American Psycho
8 As I am
Notas iniciais
I wanna wake you up
At the end of the night"
A boate Cruz 101 era uma boate como todas as outras. Um bar, uma imensa pista de dança, GoGo Boys dançando e uma parte da boate destinada a aqueles que desejavam mais privacidade. O que diferenciava a Cruz das outras? Seus eventos.
Toda boate tem um evento especial, mas nenhuma se compara as festas que a Cruz realizava. Essa noite estava acontecendo a “BigGayFriday”.
Alfred estava já na boate e olhava ao redor. Decidiu chegar mais cedo para poder analisar melhor o local. Apesar de se dar bem com as pessoas, ele não era muito fã de multidões. Preferia pequenos clubes e barzinhos.
Arthur chegaria em breve e ele pretendia estar ciente das coisas, caso ao contrario seu plano não daria certo. Essa noite teria o detetive a sua mercê.
Olhou todas as coisas, o barzinho, a pista de dança, os espaço com puffs, a sala do fundo reservada a privacidade e os banheiros. Cada canto tinha sua particularidade. O barzinho estava sempre cheio de homens que pegavam suas bebidas ou tentavam pagar bebidas para outros na esperança de conseguirem alguém. A pista de dança era a mais movimentada. Homens e mulheres (gays ou não) dançavam como se não houvesse amanhã. Os GoGo boys também estavam presente e alguns dançavam em palcos no meio da pista. Nos puffs haviam tanto amigos conversando quanto casais trocando caricias. Nos banheiros a última coisa que ele viu foi pessoas usando para fazerem suas necessidades. A não ser que fosse uma necessidade sexual. Nos balcões onde estavam as pias, vários homens cheiravam cocaína. A sala dos fundos era como o banheiro, só que o cheiro de sexo era mais forte ali. Vários homens transavam ao mesmo tempo e Alfred estava começando a ficar excitado com tudo aquilo.
Sentiu seu braço sendo apertado e olhou para o lado. Um rapaz havia o segurado e agora passava suas mãos de seu braço para seu tórax, por cima da blusa, descendo até encontrar o cinto da sua calça. Não era preciso dizer nada. Ambos sabiam o que ele queria. Alfred sorriu e aproximou-se do rapaz. Beijaram-se lentamente, saboreando o gosto de cada um. Quando se separaram, Alfred pegou um frasco que havia comprado de um dos rapazes no banheiro e aproximou do nariz, inalando o conteúdo. Ofereceu ao rapaz que fez o mesmo. Ambos sorriram e o rapaz abaixou-se ficando entre as coxas do americano. Alfred sentiu seu sorriso aumentar. Podia diverte-se um pouco enquanto o detetive não chegava.
~ 0 ~
Arthur olhou-se no espelho conferindo seu visual. Ele vestia uma blusa branca de manga comprida, jeans escuros e uma bota preta. Sentia-se desconfortável por usar aquelas roupas e o fato de ter saído para comprá-las o deixava ainda mais desconfortável.
-Sinto-me como uma mulher indo para seu primeiro encontro. – disse para si mesmo.
Mesmo envergonhado, deu uma última checada no espelho, pegou suas chaves do carro e sua carteira. Saiu de casa, indo em direção ao seu carro. Dirigiu absorto em pensamentos. Estava bastante nervoso e ao mesmo tempo, ansioso. O que aquela noite prometia? Será que ele iria conseguir chegar mais próximo de Theodore? E o que aquela aproximação significava?
De Londres até Manchester eram duas horas de viajem e ele passou aquele tempo refletindo sobre essas questões até a sua chegada ao clube. Quando chegou, conferiu o seu relógio. Eram 23:30.
“Um pouco de atraso não iria fazer mal” – pensou, indo para a fila, que estava relativamente grande.
Passado algum tempo, Arthur conseguiu entrar no clube. A primeira coisa que notou foi o barulho da música alta. Estava desacostumado com isso. Há muito tempo não ia a uma boate. Olhou a multidão que dançava a procura de Theodore. Não viu nenhum sinal dele e ele caminhou até o bar. À medida que passava, reparou vários olhares em sua direção. Corou um pouco, mas sentiu-se feliz em saber que ainda era atraente.
Encontrou Theodore no bar. Ele estava encostado no balcão, apoiado no cotovelo esquerdo. Sua mão direita segurava uma garrafa de cerveja. Vestia uma blusa preta com uma gola V, que estava justa em seu corpo. Também usava uma calça jeans azul escura e por último, tênis escuros.
Arthur não tirava os olhos dele e Theodore percebeu que estava sendo observado. O jovem encarou o detetive. Havia algo em seus olhos que Arthur não sabia decifrar exatamente o que era.
Aproximou-se e disse:
-Desculpe a demora.
Theodore sorriu para ele e disse:
-Não se preocupe. A festa está apenas começando. — Theodore o observou por um minuto, deixando o detetive sem jeito.
-Algo de errado?
Theodore sorriu e disse:
-Eu sou estava observando o quanto você está bonito hoje, Arthur. – aquele comentário o pegou de jeito e ele não sabia o que responder.
Theodore sorriu e bebeu o resto de sua cerveja, colocando-a em cima do balcão.
-E então, vamos dançar? – disse fazendo gesto para a pista de dança.
Arthur disfarçou o embaraçamento, dizendo:
-Eu? Dançar? Está louco?
Theodore tomou a mão de Arthur e começou a arrastá-lo para a pista, sobre os protestos do outro.
-Largue-me, Theodore.
-Qual é, Arthur? Quem vem para boate e não dança?
- Eu não vim com esse propósito. Largue-me!
Ambos agora estavam perto das pessoas que dançavam e a música estava bem alta, fazendo com que os dois tivessem que falar perto do ouvido um do outro.
-Posso saber por que você veio então? – disse Theodore.
Arthur nada disse. Apenas encarou o outro. Depois de um tempo, Theodore suspirou e disse:
-Tudo bem. Se você não vai dançar, eu vou.
E com isso Theodore foi para a pista de dança. Arthur ficou parado observando o americano mexer o corpo. Ele era sedutor até dançando. Reparou um rapaz que se aproximou dele e logo os dois estavam dançando juntos. Percebeu como os dois estavam próximos, seus corpos quase se tocando.
Olhando os dois, Arthur acabou fantasiando que era ele quem estava dançando com Theodore. Podia sentir o calor do corpo do outro, a respiração perto do seu ouvido. Fechou os olhos e lambeu os lábios. Sua fantasia estava indo cada vez mais longe. Podia ver claramente os corpos colados, os lábios próximos, as línguas tocando-se. Sentiu um calor subindo pelo seu corpo e a calça ficando apertada.
Quando abriu os olhos, percebeu que Theodore o observava e isso o fez desviar os olhos. Precisava beber algo e urgente!
Foi até o bar e sentou em um dos bancos perto do balcão. Pediu um dose de whisky e enquanto tomava, ficou a observar a multidão. Theodore havia desaparecido de sua vista e não parecia estar perto.
“Deve estar se esfregando com algum estranho” – pensou amargurado.
Não queria admitir, mas estava com inveja. Decidiu enterrar aquele sentimento com um gole. Um, dois, três. O detetive havia perdido a conta de quantos copos ele já havia tomado. Quando se sentiu mais leve e a bochecha esquentando um pouco, levantou e foi até a pista de dança. Tudo parecia estar acontecendo lentamente e as luzes piscavam bastante, ofuscando a visão do detetive. Mesmo assim, ele seguiu em frente e começou a dançar. Aparentemente chamando a atenção de um rapaz que se aproximou dele. Ele era loiro, cabelos curtos e arrepiados. O rapaz estava sem camisa e revelava seu abdômen definido. Para completar, usava uma calça apertada. Aquela visão encantou o detetive que se aproximou. Os dois começaram a dançar ao ritmo da música. Estavam muito próximos e Arthur estava começando a aproveitar a presença do outro quando percebeu uma terceira pessoa intrometendo-se entre os eles.
Arthur apertou os olhos para ver melhor e percebeu que a terceira pessoa era Theodore, que acabou afastando o detetive do outro rapaz. Aquilo o fez ficar bastante irritado.
-Posso saber por que você fez isso?
Theodore se fez de desentendido.
-Hm?
-Não seja idiota. Você some, por não sei quanto tempo, e quando volta ainda me atrapalha?
-Ora, Arthur – disse Theodore, aproximando-se mais do rapaz- Eu o trouxe até aqui e você se recusa a dançar comigo. Quando eu te acho, você está com outra pessoa? Isso não se faz. Deixou-me com ciúmes.
Arthur levantou as sobrancelhas em sinal de surpresa.
-Até parece que você se importa.- disse
-Por que você acha que eu o trouxe até aqui, Arthur?
O detetive encarou o rapaz que estava próximo por algum tempo e sem pensar muito, o beijou. Ao contrário do que ele esperava, aquele beijo não pegou Theodore de surpresa. Era como se ele já esperasse por isso. Sua mente gritou que aquilo não estava certo, mas ele resolveu ignorar quando sentiu a língua do outro explorando sua boca e as mãos correndo pelo seu corpo. Ele gemeu entre o beijo e quando se separaram Theodore aproximou os lábios do lóbulo de sua orelha e começou a passar a língua devagar. Arthur estava adorando tudo aquilo.
Da orelha, Theodore desceu os lábios para o pescoço do detetive e começou a morder de leve. Arthur não quis ficar parado, colou o corpo com o do outro e moveu o quadril, friccionando-os. Theodore gemeu com o contato e puxou o outro para um beijo. Quando se separaram, disse:
-O que acha de terminarmos isso em um lugar mais privado?
Arthur sorriu e disse:
-E quem disse que eu quero “terminar isso”?
Theodore sorriu ainda mais e passou a mão por cima da calça do detetive sentindo sua ereção.
-Você não me engana, Arthur.
Tudo estava acontecendo muito rápido e quando o detetive percebeu estava no fundo da boate, sendo pressionado contra parede por causa do outro.
Aquela parte da boate cheirava a suor e sexo. Vários casais estavam fazendo sexo ali e Arthur podia ouvir os gemidos deles próximo a onde eles estavam. Sua mente ainda estava um pouco turva por causa dos acontecimentos e por causa da bebida, mas ele não queria que aquilo acabasse. Não com o outro o deixando louco daquele jeito.
Arthur sentiu a calça sendo desabotoada e sendo abaixada até a altura dos joelhos. No momento seguinte gemeu ao sentir seu membro sendo acariciado lentamente.
Theodore sorriu ao perceber a reação do rapaz e abaixou-se ficando entre as pernas do detetive. Arthur gemeu surpreso ao sentir a língua do outro o tocando. Colocou a mão sobre seus cabelos e encostou-se a parede procurando ter melhor apoio.
A língua do outro estava o tocando levemente passando da base até a ponta e em seguida ela realizava movimentos circulares, que deixavam o detetive louco. Arthur agarrava os cabelos loiros e os puxava levemente à medida que ia se tornando mais prazeroso. Estava se perdendo nos movimentos de vai e vem quando sentiu o outro se afastar. Gemeu frustrado ao sentir a perda do contato.
Theodore levantou-se e encarou o detetive. Sua mão foi até o bolso da calça e de lá ele tirou um pequeno frasco e um pacote de camisinha. Arthur levantou a sobrancelha em surpresa.
-Então, isso já estava em seus planos?
Theodore aproximou-se do detetive e sussurrou em seu ouvido:
-Estamos em uma boate gay. O que você acha que iria acontecer aqui?
Arthur não respondeu. Sua visão ainda estava turva e sua mente ainda estava rodando. A música agora era só um plano de fundo e ele encarou o jovem em sua frente. Theodore parecia diferente das outras vezes que os dois tinham se encontrado. Ele sempre mantilha um sorriso alegre e sempre estava tirando sarro dele, porém agora estava diferente. Seus olhos não refletiam nada e o sorriso havia mudado. Arthur franziu a sobrancelha. Ele já tinha visto aquela expressão antes.
Teve pouco tempo para pensar mais sobre isso e com uma exclamação de surpresa sentiu seu rosto ser pressionado contra a parede. Theodore havia mudado sua posição e agora estava colado a suas costas. Sentiu os lábios do outro roçando em seu pescoço, em seguida, gemeu ao sentir o dedo de Theodore penetrando-o.
Arthur não era virgem e já havia feito aquilo muitas vezes, mas fazia muito tempo desde a última fez que fizera sexo e ele não conseguiu evitar uma exclamação de dor.
Theodore aproximou os lábios da orelha dele e sussurrou:
-Relaxe, Arthur.
As mãos do detetive fecharam-se em punhos e ele cerrou os dentes enquanto sentia os movimentos de vai-e-vem. Depois de um tempo, Theodore adicionou mais um dedo e Arthur gemeu contra a parede. A dor estava sendo substituída pelo prazer e agora ele arqueava contra os dedos do outro.
Theodore retirou seus dedos e Arthur olhou para trás. Viu o rapaz desabotoar a sua calça e abaixá-la um pouco, liberando seu membro. Em seguida, pegou o pacote de camisinha, abriu e colocou em si. Theodore segurou os ombros do detetive e inclinou seu quadril na direção certa, penetrando-o devagar. Ambos gemeram com o contato e Theodore não esperou Arthur se acostumar, continuando seus movimentos.
Arthur agarrou-se na parede e fechou os olhos com força. Dor e prazer misturavam-se e ele respirava com dificuldade. Seus gemidos misturavam-se com os dos outros e ele já não ouvia mais a batida da música. Tudo que ouvia era seus próprios gemidos e o barulho obsceno que estavam fazendo. Tentou olhar para o lado, mas agora Theodore segurava sua cabeça impedindo-o de olhar para trás.
Arthur podia sentir as unhas de Theodore encravando-se em seu quadril, deixando possíveis marcas, e ele percebeu que gostava disso.
O orgasmo o atingiu de surpresa. Seus olhos fecharam com força e ele gemeu alto. O clímax o entorpeceu e ele deixou seu corpo encostado na parede, buscando ar. Percebeu que Theodore havia interrompido seus movimentos e inclinou a cabeça para olhar melhor o outro.
Theodore tinha um olhar predatório fixo nele. Seus lábios se aproximaram e ambos se beijaram, enquanto ele o virava lentamente.
-Espero que não esteja cansado. Ainda não estou satisfeito – disse Theodore.
Arthur olhou para baixo e notou que Theodore ainda estava excitado.
-Não imaginava que fosse tão difícil satisfazer você. – disse, colando seu corpo ao do outro.
-Não tenho pressa. Estou aproveitando isso ao máximo.
Arthur sorriu e colocou uma de suas pernas ao redor da cintura de Theodore. Aquela noite estava longe de acabar.
Continua...
Notas finais
Well, a espera foi grande, mas eu não abandonei a fic! Fim de ano foi movimentado aqui em casa e só agora tive tempo de finalizar esse capítulo! Espero que gostem!
Para quem acompanha "All That Lies" tenho boas notícias: capítulo dois quase pronto! Irei me concentrar nele agora.
É isso...
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