A festa tava top. Sério. Muito mesmo. Era nossa primeira noite no hotel e eu já tava com vontade de começar a fazer barulhos inumanos de coelho parindo de tão feliz que eu estava. E se a Bianca por acaso disser que eu já os estava fazendo, não acreditem, é mentira dela. Lá pelo meio da noite, qualquer um que pudesse dizer que estava envergonhado no início já tinha perdido toda a vergonha na cara (Menos o Italo, porque ele já nasceu sem ela mesmo). Não tinha mais ninguém inibido, e já tínhamos até começado a conviver com pessoas que não eram do AS. Aliás, era exatamente sobre iisso que a Ju Dassi estava falando quando eu voltei da pista de dança pra mesa onde a maioria de nós estava sentado.

– Eu acho muita sacanagem porque a gente veio pra esse hotel pra passar um tempo uns com os outros!! — Ela estava falando isso só pro Claudio, mas o tom de voz dela era bem alto, então todo mundo tava prestando atenção. — E aí, por exemplo, a Giulia já sumiu com um menino, a Thaisa fica indo e voltando cada vez com um diferente... Não dá pra entender.

– Eu entendo muito bem — A Maria Clara falou, chegando perto de nós — A razão é uma só e é bem simples: boys.

Comecei a rir e olhar em volta procurando a minha paraba feia, porque ela disse que vinha logo atrás de mim quando a gente saiu da pista de dança, mas ainda não tinha aparecido aqui. Foi quando eu ouvi um berro que conseguiu ser mais alto do que a música que tava tocando.

– ÇOCORR.

Here's the deal: Pessoas normais não estão acostumadas à linguagem de internet. Na internet, quando alguém diz "çocorr", é porque provavelmente alguém bonito apareceu ou alguma coisa engraçada aconteceu. Na vida real, quando um bando de recreadores de hotel está sendo responsabilizado por um grupo de muitos adolescentes ouve a palavra "socorro" ou qualquer semelhante dela, eles ficam preocupados.

Muito preocupados.

Mas infelizmente a Bianca não sabia disso.

Então demorou MUITO pra gente convencer a todos os adultos responsáveis que estavam ali (Inclusive a Alice e a Laura, que meio que também se sentiam responsáveis por nós) de que nada tinha acontecido. Pelo menos nada importante.

Eu estava explicando isso pra feia e a reação dela não foi muito legal.

– NADA IMPORTANTE? — Ela gritou — EU VEJO UM CLONE DO WILL HERONDALE E VOCÊ DIZ QUE NADA IMPORTANTE ACONTECEU???????????????

Aparentemente, "Will Herondale" é uma palavra chave, porque meio que metade das meninas do AS pulou em cima de mim e da Bianca perguntando "o que como assim cadê will mas ai senhor será que ele trouxe o jem junto e socorro eu to com calor eu preciso achar esse homem alguém me dáááááá". O que foi totalmente inconveniente. Eu to acostumada com os ataques de feels, juro. Mas poxa, eu bem que queria curtir só um pouquinho a vida com meninos não-famosos-nem-fictícios. Fui até um canto onde a Thaís dançava com a Bea Custódio e a Sofia, que tinham sido espertas o suficiente pra não se alarmar com o berro da Bianca.

– Will? — A Thay perguntou, com um olhar de compreensão no rosto.

– Will. — Eu confirmei.

– Isso foi quase um "okay okay" — A Bea Custódio comentou e a Sofi riu.

– Bea, a Esther te deu alguma coisa pra beber? — A Thay perguntou muito seriamente, e aí quem começou a rir muito fui eu.

– Você é uma parabatai horrível. — A Bianca se aproximou da gente e tudo o que eu pensei foi "meu tancredo, eu nunca vou conseguir me livrar dessa garota" — Me deixou lá tendo feels e sofrendo enquanto veio aqui dançar e se divertir.

– Também amo você. — Eu sorri e a abracei (mentira, eu mais apertei ela mesmo, até que ela começou a reclamar que não conseguia respirar. foi divertido).

– Atenção, galera!! — Uma voz soou nos auto-falantes da piscina. — Hora de começar as brincadeiras. Sabemos que ninguém aqui é criancinha, mas preparamos coisas especiais pra vocês, podem confiar. Agora comecem escolhendo uma dupla.

Engoli em seco e apertei forte a mão da Bianca. Coisa boa não podia sair dali.

Eu tava ferrada.