Ambiguous Georgia

2 A Grande Névoa


“As injúrias devem ser feitas todas de uma só vez, a fim de que, saboreando-as menos, ofendam menos. E os benefícios devem ser feitos pouco a pouco, a fim de que sejam mais bem saboreados.”


Maquiavel falara em uma de suas citações famosas. Georgia não entendia o próposito daquilo. Não entendia a forma que as pessoas distinguiam as injúrias dos benefícios. Georgia queria entender a origem do mundo figurado, daonde vinha essa ideia de que falar o que se queria era algo propriamente errado. Os decretos eram todos injustos ao ver de Georgia. O mundo era um cubículo suficientemente grande para que o egoísmo se sobressaltasse dessa maneira.


— Quem decretou que o errado é falar o que se tem vontade? — Ela perguntou em uma das consultas com Dr Chip.
O psicólogo se encostou na enorme cadeira de couro sintético, a boca contraindo-se em um leve sorriso.


— Ninguém. — Ele falou. Simples e claro. Direto e duro. Sético. — Georgia… O mundo é muito mais do que decretos. Você sabe disso. — Ele suspirou, Georgia realmente só tinha ouvidos para seus próprios devaneios. — É um conjunto de reações. Temos de lidar com pessoas. A questão não é falar o que se tem vontade. É medir o que será dito. É ouvir. — Ele sussurrou a última frase. Georgia escutava demais, mas ouvia de menos. Chip sabia que ela prestava atenção no que ele dizia, mas só absorvia o que podia ser acalentado em sua cabeça.


Chip achava Georgia uma mulher especial. Sua cabeça era apenas cheia demais, os pensamentos sempre a mil por hora, mas ela era inteligente. Uma das pacientes mais inteligentes que ele já tivera.




— Você acredita em destino? — Maggie entrou sem cerimônias no quarto de Georgia. — Nem me responda. Lembra que eu lhe falei sobre o Maddox ontem mesmo? Meu primo. Ele me chamou para sair! 
— Sua voz estava carregada de indignação.



— Você fala disso como se fosse um problema. — Georgia continuou com os olhos em sua Lou Lou.



— Porque é! — Maggie atravessou o quarto, sentando-se em um puff verde que ficava perto da janela. — Aonde já se viu uma pessoa beijar o próprio primo? Porque você sabe que é isso que vai acontec…



— Então não saia com ele! Você fala como se não tivesse uma matilha de garotos tão interessantes quanto Maddox aos seus pés. — Georgia bufou, finalmente tirando os olhos da revista.



— Mas, me conta… — Maggie colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, como sempre fazia quando estava prestes a mudar o rumo da conversa. — O que você fez no seu aniversário além de tentar fumar um Malboro com sua amiga problemática?

— Nada. — Georgia balançou a cabeça, tentando tirar o pensamento em Travis.

— Sua mãe me disse que vocês brigaram quando ela foi lhe buscar em um grupo de apoio. — Maggie suspirou, receosa.



— Travis. O nome dele era Travis e ele achou os meus medos interessantes. Não passou disso. — Georgia suspirou ao lembrar das palavras saindo da boca de Travis.



— Ai. Meu. Deus. E é claro que você vai para este tal grupo novamente, sim? — Tudo que Maggie queria era arranjar um amor para Georgia. Em seus pensamentos, essa seria a solução para todos os problemas da amiga.

 Passaram o fim do domingo inteiro comentando o quanto Maddox estava errado em ter chamado a prima para sair. Mas é claro que Maggie não perderia a oportunidade de fazer Georgia pensar ainda mais em Travis, e até convenceu a amiga de voltar ao grupo.



A semana passou rápido e sem rodeios. Maggie ocupou seu tempo em ficar com garotos que não possuíssem nenhum parentesco com ela, enquanto Georgia se preocupava com um trabalho de dramaturgia grega.



— Desculpa o atraso. Caio Stevenfox me deixou aqui em seu carro que mais parece uma tartaruga paraplégica. E o pior: ele não quis parar de me beijar nem enquanto dirigia. — Maggie entrou em disparada no quarto de Georgia. Jogou uma lona verde musgo no chão e finalmente olhou para a amiga, sorrindo.



— Caio? Pensei que você não gostasse de figurinha repetida. — Georgia riu, seu objetivo era claro: ela queria irritar Maggie.



— Trouxe algumas roupas para você usar no grupo de apoio. Esse Travis tem que conhecer a Georgia em sua versão sexy. — Ela abriu a lona, várias roupas caíram sobre o chão. Georgia identificou algumas de longe: minissaias, croppeds, calças e shorts justos demais.



— Eu vou morrer de frio. — Georgia usou a primeira desculpa que lhe veio à cabeça. Ela não queria usar aquelas roupas. Não queria sequer ir para aquele grupo idiota. Se sentia culpada por ser a única aparentemente sadia do lugar. 

Maggie, como a boa convincente que é, colocou um jeans justo na amiga, e uma blusa caída que realçava os olhos de Georgia.
 Maquiou-a com um batom vermelho e sombra preta.



— Merda. — Georgia sussurrou ao se olhar no espelho. — Sou uma versão menos apurada de Maggie.



— Engraçadinha. Agora, vai. — Maggie se despediu da amiga.

A passos curtos, Maggie foi com sua mãe — ainda que com raiva — para o grupo.

O casebre aconchegante continuava o mesmo, mas dessa vez Georgia havia sido uma das primeiras a chegar. Se sentiu exageradamente desconfortável com aquele batom, por isso deu uma sequência de selinhos na própria mão para suavizar a cor.



19:35


Já haviam se passado cinco longos minutos desde o início do debate em grupo. O homem-de-barba escolhera "Culpa" como o tema do dia e Georgia não conseguiu prestar atenção até ver a loira pequenina — irmã de Travis — chegar. Mas pelo visto seu irmão não havia ido, pois quem estava empurrando a cadeira de rodas da garota era uma de suas amigas. 



— Georgia? — O homem-de-barba a tirou de seus devaneios. Georgia corou ao perceber o quanto estava alheia ao debate.

 Como ela não havia notado a quantidade de adolescentes carecas, sem sobrancelhas e pálidos? Era óbvio demais. Todos eram portadores de câncer. Sentiu-se deslocada e uma completa idiota por ter ido apenas com a desculpa Travis para o grupo. Aquilo não passava de um erro, ela não passava de um erro.


Merda, pensou.


Tudo que queria era sair dali. Queria levantar daquela cadeira estofada porém desconfortável, queria sair daquele casebre com um cheiro tão agradável quanto sua aparência.


— Você se sente culpada por algo? Quer compartilhar essa culpa conosco? — Ela se assustou com a pergunta, mas logo percebeu que ele estava a fazendo para todos da roda.

Respondeu a primeira coisa que lhe veio à cabeça. Tudo o que ela queria era voltar para casa e tirar toda aquela maquiagem e aquele jeans exageradamente justo.


— Sim. Mas eu preferiria não compartilhar. -- 

Agora tudo lhe fazia sentido: Maggie tinha a convencido a ir para o grupo não pelo Travis, mas sim para averiguar e suavizar sua doença estúpida. Maggie estava empurrando Georgia para outros lugares porque simplesmente não sustentava os problemas e dramas de Georgia.



20:28



Georgia não teria notado que o grupo havia terminado se os adolescentes não estivessem se levantando e saindo do casebre. 



Georgia saiu, a brisa lhe batendo nos ombros e ilíacos. Era fim de junho e o frio começava a abandonar as ruas de Toronto, mas o vento era sempre presente por ali

.

— Oi… — Georgia se assustou a ouvir a voz suave, porém aguda da irmã de Travis, que posicionara sua cadeira de rodas ao lado dela.



— Oi! Tudo bem? — A voz de Georgia entregava seu estranhamento.



— O meu irmão fala tanto de você! Até pediu para que se eu lhe visse aqui, lhe convidasse para assistir um filme com ele lá em casa. — A loira pequenina fez uma pausa. — Ele ficaria bravo comigo se eu não voltasse com você.

 -- Georgia teve que prender o riso. Então Travis lembrou dela, de fato. Ele queria vê-la novamente. Isso era um bom sinal.


Mas, não, em hipótese alguma ela iria se entregar. Muito menos ir para a casa de Travis.



— Eu adoraria, mas minha mãe já deve estar a caminho para vir me pegar. 



— Tudo bem… Vou brigar novamente com o Travis.

Paris estava exagerando. Com toda certeza e de fato Travis e ela não iriam brigar por um motivo fajuto daqueles.

Mas quem sabe? Georgia não conhecia nada sobre eles, e algo lhe fazia querer mudar isso. 

Por que não? Georgia pensou. “Vai, porra! Vai e faz valer a pena.” Georgia ouviu a voz de Maggie em sua cabeça. Talvez valesse a pena mesmo. Talvez ela fosse apenas uma droga insegura, que nunca corre riscos.



— Posso reformular a minha resposta? — Georgia perguntou, ainda que receosa.



— Claro. — A garota piscou. — Sou Paris.



— Georgia. — Ela disse e imaginou o quão ruim e difícil devia ser a rotina de um cadeirante. 



A amiga de Paris — a qual empurrava sua cadeira de rodas — chegou ao encontro das duas e dirigiu a cadeira à uma camioneta grande e preta. Georgia seguiu as duas, incerta do que estava fazendo. 

Entraram, as três no banco de trás, a cadeira na carroceria.

 Georgia notou que quem ia no volante era um homem velho e engravatado — provavelmente o motorista da família. 
Seu celular tremeu em seu bolso e Georgia o desligou ao notar que Agnes lhe ligava insistentemente.

Ela queria ser livre. Se sentia sufocada tamanho eram os cuidados de seus pais. Aquilo se tornava cada dia mais cansativo para Georgia. Seus dezoito anos não lhe arrecadaram liberdade nenhuma!, pensou.



— Tive câncer na perna. — Paris falou aleatoriamente durante o percurso. Seus olhos verdes refletindo a pouca claridade da noite de Toronto.



— Sinto muito. — Georgia foi sincera. Olhou pela janela os enormes arbustos. Estavam se distanciando cada vez mais de Toronto e Georgia imaginou que a família de Travis devia morar em uma casa grande e longe, com vista para uma cachoeira e com enormes cachorros valentes. Suspirou. “O que estou fazendo aqui?” Se perguntou ao notar que a residência de Paris era exatamente como ela tinha pensado.

A madeira contornava a construção, preenchida por uma vidraria elegante e iluminada. Ficava sobre uma montanha, com a vista para grandes valais. 
Do lado de fora se via a escadaria da casa, branca, com o corrimão prateado.



O carro foi estacionado do lado de dentro da casa, num estacionamento clássico — com abertura perpendicular.



— Sinta-se à vontade. Travis está naquele quarto ali. — Paris apontou para o lado oposto ao qual ela e a amiga seguiram. Georgia estranhou o fato de existir um quarto na garagem mas não pestanejou. Apenas seguiu na direção da porta indicada pela cadeirante. 
Antes de abrir a porta, pôde ouvir gargalhadas e vozes altas vindas de dentro do local.

Seu receio era enorme. Ela se sentia uma completa estúpida por estar ali. Os olhos azuis curiosos, mas receosos. Seus braços descobertos pela camiseta azul marinho de maggie. O jeans justo demais. Seu cabelo negro caíndo sobre os olhos.

Suspirou e entrou, ainda que com as mãos trêmulas. Ainda que se sentindo a porra de uma insegura.

O local se diferenciava do restante da casa. Não era elegante e muito menos sofisticado. Era uma espécie de depósito. Bicicletas, caixas e garrafas estavam espalhadas pelo chão e Georgia poderia passar a noite inteira procurando coisas interessantes por ali, mas o lugar não estava preenchido apenas por Travis.

Sentado no chão, com garrafas e cigarros em volta, um garoto loiro virava um Chivas Regal pelo gargalho. Ao lado dele, uma garota loira e extremamente bonita estava posicionada com os pés no colo de Travis, que ao ver Georgia, não disfarçou a surpresa.

— Garota dos medos? — Ele continuou fazendo massagem nos pés da loira, que ao ouvir o que Travis dissera, virou o pescoço na direção de Georgia e sorriu, os dentes brancos e um cigarro apagado na ponta da boca.

O garoto loiro finalmente abandonou o Whisky, passando as costas das mãos na boca.

Georgia podia se sentir extremamente mal. Péssima, para falar a verdade. Mas estava ocupada demais tentando assimilar o conjunto de informações.

Então Travis não havia falado dela para Paris coisa nenhuma. Muito menos convidado-a para sua casa. Ela era uma intrusa ali, e sentiu uma vontade intensa de estrangular a loirinha cadeirante. Paris não passava de uma mentirosa. E Georgia não passava de uma boba.

​— Junte-se a nós! ​— A voz da loira era simpática, ainda que embargada. Georgia permaneceu imóvel, os olhos azuis percorrendo aquele depósito.

O garoto loiro levantou, cambaleando até ela. O whisky pela metade em suas mãos, o tênis jovial demais para a idade.

— Prazer. — Ele estendeu a mão vazia para Georgia, a voz ainda mais embargada que a da loira. — Thomas. — Georgia o analizou pela primera vez. Seus olhos eram cor de mel, um mel encantador, por sinal. Os cabelos dourados caíam, rebeldes, sobre sua testa.

— Não vai me dizer seu nome? — Ele riu, e ao ver que a garota não ia, olhou para trás, na direção de Travis e da loira.

— Georgia. — Travis disse, e parecia ser o único sóbrio dali.
Georgia estremeceu ao ouvir seu nome sair da boca de Travis. Pelo menos ele lembrara, pensou.

— Fico feliz que você tenha chegado. — Ele sorriu, bêbado. Os olhos encontrando os de Georgia. — Segurar vela não é lá uma das minhas especialidades.

Ele soltou uma gargalhada e por um segundo Georgia sentiu receio dele. Era alto, provavelmente vinte centímetros a mais que Georgia.

— Georgia, você é linda! — A loira tirou Georgia de seus devaneios. Levantou-se, o vestido preto extremamente curto. Era alta, e tinha um corpo magro, porém atraente.

— É… Realmente é uma garota bonita. — Thomas impediu que Georgia respondesse.

— Meu nome é Cassandra! — A loira aproximou-se dos dois. — Mas pode me chamar de Cassie, acho bem legal. Gosto de apelidos. — Ela deu uma pausa, examinando Georgia. —Vou te chamar de Gê. — Ela disse e estranhou o fato de Georgia ainda não ter se pronunciado ali.

— Vamos. — Travis levantou e caminhou até os três.

— É, vamos. Você está me entediando. — Thomas passou a ponta do indicador no nariz de Georgia, que por um impulso, bateu em seu braço.

— Não se importe com ele, é muito chato e atrevido! — Cassie puxou Georgia pela mão até um dos carros da enorme garagem. Entrou no banco do passageiro.

Thomas abriu a porta traseira e fez sinal para que Georgia entrasse, mas ela apenas o encarou, receosa de entrar.

— Ah! — Ele esbravejou, impaciente. Entrou no carro, ignorando Georgia. — Vai ficar ai? — Perguntou fitando-a, de dentro do veículo.

Travis passou por ela e colocou uma mão sobre o seu ombro.

— Vamos? — Perguntou mas não esperou pela resposta, apenas seguiu até o banco de motorista, fechando a porta atrás de si.

Georgia entrou no carro, com a cara fechada. Ela queria matar Paris por ter mentido. Queria estrangular Maggie por tê-la convencido de ir para aquele grupo ou o que quer que aquilo fosse.

Pensou em descer do carro e pegar um taxi até sua casa, mas a residência dos Gunn era nos arredores da grande Toronto.

— Merda. — Sussurrou, Travis já havia dado partida no carro e ao lado dele Cassie ajeitava o batom vermelho em um espelho arredondado.
Ao seu lado, estava Thomas, abraçando a garrafa de Whisky como se fosse parte de si.

— Então ela fala. — Ele disse. — E palavrões! — Riu para si mesmo e sussurrou algo que Georgia não conseguiu entender.

— Hoje é a minha vez, certo? — Thomas berrou para Travis, que fez que sim com a cabeça.

— Adoro o frio na barriga que me dá quando estamos indo para a grande névoa.

— O que é a grande névoa? — Georgia não se conteve, imaginando que seria apenas mais uma boate de elite por Toronto.

— Você vai ver. — Travis olhou para a garota pelo retrovisor.

A saída da mansão dos Gunn era marcada por um caminho de pedras. As árvores altas ainda estavam presentes e eram iluminadas pelas luzes da casa, que aos poucos ia ficando longe.

Georgia fechou os olhos e se perguntou o que estava fazendo. Por que estava ali e como voltaria para casa.

Sua mãe devia estar puxando os próprios cabelos de preocupação, mas Georgia não se importava.

Ela percebeu que tinham chegado à “grande névoa" quando Travis estacionou seu Porsche em um acostamento qualquer.

O local estava escuro e não havia sinal algum de casas por ali.

Os três desceram do carro, e Georgia fez o mesmo em seguida.

Seguiu-os por um caminho de vegetação rasteira, que ficava longe à medida que os valais iam aparecendo.

Entraram na espécie de floresta, que estava extremamente gelada e escura. O vento batia nos cabelos loiros de Cassie, que sorria de olhos fechados.

Ela e Travis desviaram o caminho para a esquerda, Thomas fez o mesmo e, logo atrás, Georgia.

Travis tirou um maço de cigarros do bolso e o acendeu, Georgia se perguntou como um médico se atrevia a fumar.

— Desde quando um médico fuma? — Ela não se conteve, de novo.

— Desde quando seus amigos e sua namorada são um mau exemplo e só alimentam o seu vício. — Cassie disse, encontrando o olhar de Georgia e abraçando Travis, que tragou fundo o mentolado.

Thomas estava finalmente em silêncio. Mas ainda assim, sua hiperatividade estava à mostra.

Thomas era inseguro de si mesmo, e disfarçava isso com seu jeito rude e sincero demais para com as pessoas.

Tudo o que ele queria no momento era chegar ao encontro da grande névoa, sentir a adrenalina pulsar em seu sangue. Já estava bêbado, mas tinha consciência do que estava fazendo. Queria enfrentar seus medos. Queria correr riscos. Enfrentar desafios, aquilo era seu hobby.

— Voilá. — Cassie sussurrou de forma suficiente alta para que todos a ouvissem. Parou. O vento movimentando seus fios loiros, a luz da lua cheia iluminando sua pele macia, a qual Travis tanto gostava.

Ele parou ao lado da namorada, segurando sua mão e sorrindo da sua expressão inocente.

Georgia via apenas uma neblina forte. Mais nada. Os grandes vales acabavam com a enorme e assustadora fumaça branca. Então era aquela a grande névoa?

Thomas contornou Georgia e o casal à sua frente. Andou a passos longos e firmes de encontro à neblina.

Sorriu de lado, sem mostrar os dentes. As mãos dentro do casaco preto, o cabelo loiro ofuscado pela escuridão.

— O que está acontecendo? — Georgia falou, talvez alto demais, ao ouvir o ensurdecedor barulho de trem. O eco das rodas sobre o ferro firme. A névoa impossibilitando os quatro de enxergarem muito mais que as folhas sob seus pés.

— Shhh! — Cassie puxou-a pela mão, posicionando-a ao seu lado e abraçando-a pela lateral.

Travis, Cassie e Georgia estavam alinhados pelas laterais de seus corpos. À frente deles, estava Thomas, com um sorriso desafiador no rosto.

Pelo barulho, Georgia pôde perceber que o trem se aproximava, até o momento em que o som ficou ensurdecedoramente forte. E foi nesse momento que Thomas se virou de costas para os três, correndo firmente na direção do barulho.

Notas finais
Apresento-lhes Cassie e Thomas!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.