PRÓLOGO

Era uma vez... em uma outra vida, em um outro mundo, quando o tempo era contado de outra forma e os seres viviam em harmonia, quando o mundo estava recém criado e não haviam lutas no horizonte, quando não fazia diferença de que raça você era, porque você estava vivo.

Vivo, vivo, vivo — era o que importava.

Mas ela não se sentia muito viva.

Houve um tempo, que ela tinha um nome.

Houve um tempo, que ela era vista.

Houve um tempo, que não ter nenhuma dessas coisas, era o que ela queria.

Foi há muito tempo.

Agora, tudo que ela queria... Ela não sabia.

Talvez quisesse ser amada, talvez quisesse ser vista, talvez o que quisesse fosse algo completamente diferente.

Era uma vez uma princesa, no alto de uma torre, que não era uma torre.

Era uma vez uma maldição.

Era vez uma bruxa.

Era uma vez sua liberdade.

Era uma vez uma profecia.

Era uma vez uma tragédia.

Era uma vez uma garota que estava à vista de todos, que era constantemente vítima de olhares maldosos e sussurros traiçoeiros, que sempre ouvia como ela seria uma traidora da sua raça, de como ela traria escuridão e seria o desafortuno de todos.

Era uma vez ela.

Eles lançaram uma maldição.

Eles disseram que ela nunca sairia dali, que ela sempre estaria presa e nunca seria ouvida, que ela não iria encantar ninguém com sua voz, com a melodia que era capaz de produzir com qualquer coisa que tocasse e trazer desgraçar a todos, que uma vida por milhares era justo, era pelo bem maior, era... certo.

Não era.

Era uma vez uma maldição.

E era uma vez uma bruxa que lhe deu sua liberdade.

Mas que, em troca, tomou o seu nome.

E suas lembranças — de quem ela era e deveria ser e...

—Nomes têm poder — explicou a garota na sua frente, que seria rainha, mas que agora era apenas uma garota, uma não tão simples ou humilde garota, mas ainda sim uma. — E, se você não tiver um nome, não existirá maldição, não existirá profecias, não existirá...

—Escuridão? — perguntou ela, apenas ela, agora ela, esperançosa.

—É claro que existirá — disse a garota a sua frente, seus lábios zombando enquanto os olhos eram suaves. — A Escuridão existe enquanto a Luz existir e Ela existirá até quando não houver Luz. Mas, sem um nome, você terá o que quer, o que deseja... você não será mais quem é. Você não se lembrará da profecia e profecias só se cumprem quando alguém se lembra delas.

—E o que você terá?

A garota queria algo, ela tinha certeza. Bruxas sempre queriam algo.

—Eu terei o seu nome.

Ela considerou.

Ela ainda tinha um nome... um nome que ninguém usava, que nem se quer lembrava-se mais, mas ela tinha um.

E...

Do que adiantava?

Um nome por uma vida?

Era justo.

Uma promessa justa.

—É uma promessa — disse a garota. — Você não pode ter um nome. Promessas não podem ser quebradas.

—O que acontece quando elas são?

A garota sorriu, a amaldiçoou, a abençoou, a fez prometer:

— Vamos torcer para não descobrir.

Ela tinha um nome.

Uma vez.

Em algum momento.

Provavelmente.

Mas, era uma vez, e agora não era mais.

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