Amargo Prazer
32 Epílogo
Notas iniciais
○•○Sete Anos Depois○•○
Eu estava enjoada e pronta para acertar a cabeça de Dimitri se ele entrasse mais uma vez no quarto com aquele maldito bacon com ovos. Não demorou muito para que isso acontecesse. Bem, ele não tinha o bacon com ovos, mas tinha um sorriso extremamente lindo no rosto. Um sorriso que indicava que ele sabia o quão mal eu estava, mas que mesmo assim não me deixaria ficar o dia todo deitada.
— Está um dia lindo lá fora, sabia?
— Branco não é minha cor predileta, camarada – afirmei, enfiando minha cabeça no travesseiro quando ele abriu as janelas.
— Rose, não seja uma garota má. – ele retirou o travesseiro do meu rosto, me virando pelos ombros – Carly e eu fizemos bacon com ovos pra você. Café da manhã americano.
— Ótimo! – eu disse irônica – Dê-me mais do bacon com ovos quando são eles que estão se revirando em meu estômago.
— Erramos a mão essa semana, apenas isso. Você colocou todos eles para fora ontem, de qualquer forma. – falou, como se aquela fosse uma defesa plausível. Não era.
— Venha comer, tia Rose – Carly apareceu no quarto, segurando uma travessa cheia da bendita combinação. Eu lhe lancei um olhar assassino, mas ela não pareceu entender já que colocou a travessa em cima da cama e se sentou ao meu lado – Por favorzinho. – pediu, me fitando com aqueles olhinhos chantagistas.
Eu respirei fundo.
— Ela disse por favorzinho – Dimitri reforçou.
— É, eu ouvi – olhei em sua direção e ele sorriu. Meu olhar mortal não parecia funcionar com a minha família. Só faltou que Oliver se juntasse a eles para deixar aquilo mais evidente.
Peguei um pedaço do bacon com receio. Meu estômago pareceu dar cambalhotas apenas por olhar para aquilo novamente, mas ainda sim mordi em um bom pedaço e mastiguei, fazendo força para engolir em seguida.
— Não está tão ruim – falei quando eles me olharam em expectativa.
Carly e Dimitri bateram as mãos.
— Eu disse que conseguia saciar todos os seus desejos – Dimitri brincou baixinho para que Carly não ouvisse e eu ri, beijando sua bochecha.
— Já arrumou suas malas, Carly? Sabe que não vamos poder voltar se estiver esquecido algo. – falei, quando ela ficou de barriga para baixo na cama, pegando meu bacon.
— Clar- Ah, não. Eu tenho que devolver o casaco para o Sasha! – falou, saltando da cama.
— Quem é Sasha? – Dimitri perguntou, olhando feio para ela. Carly corou até a raiz dos cabelos.
— Um amigo que eu conheci quando patinava no gelo. Tia Rose gosta dele – ela lançou seus olhos verdes em minha direção antes de sair do quarto sem maiores explicações e Dimitri me fitou. Dei de ombros.
— Ele é um bom garoto – falei – Sabe quem também é um bom garoto? – perguntei, quando comecei a ouvir o choro de Oliver pela babá eletrônica – Hoje é a sua vez, aproveite – falei quando Dimitri se levantou.
Poucos minutos depois o choro cessou e Dimitri entrou voltar para o quarto com Oliver, o segurando pelos dois braços. Ele não demoraria muito a começar a andar e eu já estava me preparando para correr atrás dele.
— Mama – ele balbuciou, soltando uma das mãos de Dimitri e me chamando.
Eu me levantei da cama, lamentando por não ter calçado os chinelos segundos depois. Por que aqui tinha que ser tão frio? – Porque é o paraíso do gelo, Rose – murmurei para mim mesma vendo Dimitri rir.
Peguei Oliver no colo e ele beijou minha bochecha quando agarrou meu cabelo.
— Oi, meu amor – falei, apertando suas bochechas gordinhas um pouco molhadas pelas lágrimas que ele tinha soltado antes de seu pai ir resgatá-lo.
Oliver tinha um ano e três meses e era o bebê mais lindo e fofo do mundo. Dimitri e eu demoramos algum tempo para decidirmos sermos pais de fato. Era meio engraçado a gente ter esperado tanto já que Carly era para mim uma filha e Dimitri a tratava da mesma forma.
Carly parou na porta do quarto, balançando uma carta no ar e parecendo eufórica.
— Olha! É outra carta de tia Lissa.
Eu sorri, já sabendo o que encontraria ali quando Carly começou a ler.
— Ela está desejando boa viagem e disse que nos espera para uma festa em sua casa assim que voltarmos – ela falou, resumindo a carta e eu tinha certeza de que no final ela havia colocado outra vez a recomendações sobre tirarmos várias fotos..
— Seria bem mais prático se ela ligasse – murmurei, colocando Oliver sobre a cama e brincando com ele que soltava gargalhadas.
— Cartas podem ser guardadas, tia Rose – ela respondeu – Eu prefiro assim.
Eu me virei para trás.
— Dimitri quem colocou isso em sua cabeça, admita. – ele nem ao menos tentou negar – Pode pegar uma fralda para mim?
Eu dei banho em Oliver e deixei Dimitri e Carly discutindo sobre como seria o máximo passar aquele tempo só com a família.
Dimitri e eu havíamos resolvido começar novamente. Nós havíamos nos casado dois anos depois de todas aquelas coisas ruins. Por Dimitri, eu teria subido ao altar bem antes da aquilo, mas entrar em uma igreja e repetir as palavras do padre não foi algo fácil de aceitar. Depois disso ele aceitou a mudança que Janine lhe ofereceu na empresa. Claro, mudar para a Rússia não foi o que eu chamei de uma simples mudança. Depois de cinco anos eu ainda detestava o inverno daqui, mas não era tão ruim. A família de Dimitri que adorou nossa vinda. Bem, eu fiquei em dúvida por Yeva — ela me olhava como se não agradasse a ideia de me ter ali. Mas, depois de algum tempo, ela se acostumou em sempre que vinha nos visitar me encontrar e parou de bater em minha cabeça com a maldita bengala quando fiquei grávida de Oliver. As irmãs de Dimitri eram como ele, com diferença de não serem tão fechadas tanto quanto e Olena ela era uma excelente sogra. Janine não gostava muito dela e com o passar das vezes em que ela vinha nos visitar, eu percebi que era apenas ciúme. Janine eu estamos bem. Não falávamos no que ela havia feito antes e ela não me forçava a ter nenhuma relação mãe e filha, mas podia dizer que éramos amigas e ela sempre dava um jeito de falar comigo.
Nossa relação era quase como a de Carly e Lissa, elas se falavam bastante e apesar de Lissa saber a verdade, nunca disse nada a Carly ou tentou levá-la completamente para o seu lado da família. Havíamos combinado esperá-la crescer um pouco mais para falar sobre aquilo com ela, principalmente porque André estava começando a correr atrás do que havia perdido. Ele veio a nossa casa no último aniversário de Carly junto com a família e eles se falaram um pouco. Ele pareceu feliz por ela se lembrar dele ainda. Talvez André estivesse mudando, mas eu não confiava mais nele.
Dimitri, eu, estávamos seguindo nossa vida com nossos filhos, mas sentíamos que ainda faltava algo. E ali estávamos nós, prontos para embarcarmos no que Dimitri disse que seria uma grande aventura. Eu ainda não me sentia totalmente segura por passar tanto tempo velejando. Não era uma volta ao mundo, seria coisa de apenas duas semanas, mas era uma coisa que queríamos fazer. Estávamos planejando aquilo há tanto tempo... E quando a oportunidade surgiu, juntamente com a coincidência da data em meu emprego e com Janine dando uma folga a Dimitri, resolvemos aproveitar. Minha preocupação havia sido com Oliver. Por ser tão novinho ainda eu tive que levá-lo ao médico para saber se era seguro. Foi autorizado, mas não sem antes receber uma lista de coisas que eu deveria fazer e sinais que eu deveria notar caso Oliver desse algum.
Depois de tantas coisas acontecerem, Dimitri e eu tínhamos certeza de que nada iria nos separar. Depois de tanta dor e sofrimento, as coisas realmente deram certo. E era daquele jeito que tudo ia continuar. Nós sofremos com as escolhas erradas de algumas pessoas, mas foram graças a elas que nos conhecemos.
Éramos uma família completa. Não podíamos ser chamados perfeitos, mas quando eu estava perto de Dimitri, Carly e Oliver eu me sentia muito perto de alcançar a perfeição.
Agora, sempre que eu abraçava Dimitri, eu o apertava forte, fazendo questão de ter certeza de que nunca mais iria soltá-lo.
"Depois de toda tempestade, vem a calmaria." Aquela frase resumia em poucas palavras toda a nossa história. Aquela era a nossa calmaria.
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