American Dream
28 Sweet Dreams
A semana foi pesada em Forest Lake. Com muita chuva e um frio beirando a negatividade na temperatura. Na segunda-feira tudo voltou a funcionar normal, na última semana de aula antes da pausa para o natal e ano novo, o povo da escola tinham vários assuntos. A morte e funeral de vovó Mary não era o principal assunto entre os jovens, e sim a festa de Vicky Collins que não aconteceu. E o baile de inverno que aconteceria no próximo sábado, dias antes do natal.
Na segunda-feira, Taylor, que sentia bastante falta do namorado, só teve sua saudade aumentada pois seu namorado não foi a aula, nem sua sogra/professora. Descobriram mais tarde que a professora Rose Carter não deu aula pois passou o dia resolvendo assuntos familiares. Coisas com advogados. Foi ver sobre a hipoteca da casa, herança e coisas do tipo. Mas na terça-feira a professora que tinha perdido a mãe em menos de 72 horas, estava lá dando aula.
Luke Carter. Esse não foi visto durante a semana na escola. Como as provas já tinham terminado, os professores nem anotaram que ele faltou, deixaram em branco, entendendo assim, que o jovem estava abalado demais para estudar, e que faltar naquela semana não atrapalharia o desempenho dele.
Taylor e Jessie almoçaram juntas duas vezes naquela semana, o clima estava estranho, as duas sentiram o golpe da morte da vovó Mary, sentiram que Luke estava arrasado e com isso, ele sumiu. Jessie o procurou, ligou para ele algumas vezes, chegou até ir na casa, mas Luke não a atendeu.
Taylor não ligou, foi na casa do namorado todos os dias, mas todos os dias naquela semana, Luke não se encontrava no local. Rose disse que ele chegava tarde, ouvia o carro estacionar e o barulho da porta tarde da noite. Quando acordava de manhã, ele estava dormindo, mas quando chegava da escola, no fim do dia, ele não estava lá.
Falou para sua enteada que Luke era assim, desde de Los Angeles ele nunca foi de ficar em casa, lá na Califórnia ele ficava com os amigos, a parte boa de trazê-lo para a pequena cidade, era de sossegá-lo, mas parece que nada mudou. Falou para a namorada do filho, para ela não se preocupar, esse era o jeito do Luke lidar com o luto. Ele se fazia de forte, não queria que ninguém o visse chorar, por isso, se afastava, mas que ele estava bem.
O fim da semana foi chegando, era sexta-feira. 19 de dezembro de 1986. Um dia antes do baile de inverno. A aula acabou mais cedo, eram meio dia quando o sinal tocou, era o sinal do intervalo, mas naquele dia em específico era o dia que os alunos teriam duas semanas de férias, voltariam a estudar na segunda semana de Janeiro de 1987.
Taylor e Jessie voltavam juntas, iam a pé na direção do centro da cidade. Taylor tinha recebido um bilhete pela manhã, Rose Carter, sua professora e sogra, entregou um bilhete para a garota, era de seu namorado.
Hey babe!
Eu sei que não está sendo fácil para você, e que você só está querendo ajudar, mas estou bem. E com saudades. Amanhã a levarei no baile, sim! levarei. Eu sei que você estava doida para ir e eu prometi dançar com você, não foi?
Eu amo você.
Luke.
Ela estava toda boba, mostrou o bilhete para a melhor amiga que ficou aliviada. Assim, as duas passaram na casa de Taylor para pegar dinheiro. Jessie fez o mesmo, mas passou na loja do irmão que teria sua inauguração no sábado.
Passaram a tarde andando nas lojas e provando vestidos. As duas não eram tão boas quando o assunto era moda, mas souberam se virar. Jessie achou um vestido preto, já Taylor um azul escuro. E também compraram sapatos. Taylor combinou com a amiga texana, ir se arrumar na casa dela, para ela maquiar as duas. Taylor era uma ótima maquiadora, já Jessie, um desastre.
No fim, pararam para almoçar. Claro, comeram porcarias. Pediram hamburguer com fritas e refrigerante. Aproveitaram para por a conversa em dia. Depois de uma semana difícil, era a primeira vez que podiam esquecer um pouco tudo que aconteceu e estavam empolgadas.
— Então ela vem? — Perguntava Taylor.
— Sim!!! — Jessie respondia com algumas batatinhas na boca.
— Eu te acho muito corajosa. Não se importando com o que vão falar.
— E não me importo mesmo. Não estou roubando, matando e nem fazendo mal a ninguém.
— Eu sei, amiga, eu sei. Estamos no século vinte, mas as pessoas... a sociedade age como se estivéssemos no século dezoito.
— Pois é, eu só vou ao baile com uma garota, o que tem de errado?
— Eu apostei com o Luke que vocês se beijariam. — Ela ri.
— O que? Sério? — Jessie ficou corada.
— Ela está vindo de outra cidade, uma universitária, para ir ao baile escolar com você. Ela está muito afim de você. — Taylor parecia empolgada.
— Ah... só por quê conversamos quase todos os dias por telefone sempre antes de dormir? — Jessie ria também.
As duas continuavam comendo quando via entrar Chloe, Marcus e outros dois garotos. Alex, um garoto magro igual a Marcus, mas com cabelos bem curtos, quase careca. Bem branquelo e com olhos grandes. Já o outro era Bruce. Um garoto negro com quase um metro e noventa de altura. Era do time de basquete, fazia pouco tempo que começou a andar com a turma do Marcus, mas agora estavam sempre juntos.
Chloe olhou para as duas e não falou nada. Taylor que não aguentou e acenou com a mão, Jessie olhou para trás e apenas abriu um sorrisinho. Chloe respondeu com um aceno, mas logo sentou-se no último banco com sua turma.
As duas continuaram a conversar enquanto bebiam milkshake. Taylor pediu de morango, o prefiro de seu namorado. Jessie estava bebendo de baunilha, um sabor novo, pois sempre pedia de chocolate.
— Então como será sua rotina agora? — Perguntava Taylor.
— Ajudarei meu irmão nessas duas semanas, até ele achar alguém para cuidar da loja. Pois assim que as aulas retornarem, eu passarei a estudar depois da aula com sua sogra.
— Vai ser engraçado, eu com o Luke assistindo filme e você lá estudando.
— Nem me fale! — Jessie ria e terminava seu milkshake no canudinho até a última gota.
As duas saíram, Jessie pagou, forma de agradecer a sua amiga que passou horas ajudando a escolher um vestido e sapatos. Já que Taylor não demorou muito para escolher o seu.
Andando no lado de fora da lanchonete, a chuva tinha ido embora, estava um vento gelado. Caminhando com algumas bolsas nas mãos, a dupla já ia se separar quando um carro para ao lado das duas.
— Eii, se não é a rainha de Forest Lake? — Dizia uma voz conhecida por Taylor.
— Hãm? — Jessie olhou para os lados.
— Miguel!!! — Taylor abria sorriso. Sempre simpática. — Mas esse apelido não me pertence. — Ela sorria.
— Como não? Namorada do rei da cidade. — Miguel saia do carro e ia para o lado das duas. — Quer um carona ou está indo encontra-lo ?
— Ah, na verdade não estou indo encontra-lo. — Antes que Taylor pudesse responder sobre o convite da carona, Miguel a interrompia.
— Ora ora... o que temos aqui? — O rapaz que era latino tinha um pequeno black power, usava jaqueta vermelha, parecida com a do Michael Jackson em Thriller. Levantava seus óculos escuros e secava Jessie. — Boa tarde, minha dama. — Ele oferecia a mão para pegar na mão de Jessie para cumprimenta-la.
Jessie meio atrapalhada, passava as bolsas para a mão direita e estendia a mão para o rapaz, que segurava delicadamente, beijava as pontas do dedo de Jessie e curvava-se.
— Encantado, me chamo Miguel Díaz. — Era nítido o sotaque latino do rapaz.
— Jessie. — Sem graça e claramente desconfortável, Jessie sorria.
— Ele é amigo do Luke. — Taylor falava.
— Sim, amigo, colega, irmão, cúmplice. Luke é meu brother. — Claramente a última palavra era para imitar o californiano.
— E mecânico! — Dizia Taylor rindo.
— Sim, eu conserto o carro dele, compro e importo coisas para ele. Alias... — Ele fazia uma pausa olhando as bolsas de loja feminina das duas. — Precisarem de qualquer coisa eu arrumo para vocês, claro, preciso de um prazo de vinte quatro horas, dependendo, no máximo quarenta oito horas. Arrumo o que quiserem.
— Tipo... qualquer coisa? — Jessie parecia intrigada mas ao mesmo tempo interessada.
— Sim, milady. Os novos aros no carro do Luke? Eu que arrumei. Os novos tênis que ele está usando? Eu que arrumei. — Dizia Miguel sorridente, seus dentes eram tão brancos que pareciam brilhar.
— E como você consegue essas coisas, Miguel? — Taylor olhava para o rapaz.
— Contatos! Conheço um cara que conhece outro cara que é amigo do primo do cunhado do vizinho de um cara em Stacy City, e esse cara tem um conhecido que traz algumas mercadorias de Minneapolis. Aí eu anoto o que as pessoas querem, ligo para ele, e depois busco em Stacy. — Dizia orgulhoso.
— Ah... entendo. — Jessie parecia confusa quando ele começou a explicar sobre o cara que conhecia.
— Então meninas, me desculpe mas não posso deixar as damas irem embora a pé e com bolsas. É meu dever como um bom cavalheiro leva-las em casa. Eu insisto.- Miguel abria a porta de seu Camaro.
— Ér... vamos, amiga. — Dizia Taylor que confiava no rapaz.
Assim, as duas entraram no carro. Miguel levou Jessie em casa primeiro, foi um cavaleiro, além de abrir a porta do carro para a moça, levou ela até a porta de casa. Jessie foi só simpática, mas demonstrou interesse zero no rapaz. Que quando voltou pro carro, fez mil perguntas dela para Taylor, que não teve coragem de dizer que amiga estava apaixonada por outra garota.
Quando Miguel parou o carro em frente a casa de Taylor, ela tinha comentado que fazia uma semana que não via o namorado. Falou da Vovó Mary e Miguel relevou que essa notícia chegou até na periferia, que realmente a vovó era conhecida e querida na cidade inteira. Com o carro desligado e uma chuva fina caindo. Os dois iam conversando.
— Eu estive com ele, antes de ontem e ontem. — Dizia Miguel.
— Sério?? Onde? Como ele está? — Taylor parecia aliviada.
— Ele está bem, só mais quieto do que nunca. Sabemos o que aconteceu. Perder uma vó nunca é bom, nunca!
— Mas onde você o encontrou? Que horas?
— Bem... ér. — Miguel percebeu que poderia ter falado de mais. — Nos encontramos, era de noite, eu estava com meu pessoal, consertando um carro lá na minha garagem e ele apareceu. Ficou no meu quarto, acho que estava tocando violão. Acho que ele só queria um lugar para ficar. Pois passou a noite lá. — Dizia Miguel meio triste.
— Ele... ele realmente está bem? Por favor, Miguel, não minta!
— Eu não estou mentindo. Luke sempre foi fechado, eu não o vi chorar, mas seu semblante mudou, seu olhar mudou. Parece vazio. Mas ele está bem, comeu, dormiu, tocou violão, tocou teclado, aliás, não sabia que ele tocava teclado. Daí ele foi embora antes do almoço. Deve "tá" na casa dele.
— Certo... ligarei para ele. Obrigado, Miguel! — Dizia Taylor que abraçava o rapaz que ficou sem graça.
Miguel pegou as compras de Taylor e levou até a porta da casa da moça. O rapaz sorriu e se despediu. Era um cara querido. Mesmo conhecendo pouco, Taylor gostava dele, da aura dele, parecia um rapaz do bem, esforçado e que teve todas as dificuldades do mundo, mas nunca desistiu de seus sonhos.
Miguel se tornaria famoso nos anos 2000. Faria sucesso principalmente na Europa com suas músicas. Gravaria vários CD's ao longo dos anos, uma legião de fãs. E seria o primeiro latino americano a fazer sucesso com hip hop no mundo.
No futuro, Forest Lake ficaria conhecia no mundo inteiro por dois motivos. Foi a cidade no qual nasceu e cresceun o rapper Miguel Diaz. Que depois de anos tentando o estrelato, iria explodir para o mundo. Seria a cidade onde nasceu um dos rappers mais famosos do mundo.
E o outro motivo que a cidade foi conhecida, pois descobriram anos mais tarde, que o ganhador da loteria de dezembro de 1986 foi uma senhora de 56 anos que faleceu dias depois do sorteio. Uma bolada de U$50,000,000,00 de dólares (cinquenta milhões de dólares).
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