American Love - Esme's life
4 Capítulo 3
1919
Esme POV
Agora eu tenho 23 anos e estou casada com Charles mesmo contra a minha vontade. Ele é bruto. Um farsante, um dissimulado. Quando estamos em público, seja entre amigos ou caminhando no parque ele me trata bem, mas quando estamos em casa sozinhos ele faz o que quer comigo. Me obriga a comparecer toda noite, me admira que eu ainda não tenha ficado grávida. Deus existe e somente graças a ele eu ainda não engravidei. Ele sabe que não posso, não desse modo, nesse lar instável e turbulento. Meu pai me batia e meu marido também me bate. O que eu fiz para merecer isso? Senhor, meu Deus, por quê?
Há pouco tempo Charles recebeu uma convocação para ir para a guerra. Estou aliviada que ele foi. Deus que me perdoe, mas tomara que ele não volte. Eu rezo para isso. Só assim terei paz finalmente. Mas, infelizmente, para mim Charles voltou. Um arrepio de temor me percorreu o corpo quando o vi descer do trem na estação ferroviária. Meu período de paz e sossego havia acabado, eu sabia que jamais teria calma novamente, sempre estarei ansiosa esperando que ele faça algum movimento brusco. Sempre estarei tensa aguardando o momento em que vai abusar de mim. Não que isso seja algo que eu queira, algo a que eu anseie. Na verdade, ainda rezo para que não ocorra.
Nos primeiros dias após sua chegada pareciam que finalmente Charles se tornara o homem que eu queria, que eu pedi a Deus. Talvez a guerra tenha lhe ensinado, lhe feito bem, se isso é possível. Eu estava enganada, um dia estava fazendo nosso café da manhã e quando eu menos esperava Charles agarrou meu cabelo, quase o arrancando e me arrastou para nosso quarto.
A guerra realmente lhe ensinou algo, a ser mais malvado do que era antes. Ele me amarrou na cama e rasgou minhas roupas. Colocou uma mordaça na minha boca e fez o que queria comigo. Foi tão selvagem que eu fiquei dias sem poder me abaixar. Ele deve ter machucado algo dentro de mim.
Um dia ele voltou para casa bêbado e sem motivo aparente, apenas por me ver me deu um tabefe no rosto que me fez cair ao chão. Virou a mesa da cozinha em cima de mim, o que me machucou ainda mais e me cortou com os cacos de vidro dos copos e pratos postos para o jantar.
— Na cama, agora.
— Charles, não posso – eu ainda estava dolorida da última vez.
— Não interessa — ele me puxa pelos cabelos, levantando do chão.
Ele me joga no chão de nosso quarto e vai tomar banho. Atordoada eu saio correndo para a casa de minha mãe. Sem me incomodar em bater abro a porta e entro na sala. Minha mãe arregala os olhos ao me ver. Um tanto pela surpresa do modo como entrei e outro tanto pelos ferimentos e hematomas em meu corpo. O sangue manchando a roupa. Meu sangue.
— Esme, minha filha!
Caio de joelhos perto do sofá e coloco minha cabeça no colo dela, que me acaricia os cabelos.
— Esme, o que você está fazendo aqui? – pergunta meu pai. Claramente sem se importar com o estado em que eu estou. – Você agora é uma Evenson, não é mais uma Platt. Não deveria estar aqui.
— Mamãe! – levanto os olhos para olhar para ela. – Por favor, tenha compaixão. Charles é um bêbado. Ele me estupra! Ele é um crápula, um canalha. Olha o que ele fez comigo! Estou sangrando!
— Esme, não fale assim do seu marido – ela pega meu queixo – Ele precisa de sua ajuda.
— Eu é que preciso de ajuda! Charles é um canalha! Ele me espanca e abusa. Olha como estou!
— Agora chega Esme! Volte para sua casa! – grita meu pai – Fora!
— O que? O senhor está me expulsando? Me negando socorro?
— Nós não temos mais nada a ver com você. Agora você é do seu marido, ele pode fazer o que quiser com você. E eu disse fora da minha casa! Fora! – me pega pelo braço. Mesmo machucada, ele não quer saber se vai doer, ele aperta meu braço e me lança porta a fora.
Quando ele vem para cima de mim seu olhar está transtornado. Onde foi parar o meu pai? Ele morreu há muito tempo, há quase 19 anos.
— Vai embora e não volte aqui nunca mais! – ele bate a porta atrás de si. Posso ouvir o ferrolho e a trave sendo passados na porta.
Agradeço que meus irmãos estejam dormindo, e não tenham me visto assim.
Chorando eu me levanto e cambaleio até a floresta da fazenda. Ali eu me escondo e resolvo dormir no chão, para não correr o risco de cair e me machucar ainda mais. Amanhã eu voltarei para casa.
...XXX...
No dia seguinte quando Charles me vê chegando ele fica tão feliz por eu ter voltado, não esperava que ele reagisse dessa maneira. Alegria realmente é um sentimento que não combina com ele. Me recebe em casa com café da manhã. Estou surpresa, ele sabe cozinhar! Ah claro depois que os pais morreram ele precisou aprender, pois viveu um tempo sozinho.
— Onde você estava meu amor? – ele fala com a voz tão doce, que eu fico desconfiada.
— Na casa de minha mãe — digo suja de sangue e plantas.
— Ah sim, claro.
— Claro?
— Sim, você deve mesmo aproveitar enquanto seus pais estão vivos – não acredito que é mesmo Charles. devo ficar alerta a qualquer momento ele volta a ser o que era antes.
— Charles, querido, você está bem? – ele deve ter batido a cabeça ontem a noite quando tentava ir atrás de mim.
— Sim, querida.
Eu afago seus cabelos e logo percebo uma enorme protuberância no topo da cabeça. Ele caiu mesmo! Fico com pena dele, apesar de que ele não teria de mim. eu não sou ele e não posso deixar de sentir dó. Mas eu sei que os efeitos da contusão logo irão passar; infelizmente.
...XXX...
1920
Dias novamente se passam e depois de um tempo Charles voltou ao comportamento habitual de sempre. Não suporto mais o comportamento violento dele. Vou fugir, estou decidida. Minha família não se importa comigo, só minha prima. Nós éramos tão amigas quando crianças. Ela tem aproximadamente a minha idade. E é para lá que eu vou. Ela mora em Chicago, Illinois. Ela ainda deve morar lá. Trocávamos cartas, ela sabe de minha situação. Ela sabe meu segredo. Sabe sobre o Dr. E como Charles me maltrata. Agora eu já tenho 25 anos.
Estou voltando para casa do mercado, quando de repente fico tonta e tenho uma síncope, e perco os sentidos. Uma moça me ampara, antes que eu caia no chão e me machuque. Ela me leva ao pronto socorro e explica a situação para a recepcionista. Uma enfermeira me examina, mede a pressão e a temperatura. Checa meu pulso e tudo está bem. Foi apenas uma tontura, mas o que a enfermeira diz me deixa com mais desejo de fuga:
— Ah, fique tranquila querida – ela diz para a moçinha que me ajudou — Ela está bem, apenas acho que está grávida.
A garota me sussurra toda animada:
— Parabéns!
Ah se ela soubesse o que isso significa! Significa que se estou mesmo esperando uma criança ela é fruto de um estupro. Me lembro até que dia foi, provavelmente. Aquele dia em que Charles me amarrou na cama e fez tudo que queria. Isso quer dizer que é ainda mais urgente fugir. Não posso permitir que um bebê nasça numa casa como a minha. Nem um menino e muito menos uma menina. Se for ele, vou ensinar a respeitar uma mulher e tratá-la como merece não como um objeto, como um ser humano. Se for uma menina... não posso permitir que Charles faça com ela o mesmo que comigo. Não. Não! Tenho que fugir.
— Obrigada! – agradeço a jovem.
— Por nada! Fico feliz em ajudar! – ela parecia sincera. Ela é tão inocente como eu era antes de me casar.
— Ah, nem me apresentei, desculpe. Meu nome é Esme. Esme Anne Platt.
— Me chamo Caroline Archangel. Muito prazer – ela me estende a mão, a qual seguro como se fosse minha salvação.
— Você é mesmo um anjo, como seu nome.
— Eu tento, mas muito obrigada, Esme. Seu nome também é lindo.
— Tchau, Carol.
— Tchau, Esme.
Nos abraçamos em despedia. Um dia eu espero vê-la novamente, ela realmente parece enviada do céu para me ajudar. Assim como o Dr. Cullen...
...XXX...
Fale com o autor