mãos e o abraçou.
— O que está fazendo, idiota? Dê ele aqui. Vai machucá-lo.
— Não vou! Ele não tem mãe, e nem eu. Seremos uma família. — Falou, abraçando o gatinho, e deixando o rival totalmente sem graça.
Baiyang o observou mais um pouco e balançou a cabeça.
— Se não tratá-lo bem, eu pego de volta. — Ameaçou.
Qiao Chen o olhou surpreso, não esperava que ele aceitasse tão facilmente.
— Combinado. — Sorriu, esticando a mão para ele.
Baiyang apertou a mão do rival, selando o acordo. Sentiu o rosto corar quando o viu sorrindo em sua direção.
Sem graça, soltou sua mão, pigarreou e continuou seguindo para a escola. Qiao Chen apertou o passo e logo o alcançou.
— Já pensou num nome?
— Pensei em colocar em nomeá-lo em homenagem à treinadora Qi.
Baiyang o olhou estranho.
— O nome dele vai ser Satã.
Demorou um pouco até que a ficha caísse, já que catolicismo na China era minoria, e Baiyang se tocasse que Satã era o demônio na religião católica, mas quando finalmente se deu conta, não pôde evitar jogar a cabeça para trás numa gargalhada. E os dois foram rindo até a escola.
As risadas pararam quando os dois chegaram atrasados na escola e foram informados que ficariam depois do horário limpando os corredores.
No treino, à tarde, a treinadora estava descontando sua frustração com os membros faltantes no restante do time, exigindo o máximo de todos.
— Onde estão aqueles dois? Isso é muita sacanagem. — Jiale reclamou, enquanto descansava entre uma série e outra.
— Ficaram presos depois da escola. — Dayong explicou. — Eles mandaram mensagem avisando. — Defendeu-se depois da olhada feia do parceiro.
— Presos juntos. Sei. — Resmungou. — Não é à toa que o Qiao Chen estava brigando com o namorado. Ele deve ter morrido de ciúmes.
— Na verdade, as chances disso ter realmente ocorrido são muito altas. — Yan comentou, mexendo nos óculos.
— Fofoqueiros. — Xinglong comentou quando parou para se hidratar, e Yan arrumou os óculos e fingiu estar entretido com o caderno e suas anotações. — Será que ele está melhor? Ele não parecia muito bem ontem.
— Ele surtou quando percebeu que vimos tudo. — Dayong disse ao se lembrar do choro compulsivo do amigo.
— Acho que não é fácil ser exposto assim. Talvez não quisesse que soubéssemos que gosta de meninos. — Jiale se acalmou.
— Talvez não quisesse que soubéssemos sobre o namorado. Ou pelo menos um de nós. — Zhuo Zhi comentou como quem não quer nada, chamando atenção dos demais.
— Explique. — Yan pediu.
Zhuo Zhi pareceu um pouco pensativo.
— Talvez o namorado tenha sido algo passageiro ou um teste, e ele realmente esteja interessado em outra pessoa.
— Baiyang. — Dayong pareceu surpreso.
— Não creio! — Jiale pareceu extremamente interessado na teoria.
— Ele surtou, mas se acalmou quando ele o abraçou. — Zhuo Zhi falou sorrindo.
— Faz sentido. — Yan concordou. — Os números nunca mentem. — Disse, se referindo aos seus dados anteriores que apontavam uma grande chance dos dois estarem juntos.
— Parem de falar, eles finalmente chegaram. — Xinglong os avisou e tentou parecer que não estava também ouvindo as fofocas.
Dayong suspirou e foi até os amigos. Era duro ser o vice-capitão.
— Deixa eu ver. — Baiyang pedia, tentando puxar a roupa do outro.
— Tira a mão, seu bruto! — Qiao Chen respondeu, afastando as mãos do outro com um braço.
O vice-capitão corou ao ouvir a conversa dos dois e pigarreou, chamando-lhe atenção.
— Estão atrasados.
— Eu sei, mas a culpa foi dele. — Baiyang reclamou.
— Minha? Você que parece um macaco e não consegue manter suas mãos para você!
Dayong abriu a boca escandalizado com a discussão.
— Eu só quero ver, seu idiota! — Se alterou chamando atenção dos demais.
Jiale trocou olhares com Zhuo Zhi, e tentava em vão esconder o sorriso ao ver a briga dos amigos. Provavelmente já tinham se acertado.
— Por que está rindo assim? — Dayong estranhou a risadinha do parceiro.
Jiale não conseguiu responder e só riu mais ainda. Zhuo Zhi se limitou a dar um pequeno sorriso e balançar a cabeça.
— Tira a mão!
Baiyang bufou, perdendo a paciência, e enfiou quase o braço dentro da roupa do outro.
— Me deixa ver, idiota!
Todos ficaram um tanto chocados com a atitude até que perceberam o motivo: nas mãos de Baiyang havia um gato preto minúsculo.
— Você tá assustando o bichinho. — Qiao Chen chiou, tentando pegá-lo de volta, mas Baiyang levantou as mãos tirando-o do seu alcance.
— E você vai matá-lo dando porcaria para ele comer. — Falou examinando o gato.
— Ele é meu, e também gosta de hambúrguer.
— Coitado do gato. Tão pequeno e fadado a ficar gordo e preguiçoso que nem você. — Provocou, e segurou o riso ao ver a expressão indignada do outro.
— Está melhor, pelo que vejo. Fico feliz. — Zhuo Zhi comentou ao ver que Qiao Chen parecia muito mais relaxado do que no dia anterior.
Antes que pudesse responder, o grito da treinadora o fez dar um pulo enorme, acabando com o seu novo e recém adquirido estado de relaxamento.
Assim que virou, teve sua orelha puxada.
— O que eu disse sobre se comportar? Isso é hora de chegar no treino?!
— A professora me fez ficar até mais tarde. Não foi minha culpa. — Se defendeu.
Ela bufou e largou de sua orelha, e ele fez uma careta quando a tocou. Estava dolorida.
— Nenhum professor prende alunos à toa. O que você aprontou? — ela perguntou, e boa parte do time sentiu como se estivesse invadindo algum momento íntimo ali.
A treinadora era rígida, mas não se exasperava tanto com os outros jogadores quanto com Qiao Chen. Talvez cobrasse mais dele justamente por, no momento, ser sua tutora legal.
— Nada. — Ele respondeu, não a encarando ao se colocar entre ela e Baiyang.
— O que está escondendo?
— Nada. — Ele disse, mostrando as mãos.
E ela teria desistido se não fosse o pequeno miado que ouviu.
— Nada? — ela perguntou ao ver o gato nas mãos de Baiyang. Qiao Chen se limitou a sorrir.
Dayong, ao ver a veia da testa da treinadora quase explodindo, fez sinal para que os outros jogadores deixassem os dois resolverem aquilo em privacidade.
Foram vinte minutos de sermão em privacidade, seguidos de muitas voltas nas quadras.
No fim do treino, Baiyang procurou pelo rival que tinha ficado afastado de todos, mas não o viu em lugar algum.
— Procurando pelo Qiao Chen? — Zhuo Zhi perguntou, assustando-o.
Baiyang não respondeu, sabia que o amigo o observava em busca de alguma pista.
— Ele foi por ali, estava procurando pelo gato.
Bufou irritado.
— Não acredito que já o perdeu. — Reclamou, indo na direção que o outro apontou.
— Aonde ele está indo? — Jiale perguntou A Zhuo Zhi ao ver Baiyang saindo correndo.
Os dois trocaram olhares e foram atrás dele.
Não demorou muito para que Baiyang encontrasse o rival próximo a uns arbustos. Ele tinha o gato nos braços e discutia com o jogador de Hai Guang.
— Você é louco?! Já disse que não. Sai fora! — Qiao Chen falou um tanto alterado para o jogador do time adversário, surpreendendo o seu rival.
Qiao Chen não costumava se alterar, e na maior parte das vezes provocava e brincava. Até mesmo quando batiam de frente, dava para ver que não era sério. Vê-lo tão sério e alterado não era algo rotineiro.
Baiyang voou em cima dos dois, e empurrou Yuan Chi quando o viu puxando o seu rival pelo braço de modo brusco.
— Não ouviu? Sai fora. — Mandou, e estranhou que os olhos do outro pareciam escuros demais, mas achou ter visto coisas quando a expressão dele abrandou e ele sorriu levantando os braços.
— Só seguindo meu coração. — Yuan Chi se justificou, piscando para Qiao Chen, que fez uma careta.
— Você não tem um! — Qiao Chen respondeu e Yuan Chi riu.
— Assim você me magoa. — Disse dramaticamente ao colocar a mão no peito e suspirar.
— Não venha mais aqui ou eu vou contar para a treinadora. — Ameaçou, fazendo o outro apertar os olhos.
— Não, não vai. — Sorriu.
— Vamos embora. — Baiyang falou, puxando Qiao Chen que parecia um tanto balançado de ver seu blefe desconsiderado tão facilmente.
— Você é meu. Ainda vou te convencer disso nem que tenha que te lembrar todos os dias. — Yuan Chi falou quando os viu indo embora.
Zhuo Zhi viu Qiao Chen se encolhendo quando ouviu aquilo.
— Isso foi tão romântico. — Jiale comentou, fazendo o amigo balançar a cabeça.
— Qual o problema com você? — Baiyang perguntou a Qiao Chen quando eles já estavam um pouco longe dali.
— Estou ótimo. — Falou, abrindo um sorriso enorme que não chegava aos seus olhos.
— Está tremendo.
Só aí que seu rival olhou suas mãos que, mesmo em contato com gato, ainda tremiam.
— Devia contar para a treinadora se é algo ruim. — Aconselhou. — Ou falar com alguém.
Não queria conversar sobre nenhum assunto relacionado a um suposto namorado do rival, mas se fosse preciso aguentaria firme e forte. Eram um time, e também não suportava vê-lo tão desanimado.
— Não posso. — Qiao Chen retrucou num fio de voz. — E não quero.
— E você quer o quê então?
— Sua mãe emprestada por umas horas. — Respondeu.
Por um segundo Baiyang ficou possesso e ofendido, até ver o pequeno sorriso no rosto do outro. Não estava debochando. Só parecia carente.
— Ela vai te entulhar de comida. — Avisou.
— Conto com isso. — Qiao Chen riu, fazendo o outro balançar a cabeça.
Acabou que passaram bem mais do que o resto da tarde lá, e quando a treinadora Qi finalmente descobriu o paradeiro dos dois já era bem tarde.
Ela não teve coragem de acordar Qiao Chen quando o viu apagado, abraçado ao pequeno gato preto na cama extra do quarto de Baiyang.
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