Ameno.
7 Rachel Berry
Notas iniciais
Capitulo 7 – Rachel Berry.
Algum dias depois, eu apareci para Kitty e segui ela até o apartamento de Quinn que, por sinal, tinha muitas janelas.
Kitty tinha me falando que as amigas dela – Santana e Brittany – tinham voltado para LA. Agora, estávamos sozinha no apartamento de Quinn.
“Você anda sumindo muito, Rachel.”, ela estava sentada no sofá e eu, em cima da TV. Ser fantasma tem suas vantagens.
“Impressão sua. Esqueceu de mim porque está namorando agora.”
Ela terminou de beber seu suco e colocou o copo na mesa que ficava na frente do sofá. “Ainda não estou.”, e ela piscou para mim deixando claro a ambiguidade da frase.
Tinha vontade de vomitar, mas antes que falasse algo, Quinn entrou pela porta, ela parecia cansada.
“Oi.”, disse Kitty ao perceber Quinn na sala.
“Pergunte o que aconteceu com ela, Wilde.”, mandei-a.
“O que aconteceu com você, Quinn?”
Ela se jogou no outro sofá. “O de sempre.”, disse.
Revirei os olhos, típica resposta de Fabray. “Pressione ela, Kitty.”
. Calada, Rachel. Eu sei me virar sozinha. Principalmente com minha namorada.
“Sua? Hôhô!”, uma voz falou atrás de mim, apoiada no sofá. Quinn. “Você realmente perdeu, Berry, e feio.”, sai de cima da TV e fui no meio da sala, onde ficava a mesa, subindo em cima dela.
Ignorei Quinn e Kitty, que, falando nela, se levantou e foi até Quinn. Ela vai beijar Quinn?
“Ui, ela vai beijar sua amada Quinn.”, confirmou Quinn. “Pensando bem, até eu gostaria de se beijada por ela.”, finalizou frase soltando uma gargalhada. Kitty se aproximou mais de Quinn. “FAÇA ALGO, BERRY!”, gritou no meio da risada que me assustou ao ponto de me fazer esbarrar no copo de Kitty em cima da mesa e acabei o derrubando, assim, chamando atenção delas.
Kitty me olhou não acreditando, Quinn olhou para o copo. “Vento?”, e eu fiquei invisível para a necromante.
Ouvi a risada de Quinn até ela desaparecer novamente. O que acabou de rolar aqui?
Eu odeio Quinn! Mas odiando ela ou não, elas não se beijaram graças a ela. Quinn se levantou para limpar os cacos de vidros e depois disse que iria tomar um banho e ir dormir, sem jantar mesmo.
Suspirei aliviada quando Quinn se trancou no seu quarto, porém ela não foi dormir, como disse a Kitty.
Ela abriu o computador, colocou uma música e se deitou na cama e, alguns segundos depois, começou a tocar a parte instrumental da música On My Own.
Mas não era qualquer versão. Era minha versão. Do Glee Clube. Ela fechou os olhos acompanhando a música, me aproximei dela fazendo nossos rostos ficarem juntos. “Oi, Rachel.”, me afastei assustada. Ela pode me ver?
“Ela não pode te ver.”, era Jude, sentando no final da cama. “Veja.”, apontou para Quinn.
“Sinto sua falta.”, continuou. “Eu conheci uma garota legal, você iria gostar dela. O nome dela é Kitty.”
“Não, eu não iria gostar dela, pobre Quinn. Eu odeio ela e poderia facilmente matá-la, sem nenhuma culpa. Mesmo.”
Ela deu um pequeno sorriso. “É...”, se virou, música tinha acabado e Get It Right estava tocando. “Essa é minha música favorita sua.”
“Você me ajudou a escrever.”, dei uma pausa e olhei para o lado, Jude tinha sumido. “Indiretamente, claro.”
Ela se arrumou na cama e se cobriu. “Kitty é legal, Berry-”
“Ela não é, Fabray.”
“-Mas nunca irá ser você.”, completou a frase.
E se calou, me deixando sem reação. O que diabos ela quis dizer como isso?
Eu fiquei ali por um bom tempo. E várias músicas cantadas por mim tocaram aquela noite.
.
No outro dia, Kitty acordou antes e fez um café da manhã bonito, eu ainda estava invisível para ela, Quinn acordou um tempo depois e ficou surpresa pela ação da necromante.
“Quinn.”, eu chamei a Quinn, passado. Ela não apareceu. “Eu sei que você é o demônio e eu quero sua ajuda.”
Mas quem apareceu fui Jude. “Você não pode pedir ajuda para ela!”
“Claro que posso.”
“E ela pediu.”, Quinn surgiu. “O que você quer, Berry?”
Bem ou mal, Quinn era minha amiga. Minha melhor amiga. E nós, Berrys, somos famosos pelo nosso egoísmo.
“Que Kitty não beije mais a Quinn.”
.
Quinn comeu o café da manhã quieta e Kitty ficou a olhando. “Que foi, Kitty?”
Ela torceu a cara. “Faz tempo que a gente não se beija...”
Olhei para a necromante. Que abusada. Quinn sorriu olhando para o lado. “Vem cá.”, Kitty se levantou.
“Eu quero que você pegue essa cadeira e jogue nela.”, Quinn me instruiu. “Existe dois planos. Bom, tecnicamente. Eu e Jude estamos no terceiro. Tanto faz. Os necromante são pessoas que tem acesso a esse segundo plano e, as vezes, conseguem interagir, como Kitty te segurar, porém, o segundo plano é basicamente um espelho do primeiro. Só precisa saber como ‘quebrar’ esse espelho.”, Quinn caminhou até o prato na mesa e o pegou, mas o prato ficou ali, e ela tinha outro em sua mão. “Às vezes conseguimos ‘quebrar’ esse espelho criando o objeto do primeiro plano e do segundo plano. Mas...”, jogou o prato de Quinn que atravessou-a. “Eles estão no primeiro plano e, assim como os objetos do primeiro não nos atingem, o do segundo não atingem eles-”
“Mas atingem Kitty, por ser uma necromante.”, terminei a frase.
“Sim, e eu quero que faça isso.”, ela sorriu.
“Rachel.”, Jude me chamou. “Cuidado, se você jogar um piano em cima de Kitty, por ser necromante, isso vai matá-la.”
Caminhei até a mesa e vi uma bandeja de plástico. “Isso não vai matá-la.”, tentei pegar e minha mão passou direto por ela.
“Se concentre, Berry.”, olhei para bandeja, fechei os olhos e me imaginei pegando ela. “Parabéns.”, concluiu Quinn. “Agora, faça. E rápido.”
Fui até Kitty que estava no colo de Quinn e bati na cabeça dela, não com muita força, acho.
Ela gritou assustando a loira mais velha, eu ignorei a gritaria dela e o desespero de Quinn para olhar para Quinn e Jude. “Vai sair sangue?”
“Não. Será como um machucado invisível.”, explicou Jude. “Ela sente, mas não tem. Basicamente, se você enfiar uma faca nela, não vai ter uma ferida exposta, mas seu corpo vai sentir a dor e trabalhar como se tivesse uma ferida ali.”
Olhei para Kitty, ela tentava explicar para Quinn que estava sentido uma dor da cabeça. “Ela vai desconfiar de você, Rachel.”, Jude me falou. “Ela sabe o que é uma ferida invisível. E mais do que isso, ela sabe quem causa.”
Quinn tinha pegando gelo para ela que estava confusa com tudo. O que eu estava fazendo?
.
Lucy Quinn Fabray.
Depois de, como o médico disse, ferida invisível, Kitty voltou para casa comigo totalmente calada. Eu não abri a boca também.
Ela me pediu para deixá-la na Broadway e assim fiz.
No outro dia, ela falou que conversou com a tal amiga dela e elas acabaram brigando, eu não quis saber os detalhes, e duvido muito que ela iria me falar.
Mas, coisas estranhas como essa, a ferida que não existe, continuaram a acontecer. Copo se mexendo, coisas trocando de lugar, celular tocando e sem chamada perdida ou alarme programado.
“Você está ficando paranóica, Fabray.”, tinha ligado para Santana para pedir um conselho, afinal, eu não tinha beijado Kitty a uma semana e meia. “Só relaxa, talvez seja o universo tentado falar algo. E, outra, daqui duas semanas eu estarei ai, esqueceu?”
“Passou rápido demais o tempo.”
“Sim, tenho que passar em Lima antes e, bom, Brittany quer ir de ônibus com o pessoal de Lima.”
“Mas você não acha tudo isso estranho?”
Ouvi ela bufar. “Dio mio, Fabray, daqui a pouco você vai me falar uma teoria de que a Rachel que está fazendo isso!”
Dei os ombros. “Não acho isso. Mas tem algo estranho nessa casa. Ou com Kitty.”
“Chame um padre para benzer a casa.”
.
Eu resolvei dar mais uma chance, abusar mesmo, eu preparei um jantar romântico, deixa o apartamento a luz de velas e pétalas de rosa. Se minha teoria estivesse certa, algo iria dar muito errado. Se não, eu iria transar com Kitty.
Como previsto, ela chegou e ficou feliz pela surpresa e até emocionada. O jantar estava perfeito. Perfeito até demais.
Mas tudo começou a dar errado quando me levantei para colocar mais vinho para ela e acabei me inclinando demais e ela tentou roubar um beijo meu. Tentou.
Porque a garrafa de vinho escorregou da minha mão derrubando todo vinho dela. “Kitty!”, ela deu uma risada forçada.
“Tudo bem.”, disse se levantando e ficando na minha frente. “Quinn, me beije.”
“O quê?”
“Não importa o que, me beije agora.”, me aproximei dela. “Rápido.”
Puxei a sua cintura e quando fui a beijar do meu lado eu senti algo quente. Meu sofá estava pegando fogo.
.
Depois do susto, eu estava sentada em um canto da sala olhando meu sofá novo totalmente queimado. Kitty tinha indo levar o lixo para fora e eu iria seguir o conselho de Santana, chamar um padre.
Fechei os olhos. Não tinha nada de fogo exatamente perto do sofá. Ouvi a porta se abrir. “Eu vou chamar um padre.”, informei a Kitty. “Tem algo errado com essa casa.”, olhei para ela, ela estava... assustada? “O que aconteceu?”
“Você não pode chamar um padre.”
“Por que não?”, ela abriu e fechou a boca, mas não disse nada. “Kitty Wilde, porque eu não posso chamar um padre para minha casa?”
“Porque eu sou uma necromante.”
Fale com o autor