American Love - Esme's life
2 Capíulo 1
Esme POV
Meu pai se chamava Auguste Platt e minha mãe Catherine. Eu nasci na última década do século XIX, por isso não me lembro muito dele. Eu tinha dois irmãos, Jonathan e Joseph Auguste, os quais iriam herdar a fazenda de meu pai e levar adiante o nosso sobrenome. Eu, por minha vez deveria me casar com quem meu pai indicasse e ser uma boa esposa, assim como minha mãe.
Meu nome é uma homenagem a minha avó materna. Minha mãe tinha apenas 21 anos quando me deu à luz. Meu pai era muito mais velho que minha mãe, e também muito bravo. Quando eu tinha sete anos aproximadamente, meu pai começou a me bater. Muitas vezes eu não compreendia o que havia feito de errado. Somente sentia a dor, mas por quê? Meu papaizinho, porque você me bate? O que foi que eu fiz? Ou o que foi que eu não fiz? Porque você passou a me odiar? Porque ele me batia até deixar marcas roxas, e isso não pode ser considerado amor, jamais. Quem ama não machuca desse jeito.
Será que ele batia na minha mãe antes de eu nascer e quando eu era pequena e não podia apanhar? Ele se aproveitava e batia e deixava marcas onde as roupas cobririam. Nada pode justificar o que ele fazia. Nada justifica bater numa criança assim, até deixar hematomas. Ele não bebia e não fumava. Jamais colocou uma gota de álcool na boca. Ele detestava cheiro de cigarro. Pode ser que ele bebia, mas eu nunca vi nenhuma garrafa de bebida em casa. Bom, eu não podia entrar no quarto dele e mamãe. Às vezes que eu entrei lá escondida, não vi nada.
Com o passar dos anos as surras foram se intensificando, ele era forte. Se prevalecia disso. Eu tinha apenas 10 anos e ele 41. Ele era, portanto 30 anos mais velho do que eu e 10 anos mais velho do que minha mãe. Ele tinha um temperamento forte, rude, áspero e violento. Tamanha aspereza dele me desagradava. Com o tempo eu aprendi a ignorar certas maneiras de agir dele e a respeitá-lo, muito mais por medo que por outra coisa.
O mínimo desvio de conduta de meus irmãos, qualquer coisa que eles faziam de errado, a responsável era sempre eu, a culpa era minha sempre. Por isso eu era castigada não apenas pelo meu comportamento, mas também quando meus irmãos – mais novos do que eu – faziam algo que não deviam. Não queriam me ajudar no serviço de casa de jeito nenhum – isso era serviço de mulher, diziam. O pior é que certas vezes faziam de propósito porque sabia que depois eu é quem iria apanhar.
Certa vez meu irmão mais novo me viu apanhar de nosso pai e enquanto isso ele sorria, gargalhava mesmo, de tanto contentamento. Isso ficou na minha memória, ele ria enquanto eu sofria. Não gostei nada disso. Meu próprio irmão, como ele pode?
Outro momento foi quando eu no dia das mães fiz uma cartinha para minha mãe agradecendo pela vida. Meu irmão mais velho viu e riu da minha cara. Minha mãe não fez nada e deixou ele rir de mim o quanto ele quisesse. Isso me magoou profundamente. Minha mãe. Minha própria mãe! Ela jamais me bateu, mas isso foi como se ela tivesse. Foi muito pior do que as surras todas que eu já havia levado do meu pai até o momento.
Quero me casar logo par ir embora daqui para bem longe com meu marido. vamos morar no Oeste e eu serei professora como sempre sonhei.
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