Amiga Morte

10 Intimidade versus Depressão


Notas iniciais
Boa leitura!

...

Eles jantaram e Babi o elogiou muito.

— Acho que eu deveria ir pra casa agora — disse se levantando.

— Já?

— É que já está meio tarde. — Tentou justificar.

— Entendo. Nos vemos amanhã?

— É... Octávio?

— Sim?

— Amei ficar um tempo com você. Foi memorável. — ele sorriu e ela sorriu. Não entendia porque estava com tanta vergonha ou tão desconcertada.

— Digo o mesmo. — eles ficaram em silêncio — Quer ajuda no que pensa em fazer agora? — ele perguntou enquanto a levava até a porta.

— Eu penso em dormir. Não sei se preciso de ajuda pra isso. — ela riu desconcertada.

— Tem certeza?

— Não. Seria muito bom se você me ajudasse a encarar a noite fria. — brincou provocativa.

— Dorme aqui? — ele indagou puxando-a para si.

— Preciso avisar minha mãe. — Ele fez uma careta.

— Quantos anos você tem, afinal? — perguntou fingindo-se de irritado.

— Ela acha que vou me matar a qualquer momento. — explicou.

— Manda uma mensagem avisando.

— Tudo bem. — ele a beijou. Foi um beijo longo, molhado e voltado a ela.

— Eu te amo. — ele murmurou entre um beijo e outro. Ela se emocionou. Também o amava.

— Eu te amo. — ela o abraçou apertado e depois o beijou vorazmente. O beijo ficou cada vez mais intenso. Octávio a puxou para dentro do apartamento e fechou a porta com os pés.

— Octávio? — Babi tentou dizer em meio aos beijos.

— Sim? você não quer? Eu entenderei se não quiser. — ela sorriu e colocou um dedo sobre os lábios dele.

— Eu quero. Quero muito.

— E qual o problema? — ele perguntou sentando no sofá.

— O problema é que não quero que isso aconteça na sua sala de estar. — ela disse rindo e sentando no colo dele.

— Sua boba. — ele levantou com ela ainda em seu colo, apagou as luzes da sala com muito esforço e foram para o quarto. Retomaram o beijo. De repente Babi começou a rir. Ela riu ao perceber que ele já estava muito excitado.

— O que foi? — ele parou de beijá-la e deitou na cama. Ela o olhou, mordeu o lábio inferior e subiu em cima dele.

— Nada não. — e o beijou. Dessa vez nada mais atrapalharia. Ela estava decidida finalmente, a ter sua primeira vez. Depois de muitos anos chegara a hora. Babi se sentia segura. Ela queria muito aquilo. Ela tirou a camisa dele e o beijou, enquanto sentia as mãos frias de Octávio tirar sua blusa e depois seu sutiã. A intimidade não a deixava sem jeito, como antes deixaria. Ela pensava nisso quando ele inverteu o jogo e a virou ficando por cima dela. Ela riu. Ele a despiu completamente e depois a beijou por inteira. Babi gemeu sem perceber. Quando se deu conta, os dois estavam nus. Era agora. Ele tentou alcançar o criado mudo para pegar algum preservativo, mas ela não deixou.

— Babi... — ele a beijou com uma intensidade sem igual e cada toque que se seguia resultava num prazer enorme. Ele sugou um dos seios dela e ela gemeu. Tinha medo de pirar, surtar, enlouquecer, mas começou a reaver essas condições. E então ele a penetrou. Primeiro devagar, depois foi alternando entre devagar e rápido. Os movimentos intensificaram e ela gritou. Ele gemia também, com mais frequência. O ritmo aumentou e de repente, mais força foi aplicada. Babi descontou seu enorme êxtase nas costas de Octávio, o arranhando e ele a beijou para abafar os gemidos dela.

E eles repetiram essa experiência pela noite afora, até enfim, pegarem no sono.

***

Pela manhã, Babi acordou, tomou um banho, se vestiu, beijou Octávio e foi pra sua casa. Ela embarcaria para o Alasca logo logo. Não conseguiu dizer a ele. Alasca era seu grande sonho da vida toda e ela havia economizado muito para um dia morar lá. No entanto, sabia que agora as coisas tinham mudado e ela não teria como mudar-se para lá, mas tinha juntado o suficiente para conhecer o país que tanto idolatrava. Deixara uma carta para Octávio explicando tudo. Abriu a porta do apartamento e encontrou sua mãe.

— Oi filha. — Sandra a cumprimentou.

— Bom dia.

— Como foi sua noite? — Babi arqueou a sobrancelha e deu um sorriso como resposta. Sandra entendeu muito bem. — Rolou?

— Sim. Foi ótimo.

— Sente-se aqui comigo. — ela pediu espalmando o sofá. Babi sentou. — Conte como foi.

— O que? — Babi fingiu-se de desentendida.

— Sua primeira vez. Ou não foi a primeira? — Sandra questionou curiosa.

— Foi a primeira sim. Sabe, ele foi perfeito, carinhoso, paciente e o melhor: teve amor. Foi melhor do que na minha imaginação — Babi disse rindo enquanto se lembrava da noite anterior.

— E como ele se sentiu sendo o primeiro?

— Não contei pra ele.

— Como não? — Sandra inquiriu confusa.

— Fiquei com receio do que ele pudesse pensar.

— Ele te ama, querida. Não iria mudar nada. — Babi deu um meio sorriso. — Então, ele te fez mudar de ideia? — Sandra resolveu mudar de assunto.

— Em relação ao quê?

— Sua viagem ao Alasca.

— Ele não sabe. Não contei.

— Bárbara! Se vocês estão juntos agora, não acha que ele precisa saber de suas decisões? — sua mãe a repreendeu.

— Mãe, o avião sai daqui a uma hora. Vou pegar minhas malas, pedir um táxi e ir para o aeroporto. Conhecer o Alasca é um sonho desde os meus treze anos. Um sonho que não vou morrer sem realizar. — ela beijou a bochecha de sua mãe e saiu. Tinha uma viagem pra fazer.

***

Quase três meses se passaram desde que Babi decidira embarcar para conhecer o Alasca. Ela fitava uma enorme montanha pelas grandes janelas de vidro do hotel onde estava hospedada. Decidiu, pela primeira vez., ligar para Octávio.

— Alô? — ele atendeu no primeiro toque. Ouvir a voz dele soar fez ela perceber o quanto estava com saudade.

— Oi amor. — ele logo reconheceu a voz de Babi.

— Achei que nunca ligaria, que eu nunca mais ouviria a sua voz...

— Nunca mais... — ela repetiu o interrompendo. – Nunca mais é o oposto de para sempre, não é?

— Sim — ele afirmou balançando a cabeça como se ela pudesse ver.

— Isso indica um tempo que eu não tenho.

— Por que me ligou? — ele perguntou. Ela percebeu um fio de mágoa.

— Estou voltando.

— Por que não me mandou uma carta para avisar? — provocou.

— Não precisa ser tão seco comigo. Sei que mereço, mas, eu só precisava esquecer que estou morrendo. Talvez seja difícil pra você entender, no entanto, eu agradeceria se tentasse.

— Eu só não sei como você esperava que eu reagisse, Bárbara. — ele deu um suspiro — Chegue logo. Os dias sem você foram tortuosos. Eu te amo.

— Eu também te amo. — ela desligou. Não sabia muito bem no quê deveria pensar. Ela queria estar de volta. Nos últimos dias as coisas meio que pioraram muito. Ela sabia que restava bem pouco tempo, mas não sabia como lidar com aquilo. Era assustador. Fazendo as malas, ela começou a reviver os momentos com Octávio. O primeiro beijo, o primeiro toque, a primeira e única noite de amor. Tudo. Então pensou em Lua. De repente não estava mais guardando roupas na mala. Estava no chão, cabeça entre os joelhos e com os braços envolto no mesmo.

Chorou. Pela primeira vez em meses, chorou freneticamente. E cada lágrima que escorria era como se aos poucos, o câncer saísse dela. Sé que Babi sabia que a doença continuava ali. E a cada minuto se espalhava mais pelo seu corpo. Ela sabia que iria morrer. A morte. Por um tempo, pareceu ter se livrado desse fato. Apenas pareceu. A morte rondava ela o tempo todo. Babi levantou com repulsa, se direcionou na cozinha do apartamento onde estava residindo. Andou até lá num misto de raiva e dor. Olhou o faqueiro reluzente em cima do balcão. Já tinha parado de andar. Ofegante se dirigiu lentamente ao faqueiro e pegou a maior e mais brilhante faca que havia ali. Tremendo apontou para si.

— Tem certeza que é essa que vai te matar? — alguém perguntou atrás dela. Babi se virou e viu Lua, que apenas balançava negativamente a cabeça. Depois se aproximou dela. — Oi.

Notas finais
Comentários? ~Keel