Amargo Prazer
29 Cap. 29 - Família de Verdade
Notas iniciais
AHHHH O CAPÍTULO DE HOJE É SUPER DEDICADO A CAMILY SCOFIELD pela recomendação divissima *--* Obrigada nina, eu amei suas palavras ^^
Espero que gostem do cap. Ele está... Normal '-'
Mas ainda sim... Espero que gostem ^^
Uma semana Depois...
- O meu pai trabalha com barcos. Não sei exatamente o que ele faz lá, mas ele me disse que é um trabalho muito importante – um garotinho dizia, olhando para o pai que estava sentado próximo a ele e sorria orgulhoso.
Era a feira das profissões da escolinha de Carly e lá estava eu, representando a única família que ela tinha. Geralmente os pais que iriam acompanhar os filhos, mas, como Carly não tinha nenhum, a professora dela disse que eu "daria no mesmo".
Eu bati palmas junto com o resto quando o garoto terminou, parecendo feliz por terminado.
- E agora é a vez de Carly – a professora anunciou, piscando para Carly e lhe dando um sorriso encorajador – Venha aqui, querida.
Eu a desci do meu colo e dei um beijo em sua bochecha antes dela caminhar para frente da classe parecendo envergonhada. Seus olhos verdes encontraram os meus quando ela parou e eu dei um pequeno sorriso de incentivo, fazendo torcida.
- Eu devia estar aqui com meu pai ou minha mãe – ela começou, olhando para o resto da sala e em seguida corando. Parecendo decidir que olhar para mim era menos assustador, ela focou sua atenção justamente nisso – mas nenhum dos dois pôde vir. Minha tia vive dizendo que é meu pai e minha mãe ao mesmo tempo, então acho que trouxe os dois – eu ri, junto com algumas pessoas e então ela continuou – O nome dela é Rosemarie Mazur e ela é recepcionista em um grande restaurante. Acho o que ela faz importante. Ela ajuda pessoas a chegarem a sua mesa e eu sei que ela é boa nisso porque vive me ajudando a me sentar nas cadeiras mais altas lá de casa – novamente risos e quando ela ficou um tempo em silêncio, eu esperei que ela voltasse para se sentar, mas ela continuou falando – E eu sei que ela não gosta do trabalho dela porque vive dizendo que odeia ver muitas pessoas falando e comendo ao mesmo tempo e ainda rindo. – eu olhei para Carly seriamente, mas isso não impediu os outros de rirem enquanto eu corava. Suas mãos torciam a ponta de sua saia de pregas demonstrando seu nervosismo – E eu também sei que ela só trabalha por minha causa, mesmo não sendo minha mãe de verdade. Eu gosto dela até quando acorda e está toda descabelada e gritando que vamos nos atrasar. Nunca nos atrasamos de verdade, mas acho que é isso o que toda mãe faz. E é por isso que eu trouxe a minha mãe para a feira da escola. O emprego dela é o melhor emprego do mundo porque quando ela chega, ela ainda pode assistir Dora comigo e comer nachos quando ela se esquece de comprar comida congelada. Obrigada pela atenção – ela disse, se curvando levemente como Adrian havia ensinado a ela no dia anterior.
E me levantei, aplaudindo enquanto ela andava até mim. Algumas pessoas ainda riam pelo comentário sobre os nachos, mas eu só conseguia ouvir sua voz dizendo que havia levado a mãe dela para a escolinha. Eu a abracei forte.
- Você gostou? – perguntou ao meu ouvido.
- Eu amei – sussurrei de volta e a soltando, arrumando a tiara rosa de volta em sua cabeça – mas na próxima vez, não diga nada sobre nachos e comida congelada, tudo bem? – disse, apertando a ponta de seu nariz
Ela riu, se sentando em meu colo novamente.
- Tia Syd disse que você ia achar engraçado – murmurou ainda rindo um pouco.
Eu fiz uma careta. Teria que falar com Sydney sobre isso depois, já sabendo que terminaríamos em uma discussão sobre o que era saudável ou não.
- Ela não faz ideia do quanto...
Assistimos as outras apresentações e eu fiquei apreensiva quando percebi que Carly era a única que não havia levado mãe ou pai ali, mas, como ela havia dito antes, aquilo não importou para ela, então estava tudo ok para mim.
Quando as apresentações e agradecimentos acabaram, Carly e eu estávamos prontas para irmos para casa sem problema algum... Se não fosse pelo brilhante Audi preto estacionado na rua em frente à escolinha. Eu o reconheci de longe. Murmurando alguns palavrões, segurei na mão de Carly a puxando para o mais longe possível do carro, tentando ser o mais discreta possível com nossa passagem ali. Percebi que havia sido em vão quando o vi descer do carro, de olhos escuros e com uma postura completamente dura.
- Tio André! – Carly gritou quando o viu e... Bem, se ele ainda não havia nos visto ali fora, Carly estava praticamente segurando uma placa brilhante acima de nossas cabeças.
Sorrindo e com as mãos nos bolsos, ele caminhou até nós.
- Rose.
- Você? – eu disse de má vontade.
Ele fez uma careta, como se sentisse incomodado com a nossa atual reação. Eu não me importava nenhum pouco.
- Soube do acidente. Espero que agora esteja tudo bem.
- Hmpf! Não espera coisa alguma! – eu respondi, trocando meu peso de perna e me sentindo com pressa para me afastar de André.
Ele cruzou os braços a frente do corpo.
- Não devia me culpar por tudo de ruim que te acontece.
- Eu não culpo André, mas quando a maioria das merdas aconteceu na minha vida, você estava por perto. Acho que isso significa algo, concorda?
- Você está aqui com um recado do Dimitri? – Carly perguntou e só então em me lembrei que ela ainda permanecia ali, bem ao meu lado. André também pareceu ter notado isso, mas, a menção feita a Dimitri não pareceu agradá-lo nenhum pouco.
- Por que eu teria um recado dele? – ele perguntou, soando um pouco ríspido demais.
- Por que ele não veio mais me visitar.
Eu estava lhe dando um tempo para pensar no que sabia. Não estávamos separados, estávamos apenas nos dando algum espaço. Falávamos por telefone, eventualmente, e a cada novo telefonema eu o sentia cada vez mais próximo de mim outra vez. Não tocávamos nos nomes de Malory e Samantha. Ele também não perguntava mais nada e aquilo era um grande progresso: estávamos esquecendo. Não de nunca mais nos lembrarmos porque aquilo marcos nossas vidas, mas de uma forma que não deixava Dimitri se sentir culpado e não me fazia sentir remorso e ter pesadelos com isso.
André voltou a me olhar e não parecia nenhum pouco surpreso por aquilo, mas eu não pude ter certeza por causa dos óculos que pareciam fixos em seu rosto. Então, ele se ajoelhou a frente de Carly, colocando um pouco do cabelo claro dela para trás dos ombros.
- Como você está?
- Bem – ela murmurou, sorrindo para ele – E o senhor?
Ele sorriu.
- Bem, obrigado por perguntar. – respondeu e então voltou a ficar de pé – O que acha de irmos a uma sorveteria, Rose? Eu, você e Carly.
- Sorvete!
- Não – eu disse, olhando para Carly que fez uma careta emburrada – Está quase na hora do almoço e nós estamos indo embora. Bom te ver André.
Antes mesmo que eu pudesse passar por ele, André segurou meu pulso e com a outra mão retirou seus óculos. Minha boca se abriu em espanto quando eu notei as marcas roxas ao redor de seus olhos.
Alguém com certeza havia descontado sua raiva em André e, bem, eu não sabia o que ele havia aprontado, mas me pareceu muito merecido.
- Você devia ver o resto – ele disse, prendendo o óculos na gola da camisa pólo – Temos que conversar, Rose. E o quanto antes melhor – ele olhou para Carly por um breve momento e eu entendi o motivo da conversa.
É claro! Eu já esperava por aquilo. Era ali que André mostrava o seu sobrenome. Manipulador filho da mãe! Ainda relutante, eu assenti, aceitando ir para uma sorveteria que ficava em frente ao nosso prédio.
- O que vai querer, Rose?
- Nada.
- Eu quero de morango – Carly respondeu,
André deu um sorriso largo e se voltou para a garçonete.
- Duas casquinhas de morango.
- Com bastante cobertura de chocolate – Carly acrescentou balançando a cabeça.
Eu esperei impaciente que André começasse a falar tudo o que queria, mas não achava que fosse a coisa certa para se fazer. Foi por isso que quando nosso pedido chegou, eu deixei Carly ir até um pula-pula que tinha do lado de fora.
- Quem fez isso com você? – perguntei, não querendo saber quem havia feito, mas porquê.
- Adivinhe? – incitou, e seus olhos faiscaram de raiva – Imagine um russo invadindo a sua casa, pedindo por explicações e completamente calmo. Imaginou? Bem, digamos que ele estar calmo piorou bastante as coisas.
Eu estremeci levemente em minha cadeira. Já imaginava aquela reação de Dimitri. Era a mesma que eu havia tido e não éramos tão diferentes, afinal. Exceto pelo lado calmo.
- Eu nem ao menos quero conhecer seu lado descontrolado – André murmurou.
Eu dei de ombros. Não me preocupava mais tanto com André. O mínimo de sentimento que eu ainda tinha por ele pareceu ter desaparecido.
- Você nunca vai saber como ele se sentiu – afirmei o que eu tinha certeza – Vocês eram amigos, ou ao menos conhecidos. Lembro-me de ver você e ele juntos na casa de Lissa e de repente essa bomba estoura. O quê você queria que ele fizesse? Fingisse que não era nada? Oh, por favor.
- Ah, por Deus Rose! Não seja estúpida – ele disse, brincando com a colher do seu sorvete, mas parecendo completamente irritado – E o que eu sentia por Megan, uh? Ninguém aqui parece estar levando isso em conta!
Eu não queria ouvir aquele nome. Sempre sentia como se algo ruim estivesse me rondando.
- Desejo era o que você sentia por Megan, não amava ela. Caso ao contrário jamais a teria deixado fingir sua morte para Dimitri e muito menos deixar Carly para trás para fugir com você. Você teria a feito ficar e assumir a responsabilidade! Nem comigo você se importou.
- Isso é engraçado, na verdade – falou vagamente – Eu sempre achei que você deveria ficar comigo, mas hoje eu não tenho certeza disso. Espere, eu ainda não terminei – ele fez um gesto com a mão quando eu fiz menção de interrompê-lo – Não é porque eu deixei de gostar de você, porque eu ainda te acho incrível, Rose – ele segurou minha mão que estava sobre a mesa e eu a puxei com força para me soltar – Mas eu acho que o que eu mais temia era que você ficasse com Dimitri.
Eu me cansei daquilo. Não seriam frases bonitinhas e metidas a culpa que me fariam voltar a olhar André com bons olhos.
- O que você vai exigir? – eu perguntei, indo direto ao ponto.
- Exigir?
- É. Seja lá o que quer, não entre na justiça ou algo do tipo. Vamos resolver isso entre nós, tudo bem? Não quero Carly sabendo de tudo o que houve agora.
- Eu acho que você está sendo precipitada, Rose. – o ouvi dizer, se encostando de maneira desleixada a cadeira, como se o assunto não merecesse consideração da sua parte.
- Precipitada?
- Eu não vim exigir nada sobre Carly. Não sei se você percebeu, mas não sou o tipo certo de figura paterna. Não ainda.
Eu o analisei por mais um tempo, procurando indícios de que ele estava brincando.
- Espere, – eu perguntei, ainda mais confusa – está me dizendo que não quer assumir a paternidade?
- É claro que não! Rose, preste atenção, eu amo Carly, mas... Não o suficiente para acabar com a minha vida.
- Acabar com a sua vida? – eu perguntei, mais com raiva do que incrédula – Acabar com sua vida, André? Eu cuidei dela como se fosse minha filha. Desisti de um monte de coisas por que Megan me pediu para cuidar dela quando eu nem sabia que o pai dela estava bem debaixo do meu nariz. Você sabe bem do que eu abri mão para cuidar dela e agora me diz que ela vai estragar a sua vida? Bem, ela com certeza vai ficar melhor sem você, isso eu garanto!
- Vai contar a ela algum dia? – perguntou lentamente, como se isso fosse me acalmar – Você sabe que mesmo que eu não vá estar ao lado dela como seu pai, ainda vou ajudar no que precisar e-
- Nós vamos embora – eu o interrompi, não querendo mais ouvir aquele papo furado. Ele sempre soube que ela era sua filha e nunca havia ido atrás ou perguntado se estava precisando de algo. Quando eu me levantei da cadeira, André também se levantou, segurando meu braço – Me solta!
- Você tem que entender.
- Eu entendo, agora solta.
Ele me soltou.
- Foi bem feito para mim, não acha? – ele perguntou e eu o olhei indecisa, sem saber se ele realmente estava curioso ou apenas tentando me segurar mais ali – Você e Dimitri. Juntos. Eu tirei Malory dele e ele me tirou você. Estamos quites.
- Isso nunca foi um jogo, André – eu peguei minha bolsa, a arrumando em meu ombro e rumando para o lado de fora, para pegar Carly no pula-pula.
Eu não pude me impedir de sorrir quando o vi ali, conversando com Carly que estava sentada nas escadinhas do brinquedo. Quando me viu, ele ficou ereto, abrindo um sorriso enquanto caminhava em minha direção e colocava os braços ao redor de minha cintura.
- Eu estava indo em seu apartamento quando vi Carly aqui – explicou, mas seu sorriso desapareceu de uma hora para outra – Pelo visto não foi uma boa ideia.
Olhando para trás, eu vi André, com uma cara nada boa em nossa direção.
Virei-me de volta para Dimitri, segurando seu rosto com as duas mãos.
- Já terminamos aqui – falei, chamando sua atenção – Precisávamos falar sobre Carly, você sabe.
- É, eu sei. – murmurou, ainda parecendo ter toda a sua atenção sobre André. Ele parecia apenas sério, mas eu reconhecia aquele olhar. Dimitri estava com raiva.
Decidindo que aquela testosterona toda não poderia acabar em algo bom, eu chamei Carly para irmos embora e praticamente tive que convencer a Dimitri de que eu não estava ali forçada e que ele se esquecesse de André. Eu tentaria fazer aquilo.
- Você estava indo em meu apartamento, certo? Que tal irmos pra lá agora? – sugeri, quando ele pareceu decidir que André não seria uma ameaça.
Dimitri caminhou um pouco atrás de mim enquanto seguia rumo ao meu apartamento em total silêncio. Carly correu para o quarto assim que chegamos, deixando Dimitri e eu sozinhos. Somente quando eu joguei as chaves da porta no aparador a primeira frase foi dita e... Não era o que eu esperava ouvir. Ao menos, não depois de quase uma semana sem vê-lo.
- Não está mais tão quente aqui – ele observou, parando no meio da sala com suas mãos nos bolsos da calça jeans, olhando ao seu redor.
- Arrumei o ar condicionado — falei dando de ombros. Dimitri se virou, me olhando – Quer beber alguma coisa? – perguntei e ele negou – Tudo bem, então por que não se senta? – sugeri, me sentindo como se fosse a primeira vez que nos falávamos.
Dimitri se sentou ao sofá e eu ao seu lado, esperando que ele começasse a falar.
-Não pense tanto nisso – eu disse, quando me cansei de esperar. Eu realmente não era um poço de paciência – Não tente entender por que isso aconteceu apenas... Aceite. Alguém me disse uma vez que não se deve pensar muito em algo que não pode ser mudado – concluí exatamente como ele havia me dito naquela noite em que subimos no prédio abandonado. Naquela noite em que Dimitri foi real comigo, me falando sobre ele. Nosso primeiro encontro.
Ele também sorriu, mas, diferente de mim, não foi contido.
- Você estava prestando atenção – não foi uma pergunta, mas soou como uma dúvida.
- Camarada, eu me lembro até mesmo de que Tasha se jogou pra cima de você naquela noite – eu disse no meu maior tom divertido, mas lembrar daquilo não era nada divertido. Justamente porque lembrava o que havia ocorrido na outra vez em que encontrei Tasha.
Seu rosto se fechou.
- Não foi bem assim, Rose. Tasha estava apenas sendo agradável.
- Bem, isso é como você vê. Se for assim, ela ama ser agradável com você, certo? – eu perguntei, desta vez, em um tom que mostrava meu desagrado com aquilo. Não era exatamente ciúmes, mas ninguém gostava de saber que havia uma mulher perseguindo seu namorado, pronta para atacar assim que você dar as costas a ele.
Dimitri, ao invés de responder a provocação apenas ficou com os olhos presos em mim.
- Você sabe que é a única para mim, Roza.
Sorri. Amava quando ele me chamava de Roza. Eu sentia meu coração bater acelerado quando Dimitri se aproximou, sem desviar nossos olhos. Quando ele me beijou, eu me agarrei aquilo com medo de perder, mesmo sabendo que aquilo nunca aconteceria. Eu amava Dimitri tanto quanto ele me amava. Aquela era a prova; ele ainda estava ali. Nós ainda estávamos ali, mesmo com todos os abalos que tivemos antes mesmo de nos conhecermos.
Eu prendi meus dedos em sua nunca quando ele me puxou para o seu colo sem descolar nossas bocas. As mãos dele em minha cintura me agarrando com certa força me mostravam que aquilo não era um sonho. Aliás, aquilo era melhor do que qualquer sonho porque era real.
Notas finais
Entonces, quem ai quer o próximo capítulo amanhã? o/ Eu não sei se amanhã vai dar realmente (tenho que montar duas apresentações para terça ¬¬) mas eu vou fazer um esforço, prometo.
Gostaram do cap.? Eu prefiro o próximo '-' Quem quiser spoiler sobre ele é só pedir q eu mando auhauhsuahas Colocaria aqui, mas eu sei q muita gente não gosta e ai acaba lendo sem querer #Isso acontece muito comigo .-.
Então, é só.
Bjs e inté a próxima gnomos, dhampir, moroi, humanos, vegetais e... Todo mundo o/
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