Amiga Morte

12 Egoísmo de volta?


Notas iniciais
Boa leitura amores!!!

...

Dois dias depois Babi chegou. Sua mãe e Clara fizeram uma recepção para recebê-la.

— Quanto tempo! — Clara a abraçou. Depois notou como Babi estava pálida e magra. Tentou disfarçar sorrindo.

— Sua barriga está grande. Que linda! Oi. — Babi falava com a barriga de Clara enquanto passava a mão na mesma. Após um tempo, levantou e foi abraçar seus pais. — Família reunida. Que milagre! — gozou. — Estou tão cansada da viagem. Agradeço a vocês pela recepção amorosa mas, acho que vou pro meu quarto repousar um pouco. — todos a olharam compreensivos. — Odeio quando me olham com dó.

— Ele ainda está no hospital. Vem assim que puder. — Sandra falou ignorando o que a filha tinha dito anteriormente.

— Ta bom. — sua mãe não havia citado nome, mas Babi sabia que ela se referiu a Octávio. Deu uma última olhada para os presentes ali e foi para seu quarto. Fechou a porta e se jogou na cama. Pretendia tirar um cochilo e logo pegou no sono.

***

— Ela já está aí? — Octávio disse entrando no apartamento.

— Ela está dormindo. Chegou muito cansada — Clara contou.

— Cadê a Dona Sandra? — ele quis saber enquanto colocava a maleta em cima do sofá.

— Saiu com Auguste. Eu fiquei aqui pra vigiar a Babi.

— Entendi. Sua barriga já está aparecendo. Que linda. — ele falou passando a mão na barriga dela. — Como o Ryan está reagindo com tudo isso?

— Ele está feliz. Sempre quis ser pai.

— E você? — Octávio perguntou agora olhando para Clara.

— Estou me conformando. — ela respondeu num murmúrio.

— Com a gravidez?

— Sim. Talvez eu não estivesse preparada, de fato. A ideia de ser mãe me assusta um pouco, sabe? Ter alguém que depende tanto de você.

— Tenho certeza que você será uma ótima mãe, Clara. — Octávio falou com convicção.

— Não quero... — ela deixou a fala morrer.

— Não quer ser mãe? — ele perguntou confuso. — Meio tarde pra isso, não acha?

— Não isso. Não quero admitir que essa criança não irá conhecer a Babi.

— Mas isso não é problema. Enquanto ela estiver viva na sua memória, será como se ela nunca tivesse ido. Só cabe a você mantê-la viva.

— Ela está morrendo, Octávio! Morrendo. — ela reafirmou para si. — Eu não posso simplesmente aceitar que minha amiga, irmã, companheira está morrendo. Não posso deixar que isso aconteça. Ela é parte de tudo pra mim.

— Precisamos nos focar nela. Eu sei que dói. Acha que aceitei que em breve não a terei mais? Porque eu não aceitei inteiramente. Acho muito injusto, mas fazer o que? Nós precisamos continuar por ela.

— Precisa ver como ela está. Magra, pálida... Parece que já morreu. Ela está definhando enquanto respira. Tem noção do quão horrível é isso? Ela parece que já morreu. São indícios claros de que logo tudo terá chegado ao fim.

— E a dor dela terá chegado ao fim. — Octávio falou mantendo o olhar e a feição inexpressiva.

— E a nossa? Temos o direito de sofrer. Não vou fingir que está tudo bem. Não sei fazer isso! — ela pegou a bolsa no canto da poltrona onde estava sentada quando Octávio chegou, lançou um olhar na direção dele e depois saiu.

— Você sabe que ela tem razão, né? — Octávio se virou e deu de cara com Babi encostada no batente da porta de braços cruzados. Apesar da tensão do momento, correu abraçá-la.

— Que bom te ver! Que saudade. — ela baixou a cabeça.

— Eu estou péssima.

— Não está não! Você está linda.

— Por favor, não... — ele colocou o indicador sobre o lábio dela.

— Você é linda. Eu amo você, Babi. — e ele a beijou.

— Senti sua falta. Vem aqui. — ela o convidou para o quarto. Fechou a porta.

— Como foi a viajem? — ele perguntou estático do lado da porta, com as mãos no bolso como se nunca tivesse estado ali antes.

— Foi muito boa. Conheci todos os pontos turísticos do Alasca e escalei uma montanha com um grupo de andarilhos que encontrei num dos meus passeios.

— Por que não me contou?

— Eu juro que ia dizer, mas aí a gente transou e eu não consegui dizer que pretendia ficar longe. Achei que seria injusto.

— E acha que não foi de todo jeito?

— Eu sei que foi. Me desculpa. Achei que uma carta fosse melhor do que eu simplesmente ir embora.

— Uma carta? Uma carta não mudaria o fato de você simplesmente ter ido embora... – ele afirmou dando forte ênfase – e eu achei antiquado, se quer saber. — ela desviou o olhar e ele caminhou até ela e se sentou na cama ao lado da mesma. — Deveria ter contado que era virgem. — ele falou pegando na mão dela. Bárbara arregalou os olhos surpresa e já se preparou mentalmente para um sermão na sua mãe.

— Mudaria alguma coisa?

— É claro que mudaria!

— O quê? — ela se sobressaltou. — Você teria pensado duas vezes antes de ir em frente? — ela falou ríspida.

— Não amor! Eu teria sido mais carinhoso. Teria tornado inesquecível.

Ela o olhou e mordeu o lábio inferior. Sentiu uma culpa tremenda ao se dar conta que, obviamente Octávio jamais se aproveitaria dela ou a negaria por uma coisa tão estúpida. Ele era diferente. Babi agachou para ficar da altura dele, que permanecera sentado.

— Foi tudo inesquecível. Foi a melhor primeira vez que alguém poderia ter. Teve amor, carinho, cumplicidade. Você foi maravilhoso. Eu amo você.

— E eu amo você. — ele se pôs em pé e a abraçou. Um abraço intenso.

— Me perdoa por ter ido embora — ela pediu.

— Claro que perdoo. — ele a abraçou mais uma vez e a girou. Foi quando percebeu gotas de sangue pela cama. Babi o olhou e percebeu que ele já tinha visto. Ele a olhou nervoso, assustado. O nariz dela sangrava sem parar.

— Octávio?! — ela tentava estancar o sangue com a mão.

— V-vou pegar alguma coisa pra você. — ele correu até o banheiro da casa de Babi e a única coisa que encontrou foi uma toalha.

Babi olhou em volta e quase surtou quando viu a poça de sangue sob seus pés. Ela estava agitada quando Octávio voltou com a toalha em mãos e a entregou.

— Não achei nada menor. — ele falou respondendo ao olhar inquisitivo dela. — Vem. — ele disse puxando-a pelo braço que não estava coberto de sangue.

— Nós vamos para onde? — ela quis saber relutando em sair do lugar.

— Para o hospital. Ou você acha que vou te deixar sangrar até morrer? — ele perguntou a olhando suplicante.

— Eu vou morrer de qualquer jeito. — ela falou engolindo em seco. Octávio a fuzilou outra vez e sem desviar os olhos, apertou mais o braço dela.

— Mas não vai morrer aqui, agora e muito menos assim. – percebeu ela fraquejando. As pernas um tanto bambas já. Ela não parava de sangrar e saía um fluxo forte demais. Ele sabia que se não a levasse para o hospital logo, em pouco tempo ela perderia a consciência e logo desmaiaria. – Você deveria ter mais consideração comigo. Com o que eu sinto por você. Eu te amo, Bárbara e me importo com você. Tenha certeza que um segundo a mais ao teu lado, muda meu dia. — ele ficou um pouco em silêncio e soltou a mão do braço dela. — Venha. – e ele saiu ancorando ela.

Notas finais