American Dream
13 Keep on Loving You.
Notas iniciais
Quinta-feira, véspera de completar seus dezesseis anos, Chloe estava tendo um dia daqueles. Seus irmãos ligaram cedo avisando que só iriam estar em casa na segunda, conseguiram agendar um show no sábado a noite numa cidade vizinha, logo, exigiam toda uma logística e preparação para o show.
Ela era a caçula entre eles, prestes a completar mais um ano de vida, ela não estava nada empolgada com seu aniversário. Não morava com seu pai, e sim com seu padrasto e sua mãe. Eles se divorciaram há uns anos atrás, três para ser mais exato.
A mãe de Chloe, uma mulher que sempre batalhou para dar o melhor para seus filhos, nunca quis depender de homem nenhum, por isso desde sempre trabalhou. Estava há exatos 30 anos no mesmo emprego, era empregada na casa dos Collins. Viu Vicky, um ano mais velha do que sua filha, nascer.
Ela trabalhava para a família mais rica da cidade, do ex prefeito, que teve seu mandato estendido e ficou no poder por incríveis doze anos. Ele desistiu da política quando sua mulher teve câncer há cinco anos atrás, então, ficou anos fazendo tratamento até ela falecer no verão passado.
Chloe e Vicky não são amigas, elas são os opostos uma da outra. Porém, por todo o sofrimento e dor que sua mãe sentiu ao perder sua patroa querida, a rockeira ficou se perguntando por muito tempo o quanto Vicky tinha sofrido com toda aquela luta por anos contra o câncer. Sua mãe dizia que a pequena princesa, um apelido carinhoso que lhe dera ao nascer, que Vicky tentou cometer suicídio. Talvez a vida da garota mais popular de Forest Lake não fosse tão perfeita como todos achavam.
Mas o foco nesse momento é na Chloe. Teve um dia chato na escola, sempre com seu grupo de amigos no qual cada dia ela se sente mais deslocada, já não sentia mais prazer em estar com eles. Sempre com os mesmos assuntos, sempre com as mesmas gírias, os mesmos modos de diminuir as pessoas. Chloe sentia-se sufocada, sentia que aquelas amizades não acrescentavam em nada, muito pelo contrário, sugavam suas energias.
Marcus, o quase namorado, era o único que fazia Chloe mudar de ideia, invés de se isolar, ele não deixava que ela fizesse isso, sempre a convencia de alguma maneira dela se enturmar novamente.
Naquela tarde, menos de doze horas para completar mais um ano de vida, ela viu o trio. Luke, Taylor e Jessie. Não era a primeira vez que ela via o trio sempre rindo e descontraído. Pareciam felizes, ela sentiu inveja.
Após a aula, Chloe demorou a sair pois tinha ficado até mais tarde para terminar um trabalho, queria ficar livre no fim de semana. Quando deixou a escola, ainda na entrada, viu que todos os ônibus já tinham ido, teria que voltar a pé para casa, e estava sol, bastante calor fazia naquele momento.
Para a surpresa da garota, quando olhou na única (e enorme) arvore que tinha na entrada da escola, estava Luke encostado no seu carro. Sempre com seu jeans rasgado, uma regata branca e mesmo no sol, com sua jaqueta e óculos escuros. Uma roupa até parecida com a de Chloe, que também estava de jaqueta, pois de manhã, quando foi para a escola chovia. Era raro a garota não está vestindo suas roupas pretas, mas naquele dia estava com uma camisa lisa, branca.
Ela foi andando, não na direção de seu amigo de infância, ela não sabia se ele estava esperando as suas amigas ou outra pessoas, fazia tempo que eles não conversavam, mesmo sendo vizinhos. Mas ele a esperava, ele a chamou, Chloe parou, olhou para trás, o que será que ele quer. Foi o que ela pensou e então caminhou até ele, com passos lentos, carregando sua mochila em um dos ombros, ela o olhou, estava ventando naquele momento, as madeixas de ambos balançavam, tinha semelhança na cor do cabelo de ambos, do rapaz, um pouco mais claro. Fazia sombra naquele lugar, mais refrescante e agradável que o sol onde Chloe estava.
— Vi que você foi para a biblioteca após a aula. — Ele dizia enquanto comia uma maçã verde.
— É, eu tinha um trabalho para fazer. — Antes que o rapaz respondesse, ela quis matar a curiosidade dela. — Onde estão suas amiguinhas? — Parecia deboche mas era só o jeito dela.
— Foram embora de ônibus. — Ele dava mais uma mordida na maçã.
— E o que faz aqui?
— Estava te esperando. — Ele terminava de comer a fruta e jogava o cabo da maçã numa lixeira grande que tinha ali perto.
— Me esperando? — A rockeira levantou uma de suas sobrancelhas tentando entender.
— Sim, quer tomar um milkshake? Está muito calor. — Ele falava enquanto abria a porta do carro, para Chloe entrar.
Ela entrou no carro e o rapaz deu a volta e entrou também, logo deu partida em seu automóvel e dirigiu até uma famosa lanchonete que todos iam. No caminho conversaram pouco, ele puxou assunto sobre como ela estava indo na escola, perguntou da mãe e dos irmãos dela, parecia interessado.
No local, ela tomando milkshake de chocolate e ele de morango, Luke ainda estava com seus óculos escuros. Ela abriu um sorriso pois passou um flash em sua cabeça, uma lembrança de infância, deles brincando no lago.
— Você continua o mesmo, só ficou mais alto. — Ela falava enquanto tomava um gole de seu milkshake com canudinho.
— Você acha? Vovó falou que mudei bastante. — Ele dava uma risada.
— Acho, você ficou mais alto, mas continua bonitinho. — Ela ria também. Era a primeira risada que Chloe dava em muito tempo.
Eles passaram mais de duas horas lá, com o tempo, Luke até comprou uma pizza que ambos comeram, e quando estava anoitecendo, eles foram embora. Luke parou o carro na frente da casa da amiga de infância, há exatos 5 metros da sua própria casa. Ele desligou o motor e olhou para ela.
— Desculpe, eu demorei a fazer esse tipo de coisa. — Ele olhava para frente e depois para ela.
— Do que está falando?
— Você era o único motivo que me fazia vir passar as férias aqui. Eu odiava esse lugar, mas foi você, que aprendi a gostar daqui. — Chloe ficou corada e sem jeito.
— É... eu também sinto falta daquela época, as férias eram divertidas.
— Só estou dizendo que pretendo ser mais próximo de ti, não faz sentido eu vir morar aqui e a gente mal se falar.
— Eu concordo, mas, você parece bem entrosado, tem novas amigas.
— Você também pode andar conosco, sei que elas iriam amar você, principalmente a Jessie. — Luke abria um sorriso.
— É... talvez. — Ela dizia enquanto abria a porta.
— Obrigado por essa tarde, senhor Carter. Te vejo amanhã na escola.
— Ou não.
Antes que ela pudesse entender essa frase, ele ligou o carro e dirigiu até a garagem de sua casa. Chloe deu as costas e entrou em casa. De algum modo parecia feliz, tinha sido uma tarde bem agradável. Porém, quando abriu a porta, teve medo de levar bronca de seu padrasto por chegar tarde em casa sem avisar, pois sua mãe só chegava quase dez da noite. Porém, ele parecia não ter ligado ou notado o sumiço da enteada.
≈
Faltavam menos de dez minutos para o relógio virar e Chloe completar mais um ano de vida. Ela estava deitada em sua cama, já de pijama, um shorts curto e uma camisa bem leve, ambas brancas com bolinhas rosa. Estava com discman de seu irmão, ouvia uma fita do REO Speedwagon. Quando seu coração congelou no momento que viu um vulto em sua janela. Seu quarto ficava no segundo andar.
Seu lugar favorito da casa era o telhado, onde justamente por aquela janela, ela passava para ficar em cima da casa. Onde podia sentir o vento, olhar a extensa rua onde morava e relaxar com seus pensamentos.
Então quando olhou bem, era Luke, ele dava dois toques na janela, Chloe suspirou de alívio, se levantou, foi até a janela e abriu. O rapaz sem dizer nada, entrou, com certa dificuldade, era meio desajeitado.
— Oi! — Ele dizia sorrindo.
— O que você está fazendo aqui? — Ela falava meio baixo, olhando para a porta.
— Eu não quis esperar até amanhã, então, vir lhe trazer isso. — Ele tirava do bolso um objeto e entregava nas mãos da garota.
Ela abriu a mão com cuidado e então viu, era um colar, era uma espécie de barbante com um pingente de caveira, era o colar que Chloe deu para Luke no verão de 81, o último que ele passou em Forest Lake, foi o verão que ela o beijou.
A rockeira não era uma menina emotiva, muito menos chorona, mas lágrimas começaram a cair no momento que ela levantou a cabeça e viu o relógio atrás de Luke, apontava meia noite e 40 segundos. Aquele era seu presente de aniversário. Não um presente qualquer, era o presente que ela tinha dado à ele, no qual ela tinha até esquecido, já pensava que ele não tinha guardado. Mas após cinco anos, ele ainda tinha.
Chloe instintivamente abraçou Luke, um abraço apertado, o rapaz colocou as mãos nas costas da garota, fez um leve carinho, ela sentia que ele estava sorrindo, e ela? ela chorava.
— Eu... não sei o que dizer. — Ela se afastava um pouco, limpando as lágrimas.
— Ué, eu que tenho que dizer. — Ele dava um beijo na bochecha. — Feliz aniversário, senhorita Foster.
Ele então se afastava, abrindo a janela novamente. Chloe pensou em dizer mais alguma coisa, pensou em ir atrás, mas suas pernas ficaram fixadas no chão. Ele saiu pelo mesmo lugar que entrou, com cuidado, fechou a janela, fez um sinal de tchau com a mão e então foi embora.
Chloe olhou para o colar, abriu um enorme sorriso. Talvez não odiasse mais tanto aquela cidade. Talvez seu dia, o dia dois de outubro de 1986 começasse da melhor maneira possível.
Teve um dia incomum, começando que foi a primeira vez que andou no carro de Luke, depois, não tinha noção que o rapaz tinha conhecimento sobre seu aniversário, pois Luke sempre ia embora no fim do verão, antes de seu aniversário. De alguma forma ele sabia, de alguma forma ele sempre a surpreendia.
Aquele não foi único presente que Luke deu a sua amiga de infância, porém, foi o único aniversário que ele passou ao lado dela. E Chloe passou a odiar fazer aniversário pois sempre se lembrava daquele momento que nunca mais iria se repetir, ela continuaria amando ele.
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