Após alguns dias, Yuuki enfim se recuperou. Porém, era final de semana, não havia muito de se preocupar. O máximo que havia de fazer era copiar as últimas aulas, as quais perdeu. Ele já havia copiado algumas, tendo pedido o caderno emprestado à Akane, então faltava pouco. Para descontrair, contanto, decidiu sair daquele quarto ao qual esteve confinado por um tempo e ao abrir a porta, se deparou com a moça.

— Yuuki-kun. Como se sente?

— Estou ótimo. Graças a você e a Sensei, me recuperei bem rápido.

— Que bom. Isso me deixa feliz. — Disse ela, vendo ele se direcionando a porta. — Para onde vai?

— Vou dar um passeio. Sair um pouco do dormitório, respirar um pouco novos ares.

— E eu posso ir? — Ela o questionou, sorrindo. O garoto concordou e com ela fechando a porta do quarto dele, o acompanhou ao lado de fora. Respirou fundo e começou a caminhar com a garota.

Conforme andava e conversava com ela, apreciava a tudo que ouvia e via em seus arredores. Todavia, algo além chamava sua atenção ali: a moça em si. Estava trajada de uma blusa azul e seu shorts, que iam até o meio da coxa. Era quase hipnotizante olhar para Akane, e não demorou muito para que notasse.

— O que houve? — Perguntou ela, com certa curiosidade. — Tem alguma coisa? Vai me dizer que é um bicho?! — Se apavorou com a possibilidade, começando a checar.

— Ah! Não, não, não tem bicho nenhum. — Assegurou, fazendo ela suspirar, aliviada.

— Yuuki-kun, não me assuste assim, por favor. Então se não é um bicho, o que é? — Ela voltou a indagar, e ele corou, desviando o olhar.

— É que… bem… essa sua roupa… você está… bonita. — Disse ele, a continuar desviando sua face. Aquilo fez a menina ruborizar e então surgir um sorriso jocoso em seu rosto.

— Eh… Yuuki-kun, como é? Você, dizendo que estou bonita? — Provocou, se aproximando dele, ele ficando cada vez mais sem jeito. — Será que eu despertei algo em você? Hmm?

— Ah, sai pra lá… — Afastou ele, fazendo a garota rir ligeiramente e o puxando em sua direção e o abraçando.

— Yuuki-kun, eu estou brincando… — Comentou, terminando de rir, mas sem tirar o sorriso, agora terno, de seu rosto. — ...eu sei que você mudou. Você está fazendo o seu melhor, e está compensando. Digo, olha para a nossa relação, estamos nos dando tão bem…

— Você tem razão.

— Eu poderia ter feito pior, para falar a verdade. Se eu não tivesse escolhido me abrir com você, você se traumatizaria. E não tente fingir que não entendeu porque você entendeu muito bem. — Akane disse, e o semblante de Hisashi ficara uma mistura de leve desgosto com vergonha, concordando com um aceno positivo. — Então, pensando em ser verdadeira contigo, eu decidi me abrir antes. Acho que foi a decisão mais acertada que tomei. — Complementou, tornando a agarrar o braço do menino, brevemente colocando sua cabeça nos ombros dele.

— Eu esses dias pensei que você tinha feito isso por minha conta…

— De alguma forma, eu fiz. Não se engane, não vi só o meu lado, eu vi o seu também. Pensei em como poderia reagir, se você se afastaria… minha ansiedade lá dentro estava a mil.

— E eu também fui um tanto averso a isso…

— Era de se esperar, você não sabia. Se eu tivesse contado na nossa infância, provavelmente você nem estaria pensando a respeito disso. Mas não precisa se desculpar, nós já nos entendemos… né? — Pôs sua mão próxima da do menino, pouco a pouco entrelaçando os dedos. O coração de Yuuki batia um pouco mais rápido, e por instinto, ele olhou para suas mãos, juntas, e para os olhos de Akane, e acenou positivamente.

Continuaram caminhando até pararem novamente sob a ponte.

— Você lembra? — Disse ela, ao olhar para o rio, ainda de mãos dadas. — Foi aqui que eu me revelei a você, há alguns meses atrás, no começo do ano letivo. — Concluiu.

— Você me chamou de ingênuo, e me pediu para manter em segredo. — Sentou-se com ela ali, às margens do rio, o observando com um sorriso.

— Sabe quando eu disse que não imaginava que tudo aquilo poderia me acontecer? Eu estava mentindo. Aquilo foi como uma válvula de escape, um meio de eu extravasar. Eu sabia que você poderia me repudiar. Mas você está me mostrando que está mudando. Está me reconhecendo do jeito que sou. — Miyagi explicou, e ele, nada disse.

Ficaram quietos por instantes, até que em um momento, ela se sentou ao colo do garoto, de frente a ele, fazendo o coração do menino disparar. A moça estava com um sorriso em seu rosto enquanto o fitava.

— Percebe agora? Uma hora, a gente não vai poder mais chamar o que a gente tem de amizade… — Atestou, se aproximando do menino que rapidamente fechara seu olhos. O que sentira não fora nada mais além de seus suaves lábios tocarem seu rosto por alguns segundos antes de desvencilhar, com ele a abrir seus olhos, ruborizado. — … porque você sabe o que vai se tornar no final, não sabe?

O menino, ainda corado, e incrédulo, com seu coração a mil, pôs sua mão aonde a garota o beijara. Seus olhos, desta vez, fitaram os lábios que o tocaram ali.

— Aliás… — Ela novamente se aproximou e puxou a mão do garoto abaixo. — … eu sei o que você estava pensando. Tanto que está incomodando um pouquinho aqui. Mas ainda não, tá? — E mais uma vez, tocou seus lábios ao rosto do menino, no mesmo lugar e se levantou, o revelando enquanto ele se cobriu como pode no momento. Esperou se acalmar um pouco, e então Akane começou a partir de volta ao dormitório, quando Yuuki se pôs de pé e chamou por seu nome. Correu em sua direção e a surpreendeu com um abraço por trás. — Poxa, Yuuki-kun… se queria tanto um abraço assim…

Ela se desprendeu dos braços do menino e se virou para ele, o abraçando de volta. Ele, por alguns segundos ficou ali, sem reação, antes de retribuir seu abraço. Se sentiam unidos pelo tempo que se abraçaram ali, antes de se separarem. Enquanto retornavam para o dormitório, conversavam sobre ter mais encontros como aqueles. Miyagi lembrou-se das colegas de Shizue, que agora também eram suas amigas e, sem contar sobre estas para o garoto, o convidou para um encontro. Ela não hesitou como antigamente faria, decidindo ser um pouco mais direta em suas abordagens.

Em seu quarto, ligou para a moça de pele escura, e assim chamou ela e a pediu para trazer as outras três para que acompanhassem. É claro, ela não citou que Yuuki iria, mas isso fez Nakajima suspeitar a respeito. A outra sugeriu que podiam ir aquele dia, porém, Akane insistiu que fosse no próximo fim de semana, a deixando sem saída. Desligando o telefone, se deitou por um breve momento, no final da manhã e ficou imaginando como poderia ser o encontro, a felicidade de estar não somente com amigos, mas também ao lado de quem gostava.