Amigas depois da Morte
1 Capítulo 1 - O começo do meu fim
Lá estava eu cara a cara com uma faca apontada diretamente para mim, não conseguia ver quem a segurava pois seu rosto estava coberto por um gorro preto que deixava só seus olhos negros de fora através de buracos. Ele olhava para mim com fúria em seus olhos, parecia estar sorrindo por baixo do gorro, como se esperasse por esse momento a vida toda...
Estava escurecendo e eu tentava fugir dele, estávamos no topo de meu prédio no centro de manhatan e eu tentava chegar à escada de incêndio ou então a porta que dava para as escadas, mas ele as bloqueava. Consegui me desviar dele por um segundo e chegar à escada de incêndio onde me debrucei, mas antes que eu pudesse me apoiar com meus pés para descer as escadas, vi que ele estava a centímetros de mim com a faca quase me tocando, me encolhi e fechei os olhos torcendo para que não me machucasse...
Abri meus olhos quando ouvi barulho de passos se afastando e ao mesmo tempo uma faca caindo prédio abaixo, me levantei e olhei em volta para ver se ele tinha mesmo ido embora.
Meu nome é Meredith Williams, e minha história é um pouco complicada, tenho 13 anos. Tenho uma vida normal, escola, amigos, família... e sinto que devo explicar melhor minha história, vocês sabem... antes do “incidente com um psicopata segurando uma faca”. Bom aqui vai.
Era um dia comum para mim, tinha acabado de sair de minha escola no centro de manhatan e voltava para casa a pé já que morava a dois quarteirões de lá. Eu moro quase que ao lado do Empire State Building, o que me separa dele são apenas dois prédios, nada pequenos por sinal. Eu estava passando em frente a um beco onde havia uma obra em andamento, acho que devia ser nos encanamentos do esgoto da cidade, aquilo soltava muita fumaça e quando passei um cara saiu de lá e começou a andar atrás de mim, ou melhor me seguir, eu que sou tão esperta notei e andei mais rápido, assim como ele, eu comecei a correr e achei que o tinha despistado mas quando parei em frente ao meu prédio para respirar pois estava sem fôlego, ele apareceu e parecia tentar puxar algo de seu bolso, não esperei nem meio segundo, entrei em meu prédio a procura do porteiro para que me ajudasse mas ele estava em sua “pausa para o café”. Pensei em ir para meu apartamento mais conseqüentemente o cara iria atrás de mim, então subi até o telhado e tentei ir para a escada de incêndio, mas ai ele tirou a faca do bolso e eu gelei, não sabia o que fazer até que depois de muito tempo de sufoco ele foi embora e eu me senti aliviada.
Olhei a hora e vi que estava atrasada, eu iria sair com minhas amigas naquela tarde. Esperei um pouco para ter certeza de que ele havia ido embora e depois desci para me arrumar. Entrei em casa e vi minha mãe na cozinha, larguei minhas coisas no sofá e cumprimentei minha mãe, ela não me respondeu, achei estranho mas achei que devia ter se distraído com sua cantoria sertaneja que nunca me agradou.
Depois de meia hora, estava pronta. Passei pela cozinha de novo, peguei uma maçã dei tchau a minha mãe, que não me notara de novo e fui para a calçada esperar minhas amigas.
Ao descer, as vi na porta já me esperando, passei pela porta e comecei a acompanhá-las a andar pela calçada. Como éramos quatro, ocupávamos toda a calçada, o que irritava algumas pessoas.Chegamos no cinema e entramos na fila, todas pagaram e usei meu vale ingresso para entrar.
Saímos do cinema às sete da noite, a cidade estava toda iluminada, sempre fico encantada com isso. Passamos no Mc Donald’s antes de voltar pra casa, eu não comi nada por causa da minha dieta, já elas pareciam que iam devorar o prédio inteiro com tanta fome. Enquanto elas conversavam igual a três gralhas gritantes, eu estava com a cabeça nas nuvens, boiando como sempre faço, mas desta vez acho que foi demais. Com o olhar para fora do estabelecimento, vi três garotinhos correndo entre os carros como se nada estivesse em sua direção, estavam tão felizes, pulando e correndo; vi também uma mãe segurando seu bebê, ela vestia roupas de hospital e estava descalça, o bebê estava ensebado e gosmento, tinha grandes e azuis olhos que a olhavam com intensidade acompanhados de um lindo sorrisinho. Todos estavam andando na mesma direção, inclusive um casal de velhinhos que andavam de mãos dadas pela calçada, bem devagar, tremiam um pouco, dava para ver que eram completamente apaixonados um pelo outro. Um dia quero ter isso com alguém também, me apaixonar por alguém que me de arrepios até os ossos, que me faça suspirar sempre que encontrar seu olhar, que me faça rir e sorrir, esteja comigo sempre, me ame pelo que sou.
Continuei a boiar e sonhar com o garoto perfeito, até que vi uma senhora de idade de camisola andando e respirando com dificuldade, tinha as mãos e a camisola ensanguentadas, me preocupei mais ainda quando ela caiu de joelhos no chão.
— Gente olha aquela senhora, ela precisa de ajuda!- falei levantando apressada e indo em direção a porta, percebi que nenhuma delas tinha levantado, nem Kate minha melhor amiga. Voltei até a mesa e falei de novo:
— Vocês não me escutaram? Andem, ela pode morrer!
Nada aconteceu, elas continuaram a comer e conversar como se não escutassem.
-kate vamos, me ajude!- a cutuquei. Ela não fez nada. Me perguntei porque me ignoravam, fizeram isso a noite toda, pensei que estivessem fazendo doce comigo de propósito, mas elas não iriam até esse ponto. Olhei para fora de novo e vi que a senhora ainda estava no chão, chorando, não pensei duas vezes e fui até ela.
— Não se preocupe, tudo vai dar certo vou chamar ajuda.- falei a abraçando e tentando impedir o sangramento. Peguei o celular e tentei ligar para uma ambulância, ninguém atendia, já desesperada comecei a gritar por ajuda para as pessoas na rua depois que a senhora deitou e fechou seus olhos. Comecei a chorar e tentar reanimar a senhora
-Não, não, não! A senhora tem que viver, tem muito que fazer ainda! – Sentei a seu lado ainda tentando reanimá-la.
Vi uma sombra ao meu lado e olhei pra cima com dificuldade, poderia ser a ajuda. Um garoto sentou-se ao meu lado e me segurou, me parando com minha tentativa de reanimação. Comecei a gritar para ele me deixar ajudá-la, chorando muito ainda, esperneei, xinguei e bati nele mas ele não me largava, só parei quando vi uma coisa que não esperaria nunca que acontecesse.
Achei que estivesse delirando ao ver a senhora de pé ao meu lado sem nenhuma marca de sangue e já se afastando com seus passos curtos.
-Não se preocupe isso acontece às vezes ainda mais se você tiver sofrido com cortes. – o garoto falou para mim enquanto eu ainda acompanhava a senhora indo embora.
-Sofrido com cortes? – falei soluçando ainda.
-É acontece muito, com você é provável que aconteça também mas não se preocupe, já passei por isso e não dói nem nada é como se você ficasse imóvel por alguns minutos apenas.
-Do que você ta falando? – Falei totalmente confusa com o que o garoto falava.
-Você sabe, dos cortes que causaram nossas mortes.
-Estas pessoas estão mortas?! O que?! – falei com medo e assustada.
-Estão ué! Os três garotinhos morreram atropelados, por isso estão na rua, a mãe e o bebê morreram no parto, o casal de velinhos morreu num assalto e a senhora que estava aqui morreu na mesa de cirurgia... Por isso sangrava daquele jeito, às vezes os cortes se abrem e sangram como na hora da morte.
-Então eu consigo ver mortos?! Eu sou médium? Ai meu Deus!
-Pera ai o que?! Ah, é um estágio. Olha você não é uma Médium ok? Você, bom... você morreu, por isso você vê essas pessoas.
Fiquei parada e não acreditei no que ele tinha dito. Como assim eu morri? Nada mais fazia sentido, quer dizer muita coisa fazia sentido agora, minhas amigas e minha mãe não me escutavam, viam ou me notavam, a mulher do cinema não reclamou do meu vale ingresso falso, só eu vi aquelas pessoas e elas realmente tinham vestígios de sangue e cortes e coisas do tipo, só de pensar fico tonta. E agora? O que vai ser de mim? E a minha família? Como eu morri? Quem me matou?
Fiquei encarando-o com um olhar confuso e triste, ele simplesmente me puxou em direção a... bom eu não sei aonde ele estava me levando eu sei que estava em tanto estado de choque que nem reclamei, só vi as coisas ficarem escuras e distantes até que tudo se apagou.
Notas finais
Beijoos, a Autora.
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