Amber - A Guardiã do Olimpo
2 A deusa Morrighan
Saíram do bosque e chegaram a uma grande planície, a qual havia algumas colinas que cercavam, inclusive a colina que ficava a casa de Cernuno. Muitos animais estranhos perambulavam por ali, texugos quase do tamanho de Amber, galinhas de um olho só e galos com três, gatos enormes e com várias caudas, xerneas, muitos pássaros, também estranhos, no céu, etc.
Havia uma colina que se sobressaia no tamanho e na beleza perante as outras, em seu topo não havia uma casa ou uma singela cabana. Havia algo que se assemelhava a um templo.
Subiram a colina e adentraram o templo. Estava bem iluminado pelo sol, assim como toda Avalon. Grandes e majestosas janelas, lustres, quadros, estantes de livros, estátuas de animais e seres meio animais meio-humanos, Amber deduziu que eram deuses, pois havia uma estátua de Cernuno ali também. Tudo naquele lugar era magnifico. Ao fundo via-se uma porta, preta com detalhes dourados e a palavra Branwen entalhada, e em ambas as laterais, escadas.
Caminharam em direção à porta e Cernuno sussurrou algo que Amber não pôde ouvir. Então a porta se abriu. Havia apenas um torno no fundo e mais estátuas. Um lobo gigante e majestoso estava deitado no assento do trono. Era negro como a noite, só era possível vê-lo porque uma grande janela fazia com que o sol iluminasse o trono.
Assim que Amber e Cernuno entraram, o lobo gigante focou seus olhos nos visitantes. Cernuno fez uma reverência e Amber imitou-o.
— Saudações ó deusa Morrighan – Disse Cernuno.
O lobo saltou do trono em direção à Amber enquanto rosnava. Era no mínimo cinco vezes maior que a garota. Ficaram frente a frente. Amber encarava aqueles olhos sombrios friamente enquanto a baba do animal escorria. De repente, fez-se silêncio. O lobo rapidamente transformou-se numa mulher de vestido cinza, cabelo preto, grandes asas negras presas á suas costas e um par de chifres em sua testa.
— Amber...
— Sim, sou eu.
— Eu sei quem você é, sei mais do que tu podes imaginar... – Disse Morrighan enquanto rodeava Amber. – Você tem coragem, minha criança.
— Morrighan, eu a trouxe aqui sem a vossa permissão, já que Branwen está no mundo lá de baixo à procura de alguém digno a portar a Excalibur, você é quem está no comando – Cernuno olhou para Amber com ternura – Trouxe-a, pois ela salvou uma de minhas crias e feriu-se ao fazê-lo, mas se for teu desejo, posso lhe apagar a memória e manda-la de volta para o bosque Gluhend.
— Cernuno! – Gritou Morrighan interrompendo-o. – Você não consegue enxergar? Está á nossa frente quem procurávamos! Vi-te antes mesmo de nascer, minha criança – Completou alisando os cabelos lilás de Amber.
— Que queres dizer, Morrighan? – Perguntou Cernuno.
Amber apenas observava confusa.
— É ela! A guerreira de minha previsão – Morrighan encarava Amber com um brilho intenso no olhar. – Aquela que irá obter a Excalibur e derrotará a feiticeira Cessair na ilha Talibus, o portal para Avalon. Não me restam dúvidas, você fez muito bem em trazê-la até aqui.
— Chame Hermes, peça para que ele entre em contato com Branwen para que ela volte imediatamente! – Morrighan sorriu para a garota – Bem-vinda á seu novo lar, Amber.
Cernuno correu desengonçadamente para fora, deixando a deusa e Amber a sós.
Morrighan explicou para Amber um pouco sobre sua visão e qual era o destino da garota, mais uma vez o nome Jason Lucker ficou em evidência. A deusa disse que não podia revelar muita coisa, mas ela, mesmo sendo uma simples mortal, poderá ser responsável por grandes feitos, logo iria cruzar o caminho de um jovem mestiço, o mais poderoso mestiço, e o auxiliará numa tentativa de impedir que toda a criação seja destruída pelas mãos do ser mais aterrorizante que existe, o gigante de fogo que dera vida aos seres vivos e jurara destruir tudo, Surtur.
Alguns dias se passaram Morrighan continuava comandando já que Branwen ainda não havia regressado. A deusa mandou todos os outros deuses ensinarem algo á Amber enquanto a própria ensinava a garota coisas sobre batalhas e como duelar com uma espada.
Amber foi treinada por Dagda, Danu, Belenus e Lugh – Ambos deuses do sol, assim como Apolo – Cernuno e muitos outros deuses que viviam em Avalon. Logo a garota percebera que cada colina representava um deus.
Branwen voltou á Avalon depois de duas longas semanas. A garota já estava muito diferente de quando chegara, não por fora, mas sim por dentro. Estava mais esperta, mais ágil, forte, mais... Preparada para o futuro que a espera. Mas ela sabia que aquilo estava longe de ser o suficiente, era só o início.
Branwen chamou Amber á seu templo novamente, mas desta vez não havia lobo algum sentado ao trono e sim uma mulher exageradamente bela. “É como se ela fosse a deusa da beleza” – Pensou Amber.
— Pare de me encarar com essa cara, criança.
Foi só então que Amber percebeu que estava encarando a deusa há mais tempo que do imaginava.
— Perdoe-me, deusa.
— Não há problemas – Disse Branwen sorrindo. Um sorriso encantador. – Vejo que realmente tu és a escolhida. Só de olhar em teus olhos não me resta dúvida, Amber.
Anos se passaram. Amber viveu sem sair de Avalon para nada. Fizera amizade com todos os deuses e, incrivelmente, com os animais. Dentre eles, seus melhores amigos eram um lobo cinzento grande suficiente para carrega-la sem dificuldade, um texugo e uma coruja, ambos usavam terno preto e partilhavam de um cigarro estranho que fazia uma fumaça extremamente densa. Cernuno, ao ver a solidão da garota quando não estava treinando, e o próprio estava ocupado, deu o dom da fala aos três.
Quando não estava treinando com algum deus, estava fazendo alguma aventura com seus três amigos, sempre desbravando Avalon. Não demorou á ganhar sua primeira espada, presente de Cernuno.
Havia uma área a qual não lhe deixavam se aproximar, era conhecida por Mag Mell. Grandes árvores com rostos, pernas e mãos guardavam o portão da entrada com suas grandes espadas, arcos e lanças. Os Entes da floresta. Cernuno contou em segredo, que lá era para onde os bons mortos iam, era um lugar de paz onde ser vivo nenhum pode pisar, seja ele deus ou mortal. E era responsabilidade de Branwen e todos os outros deuses de Avalon proteger Mag Mell.
Por inúmeras vezes ela tentou chegar a Mag Mell, mesmo com a advertência dos seus três amigos, mas sempre era derrotada por algum Ente. Com o passar o tempo ela os instigou e a curiosidade dos animais foi maior que as ordens que receberam e passaram a ajuda-la em sua tentativa de invadir a terra dos mortos.
Os anos foram se passando e Amber se tornando mais habilidosa, inteligente... Uma guerreira excepcional. O lobo, que ela deu o nome de Ray, crescera também e continuava a carrega-la. Ela tentou chamar o texugo de Brum, mas o animal disse que não aceitaria outro nome senão Nipo. A Coruja nomeou-se de Cheech.
Certo dia, Cheech e Nipo estavam, como de costume, no topo de uma macieira partilhando aquele cigarro. Amber e Ray estavam deitados na sombra da árvore e observavam o sol refletir na lagoa a frente deles.
— Se vocês me ajudassem eu conseguiria! – Exclamou Amber quando Ray perguntou quando ela desistiria de tentar chegar a Mag Mell.
— Mas Amber... Nós não podemos fazer isso – Disse Ray.
— A gente não pode porque você nos entregaria – Disse Nipo de cima da macieira.
— Se dependesse de nós, estávamos á caminho agora mesmo – Completou Cheech.
— Vocês são dois irresponsáveis! – Bradou o lobo. – Se eu não estivesse aqui provavelmente a Amber já estaria morta.
— Para de exagerar, Ray – Disse Amber. – Você que é muito medroso.
— Olha cara... Ela tem razão – Concordou Cheech. Nipo fez que sim com a cabeça. – Nunca vi um lobo tão medroso – Completou.
— Desçam aqui e vocês verão quem é medroso – Bradou novamente Ray e pôs-se a rosnar olhando para o galho que os dois estavam.
— Suba você – Zombou Nipo.
— Nós deveríamos tentar... Pelo menos uma vez – Disse Amber voltando ao assunto Mag Mell. – Você provaria não ser um covarde e eu provaria que somos capazes... Juntos.
— Eu não sou um covarde!
— Então prove! Cachorrinho – Disse Nipo enquanto caía na gargalhada junto com Cheech.
Ray uivou.
Cheech e Nipo continuavam a rir de maneira exagerada.
— Vamos lá! – Gesticulou para que Amber subisse em suas costas. – Agora mesmo.
Nipo pulou e ficou no colo de Amber enquanto a garota era carregada por Ray e Cheech seguia-os voando baixo. E juntos partiram rumo a Mag Mell. O lobo nem percebera o quanto fora manipulado por seus próprios amigos, apesar do tamanho ele era jovem e, como todo jovem, ele queria aparecer.
Um xerneas corria freneticamente pela planície de Avalon. Subiu até a colina onde residia Cernuno e entrou desembestado pela porta.
— O que está acontecendo? – Perguntou Cernuno que, com o susto, derrubou um frasco com um líquido vermelho. O Líquido fumegou ao tocar o chão de madeira.
— O que você está dizendo? – Perguntou Cernuno aos berros para o xerneas. Embora o animal não tivesse pronunciado palavra alguma, o deus era capaz de se comunicar-se com todos e quaisquer animais. – Eu não acredito! Preciso ir falar com Branwen imediatamente!
E saiu correndo de forma engraçada rumo ao templo de Branwen. A deusa estava sentada em seu trono, usava um vestido verde escuro e uma coroa de flores. Uma visão magnifica. Estava conversando com um homem velho, mas forte e alto. Tinha o olhar amedrontador e uma barba longa e grisalha, assim como seu cabelo.
— Des... Desculpe – Gaguejou Cernuno enquanto fazia sua costumeira reverência exagerada, mas desta vez não era para Branwen e sim para o homem. – Não sabia que o senhor estava aqui.
Deu às costas para os dois e caminhou para fora, mas fora impedido por Branwen.
— Você parece afobado, Cernuno. O que lhe aflige?
— Amber, ó deusa – Respondeu. – Um animal veio correndo me dizer que ela está massacrando os Entes da floresta e está prestes a conseguir entrar em Mag Mell.
— Chame Morrighan, diga a ela que me traga Amber.
Cernuno saiu correndo em direção a colina de Morrighan.
— É... Eu acho que ela já está preparada – Disse o homem. – Amber deve descer até a ilha de Talibus e derrotar a feiticeira Cessair. Assim foi previsto, assim será!
— Como queira, senhor Zeus – Respondeu Branwen com um aperto no coração. A deusa se apegara á Amber e não queria que ela, hoje não mais uma garota e sim uma mulher, partisse.
O homem transformou-se numa grande águia, a mesma águia que estava na cabana de Cernuno quando Amber acordara, e saiu voando pela grande janela do templo.
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