Amaranto Negro

11 Um epitáfio para os bons sonhos


Levi’s mind

Dizem que o único problema do sono profundo é que ele se assemelha com a morte. Na minha opinião, o que se assemelha com a morte são os meus sonhos conturbados e os fantasmas que continuam vagando por eles. Não o sono profundo. Se meu sono fosse profundo tal que eu não me lembrasse de nada ao acordar, seria eternamente grato. Mas nunca é assim.

Sonhar é o obstáculo. Meus sonhos não me trazem paz, na realidade, por que o conceito de tal coisa seria relacionado a descanso e paz? Francamente, em todas as formas, magnitudes, significados, interpretações e suposições, sonhar é perturbador. É perturbador para caralho. Eu nunca gostei de sonhar. E ali estava eu, preso no magnetismo insuperável do sono, sendo dolorosamente arrastado para o outro plano.

Dividido entre o físico e o pensamento. Uma dor palpável e extinguível. Imagens involuntárias, te perseguindo, te consumindo. Um desespero sem fundo lógico, uma escada que apenas desce, sem fim. Apenas o escuro te espera lá embaixo. O escuro e você mesmo.

Porque não há para onde correr quando você corre de si mesmo.

Não há sarcasmo, piada ou álcool que te liberte. Você é o seu inimigo, e você não é você. Pois você é a verdade, é a mentira, é o conforto e o perigo. Você se odeia, se ama, se destrói e prevalece.

“Quem é o verdadeiro monstro?”

Do escuro, uma mão. Pálida, magérrima, as unhas bem feitas e pintadas em tom bege. Depois o bracinho desnutrido, uma manga branca e desgastada pelo tempo. Até que, enfim, surge a menina dos cachos loiros — cinzentos, quebradiços —, do rosto lindo e dos olhos verdes quase amarelos. Os olhos que eu vira em mais de uma pessoa na mesma vida.

Ela não diz nada. Não porque não quer, mas porque não existe. É claro. Ela não existe.

Nos grandes olhos se formam lágrimas, algo muito poderoso a arrasta novamente para a escuridão, para o fim da escada sem fim. A força é tanta que a pele se desgruda de sua carne e a carne de seus ossos. Músculo por músculo sendo sugado, os ossos se desestabilizando e esfarelando.

E ela se vai.

Mas é óbvio que antes do tormento me abandonar, uma memória tem que voltar a latejar no sonho.

Lábios secos se mexendo atrás de grades. E o sussurro deixado pela linda garota meio morta:

— É tudo culpa sua.

NÃO!

Assim que dei por mim, idealizei que minha garganta ardia e arranhava com o grito. Que eu estava suado e com frio. Que tudo ainda estava escuro e o termostato da minha casa estava desligado. Que era outubro e que se eu não ligasse logo aquela porra eu morreria de hipotermia. Minha respiração até condensava a minha frente. Um arrepio subiu pela minha espinha quando levantei.

O chão não era frio, aliás, parecia pegar fogo em contato com meus pés gélidos. Senti nojo assim que percebi a marca de suor deixada por mim na cama. Mas eu não tinha escolha, congelaria antes de chegar ao andar de baixo se não fosse envolto no cobertor — mesmo suado. Eu estava com febre?

Eu era como um esquimó descendo as escadas de vidro. Parei em frente ao termostato e o ajustei para 23°C. Quando minha casa finalmente começou a entrar em processo de aquecimento, percebi que, estranhamente, as luzes da cozinha estavam acesas. Entrei no cômodo quase que já sabendo o que esperar. Vi Eren sentado na mesa, sendo que de costas para mim, completamente imóvel. Parecia até que ele não tinha sombra e que o tempo não passava ao seu redor. Aliás, sua posição estava dura demais, robotizada demais, mas decidi ignorar. Ou tentar.

— É assustador se você ficar sentado aí... — perdi o ar por conta do frio. — Sabe, parece um stalker pervertido ou... Algo assim.

Ele não se mexeu. Sequer olhou para trás, mantendo a posição impecável. Desespero. Eu não deveria me aproximar, mas o fiz. O fiz porque estava tão assustado que chegava à insanidade. Aquele estado do medo onde você quer encarar tudo de frente para saber exatamente o que você teme. E você já está num nível de desespero que não pode ser ultrapassado, por pior que seja o que está a sua frente. É como um ponto de compensação luminosa.

— Eren, — tremi um pouco a voz ao falar — por favor...

Finalmente ele virou na minha direção. Como uma máquina, ou talvez uma pessoa sem alma e consciência, os movimentos duros e repentinos exibiram o seu rosto... Não, o rosto daquela coisa.

Prendi o ar.

Parecia que meus pulmões haviam congelado.

— Eren.

A criatura dos olhos negros e das grandes presas avançou em mim, me agarrou com aquelas mãos absurdamente frias — ainda mais que minha pele já gélida — e enterrou-se no meu pescoço. Dessa vez, em vez do grito, minha voz foi sussurrada:

Por favor, Eren. Pare. Por favor.

Esperei a dor horrenda vir. Esperei pela onda de terror e desespero chegar. Esperei pela decepção, a desilusão, o realismo me fazer desistir de lutar.

Mas nada veio.

Tossi, não estava mais tão frio. Abri os olhos e novamente estava na minha cama, dessa vez, era manhã. Sem criaturas assustadoras, sem menininhas esqueléticas. O cobertor estava no chão, o espaço ao meu lado bagunçado. Talvez o motivo de tanto frio durante a noite fosse Eren ter dormido ali. Aquele cretino, nem para me avisar que passaria a noite. Meu pescoço e meu coração doíam ao pensar nele me devorando. De fato, havia um sentido na palavra devorar que não o sexual. Decepcionante.

Respirei fundo e sentei na cama, demorando um pouco para me acostumar com a calmaria do ambiente. Era estranho sair do desespero para aquela sensação de que as correntes do tempo passavam com leveza. Era como ser socado pela vida, e depois ela simplesmente retornar para, com delicadeza, acariciar o meu rosto e fingir que é minha mãe — gente de exatas fazendo metáforas... Difícil.

Passei as mãos pelos meus cabelos, sentindo os fios secos, e não úmidos como no sonho anterior. Mais uma vez, respirei vagarosamente, aliviado, dizendo para mim mesmo que eu não era uma criança idiota para estar assustado com pesadelos.

Estiquei meus lábios num sorriso esquisito, isso apenas pra sentir minha pele ressecada se rompendo e sangrando. Era uma mania idiota, mas eu gostava.

Senti a corrente de ar a minha direita ser cortada, e logo lábios frios beijaram a minha bochecha.

— Bom dia — disse Eren. O Eren do bem, de Deus, com fé em Jesus Cristo e as presas nervosas comportadas dentro da boca. — Fiz chá e biscoitos.

— Você veio me atormentar logo pela manhã, peste?

— Você finge que está com raiva e eu finjo que acredito, pode ser?

— Eu te daria uma boa resposta — levantei-me — se não tivesse acabado de acordar.

— Aham — seus braços me envolviam por trás. — Seu chá vai esfriar. Ande rápido.

Abri a boca para responder, mas ele não estava mais lá. Quer dizer, ele sequer estava no quarto.

Suspirei sonoramente e fui ao banheiro. Estava concentrado colocando pasta na escova de dente e abrindo a torneira, e então olhei para cima, para o espelho, derrubando o que tinha em mãos. Digo, derrubando pelo susto.

Havia... Uma pessoa atrás de mim.

Não era Eren, nem a minha visão borrada duplicando o meu próprio corpo. Era um homem de roupas antigas, desgastadas, e óculos também de modelo antigo. Inconfundivelmente, um vampiro.

— EREN — gritei. — EREN!

De costas, dei um passo em direção à porta, e a única coisa que o homem fez foi me acompanhar com o movimento da cabeça. Quando instintivamente olhei para Eren correndo na minha direção e depois retornei o olhar para o homem, ele havia desaparecido.

Estreitei os olhos, forçando-me a manter a respiração e os batimentos constantes. Senti a raiva queimar na minha nuca, e fui até o vidro embaçado do chuveiro, abrindo-o com força. Também não havia nada ali dentro. Fui até o quarto. Vasculhei atrás e debaixo da cama, no closet e na escadaria que dava para fora do meu quarto. Nada. Grunhi, ignorando as perguntas de Eren, e fui até a parede de vidro do meu quarto. Nenhum sinal de vida do lado de fora. Retornei ao banheiro, não sabendo o que fazer. De frente para o chuveiro, parei um pouco. Girei sobre os calcanhares.

Eu tinha que descontar minha raiva em alguém.

— O que significa isso? — esbravejei. Quando Eren me olhou desentendido, agarrei a sua camisa e o puxei — EU PERGUNTEI O QUE ISSO SIGNIFICA, PORRA.

— Eu não sei do que está falando! — exclamou. — Você está bem? — colocou uma mão na minha testa.

O larguei, com raiva, e voltei minha atenção para a escova e a pasta esquecida na pia cuja torneira ainda estava aberta.

— Fique aqui até eu terminar — murmurei.

— O que foi isso? — indagou impaciente, cruzando os braços e se apoiando na parede atrás de mim.

— Pensei ter visto algo. Acho que ainda estou sonhando.

De repente, ele tomou uma postura tensa.

— O que você viu?

— Um homem. Um cara muito do seu estranho.

— Como ele era?

— Terno antigo, de mil oitocentos e blau, óculos... — pensando na imagem do homem, seu rosto passava e passava na minha mente. Analisando pela memória, acabei tendo a impressão de que sua expressão era muito triste ou muito entediada. Melhor; uma mistura dos dois. Por mais que a boca estivesse repuxada para baixo, em melancolia, os olhos eram sem expressão. Olhos mortos. — Eu... Eu acho eu ele era um vampiro. Aqueles olhos...

— Puta merda.

— Eita pleura, a porra ficou séria — coloquei a mão no seu ombro. — Não faça nada quanto a isso. Eu não preciso de mais do que você ao meu lado.

Ele me encarou incrédulo por um instante.

— Você é bipolar?

— Como descobriu? — dei um pequeno sorriso mais uma vez e prossegui bem baixinho, sem olhar nos seus olhos. — Apenas... Continue ao meu lado. Sempre.

Eren negou com a cabeça. Tentou sorrir, mas dava para ver o quanto estava preocupado.

— Seu chá já deve estar frio — comentou, me abraçando vagarosamente.

— Eu também gosto... De coisas frias.

“Como o seu toque” pensei em dizer. Mas desisti assim que pensei demais nessas palavras

Eren’s mind

Levi foi para o trabalho e eu imediatamente corri pelas áreas rurais para uma cidade no estado ao lado, chegando lá depois de duas horas. Se fosse de carro, demoraria umas cinco horas. Lá residia outra organização, sendo que ela era de registro, não de exterminação como a nossa.

Eu precisava admitir: os ares de lá eram muito mais calmos. Tinha uma seriedade maior, mas não era tão... Pesado. Na “Asas da Liberdade”, era como se a morte o tempo todo nos cobrisse com uma névoa, e oprimisse com sua escuridão infinita.

— Bom dia — falei na recepção da biblioteca.

— Bom dia — a moça de lá estreitou os olhos. Os dela também eram dourados.

— O corvo preto sorri.

— Três batidas ao amanhecer.

— E uma ao anoitecer.

— Acompanhe-me, por gentileza — sorriu de canto.

Ela levantou. Por um momento, o movimento de seus longos cabelos cacheados me distraiu. Logo estávamos nos fundos, onde havia uma porta preta trancada. Ela a destrancou com uma chave grafite e sinalizou para que eu entrasse. Ali estava: toda a coletânea de textos, livros, artigos, ou qualquer outra coisa do gênero, escritos a respeito da história do mundo sobrenatural.

Era enorme. Não, enorme era o pau do Levi, aquele lugar era gigantesco.

Esse seria o tipo de comparação que Levi faria... Ó Deus, por que deixaste que aquele pequeno homem me contagiasse?

Com o uso de magia, aquele lugar todo ficava dentro de uma pequena dispensa da biblioteca pública da cidade. Se eu quisesse chegar a tempo de pegar Levi no trabalho e aparentar tudo bem, eu teria no máximo uma hora para achar o que queria.

— Como posso ajudar? — disse a guardiã daquele portal.

A biblioteca do nosso mundo tem acesso em portais. O mais próximo sem me utilizar de algum mago, era a daquela cidade. Sendo que havia inúmeros portais espalhados pelo mundo, cada um guardado por uma criatura diferente. Trisha era um demônio de classe cinco. As organizações de registro normalmente ocupavam escritórios de fachada, e sempre estavam escrevendo qualquer coisa que estivesse acontecendo com algum de nós. Resumindo, muito trabalho.

— Eu procuro arquivos que envolvam Grisha Jaeger.

— Entendido.

Ela me mostrou uma estante de generosos cinco metros de altura apenas reservada para arquivos envolvendo Grisha Jaeger.

— Obrigado, agora eu fico por minha conta.

— Entendido. Chame-me quando precisar que eu desbloqueie a saída. Com licença.

Por mais difícil que seja acreditar, eu não me lembrava do meu pai. Não havia uma imagem para relacionar a “Grisha” e muito menos a “pai”. Minhas memórias humanas eram embaçadas e confusas, e apenas podia sentir uma leve apreensão ao pensar naquela figura que era para ser paterna. Desde que me tornara vampiro, ele apenas aparecera uma vez, e me fizera o favor de me roubar essa lembrança.

Sobre a aparição que havia ocorrido na casa de Levi mais cedo, eu sabia que existiam habilidades que ocultavam a presença de uma pessoa. Por isso havia a possibilidade de alguém ter entrado e eu não ter sentido. Alguém que podia conceder essa habilidade a alguém, por exemplo, era Carla.

Era estranho, mas todas as vezes que me referia a Grisha, eu pensava nele como “papai”, como se eu fosse uma criança. Talvez, no final das contas, eu ainda guardasse algum carinho por ele.

Comecei pegando o primeiro livro das dezenas. Logo na capa, havia uma foto dele. É, talvez algum dia tivesse sido aquilo, mas agora no lugar de seu rosto apenas havia uma mancha preta, insípida e inodora. Respirei fundo foleando o que tinha em mãos.

— Mas que porra... Está tudo em branco?!

— Desculpe, Eren — ouvi alguém falar atrás de mim. Não virei a tempo de ver o rosto antes de minha visão escurecer. — De verdade, eu sinto muito.

***

Um passo. Eu não tenho pulso. Duas batidas. Eu não sei onde estou. Três corvos grasnando. Minha visão está borrada. Quatro manchas de sangue. Nem sinto o meu corpo.

Cinco cadáveres. Eu ainda estou com fome.

Respirei de repente, como se recuperasse todo o fôlego da minha vida. Não que isso fosse necessário para mim. Olhei em volta, os olhos arregalados, a cabeça atordoada. Ninguém. Alguém abriu uma porta bem a minha frente, mas, por algum motivo, o rosto dessa pessoa continuava oculto por algo negro além da minha visão já borrada.

— Eren, vai ficar tudo bem — disse a voz masculina, grave.

Eu tentei avançar em sua direção, mas meus pulsos e tornozelos estavam presos por alguma coisa. Senti lágrimas escorrerem de meus olhos.

— Por que, pai? Por que eu não posso te ver?

Surpreendi-me por saber que aquele era meu pai.

— É perigoso o que ela fará com você se você tiver alguma notícia de mim — murmurou bem perto do meu ouvido. — Isso só vai doer muito. Se prepare.

Depois disso, tudo que senti, vi e ouvi foi agonia. Como se todos os ossos do meu corpo repentinamente quisessem romper a minha pele. Como se minhas unhas fossem arrancadas e meus dentes trincassem, um por um.

E então, apaguei.

***

Aquilo já estava me cansando. Agora eu estava no meio do nada, parado em frente a uma estrada. E o pior era que eu sequer havia acordado, simplesmente recobrei a consciência de pé e com o braço estendido, pedindo para os veículos que passavam pararem.

Finalmente um carro parou. Dentro dele, uma senhora de idade ao volante e uma criança no banco do passageiro.

— Pois não, meu filho.

— A senhora sabe pra que lado fica a cidade Delta? — minha voz pareceu estranha aos meus ouvidos.

— É nessa direção — apontou em frente. — Estou indo para lá agora. Gostaria de uma carona?

— Hm, a quantos quilômetros estamos de lá?

— Uns trinta ou quarenta.

Pensei mais um pouco. Sorri.

— Aceitarei a carona.

O garotinho no banco me encarou feio, mas eu entrei mesmo assim. Minha mente ainda divagava e se distraía facilmente em meio àquela situação. Ainda consegui organizar meus pensamentos para perguntar algo:

— Desculpe, que horas são?

— Seis horas da manhã.

Gelei. Quando cheguei à biblioteca, eram nove horas.

— A senhora sabe que dia é hoje?

— Vinte de outubro, por quê?

Vinte de outubro.

Duas semanas e um dia depois de quando parti para a biblioteca.

Levi.

Levi tinha que estar bem. Eu havia desaparecido por todo esse tempo. Não tinha ideia nem de onde eu estivera, que dirá outra pessoa! E se alguém tivesse me afastado apenas com o propósito de machuca-lo? E se aquilo fosse obra de Erwin? E se ele estivesse morto?

Meu estado distraído se esvaiu. Se eu tivesse batimento cardíaco, ele estaria a mil. Meu peito começou a doer muito mais do que já doía normalmente, e meus pensamentos assustadores me bombardeavam.

— Só tinha esquecido. Obrigado.

— Você é um jovenzinho muito estranho — ela sorriu.

Quinze minutos depois, eu estava agradecendo a carona e descendo em algum lugar perto do centro da cidade. Só então me lembrei de apalpar meus bolsos para conferir se meu celular e minha carteira ainda estavam lá. O celular estava sem bateria e a carteira intacta.

Enquanto fazia tudo isso, parte da minha consciência buscava respostas para todos os acontecimentos absurdos e repentinos. As ruas estavam engarrafadas demais, então corri — num ritmo normal — até a casa de Levi a pé mesmo.

Parei em frente a sua porta e senti sua presença. Estava forte, meio instável, violenta e perigosamente calma. Ainda assim, eu precisava vê-lo, senti-lo, para ter a certeza de que estava ali e cair de joelho agradecendo aos céus. Toquei a campainha quantas vezes a velocidade do movimento de repetição que meu dedo fazia me permitia.

Ele abriu a porta de supetão. Os olhos cheios de fúria e expectativa, as sobrancelhas mais franzidas que nunca.

Não dei oportunidade para que falasse. O abracei com cuidado para não quebra-lo, mas ainda usando um pouco de força demais. Fechei a porta com o pé e enterrei meu rosto em seu pescoço, inalando profundamente o seu cheiro e a sua essência. Eu poderia chorar. Eu poderia chorar de tanto alívio. Ele estava ali e não importava se algo havia acontecido, ele estava bem. Por deus, ele estava bem.

— Eu te amo — murmurei, minha voz falhando pela dor de ter pensado que o perdera. — Por favor, diga que está bem — supliquei.

— Eren, voc...

Diga que está bem! — acabei alterando meu tom de voz.

Ele levantou uma sobrancelha.

— Quer saber? Não, eu não estou.