Amethyst no Hana - A Flor de Ametista Original
37 Capítulo 36 - Almas Atadas
— Que tipo de novidade?
Yuuki a questionou, sendo ele solto e a moça também, para alívio dos dois. Não suportavam mais sentir o cheiro incômodo do álcool. A mulher então, mesmo em sua voz embriagada, havia dito que o dormitório haveria de passar por algumas avaliações e possíveis reformas, e que eles não poderiam utilizar o lugar por alguns dias.
— Como é?! E para onde vamos nós após as aulas? – Miyagi clamou, desesperada ao ouvir aquilo. No auge da sua embriaguez, sugeriu a mulher que eles retornassem para suas casas, o que aos ouvidos da morena, era um absurdo de se escutar. De pronto, reclamou que ela morava longe e que seria inviável ir e voltar de metrô para a escola. É claro, no caso dela, era mentira. Ela estava, na verdade, cobrindo um outro problema ao qual decidiu não relatar para ninguém. Yuuki também protestou, pois diferente de Miyagi, ele realmente morava longe dali.
Por conta de estar bastante bêbada, rapidamente desconversou aquilo, para o desespero dos dois, que tentaram trazê-la de volta ao problema para que ela resolvesse. Suspirando de decepção, sugeriu mandá-los para um outro dormitório que havia convênio com o colégio e que era mais perto do que a casa deles. Todavia, ela os alertou que ainda assim, eles haviam de tomar o metrô tanto para ida quanto para volta. Os dois concordaram, pois entre si atestaram ser a melhor decisão possível. A sensei então se recompôs como pode e telefonou para o outro dormitório.
— Desculpem, eles disseram que não tem quartos disponíveis. – Aquela frase era tudo que eles não queriam ouvir dela. Voltaram a estaca zero, sem saber o que fazer. A garota disse que o máximo que poderiam fazer é ver se algum amigo próximo poderia lhes emprestar a casa pelo breve período. Ela sabia que seria incômodo, mas não lhes sobravam outra alternativa: hotéis estavam fora de cogitação no orçamento deles, e a própria casa seria inviável tanto para Akane quanto para Yuuki, por motivos diferentes.
Tomaram seus turnos no banho e então foram cada um para seu quarto. Miyagi ligou para Shizue e a perguntou se poderia dormir em sua casa por alguns dias, explicando a situação. Do lado de Hisashi, ficou incerto sobre contatar Megumi; dias antes, havia quebrado o coração do pobre jovem e na sua lógica, pedir um favor desse seria algo cruel demais. Então, em um momento de lucidez, decidiu não o fazer, se levantou e foi para o quintal do dormitório. Ficou ali a observar o céu noturno, um certo ressentimento preenchia seu coração.
— O que é que você tá fazendo aqui, hein? – Exclamou a mulher, ainda com sua voz arrastada, o abraçando pelo pescoço e se assentando ao seu lado, incomodando o garoto.
— Hibiki-sensei, você fede a álcool.
— Ah, qualé. Dá um desconto. – Retrucou a reclamação. – Mas aí… o que você tá fazendo aqui, hein?
— De novo isso?
— Você parecia meio distraído nos seus pensamentos…
Yuuki tentou desconversar, mas por mais que ela estivesse alterada, ainda estava com sua intuição afiada, e disposta a ajudar. Sem muita escolha, ele então se abriu com a mulher, que lhe ouviu com certa atenção. Próximo do final de seu relato, ela tomou mais um gole de sua lata, o que o deixou indignado, acusando-a de não ter escutado nada. Porém, ela o respondeu, dizendo que havia escutado tudo diligentemente.
— Sabe, Yuuki… sendo sincera, eu não acho que você tenha feito algo de errado. Nem mesmo ele fez. Aconteceu de ele se apaixonar por você, mas você não gostar dele por ele ser um menino. Aliás, você tentou mas não se safou muito, não é? Ou vai me dizer que não sabe? – Comentou ela, entre soluços; Ele, suspirou.
— Mas enfim, dá pra entender o seu ponto de vista. E por você se colocar no lugar dele, dá pra ver que você é um garoto de um coração muito bom. E já que você não tem muito para onde ir… é comigo que você vai ficar.
O garoto ficou atônito com aquela decisão. O mesmo questionou se estaria tudo bem de ele ir na casa dela, mas a mulher comentou que não se importaria se ele dormisse com ela. Diante da hesitação anterior do menino, decidiu provocá-lo.
— Oh, que medo. Tenho medo do que você possa fazer comigo enquanto eu durmo… afinal, vocês jovens são tão cheios de hormônios, não é? Se liga, moleque. Até parece que você vai fazer alguma coisa. Você não tem coragem pra isso. E mesmo se tivesse, eu mesma tenho uma boa dose de bom senso pra lidar com a situação, sóbria ou não. Agora vamos, de volta para o seu quarto, amanhã não vamos poder voltar aqui.
No dia subsequente, era como se nada houvesse acontecido: ela se recuperou rapidamente, apesar de haver reclamado de dores por conta da ressaca. Na pausa para o intervalo, ela chamou a atenção de Yuuki em um corredor vazio daquele colégio.
— Olha... Esquece qualquer baboseira que eu tenha dito ontem, tudo bem? E não conte nada para ninguém, ok?
O moço concordou e seguiu seu rumo ao refeitório. Em um momento, cruzou seus olhares com Megumi à distância, mas ambos somente ignoraram e continuaram o que quer que estariam fazendo.
No final do último período de aulas, fora pedido através dos alto-falantes da escola para que Akane se dirigisse até a sala dos professores, o que confundiu a garota. Assim como instruído, ela compareceu ao local, e fora informada pela professora do dormitório, em um canto mais reservado, que Yuuki ficaria com ela. Miyagi, é claro, sentiu-se escandalizada ao escutar aquilo, mesmo que em sussurro. Todavia, houve-se de concordar, já que ele não havia muita escolha. A sensei então a dispensou, e esta fora buscar o garoto para que ambos retornassem ao Dormitório, para que buscassem suas malas de roupas.
Algum tempo depois, um carro parou em frente ao lugar: era a mulher, que havia chegado para busca-lo. Ao ver aquele veículo, o peito de Akane doeu; afinal, não foi dito quantos dias ficariam longe um do outro, já que ela iria com Shizue, e o garoto, com a Sensei. Era como se fosse sua infância tudo de novo. Por instinto, quando ele ia se despedir dela, ela o abraçou e repousou seu rosto em seu ombro.
— Não... — Ela disse, quase sussurrando. Yuuki se surpreendeu com o gesto da menina, levemente perdendo sua compostura.
— A-Akane...
— Não... — Ela insistia, dessa vez com uma voz mais alta.
— O-O que houve?
— Eu não quero...
— Miyagi, nós precisamos ir... — Advocou a Sensei, do carro.
— Não! Eu não quero!
— Você não tem que querer, nós não podemos ficar aqui, e--
— Eu não quero!!!
Não adiantava: diante de qualquer tipo de argumento, Akane estava irredutível. O abraço apertado, a voz levemente trêmula, as lágrimas a descerem de seu rosto. Insistiu que não queria se separar do menino mais uma vez, não após ter feito a promessa a qual ela os fez lembrar novamente. Irritada, a mulher saiu do veículo, e sem a mínima paciência para as besteiras da morena, tentou separa-los, sem muito sucesso. Ela então exclamou para Miyagi que esta o deixasse ir, a qual ela respondeu em igual tom:
— Se ele tiver que ir, então que eu vá junto com ele!
Fale com o autor