Ainda no intervalo, Yuuki estranhou o porquê de Akane não ter juntado a mesa dela com a dele e a das meninas. Do contrário, ela se levantou e saiu junto delas enquanto conversavam.

“Se a Akane saiu… quer dizer que Megumi vai vir me puxar… não é?” Pensava ele, lembrando da briga aquela manhã.

— Akane-chi…

— Shizue… você já notou que o seu apelido para a Akane-chan meio que chama ela de Ecchi? — Ressaltou Emiko, tornando as atenções de ambas para a jovem de cabelos arroxeados.

— Hmm… Miyacchi?

— Ah… eu não me importo de me chamar da outra forma, Shizu-chan… — Retrucou, surpreendendo um pouco Sugihara, e botando um leve sorriso ao rosto da gyaru alaranjada.

— Viu? Então, se a Akane-chi diz, pela Akane-chi está dito e feito. Akane-chi será. — A moça respondeu, de forma levemente altruísta. — Além do mais, Miyacchi não combina bem com ela. E que eu saiba, ninguém até o momento chegou a chamar ela pelo primeiro nome. Nem mesmo o Yuuki chama ela pelo primeiro nome.

Ao mencionar o nome do rapaz, ela se arrepiou dos pés a cabeça, e os olhares da mais velha pairaram sobre si.

— E falando no Yuuki… — Ela a abraçou pelo pescoço, com um sorriso travesso. — O que foi aquela ceninha antes da briga, hein? Estavam tão juntinhos, se dando tão bem… o que aconteceu que eu não tô sabendo, hein, Akane-chi? — Provocou-a com as questões.

— Ah… bem… a gente pode ir no banheiro pra conversar a respeito disso? — E assim foram juntas até o toalete, pois a morena sabia que aquele assunto poderia gerar polêmicas e rumores.

— O que?! Você e o Yuuki? — Ela concordou com um aceno, deixando as duas abestalhadas com a revelação. — U-wa, que coragem você tem hein. Ele não tentou fazer nada de engraçadinho com você não, né?

— Ele nem teve muita chance, já que quem dormiu atrás fui eu.

— Menina! E ele?

— Ah, ficou com medo, é claro. Achou que eu fosse fazer algo com ele. Mas assegurei que não faria nada, e assim o cumpri.

— Se isso se espalha por aí, é um perigo. — Assertou a de cabelos roxos. — Ouviu, não é, Shizue? Nada de ficar espalhando isso aos quatro ventos. — Enfatizou, já sabendo da índole da alaranjada.

— Eu não vou. Quem você pensa que eu sou?

— Uma fofoqueira, e da pior espécie. É bom manter essa sua boca fechada, viu?

— Tá bom, tá bom, eu vou ficar quieta. — Bufou, com os braços cruzados, antes de tornar a olhar a morena. — Mas você, não deixa de me contar o que acontecer de bom entre vocês dois, viu?

Emiko viu que aquilo tudo não adiantou de nada, então somente pediu para que ignorasse o que Nakajima falou, e mantesse o relacionamento dos dois a sós. De certo que a mais velha reclamou, somente para levar uma dura resposta da mais nova.

Yuuki notou que, estranhamente, conseguiu comer seu bento em paz, sem ter sido interferido por Tsukishima. Terminou o mesmo, e ao momento que se levantou, o sinal de final de intervalo tocou enquanto as três adentravam a classe. Seu intuito era de procurar pelo loiro, todavia, tudo que sobrou foi colocar sua mesa em seu lugar para que a próxima professora adentrasse e as aulas continuassem.

No final dos últimos períodos, o rapaz mais uma vez se ergueu de pé, e saiu da sala. A morena, curiosa que só, o seguiu e questionou aonde ele iria, ao qual este lhe explicou, o que fez ela ficar de cara bufada e indignada.

— Yuuki-kun, eu não acredito que você vai ver aquele… ignorante. — Cruzou os braços, o fitando irritada.

— Eu preciso pelo menos aliviar essa tensão que se gerou essa manhã, não acha?

— Mas ele foi o inconsequente, Yuuki-kun. Ele quem começou com tudo aquilo.

O rapaz se desculpou com ela, a dizendo que poderia ir na frente que ele a alcançaria. Assim, a deixou para trás para buscar o loiro. Miyagi estava desacreditada do que ele acabara de fazer. Shizue fez questão de tentar confortar a pobre menina.

Procurou pelo rapaz no primeiro andar, nos armários. Nada encontrou. “Deve estar ainda em sala de aula” pensou ele. De lá, foi para o refeitório, local aonde se encontraram pela primeira vez. Não estava. Próximo do galpão do ginásio, no campo de futebol, biblioteca, até em outras salas ele o procurou, mas não o encontrou. Ao retornar para o corredor do primeiro andar, viu ele saindo da sala da enfermaria. Chamou seu nome, porém, apesar de ter escutado, fingiu que não havia, e seguiu até o armário de sapatos.

Não importava o quanto ele chamava a atenção, Tsukishima não respondia: se mantinha quieto, ignorando a presença do garoto. Ao mínimo toque, era refutado com um leve tapa em sua mão, que o afastava. Hisashi não entendia o por que de ele estar assim com ele, já que sua briga foi com Akane, e ele mesmo não fez nada de mal ao loiro. Todavia, ele via naquilo sua válvula de escape.

Mesmo o céu azul não lhe carecia. Ainda sem dizer nada, acompanhou o loiro por um breve tempo até que parou.

— Poderia parar de me seguir? — Disse, cabisbaixo. — Eu não estou com ânimo para isso, senpai. Por favor, me deixe sozinho… — Completou, e de imediato, tomou um desvio do caminho habitual ao qual andavam juntos. O rapaz somente o viu se distanciar, e por bem decidiu continuar pelo caminho habitual.

Ao chegar no dormitório Nozomi, alguém o esperava, de braços cruzados e escorada na parede. Abriu a boca com o intuito de tentar conversar, mas esta somente entrou, sem articular uma palavra para fora de sua boca, e ele fez o mesmo.

No banheiro, ao se despir, Akane mais uma vez olhou para seu corpo e ali, algo um pouco diferente a chamou a atenção, fazendo surgir um sorriso em seu rosto. Depois de ter se banhado e jantado, foi até seu quarto, e abriu uma das gavetas, aonde havia uma cartela de comprimidos.

“Está quase acabando…” Pensou ela, um pouco decepcionada. Levantou-se dali e pegou um pouco de dinheiro em sua carteira, guardando-o no bolso do short. Saiu em direção a uma farmácia, como não estava tarde, ainda haviam de se ter algumas abertas.

— Um… poderia me ver umas duas cartelas de Onamyn por favor? — Solicitou ela, e como uma infelicidade do destino, naquele exato momento, a porta estava aberta, e ali se encontrava quem ela menos queria, tampouco esperava: Tsukishima.

— Akane-chan? — Chamou-lhe a atenção. Ela se arrepiou de baixo a cima enquanto o farmacêutico entregava as cartelas a moça, informando o valor das mesmas. Entretanto, para a sorte da morena, ela não fazia ideia do que se tratava o remédio. Mesmo assim, se sentiu vulnerável, e ao sair, ficou do lado de fora por um momento, como se por humanidade, aguardasse.

Pouco depois, a loira saia de lá com uma pequena bolsa, assim como estava Miyagi.

— Coincidência encontrar você por aqui. — Declarou ela de forma apática, e a outra concordou, um pouco sem graça, a lembrar da manhã. — Ainda estou brava com você por conta das suas mentiras a meu respeito. — Disse, enquanto começavam a andar.

— Ah, aquilo… A Shizue--

— A Shizu-chan não fez aquilo pra ficar do meu lado. Ela só me defendeu das suas acusações. E se estiver curioso, sim, havia mesmo um clima entre eu e o Yuuki.

— E como a Shizue disse… eu acabei com esse clima, pra competir com você…

— Se você acha que mentir sobre alguém só pra ter vantagem é “competir saudavelmente”, você só pode estar louco. — Comentou até a loira parar em um ponto aonde se separaria dela, e antes que pudesse falar... — Não quero que me peça desculpas da boca para fora. Mostre-me que está arrependido. Não hoje, mas no dia da olimpíada interclasse. — Concluiu, indo para o dormitório. Megumi ficou ali por um momento e então seguiu seu caminho rumo a sua casa.