Poucos meses se passaram desde então. O dia dos namorados estava próximo, e algumas garotas começaram a pensar a respeito. E os rapazes, claro, se perguntavam se ganhariam, e de quem. Yuuki também se questionava isso, e ao olhar para Akane, a imagem da garota lhe dando chocolates veio a mente, o fazendo corar, e balançar a cabeça. Claro, as duas não poderiam deixar tal ato passar.

— Akane-chi… — Se aproximou da morena. — Pra quem você vai dar os chocolates? Hein? — Provocou. Miyagi ficou totalmente sem jeito com aquela questão.

Somente virou seus olhos o máximo que pode, e um pouquinho seu rosto, imaginando que não perceberiam. Foi totalmente o contrário.

— Eh… ele também está esperando chocolates seus, sabia? Então, quando for fazer, capricha.

— Shizu! Não deixa a pobre coitada mais apreensiva do que ela já está. — Reclamou a de cabelos roxos.

— Desculpa… Ah, mas também não duvido nada que o Tsukishima-kun vá se envolver nisso… — Ao dizer aquilo, o jovem conseguiu escutar, e lhe veio a imagem da jovem loira a lhe entregar chocolates, o fazendo ficar ligeiramente preocupado. Não se falou naquilo por então.

No final dos períodos, Akane foi até o clube de economia doméstica, novamente encontrando-se com Harumi e Iwasaki. Pouco depois, chegou a nova integrante que há pouco havia se juntado ao clube. Seu nome era Inoue Makoto, tinha cabelos negros até os ombros, seu cabelo era um pouco rebelde, porém, não se importavam com aquilo.

Por último, Natsuki, a quem a morena dizia ser dificil acreditar que pela aparência ela fosse a irmã mais nova. Afinal, não só Natsuki era mais alta, como também tinha um corpo mais desenvolvido do que a irmã mais velha.

Apesar daquilo, ela não se incomodava, exceto em momentos quando estava com a mais nova, e confundiam as duas. Era algo que a mais velha detestava. Somente o óculos e as atitudes eram os fatores que separavam as duas.

As horas passaram, e então, cada uma saiu. Akane foi para seu trabalho, enquanto Yuuki seguia para o dormitório. Algumas horas após chegar lá, lembrou-se de algo, pegou o telefone e ligou para sua mãe.

— Boa noite, casa dos Yuuki. Quem fala?

— Boa noite, mãe. Sou eu.

— Ara, Yuuki. Como está, querido?

— Eu estou bem, mãe. E a senhora?

— Também estou bem. E como vai a escola?

— Até que vai bem.

— O dia dos namorados já está chegando, sabia? Ah, falando nisso, e a Akane-chan?

Ao mencionar o nome da menina, o rapaz ficou totalmente sem jeito.

— A-Ah… espera ai, como você sabe da Akane? — Questionou ele, curioso. Sua mãe não tinha como ver, mas ele estava com o rosto bem avermelhado.

— Yuuki, sua mãe não é boba, querido. Eu reconheço um casal quando eu vejo um. Do jeito que ela gosta de você, não duvido que ela tenha se transferido pro seu colégio só pra te encontrar.

A mulher comentou, de forma brincalhona a rir.

— E mais: um dia antes de você sair, ela ligou para cá para saber de você. Se isso não é amor, eu não sei mais o que é.

O menino ficava mais e mais vermelho de vergonha. Pouco depois se despediram e desligaram o telefone. Por um momento, ele se sentou em sua escrivaninha e observou o céu estrelado. Sua mente divagou, a parar na menina novamente. Seu rosto, que antes havia se acalmado, agora estava começando a corar. Porém, ele não se importou com isso. Pelo contrário, acabou por suspirar, como se estivesse hipnotizado.

“Você… o que você fez comigo?”

Pensou, vagando em sua mente. Mal sabia ele que no segundo andar, no primeiro quarto, a moça também estava a observar as estrelas. Estavam indiretamente conectados, mesmo que pelos lados opostos. Todavia, diferente da moça, de tanto sua mente vagar, ele caiu em sono em cima da mesa.

Na calada da meia-noite, Akane desceu as escadas, direcionando seu rosto imediatamente para a porta do quarto do rapaz.

Ele deve estar tão bonitinho dormindo…” — Refletiu, sem dizer uma palavra.

— O que está fazendo ai? — Uma voz, repentina, a assustou. Como estava tarde, evitou gritar, mas era impossível não dar um mínimo salto de medo. O coração da garota estava a mil, apesar de ser somente a Sensei. Deu a desculpa de que estava indo beber água, e assim o foi fazer, retornando a seu quarto pouco depois, indo se deitar. Se abraçou a um travesseiro e lembrou-se de meses atrás, quando o garoto, quase que por inconscientemente lhe dera um beijo, e enfiou sua cara no travesseiro, surtando de amores pelo jovem e logo depois suspirando, citando o nome do menino e caindo no sono.

Alguns dias depois, o dia dos namorados enfim havia chegado. De antemão, Miyagi havia se preparado bem, e estava muito bem equipada. Saindo de Nozomi-sou, o jovem lhe esperava a porta, com um sorriso que fez o coração da jovem bater mais forte. Se recompôs imediatamente e tornou a acompanhá-lo.

O intervalo das classes então havia chegado. Era a hora perfeita. Pegou de sua mochila uma caixa pequena, se levantou e foi até o menino, esticando seus braços a entrega-lo.

— Yuuki-kun… feliz dia dos namorados. — Comentou, fazendo ele corar. Não lhe deveria ser surpresa, afinal, ambos estavam se dando tão bem nos últimos dias. Ele agradeceu e pegou a caixa da mão da menina, olhando a mesma por um momento enquanto ela retornava a sua mesa para pegar outra caixa, a qual distribuiria com o resto da classe. Olhando para a menina enquanto a mesma entregava os outros chocolates, Nakajima não deixaria aquilo passar batido.

— Oh… é impressão minha ou eu estou sentindo que o amor está no ar? — Provocou ela, abraçando-o do lado. Seu rosto ficou uma pimenta de vermelho, não por conta do abraço, mas sim porque os seios da jovem estavam muito próximos de seu rosto. A alaranjada o largou por um breve momento e estendeu a ele uma caixa aberta, com vários bombons. — Feliz dia dos namorados, Yuuki. Não se contenha, pegue um. — Comentou ela, e quase ao mesmo tempo, Emiko também lhe vinha com uma, também lhe desejando feliz dia dos namorados. Agradeceu-as e pegou dois bonbons, os comendo. Como era de se esperar, estavam deliciosos.

A porta da classe se abriu, levando toda a atenção da sala. Entrava ali a loira, a chamar por Hisashi. Ele se lembrou do que Shizue houvera falado há alguns dias atrás. Sua preocupação se tornou realidade quando Tsukishima o entregou sua caixa de bombons. A aparência externa aparentava estar imaculada, todavia, o menino conseguia sentir uma aura negra ao redor daquele. Pensou em rejeitar, mas sabia que aquilo poderia gerar uma mágoa ao qual a loira jamais esqueceria. Aceitou de bom grado, todavia, não foi o suficiente: a loira queria que ele provasse um para poder dizer como estavam. Arrepiou-se dos pés a cabeça, se vendo sem saida, sem ter muito para onde ir.

Os olhares de expectativa dela estavam em alta. Ainda que hesitante, ele desembalou a caixa. As aparências aparentavam estar completamente bem, mas a aura escura não aparentava sair. Pegou um bombom e colocou-o na boca. Uma sensação horrível preencheu seu paladar na hora, e sua expressão facial estava clara não somente para Nakajima como para Akane também, que vinha.

— E então, o que achou?

Yuuki engoliu a seco aquele bombom, ainda com um gosto indescritível em sua boca.

— Está ótimo… — Mentiu, como forma de agradar a loira, que solicitou sua confirmação mais uma vez, a qual ele afirmou com um aceno. Shizue decidiu se intrometer, sugerindo ao jovem que não mentisse para que fizesse do agrado da loira. Ele tentou negar, mas ela o refutou, o pedindo para ser honesto. Todavia, este não precisou dizer uma palavra, ela havia entendido, e saiu dali com um semblante ainda um pouco feliz, apesar de chateado por dentro.

— Aqui, Yuuki-kun… diga “ah”… — Ela pegou um bombom da caixa que estava compartilhando com a classe e segurou entre os dedos. Avermelhou-se brevemente, porém, assim fez como instruído. Comer os bombons que Akane houvera feito após a péssima experiência que teve com os de Megumi era como sair de um pesadelo e retornar a um doce e maravilhoso sonho.

— Ah céus! Por que não se beijam logo? Vocês são tão perfeitos um pro outro… — Reclamou a alaranjada, com inveja dos dois, que estavam vermelhos por conta de tal, com a morena a rir de nervoso, o qual cativou o interesse do rapaz, que a fitava atenciosamente até que ela lhe houvesse retornado o encarar, fazendo os dois desviarem o olhar. — Por quê que vocês dois têm que ser tão fofos?! — Não somente Shizue reclamou, como Emiko também.

Ao final das aulas, se trocaram os sapatos, e estavam para sair. Todavia, em um momento de desatenção, Miyagi, que estava a frente do rapaz, tropeçou no tapete de fora da escola, na metade da porta, e em sua breve queda, sua saia levantou o suficiente para que antes de atingir o chão, fosse possível observar suas roupas íntimas. Yuuki, que estava atrás, se surpreendeu com tal, a ponto de ter uma imediata explosão de sangramento nasal.

L-L-Listrada…” — Pensou ele, desviando o olhar, extremamente envergonhado. Emiko estava incrédula com tal acontecimento, e Shizue, antes levemente surpresa, fez questão de dar um polegar para cima enquanto ela se sentava ao chão, reclamando da dor.

— Belas listras. — Afirmou, confiante com um sorriso no rosto.

— E-Eh?! — Corou, pondo sua mão por cima da saia atrás, virando-se no mesmo instante para Yuuki. — V-V-Você viu, não foi? — Exclamou, com seu coração a mil.

— Ah, ele viu sim. Posso te garantir que ele amou a vista. — Caçoou, enquanto o jovem moreno tentava negar. — Ou vai me dizer que isso daqui não te diz nada? — Retirou a mão do jovem do rosto, a revelar seu nariz a sangrar, deixando ela ainda mais envergonhada. — Ah… tem isso daqui também--

E quando ela estava para apontar para o meio das pernas do garoto, ele sem dizer nada começou a correr, descendo as escadas.

— Ah! Yuuki-kun!!! Espera! Espera aí, seu tarado!!!Exclamou ela, a persegui-lo. As duas que ficaram para trás somente conseguiam rir com a situação ali experienciada.