American Dream
23 Eventually
Naquele sábado chuvoso, Luke estacionava o carro cautelosamente, quando fechava a porta, dava de cara com vovó Mary. A velha senhora que morava no mesmo lugar já havia sessenta anos. Nasceu e cresceu naquela casa, claro, houveram reformas, uma delas bem significativa, assim que se cassou com Heitor, seu único homem a vida inteirinha, a quem teve uma filha, Rose.
Vovó Mary não parecia surpresa em encontrar Luke chegando logo cedo, o relógio marcava seis e doze da manhã. Com seu sorriso simpático, ela olhava admirada para seu neto o carro dele, um presente dela.
— Bom dia, meu filho.
— Oi, vovó. — Luke parecia surpreso, sorria também. — Minha mãe tá acordada?
— Não, filho, ela ainda não levantou. — Fazia uma leve pausa. — Está chegando na casa de sua namorada?
— Não. — Luke estava parado na varanda.
— Ah! Não está fazendo nada ilegal, né? — Ela antes da resposta do neto, ria.
— A senhora precisa de algo vovó? — Luke olhava sua vó, que parecia arrumada para a hora que era.
— Eu ia na padaria e depois na venda do Irving. Sabe onde é?
— Sim, eu sei. Mas comprar o que lá no Inving? — Perguntava Luke.
— Jogo da loteria. — A vovó ria entusiasmada.
— Jogo da loteria? — O rapaz estava surpreso e ria em seguida. — Desde quando a senhora joga?
— Há quarenta anos, meu filho. — Ela sorria. — Desde quando soube da gravidez de sua mãe, eu comecei a jogar toda semana.
— Nossa. — O californiano realmente se surpreendeu, não tinha ideia disso. — E ganhou alguma coisa?
— Nadica de nada. — Meio decepcionada com a resposta, mas não tirou o sorriso do rosto, era a marca registrada da vovó Mary, sempre simpática. — Mas um dia ei de ganhar!
— E o que a senhora faria com tanto dinheiro, vovó?
— Os planos mudaram com o tempo... antes, tinha planos de viajar com seu avô, conhecer Paris, Londres, Itália.. mas hoje, bom, acho que hoje compraria uma casa no campo, para viver mais isoladamente, deixaria o restante para você e sua mãe. Sua mãe ainda é jovem, deve ter sonhos não realizados, e você... bem, pode pagar a melhor faculdade do país, e deixar seu futuro muito melhor. — Vovó fez um pequeno discurso, realmente ela acreditava que um dia ganharia.
— Certo, vovó. Eu vou lá comprar pra senhora, está chovendo. Eu volto num instante.
— Ah, obrigada meu filho. Eu não vou falar pra sua mãe que você chegou agora sem avisar, de novo. — Ela ria, aquela não era a primeira vez que acontecia.
Luke correu aqueles poucos metros até seu carro, por causa da chuva. Entrou e dirigiu algumas quadras até a padaria, ao lado, uma pequena loja do Irving, ele acabará de abrir.
— Bom dia. — Luke dizia se escondendo da chuva, e se protegendo com sua jaqueta dos ventos gelados.
— Bom dia, rapaz, o que posso ajudar? — Irving era um homem com mais de quarenta anos que herdou a sua loja de seu pai há alguns anos.
— Queria um jogo de loteria por favor.
— Mas você é novo, é proibido para menos. — Irving era seco com as palavras mas era um homem simpático.
— Ah, foi minha vó que pediu.
— Sua vó? — Irving então analisou o garoto e logo sentiu um estalo. — Você é neto de Mary Carter? Por Deus, você tem os olhos dela! — Ele ria.
— Sim, senhor. — Luke sorria rapidamente, herdou os olhos verdes da avó.
— Nesse caso, não tem problema, aquela mulher, digo, sua vó, vem aqui toda semana, na chuva ou no sol. São dez dólares. — Ele entregava para Luke um papel.
— Obrigado. — Luke por sorte tinha dinheiro na carteira, exatos dez dólares.
Quando entrou no carro, pegou o bilhete e viu que tinha 6 dezenas, e o prêmio estava estimado na casa dos vinte cinco milhões de dólares. Uma grande bolada para quem vencer. O rapaz riu e retornou para casa, gostava da fé que vovó Mary tinha.
≈
No fim de tarde, Luke saiu com Jessie. Foram na loja de um dos irmãos da Texana, Cidwell, ou Cid, como todos de Forest Lake o conhecem, investiu tudo que tinha e estava parar abrir um loja de Arcade, ou Fliperama. Conseguiu alugar e comprar mais de vinte diferentes flipers, a loja iria abrir em uma semana. Jessie se ofereceu para trabalhar lá depois das aulas, mas Cid não deixou, a caçula dos Simpsons estava menos de seis meses para terminar a escola, precisava se dedicar ao máximo em suas provas finais e no vestibular.
Alías, Professora Rose avisou a Jessie que após o ano novo, ela começaria a dar aulas todos os dias em sua casa, antes eram só duas vezes na semana. Iriam aumentar a carga, honrando assim o trato que fizeram meses atrás.
Luke e sua amiga entraram na loja, estava linda. Um lugar enorme, onde toda criança e jovem iriam passar horas e horas naquele lugar. Tinha comida, refrigerante e sucos, banheiros. Sem dúvidas um alto investimento que tinha tudo para dar certo, não existia nada igual na cidade.
— Você quis trabalhar aqui, mas você não ia aguentar dois dias. — Luke ria.
— E por qual motivo acha isso? — Jessie prendia o cabelo.
— Você detesta gritaria — Luke ria, pois era algo engraçado.
Jessie tinha uma mania de falar alto, era o jeito dela, ela adora crianças e seu sonho é ser professora, então, era irônico ela odiar gritaria e bagunça, algo que seria natural no fliperama de seu irmão.
Passaram quase uma hora ali, Cid deu algumas fichas para a dupla que jogou alguns jogos, foi bem divertido. Foram embora, entraram no carro de Luke, iriam buscar Taylor. Jessie por outro lado adorou aquele momento, foi apenas uma hora, mas ela não sabia há tempos como era fazer algo sozinha com Luke.
No carro, Jessie comentou que Cid ia oferecer um emprego para Luke lá, meio período durante a semana, já que Luke estava no segundo ano ainda, mas a própria falou ao irmão que seu amigo não iria aceitar, pois ele tinha dinheiro — Já que Jessie acha que todo dinheiro que Luke tem é da pensão de seu pai — Luke concordou, disse que precisava estudar, ambos riram.
Quando parou o carro na frente da casa de Taylor, o trio tinha combinado de saírem para lanchar, Luke saiu do carro e foi na direção da casa, Jessie foi junto. Bateram na porta. Wally abriu a porta.
— Oi Luke, a babaca da sua namorada ainda tá no banho. — A velha implicância entre irmãos.
— Beleza, Wally. Diz à ela que esperarei aqui fora.
— Nada disso. — Uma voz no fundo. — Entre! — Era Diane, sogra de Luke.
— Oi senhora Gardner. Boa noite. — Já estava escurecendo.
— Boa noite! Oi! — Ela olhava para Jessie. — Sou Diane, prazer.
— Oi senhora Gardner, muito prazer, sou Jessie. — Jessie sorria e ambas apertavam as mãos.
— Vem, esperem aqui dentro. Taylor demora uma eternidade no banho. — Ela abria caminho.
A dupla se ajeitou na sala, Jessie demorou dois segundos para fazer amizade com a pequena Mariah que brincava sozinha com suas bonecas num canto. Realmente pareciam amigas de anos. Luke ficou assistindo TV e rindo da dupla.
Quando Taylor apareceu de vestido branco e florido, os olhos de Luke brilharam, ele estava completamente apaixonado. Abraçou a namorada forte, e lhe deu um beijo.
— Hey babe. — Ele sorria.
— Oi amor. — Taylor ficava tímida, talvez pela presença de seus irmãos.
— Você está linda. Uau. — Ele segurava a mão da namorada.
— Obrigada! — Ela escondia o rosto nos ombros do rapaz.
— Vamos? — Dizia ele.
— Vamos! — Taylor estava feliz.
— Amiguinha, terei que ir. — Dizia Jessie a sua nova melhor amiga.
— Promete voltar? — Dizia pausadamente a pequena Mariah.
— Claro! A gente brinca mais depois. — Jessie acariciava os cabelos escuros da garotinha e então o trio dos descolados iam embora.
≈
Na lanchonete, o trio comia hamburguer, Taylor falava do filme que assistiu a tarde. Indiana Jones e os caçadores da arca perdida. Ela ficou empolgada ao contar pois percebeu que o ator principal era o Harrison Ford, o mesmo que faz o Han Solo em Star Wars, sua nova saga preferida de filmes.
Jessie contou que viu esse filme seis vezes no cinema, Já Luke, disse que também assistiu no cinema, inclusive em Forest Lake em 81 com Chloe. E o clima ficou diferente após ele revelar isso, não de ciúmes de Taylor, mas de uma tristeza no olhar de Luke por não falar mais com sua amiga de infância.
Logo trataram de mudar de assunto e passaram algumas horas lá, conversaram bastante e quando deu por volta das oito da noite, Luke falou que que gostaria de sair com a Taylor, Jessie entendia, sabia que o casal gostava de ficar a sós, ela não ficou chateada, afinal, passou a tarde com Luke e inicio da noite com os dois, sabia que não seria igual antes, mas ela estava feliz pelos dois, completamente apaixonados um pelo outro.
Quando estavam saindo da lanchonete, algo raro, Vicky entrava no local, ao lado de Steven e mais alguns jogadores do time de basquete. Parecia mesmo que os dois tinham voltado. A garota e grupo passaram pelo trio sem dizer nada, mas quando estavam indo na direção do carro, Vicky os chamou.
Na verdade, chamou por Luke, que ficou parado, ele não iria até ela, ela sabia disso, revirou os olhos e caminhou até o rapaz, ela não andava, desfilava, com seu cabelo ao vento.
— Quero convidar vocês para minha festa na semana que vem.
— Festa? — Dizia Taylor.
— Isso, gatinha. — Dizia ironicamente. — Sábado que vem, na minha casa. Levem roupas de banho, terá piscina e sem hora para acabar.
Antes de qualquer um dizer algo, ela beijava a ponta dos dedos e assoprava e dava tchauzinho com a mão para o trio e então se virava e ia embora com sua mini saia que quase aparecia sua bunda.
Dentro do carro, Taylor virou para o namorado, ela estava empolgadíssima, a garota mais popular da escola a convidou para sua festa de aniversário, ela tinha que ir.
— Vamos vamos vamos vamos vamos???? Por favorzinho amor!? — Fazia uma voz de bebê. Luke ria.
— Nossa, que empolgação é essa? — Jessie no banco de trás não entendia.
— Ela nunca foi em uma dessas festas, tá ansiosa, ainda mais que é da Vicky. — Dizia Luke enquanto dirigia.
— Vão me dizer que a festa não tem cara de ser muito boa? — Taylor ainda empolgada.
— Depende do que você achar "boa" eu particularmente, não quero ir, não gosto dela. E, sábado que vem é a inauguração da loja do meu irmão, passarei dia lá.
— Sabe que isso é ruim né? — Dizia Luke.
— Por quê? o quê? — Jessie sem entender.
— A escola inteira estará na festa da Vicky, só restaram as crianças para ir na inauguração.
— VADIA!!! — Jessie dava um grito.
Taylor abaixou a cabeça. Entendia perfeitamente a sua amiga, naquele momento ela sabia que não poderia ir a festa, pois iria para o fliperama dar uma força à amiga e o irmão dela.
Jessie estava irritada, pois há meses, desde que seu irmão comprou a loja e começou a reforma, todos da cidade sabiam que seria um fliperama e estava há mais de um mês marcado a inauguração, o que ela ainda não sabia que o Aniversário da Vicky seria dois dias antes, numa quinta e a festa justamente no dia da inauguração.
— Fala com seu irmão, por quê não antecipa para sexta a tarde? Garanto que dará mais gente do que no sábado. — Luke sugeria.
— Não sei, tem todo um planejamento sabe, mas, falarei com ele.
Taylor preferiu não dizer nada, ela queria ir na festa, mas não queria deixar de ajudar sua amiga. Logo o carro parou e a texana deixou o carro e se despediu.
— Aonde me levará amor? — Perguntava Taylor.
— Ao meu esconderijo, ao meu refúgio, meu lugar favorito de Forest Lake. — Ele sorria.
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