Amelia

5 c a p í t u l o 4


Preto. Preto e mais preto. Eu só deveria ter preto naquele armário. Agora eu começava a entender porque minha avó me chamava de gótica...

Eu finalmente decido ir a uma festa, a primeira e ultima vez em toda a minha vida e o único problema parece ser o que vestir.

E então, lá estava minha solução.

"Será que eu poderia dar uma olhada na sua caixa de roupas de quando era adolescente?" pergunto a minha mãe observando-a. Ela da um sorriso de orelha a orelha e começa a soltar gargalhadas. Minha mãe é tão linda que chega a ser surreal! Ver essa sua imagem com calças largas e rasgadas manchadas de tinta pois pintava todo dia, suas blusas floridas e larguinhas e o coque mal feito sempre alegravam meu dia.

"É claro que pode, Amelia"

"Não vai se incomodar mesmo? Eu sei que elas a fazem lembrar da vovó..." digo e ela sorri de lado. Aquelas roupas foram achadas na casa da minha avó e lembro de ver minha mãe chorando muito. Meus avós não eram pobres mas também não tinham muito dinheiro para ficar por ai comprando roupas para minha mãe e suas outras filhas. Então, minha avó mesma fazia as roupas. Minha mãe escolhia os tecidos e minha avó fazia lindas roupas... vestidos, saias, shorts, tudo! E ficavam lindas...

"Não vou não, minha filha. Eu lhe garanto que se tem uma coisa que vai me deixar feliz é ver você com minhas roupas feitas por sua avó" ela diz me abraçando. Ah, o cheirinho de flores da minha mãe misturado com tinta e hortelã.

Subo para seu quarto e pego a imensa caixa cheia de roupas de todos os tipos. Tinha desde vestidos rodados floridos a calças jeans rasgadas.

Escolho uma calça jeans clara rasgada, uma blusinha preta simples e uma jaqueta e por fim coloco meu vans. Me olho no espelho e dou risada. Era incrível o como meu corpo era idêntico ao de minha mãe em seus 17 anos.

Uma buzina é ouvida e minha mãe grita meu nome.

Pego meu celular, preencho meus lábios com um batom vermelho e ajeito meu cabelo. Desço as escadas e encontro minha mãe já na porta aberta. Ela me olha da cabeça aos pés e sorri.

"Se não fosse pelos olhos claros iguais aos do seu pai, eu poderia jurar que sou eu mesma aos meus 17 anos na minha frente" ela diz rindo e me da um beijo na testa "Olha, só quero que saiba que te amo e confio muito em você. Nem vou fazer esse discurso de não use drogas e não beba, enfim. Juízo. E divirta-se"

"Tudo bem, mãe. Obrigada. Prometo não voltar tarde. Te amo" Saio correndo e entro no carro de Bethan. Era engraçado vê-la dirigindo pois parecia uma criancinha dirigindo. Ela me olha sorrindo e pisca para mim.

"Pronta para dançar até não aguentar mais?" ela pergunta enquanto a observo. Ela estava tão linda! Vestido preto colado no corpo e um casaco florido azulado por cima e o cabelo preso em um rabo-de-cavalo.

"Eu nem sei dançar"

"Então é hoje que você irá aprender, Amelia"

Eu não sabia se estava ansiosa ou apavorada enquanto o carro ia em direção a casa dos gêmeos. Minha ansiedade não me deixava parar de pensar o que poderia acontecer nessa festa...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.