Amarelo

1 Prólogo- Amarilho


“At the office where the papers grow she takes a break Drinks another coffee and she finds it hard to stay awake. It's just another day”


Another Day -Paul McCartney


Era aquela casa. No final da rua. Os vizinhos há muito tempo comentavam sobre a vida daquele pitoresco morador. Um homem morava sozinho havia anos quando eu morri. Diziam que a mulher o havia abandonado e levado os filhos junto consigo... Para dizer a verdade nunca me importei.

Meu pai sempre me dizia que aquela família no passado era muito feliz... Crianças correndo pelo quintal e acampando debaixo da cerejeira, que todo ano dava folhas muito rosas, uma linda mulher de cabelos castanhos ondulados que fazia tortas de amora todas as tardes para esperar seu esposo chegar cansado de um dia de trabalho. Um pai tão caridoso e gentil que cuidou de uma macieira só para que as crianças da rua puderem se servir na época da colheita. Mas tudo isso acabou.

Dizem que as coisas começaram a desandar quando uma de suas filhas ficou doente. Leucemia eu acho. A menina de lacinhos e olhos muito azuis que corria pelas ruas agasalhada com um lindo suéter rosa, agora estava deitada em uma cama de hospital. Tão pálida quando a neve do inverno passado. No ano seguinte como a mesma brisa gelada que preludiava o natal ela se foi. A família, triste, começou a se desmanchar dai. A mãe, vívida e alegre, se deixava levar pela tristeza ouvindo blues no rádio e com um copo de wiskey na mão. Os irmãos tristes pela perda de uma amiga pararam de brincar na rua e de se portar como crianças normais. O pai, um homem bonito e loiro, entrou no mundo do álcool e cigarros perdendo depois seu emprego de pianista na opera da cidade.

No mesmo ano que o carro da família se afastava deixando um único morador na casa amarela, e já desbotada pela falta de cuidado, eu nasci. Uma menina pequena e rosada com olhos castanhos e cabelos pretos. Meu nome: Karin Kurosaki. Minha idade:13 anos. Meu Hobby: Tirar fotos e pintar.

Mas essa historia não é só sobre mim. É sobre o que aconteceu depois que eu morri. É sobre o que aquele homem, daquela casa no fim da rua fez, sobre como as pessoas convivem e vivem depois do choque de perder alguém tão jovem e inocente.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.