Amigo estou aqui
1 Capítulo 1
Notas iniciais
A equipe de tênis da escola Yu Qing estava a todo vapor, e mais unida que nunca após finalmente ganharem da tão temida escola Xing Yao, nas semifinais da Província.
Infelizmente, sua comemoração pelo grande feito foi ofuscada pela condição médica de seu capitão, Mu Siyang, que tinha ido para Alemanha se tratar.
Entretanto, mesmo longe e ocupado com sua reabilitação após a cirurgia, o capitão deixou instruções específicas de treinos para que o time não desanimasse e mantivesse o ritmo.
Por consequência, os membros de Yu Qing foram desafiados por todos os times que venceram nas etapas anteriores, formando laços cada vez mais fortes entre si.
Isso não quer dizer que de uma hora para outra os atritos entre alguns jogadores sumiram.
— O que está olhando? Perdeu alguma coisa? — Shein Weiming, do time Yu Feng, interrompeu os olhares trocados entre Qiao Chen e Xu Xingzi ao jogar um pedaço de churrasco no rosto do rapaz.
Qiao Chen, que não era nem um pouco calmo, levantou na hora e já ia puxar o rapaz pela gola da camiseta quando Baiyang interrompeu os dois.
— Não ligue. Ele é vesgo. Provavelmente estava olhando outra coisa. — Disse, se referindo ao rival Qiao Chen, arrancando risadas de vários jogadores, inclusive dos times adversários que vinham ajudando-os a se preparar para a final.
— Traidor. — O menino reclamou dramaticamente.
— Idiota.
— Ahhh, não diga isso, Baiyang. Eu sei que você fala da boca pra fora e que no fundo me ama. — Falou alto provocando o outro.
O silêncio reinou no restaurante.
— Sinto dizer que meu coração já tem dona. — Continuou sem perceber.
— Qiao Chen. — Chi Dayong lhe chamou atenção e fez sinal para que parasse com a provocação.
— O quê? — perguntou sem entender.
Foi quando olhou para o lado e viu a expressão fechada do rival e colega de time.
Ele emanava uma aura negra, e não pode evitar dar um sorriso sem graça para apaziguá-lo. Obviamente, não teve efeito algum e ele deu um passo para trás quando Baiyang lhe encarou com uma raiva palpável.
— As chances dele lhe agredir são de 99,5% se não correr agora. — Yan informou desnecessariamente, e foi o empurrão que ele precisava para sair correndo de perto dele.
— Eu estava brincando! — O segundanista de Yu Qing gritou enquanto usava as mesas como obstáculo entre os dois.
Quando o outro não respondeu e continuou a perseguição, ele viu que tinha passado dos limites e saiu correndo para fora do restaurante.
O fato era que realmente tinha atingido um ponto sensível em Baiyang.
Por fora, Baiyang demonstrava ser um rapaz rude, violento, mas isso não poderia ser mais diferente da realidade.
No fundo, ele era um amor. Gostava de gatos e era carinhoso, e acima de tudo, apesar de se dizer rival de Qiao Chen, nutria pelo garoto sentimentos que iam muito além da rivalidade, companheirismo ou amizade.
Zhang Baiyang estava perdida e completamente apaixonado por Qiao Chen.
E não era por menos: Qiao Chen era alto, e muito bonito. Apesar de atlético, seu corpo era mais delicado que o seu, e não muito definido. Sua pele alva. Ele mais parecia um modelo do que um tenista júnior. E era tão engraçado.
Aguentava as provocações do outro, e muitas delas até achava engraçadas, como quando ele insistia em roubar suas bandanas. Mas ouvi-lo dizer que seu coração tinha dona enquanto desdenhava dos seus sentimentos era demais. E dessa vez ele realmente estava possesso.
Alcançou-o perto da quadra pública, e o socou assim que estava próximo o suficiente.
— Eu sinto muito. — Disse Qiao Chen ao tentar proteger o rosto com os braços.
Viu o rosto do outro marcado, e se sentiu mal. Aquilo claramente iria virar um hematoma enorme. Um hematoma enorme num rosto tão lindo, e por sua culpa.
— Tarde demais, idiota. — Deferiu mais um em seu estômago e se afastou.
Balançou a cabeça quando o viu segurar o estômago ao cair no chão.
— Fracote. — Xingou, ao se afastar.
— Baiyang, espera! — Ele pediu, mas Baiyang o ignorou e continuou a passos largos.
Não queria ficar ali.
Podia jurar que podia ouvi-lo chamando por seu nome até chegar em casa.
No dia seguinte, após as aulas, o time se encontrava na quadra para treinar. Todos estavam lá, exceto Qiao Chen.
— Onde está Qiao Chen? — Jiale perguntou ao se aproximar de Baiyang que fazia flexões num canto da quadra para aquecer.
— Não está no meu bolso.
Jiale torceu o nariz com a resposta.
— Vocês brigaram ontem?
— Não chamaria de briga. — Respondeu com um sorriso de canto.
Realmente, estava mais para surra do que briga.
— Sei. — O menor respondeu, antes de ter a atenção roubada pelo parceiro de dupla.
— Ele não virá. A mãe dele ligou avisando que ele não está bem.
Jiale olhou acusadoramente para Baiyang.
— Só dei dois socos. — Ele se defendeu. — E nem foram tão fortes.
— Não precisamos disso tão perto das finais. Sugiro que façam uma trégua e foquem nos treinos. — Dayong recomendou, a sós, depois que Jiale se afastou.
— Ele que provoca.
— Trégua. Resolva isso.
Falar era fácil, mas totalmente diferente de colocar em prática.
Qiao Chen não foi a escola no dia seguinte, e nem no outro, e tampouco apareceu ao treino. Era impossível fazer uma trégua com alguém que decidiu sumir do mapa.
Somente no terceiro dia que Qiao Chen apareceu na escola. Baiyang já tinha todo um discurso inflamado para chamar-lhe atenção, mas desistiu quando viu seu rival.
Ele estava abatido, muito abatido. Movia-se devagar, e parecia estar no mundo da lua.
— Qual o seu problema? — Baiyang perguntou, quando ele passou por sua mesa.
Qiao Chen o olhou, e Baiyang tomou um susto. Seu rival tinha uma expressão meio perdida. Olheiras grandes o deixavam ainda mais pálido e cansado. Tinha na bochecha a marca do seu soco ainda.
Ele não respondeu à provocação e foi se sentar. Quando a professora começou a matéria, ele deitou a cabeça nos braços e adormeceu.
Baiyang riu quando a aula acabou e viu a professora o acordando com tapinhas.
Riu novamente quando ele chegou atrasado ao treino, por ter ficado mais tempo com a professora, e foi punido pela treinadora.
— Estamos perto da final e você fica brincando? 50 voltas na quadra agora. — Ela mandou, arrastando-lhe pela orelha.
Ele evitou encarar os demais e começou a correr.
O sorriso de Baiyang sumiu quando viu Qiao Chen tropeçar e cair de mau jeito. Todos pararam o que estavam fazendo para ver, e correram para acudir quando viram que ele estava com dificuldades para se levantar.
Baiyang foi o primeiro a chegar e travou quando viu um pedaço da pele do rival no espaço onde a camiseta de treino tinha levantado na queda. Tinha um hematoma ali, próximo ao quadril.
Qiao Chen puxou a camiseta, arrumando-a, assim que viu que ele o analisava.
— Está tudo bem? — Zhuo Zhi perguntou ao oferecer a mão e tirar o colega do chão.
— Fiquei tonto.
— Você é tonto. — Lu Xia respondeu com a voz de tédio que lhe era peculiar.
Qiao Chen forçou um sorriso no rosto.
— Acho que foi fraqueza. Estou morrendo de fome. — Deu como desculpa, e muitos reviraram os olhos e começaram a se afastar. Não era raro que ele estivesse com fome. Zhuo Zhi continuou observando, claramente não acreditando em uma palavra que dizia.
— Melhor tomar um suco então. Esse foi feito com frutas, legumes e verduras selecionados para garantir mais vigor e resistência. — Yan sugeriu, segurando uma garrafinha com um líquido verde um tanto brilhante para ele. Zhuo Zhi abaixou a cabeça para disfarçar o sorriso.
— Se está fraco é bom tomar tudo. — Sugeriu, ganhando um olhar raivoso de Qiao Chen.
Ele suspirou então, sem opção, e decidiu tomar tudo o mais rápido possível.
E no final se surpreendeu por não ter passado mal pelo sabor extremamente amargo.
Até mesmo Yan se surpreendeu. Seus sucos podiam ser bons e saudáveis, mas sabia que não eram saborosos.
— Está melhor? — O gênio lhe perguntou quando o viu se levantar.
Antes que pudesse responder, sentiu o estômago se revoltar de tal forma, que levou a mão até ele.
— O que ele tem? — Baiyang perguntou ao se aproximar, preocupado.
A resposta que ganhou foi um banho de vômito que lavou parte de seu uniforme e seus tênis.
Zhuo Zhi e os outros estavam claramente tentando conter o riso. Já Yan se limitou a abrir o caderno e atualizar os dados.
Baiyang puxou Qiao Chen pela gola da camiseta, antes que pudesse se defender, e o arrastou em direção ao vestiário.
— Aonde vão? — Dayong questionou.
— Eu vou me trocar, e ele vai embora. — Baiyang rosnou para o vice-capitão que acatou e continuou o treino.
— Eu sinto muito. Não fiz por mal. — Qiao Chen falou ao ser jogado de mal jeito no banco de madeira do vestiário.
Baiyang o ignorou e começou a tirar a roupa.
— O-o que está fazendo? — perguntou num fio de voz.
— Tira a roupa.
— Eu disse que sinto muito. — Disse com a voz embargada.
Baiyang suspirou e tirou a bandana da cabeça. Não estava com paciência, mas sabia que ele não tinha feito de propósito e que não estava bem.
— Você vai lavar esse uniforme que você sujou e vai me trazer amanhã, entendeu? — Passou seu uniforme sujo para ele. — Vai me emprestar o seu, vai se arrumar e vai para casa. Descanse, você não está bem.
Qiao Chen abaixou a cabeça e concordou.
— Anda logo, não tenho o dia todo.
Antes de ligar o chuveiro, olhou para trás e viu que o rival tirava lentamente o uniforme. E que tinha muitos mais hematomas pelo corpo do que ele imaginara.
Deve ter feito algum barulho, porque o olhar dos dois se cruzaram, e Qiao Chen desviou o olhar primeiro, claramente embaraçado e vestiu a camiseta o mais rápido que conseguiu.
Baiyang pigarreou e decidiu terminar sua ducha rápido. Não pegava bem ficar encarado um colega seminu enquanto ele se trocava. Quando terminasse, perguntaria para ele sobre as marcas.
Porém, quando saiu não havia qualquer sinal de Qiao Chen. Somente o uniforme do rival se encontrava dobrado cuidadosamente em cima do banco de madeira.
No dia seguinte, Qiao Chen lhe entregou seu uniforme lavado, passado e dobrado cuidadosamente antes que a aula começasse.
Alguns garotos mais atrevidos assobiaram e começaram a tirar sarro quando viram a cena. E Baiyang sentiu o coração bater mais forte quando viu o quão sem graça e ruborizado Qiao Chen ficou com a brincadeira.
Ele ficava fofo demais corado.
O fato é que, depois daquela brincadeira, rumores surgiram pela escola de que Qiao Chen gostava de garotos, mais especificamente seu colega de treino Baiyang, e não era raro ouvir alguém falando alguma graça.
Também não ajudou nem um pouco quando ele desmaiou em plena sala de aula, e Baiyang o levou para a enfermaria nos braços.
Certamente não era a posição mais máscula, e Qiao Chen ficou parecendo uma donzela indefesa sendo resgatada pelo príncipe encantado, mas na hora do desespero a última preocupação que tinha era com o que aquilo iria parecer.
Acabou que seu pensamento rápido foi pontual para que Qiao Chen fosse socorrido o quanto antes e levado de ambulância para o hospital.
O time ficou em polvorosa quando soube que o colega estava hospitalizado e como nenhum deles tinha contato diretamente com a mãe dele decidiram ir, juntamente com a treinadora, ao hospital visitá-lo.
Jiale tinha flores, Xinlong trazia um saquinho com pedaços de ganso para livrar o amigo da comida sem graça do hospital, Zhuo Zhi tinha outra com inúmeros hambúrgueres e Baiyang tinha salvo em um ipod algumas músicas que sabia que ele gostava para que pudesse se entreter.
Até mesmo Lu Xia trouxe uma caixinha com algo que o pai tinha feito.
Quando chegaram no andar certo, Lu Xia se livrou da caixa no primeiro cesto de lixo que encontrou.
— Vai ficar mais doente se comer. — Explicou e deu de ombros sem graça. E todos concordaram, já que conheciam as especiarias excêntricas que Lu Xiangqian costumava fazer.
Porém, quando procuravam o quarto viram um médico saindo com um ar pesaroso e um tanto sem graça.
— Vieram ver o paciente Qiao Chen?
— Sim, doutor.
— Ele é famoso? — Jiale se divertiu e cutucou Dayong, fazendo-o sorrir..
Ele pareceu pesar as palavras com cuidado.
— É o único desse andar. Talvez fosse melhor virem amanhã.
— Perdemos o horário de visitas? Não acredito. — Jiale checou o relógio, sacudindo-o para ver se tinha parado. — Mas ainda não são vinte e três horas.
— Algum problema com ele, doutor? — a treinadora perguntou preocupada.
— Não, não. Nada muito grave, ele e a mãe só estão conversando e talvez fosse melhor não interrompê-los.
— Vou esperar que acabem. Obrigada. — A treinadora Qi Na respondeu e voltou a andar na direção do quarto.
Do lado de fora era possível ouvir uma discussão em voz baixa vinda do quarto.
Lu Xia arregalou os olhos quando notou o que acontecia e a olhou pedindo uma explicação.
A treinadora fez sinal para que fizessem silêncio e os levou até o outro lado do corredor para que esperassem.
— Eles estão discutindo?
— Acredito que sim.
— Mas ele está doente! — Jiale ficou horrorizado.
— Acredito que tenha sido só um desentendimento. — Tentou acalmá-los.
— Logo o pai dele chega e isso acaba. — Baiyang comentou, despreocupado.
— Ele é órfão.
Quando viu os olhares chocados do time, ela suspirou.
— Não sabiam disso? — suspirou novamente quando todos negaram com a cabeça. — Ele é órfão de pai e mãe.
— Achei que ele estivesse com a mãe. — Yan Zhimming comentou, ao abrir o caderno e anotar.
— É a madrasta. Vocês deveriam realmente fazer um esforço e conhecer melhor seus colegas de time.
— Estamos sempre treinando.
— Não saem juntos? Não comemoram as vitórias?
E eles abaixaram a cabeça envergonhados. Sabiam que poderiam ter estreitado laços se assim quisessem, mas sempre estavam ocupados demais com outros assuntos e nunca realmente se preocuparam.
— Não podia imaginar, ele está sempre rindo. Parece feliz o tempo todo. — Jiale comentou, e boa parte deles assentiu. — Me sinto um amigo horrível agora.
— Na verdade nos últimos dias, o aproveitamento dele nos treinos caiu vertiginosamente. de 89% para 23%. A participação dele em classe caiu para vergonhosos 11% e até mesmo o índice de sorrisos e brincadeiras diminuiu e é quase inexistente.
— Você anota tudo isso?
— Claro, todos os dados influem nos resultados das atuações dele como titular.
— Às vezes, as pessoas escondem seus sentimentos atrás de humor. — Ela pensou consigo mesma.
Antes que pudesse falar algo mais, a porta do quarto de Qiao Chen se abriu e uma mulher bem arrumada saiu de lá, claramente alterada.
— Mãe! — Qiao Chen a chamou, e segurou seu braço. Parecia um tanto desesperado.
— Não me chame mais assim. — Ela soltou seu braço e se virou para ir embora.
Hesitou um pouco quando deu de cara com o time inteiro de tênis.
Qiao Chen secou o rosto sutilmente e tentou disfarçar com um sorriso que não lhe chegou aos olhos.
— Trouxemos presentes. — Zhuo Zhi falou, indo em direção ao amigo que pareceu dividido entre recebê-los e ir atrás da mãe.
— Vão indo na frente, meninos. Preciso trocar uma palavra com a Sra. Qiao. — A treinadora Qi falou, ao olhar a mãe dele que suspirou contrariada. — Lembrem-se que ele precisa descansar.
— O que foi isso, afinal? Vocês brigaram? — Jiale perguntou assim que o amigo voltou para a o leito hospitalar.
Dayong o cutucou, mas Jiale nem se incomodou. Era ávido por uma fofoca.
Qiao Chen pareceu bem sem graça e deu uma risada forçada.
— Um pouco, mas nada sério. Não se preocupe.
— O que estão te alimentando aqui? Está tão magrinho. — Xinglong comentou ao notar que ele parecia mais magro.
Como o viam sempre de uniforme, da escola ou de treino, não dava para perceber muito. Porém, com o pijama do hospital era gritante o quão magro ele estava. Apesar de altura, ele parecia pequeno e frágil demais.
— Eles me dão uma versão quente e quase sem gosto do suco do Yan. Chamam de sopa. — Contou, torcendo o nariz, fazendo-os rir.
— Papai mandou isso para te animar. — Xinglong depositou a sacola no colo do colega, que salivou ao abrir e sentir o aroma delicioso da comida.
— E isso também. — Zhuo Zhi entregou a enorme sacola com hambúrgueres para ele, que só faltou chorar ao ver tanta comida.
— Tem mais? — Olhou para Jiale, esperançoso.
— Só flores. — Entregou se desculpando.
— Não sou uma garota. — Brincou, fingindo que não tinha gostado.
— Mas parece uma. — Baiyang murmurou arrancando risadinhas de todos.
Ele falou sem pensar, e ficou aliviado que nenhum deles reparou que ele não disse aquilo sem intenção de provocá-lo.
Porém, o bom humor de todos não era partilhado pelo enfermo, que franziu o cenho no mesmo instante.
— Retire isso agora mesmo. — Retrucou alterado, apontando o dedo para Baiyang.
— Ok. Parece um modelo de revista de adolescente. — Respondeu com a cara feia e se segurou para não sorrir quando viu o rosto do seu rival corando absurdamente.
Os demais riram mais ainda, achando que ele estava só provocando o colega, e não tinham ideia de que ele na verdade estava se deliciando com as reações do outro ao ouvir o que ele pensava dele.
Eles continuaram conversando e perturbando Qiao Chen chamando-o de menino bonito até o retorno da treinadora.
— Vejo que conseguiram destruir a dieta do hospital em pouco tempo. — Ela sorriu e Qiao Chen sorriu para ela de boca cheia e fechada, abraçado à sacola com medo de que ela levasse embora.
— Tudo resolvido, treinadora? — Jiale perguntou, curioso para saber sobre a conversa com a mãe do colega.
Ela nada respondeu e se limitou a sorrir.
— Gostaria de um minuto a sós com Qiao Chen.
Qiao Chen pareceu murchar, engoliu o que estava na boca e guardou o restante do sanduíche na sacola. Tinha perdido a fome.
— Até mais. recupere-se logo. — Jiale falou, ao dar tchau para o colega e arrastar seu parceiro de lá junto com alguns colegas.
Xinglong deu um abraço em Qiao Chen, que relutantemente o soltou e depois que Lu Xia cumprimentou o colega com uma mexida no boné, restou somente Baiyang.
Ele arrancou o ipod do bolso com os fones e praticamente os jogou no colo do rival, que o olhou sem entender.
— Eu ganhei outro para ouvir enquanto treino. Pode ficar com esse.
Saiu antes que ele pudesse lhe agradecer.
A conversa entre ele e a diretora foi até rápida. nada excepcional para ela que ia direto ao ponto sempre.
— Vamos, eu dou uma carona para vocês. Está tarde. — A diretora ofereceu e eles comemoraram, fazendo-a sorrir.
— Algo errado? — Chi Dayong perguntou ao vê-las vasculhar os bolsos.
— Podia jurar que as chaves estavam no bolso.
— A senhora estava com elas nas mãos agora pouco. — Zhuo Zhi comentou.
— Devo ter deixado minhas chaves no quarto dele.
— Eu pego. — Jiale se prontificou, claramente ávido para poder perguntar o que conversaram, e partiu em direção ao quarto.
Porém, quando entrou desistiu de perguntar qualquer coisa e tomou cuidado para não fazer barulho e perturbar o colega.
Qiao Chen estava deitado de costas para a porta, fungando.
Era claro que estava chorando.
Jiale entrou no quarto nas pontas dos pés pegou as chaves na mesinha, e saiu o mais rápido que pôde de lá.
Qiao Chen continuou deitado, chorando e totalmente alheio a qualquer barulho externo com os fones de ouvido.
Dormiu ouvindo uma das músicas que Baiyang trouxera.
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