PARTE TRÊS

Ela balançou seus pés, inclinando a cabeça para o som que flutuava ao seu redor, cantarolando no ritmo antes que percebesse. Não que ela se importasse, aquilo era música e ela amava.

Ela amava o ritmo, a melodia, as notas dançando ao seu redor.

Ela amava não estar sozinha, mesmo que esse alguém não fosse alguém, mas um algo; mesmo que esse algo não a conhecesse ou ela a ele, porque ela não estava sozinha.

E ela não podia pensar.

Ela não podia pensar em nada, em tudo, nela.

Nela.

Nela.

Sozinha.

Para toda a eternidade.

Presa no alto de uma torre. Que não era uma torre.

Escondida de todos. Só que ela não estava.

Vendo. Mas não ouvindo.

Cantando. Mas não se escutando.

Morta. Viva.

Viva. Morta.

Amaldiçoada.

Quem era ela?

A pergunta certa não era essa, não existiam perguntas certas e se existisse essa certamente não seria.

Quem era ela?

Fraca. Medrosa. Sozinha.

Quem era ela?

—Quem é você? – perguntou uma voz que não era sua, que não estava em sua cabeça, que realmente queria saber.

Ela sorriu, cantarolando em animação, quando tudo que mais queria era desaparecer – ela queria, ela podia, mas ela não iria, porque era uma mentira e ela não queria.

Ela queria ser vista, ouvida, sentida.

Amada.

Mentira, sussurrou sua consciência.

—Quem sou eu? — questionou ela mais alto, balançando-se ao vento como se fosse um pedaço de grama viva. Viva. Era uma piada. — Quem é você? — retrucou, virando de ponta a cabeça, deixando que seu cabelo fosse a grama viva enquanto seu corpo era terra morta.

—Eu perguntei primeiro.

—Perguntou? — questionou, genuinamente.

—Sim — assentiu ele.

—Eu sou uma catsidht.

—Eu não perguntei isso. Eu perguntei quem você é e não o que. Quem você é? – repetiu ele.

—Ah — disse ela, surpresa. — Eu não sei. E você?

—Estou tentando descobrir.

—Eu posso ir junto?

Ele sorriu e ela sentiu algo batendo pela primeira vez, ela sentiu-se... menos só, mais viva.

—Claro.

Foi patético.

Era algo que estava enterrado profundamente em suas memórias, perdido tão longe que tudo que Star queria era esquecer.

Era sua melhor lembrança.

Sua melhor vida.

Sua primeira vida.

—Ah. — Ele sentou-se no chão, as folhas das árvores balançando ao redor deles, a madeira da fogueira crepitando, aquecendo-os, encarando-a abertamente, observando-a atentamente.

Ela nunca foi olhada de tão forma.

Ela nunca foi olhada, vista; ninguém nunca se importou com ela.

—Eu não perguntei o seu nome antes — disse ele. — Ou disse o meu. Eu sou Henry — apresentou-se. — E você?

—Henry — suspirou ela, quase inaudível.

Ela saboreou a palavra.

Henry, ela gostava disso.

Henry era o nome dele.

Henry.

E era ele.

Vivo.

Vivo, vivo, vivo.

Os olhos dela cresceram, saltaram da sua órbita, e mesmo com tanta luz entrando, vendo ele, ele, ele, ela não podia acreditar.

A Rainha sorriu para ela.

—Deixe eu apresentá-los. Esse é o meu guarda costas pessoal, capitão da tropa dos Fey, 8ª cadeira dos Zodíacos, Henry.

Henry a encarava, absorto em pensamentos, distante, perto, perdido. Quando a Rainha falou, ele virou-se para Sua Majestade, esquecendo-a, completamente focado nas palavras reais, mas ela podia dizer que ele prestava atenção nela, assim como ela prestava nele.

Seus olhos voltavam para os dele, seu corpo atraiam-se um para o outro.

Ela queria correr.

Para longe.

Para perto.

Agora.

A Rainha esticou a mão e segurou o ombro dela, um sinal de que estava ali.... e que ela não iria fugir.

Fugir, fugir, fugir — eles precisavam fugir.

Eles estavam cercados.

Eles estavam pertos.

Eles estavam perdidos.

Correr, correr, correr — eles precisavam correr.

Eles ainda não haviam sido pego.

Eles ainda podiam escapar.

Eles ainda tinham chance de serem encontrados.

—Você está amaldiçoada, por assim dizer — disse a Rainha antes que o chamasse. — Mas sua maldição não é essa que você pensa. Encontrá-lo e reencontrá-lo repetidas vezes é sua salvação.

—Salvação? — repetiu Star, cética. — O que isso tem de salvação?!

—Você estava condenada a viver para sempre.

—Eu sei muito bem a que estou condenada — retrucou ela. — Eu sou aquela que viveu e re-viveu mais vezes do que se podia, sempre vendo-o, apaixonado-se, perdendo-o. Não venha me dizer que essa não é a minha maldição.

—Essa não é a sua maldição — disse a Rainha, sorrindo provocativa para ela.

Star queria pular na sua garganta, rasgá-la em pedaços, balançá-la até que o juízo entrasse nela e que ela entendesse que, com algumas coisas, mesmo que você seja uma rainha, mesmo que seja a Rainha Fada, não se brinca.

Aquela era uma delas.

Aquela era sua vida.

Não se brinca com vidas.

—Sua maldição — disse a Rainha — é viver para sempre.

—Oh, e ele seria meu passatempo? — zombou Star.

—Ele seria sua salvação.

—Eu não tenho um nome — confessou ela.

—É claro que você tem um nome. — Ele riu e então... — Oh — percebeu a forma como ela recuou. — Desculpe, eu não...

—Tudo bem. — Ela sorriu. Parecia forçado. — Eu nunca precisei de um antes.

Henry alcançou sua mão, colocando a dele em cima, repousando-a com cuidado, apenas tocando-a levemente, receando quebrá-la.

—Sinto muito — sussurrou, temendo quebrar o fino encanto naquele momento, temendo se quebrar, temendo ver tudo se desfazer.

—Tudo bem — repetiu ela.

—Você precisa de um nome — anunciou, conforme se deitava e olhava para as estrelas que os iluminava.

Henry não queria olhá-la, não era forte o bastante para ver seus olhos doloridos e solitários, apagados. Tão sem esperanças.

—Não – começou ela.

—Você precisa de um agora — interrompeu ele. — Eu quero que você tenha um nome. Eu quero te chamar por ele. Você precisa de um.

—Rápido — sussurrou Áries. — O que vocês está fazendo aí, parada? Corra!

Star não tinha mais força, não tinha mais energia, não tinha mais esperanças.

Correr? Correr para onde?

—Star — chamou Áries, urgente. – Não temos tempo.

—Eu não consigo — sussurrou ela, tremendo. — Eu não consigo.

—Você consegue. — Áries a pegou pelos ombros, as unhas dela cravando em sua pele, colocando-a em pé. — Você tem que conseguir.

—Eu não sou você! — gritou Star. — Eu não sou uma Fey que nem você! Eu apenas sou... Eu não sou... Deve ter sido um engano. — Ela piscou rapidamente, tentando parar de chorar e sentindo apenas as lágrimas deslizando pelas suas bochechas, pingando no seu queixo. — Você escolheu a pessoa errada.

—Do que você gosta? – ele perguntou.

Ela sorriu.

—De você.

Patético.

Ele gemeu, jogando o braço acima dos olhos, incapaz de ver algo além da escuridão, mas sentindo ainda mais a mão dela na sua.

—Você é tão fofa — murmurou ele. — Como você pode ser tão fofa?

Ela riu, sentindo as bochechas quentes e a percepção do que disse. O sentimento de coragem dando lugar à vergonha. Como ela pode ter dito algo assim?

—Cassiopéia — sussurrou ele repentinamente para si, porque a primeira estrela que viu ao abrir os olhos, a primeira constelação, sua primeira paixão... — Cassiopéia.

—O que?

—Seu nome — respondeu ele, virando-se para ela. — Cassiopéia. Isso é... se você gostar...

—Cassiopéia — repetiu ela. — Eu gosto.

Cassiopéia. Era um nome bonito, elegante, completo.

—Agora precisamos de um apelido. Todo mundo precisa de um apelido.

—Qual é o seu apelido? — questionou Cassiopéia. Ela gostava desse nome, de encher a boca para falar, de se sentir completar ao dizê-lo. Cassiopéia.

—Não precisamos falar sobre isso — murmurou ele. — Não é importante. Você é importante. Agora. Digo. Não, não só agora. Mas o que importa especialmente agora é você e não um apelido idiota. Não que eu ache que o seu apelido vai ser...

Cassiopéia riu.

—Está tudo bem — disse novamente, mais uma vez, sorrindo verdadeiramente. Pela primeira vez.

—Cassiopéia é uma estrela — apontou Henry. — Aquela ali. É uma mulher sentada de cabeça para baixo num trono, amaldi... talvez essa não seja a melhor história. Ou nome para você. Podemos escolher outro.

—Eu gosto de Cassiopéia — disse ela. Aquele nome era seu, ela sentia, e ela não o daria a ninguém, nunca.

—Ela é a mais bonita — anunciou Henry, quase que num pedido de desculpa, olhando para ela, Cassiopéia em carne e ossos e sangue quente por todo seu corpo, especialmente em suas bochechas. Ela podia ouvir o "como você" não dito. (Ela queria ter ouvido.) — É por isso que foi amaldiçoada. Cassiopéia. A estrela — apontou para cima, para o alto, ainda olhando para ela. – Não vo... Estrela — repetiu. — Seu apelido podia ser Star.

—Eu escolhi a pessoa certa — anunciou Áries, os olhos pegando fogo, os olhos sendo água derretida. Azul. Gelado. Quente.

—Você errou — Star forçou-se a dizer.

—Eu não erro — retrucou a primeira Zodíaca. — Você é Star. Você é Cassiopéia. Você é Peixes. Agora, levante-se, vamos.

—Ele morreu — sussurrou ela, tremendo. — Henry morreu.

—Eu sei — disse Áries, mais suavemente, seus olhos amolecendo e suas expressões entristecendo. Ela entendia aquela dor. — E, se você ficar aí, você também vai. Chore por ele viva, não deixe que sua morte, seu sacrifício, seja em vão.

—Você?

A Rainha revirou os olhos.

—Tecnicamente. Não é como se eu fosse você. E vivesse para sempre. Ou não fosse Áries. É difícil de explicar.

—Tente. — Star rangeu os dentes.

—Eu... hum, bem, eu te salvei.

—Não estou me sentindo salva — murmurou ela, mal humorada.

—É? — A Rainha levantou os olhos, a irritação transbordando nos seus olhos, sua altivez voltado e suas costas ficando ereta.

Ela era uma rainha, Star tentava se convencer.

Ela era uma rainha, mesmo que parecesse uma plebéia, mesmo que se comportasse como qualquer uma.

Ela era uma rainha, Star finamente percebeu.

Ser rainha era mais do que costas eretas e espadas afiadas, ameaças para todo lado e dores e sofrimentos — ser uma rainha era algo que não se podia descrever... até ver. Era curvar-se e não quebrar, era quebrar e se reparar, era ser reparada e ainda se lembrar de quando quebrou.

Ela era uma rainha.

E não qualquer uma.

—Então é bom que comece. Lembre-se, Star — zombou a Rainha — eu posso não ser sua rainha, mas você está no meu reino e no meu castelo e nos meus domínios, tenha cuidado com sua língua e eu terei com a minha espada.

Star engoliu em seco, porque era uma medrosa e porque essa era a razão de que, não importava quantas vidas tivesse, em quantos mundos se visse, qual fosse sua idade ao somar tudo, ela nunca poderia ser uma rainha. Havia coisas que se nascia com, algumas que podia conseguir e outras que nunca se teria — ela nunca teria a capacidade de ser uma rainha, de comandar, de fazer todos tremer com palavras.

—Desc...

—Eu não preciso de desculpas vazias — interrompeu a Rainha. — O que eu estou querendo dizer é que sua maldição não é Henry. Ele é a sua salvação.

—Sinto muito — sussurrou Áries, passando a mão suavemente em sua bochecha, tocando a testa dela com a sua. — Eu não queria que isso acontecesse.

—Você... viu? — tossiu Star, sentindo o gosto de sangue. — Você sabia que isso iria acontecer – percebeu.

Você sabia que eu iria morrer.

Você sabia que ele morreria.

—Sinto muito — repetiu Áries.

—Está tudo bem. — Star fechou os olhos. — Ao menos vou poder vê-lo. Ao menos estarei com ele. — Ela suspirou. — Ao menos A Escuridão foi detida.

—Por enquanto — murmurou Áries.

—O que? — Star arregalou os olhos, arquejando ao sentir a ferida doer ainda mais e o fôlego sair dos seus pulmões.

Tudo ardia, ela ardia, o mundo ardia. Mas ele não estava mais na escuridão e o fogo iria apagar, a vida iria recomeçar, e A Escuridão estava detida.

Por enquanto.

Star ouviu o eco nos seus ouvidos.

Por enquanto.

—Por enquanto? — ecoou ela, rouca.

—Ela vai voltar, Star. Ela não pode ficar presa. Enquanto existir Luz, existe Escuridão. E, enquanto os Zodíacos existirem, ela será detida.

—Você iria morrer — disse a Rainha.

—É, eu iria — concordou Star. — O ciclo da vida e toda essa baboseira.

—Você iria morrer — repetiu ela. — E você iria viver e morrer e morrer e viver para toda a eternidade, até que a Escuridão voltasse.

—Você disse que eu não tinha relação com...

—E você iria ficar louca — terminou a Rainha, ignorando-a. Star precisava entender, precisar ouvir, precisava ouvi-la. — Sem Henry. Sem ninguém que a entendesse. Você iria ficar louca e sem ninguém.

—Você o condenou ao mesmo destino que o meu — disse Star. — Como você pode?

—Ele teria pedido. Ele teria se oferecido. Ele não te deixaria sozinha.

—Por que você fez isso?

—Você iria ficar louca – lembrou a Rainha.

—Eu estou louca! – gritou Star.

—Você ia ficar ainda mais – murmurou, revirando os olhos para si. — Porque precisamos de você no seu juízo. Porque A Escuridão está voltando e quando esse momento estivesse chegando, iríamos precisar de Henry também. Ele é um dos Zodíacos, Star. Assim como você. Foi a única forma que consegui pensar... amarrar suas vidas juntas, forçá-lo ao mesmo destino que o seu. Ele também era importante para mim – confessou a Rainha. Star viu suas lágrimas e sentiu sua dor. – E me pediu isso.

—Você precisa me deixar — sussurrou Henry, seu tom urgente. — Agora. Você tem que ir e não olhar para trás.

—Eu não vou — recusou Star, rastejando para o seu lado, embalando-o em seus braços. — Eu não vou te deixar, eu não vou te abandonar. – Ela balançou a cabeça, suas lágrimas caindo no rosto dele.

—Você precisa – disse Henry suavemente, levantando a mão trêmula e limpando os olhos dela.

Star baixou a cabeça, ouvindo a mesma melodia que ouviu na primeira vez o viu, a mesma melodia que ele cantava.

Que seu coração tinha dificuldades de tocar naquele momento.

Ela o amava.

E ele estava morrendo.

—Faça algo, por favor – pediu, levantando a cabeça para a terceira pessoa ali, para a primeira Zodíaca. – Você pode fazer algo.

—Julie – pediu Henry. – Por favor. Faça.

Áries assentiu, baixando a cabeça solenemente, suas mãos cruzadas sobre a curvatura de seu cajado, que estava fincado entre seus pés. Ela fechou os olhos, considerando, pensando... havia algo a se fazer? Não, ela tinha tentando desde o começo – ela havia mudado umas coisas aqui e ali, mas, algumas coisas, estavam destinadas a acontecer.

(Se fosse agora, se fosse sua eu de agora, ela recusava-se a tê-lo deixado, ela arrependia-se de tê-lo deixado.)

(Nunca deixe que uma vida seja maior do que qualquer coisa, seu pai a fez prometer.)

—Foi uma honra tê-lo conhecido – disse Áries.

—O que você – começou Star, confusa, sentindo que havia algo errado, virando a cabeça e... ela não pode evitar, não pode correr, não pode fazer nada, porque, do nada, o cajado tocou sua testa e ela estava caindo, dormindo.

—Obrigado – agradeceu Henry, passando a mão no cabelo dela, beijando com suas poucas forças sua testa e dando finalmente adeus.

—Star?

—Sim? — Ela sorriu para ele.

Star.

Cassiopéia.

Para quem não tinha nomes, agora ela tinha um monte.

Para quem pensou que não valia nada, agora ela tinha tudo que podia pedir.

Para quem sempre esteve sozinha, agora ela tinha alguém.

—Eu também gosto de você — disse ele.

Ela tinha alguém.

Ela o beijou.

Ele a beijou.

Eles se encontraram no meio.

E as estrelas caíram.

Ela caiu.

Ele caiu.

—Você disse que iria doer — reclamou Star sem voz, sem fôlego, sem paz, assim que se afastou da Rainha depois de se lembrar... de tudo.

Ela estava amaldiçoada que nem Casssiopéia, ela amaldiçoou Henry ao mesmo destino que o seu.

—É, eu disse — assentiu a Rainha. — Mas eu não disse que tipo de dor. Está doendo, não está? Seu coração sangra e sua alma chora, não? Você sente-se completamente sem luz e totalmente escura, certo? Doeu ou não doeu?

Doía.

Doía, doía, doía, doía, ela estava viva.

Não mais.

Ela tinha feito uma promessa e agora se arrependia.

—Eu vou fazer uma promessa com você – ofereceu a Rainha. – Assuma sua cadeira, sua posição de antes nos Zodíacos, seu lugar nessa guerra, e eu prometo a você que a promessa feita com meu pai será esquecida.

—Você não pode quebrar promessas...

—Eu posso – disse ela. – Magia de sangue e tudo mais – descartou, acenando com a mão como se dissesse “não é importante”.

Não é importante, repetiu Star. E não era, não agora, não quando havia a possibilidade de sua promessa ser quebrada – Fey não podiam mentir.

—Tudo bem. – Star suspirou. – Eu aceito.

Levantando-se do trono, a Rainha caminhou até ela, um passo de cada vez, um degrau por momento, saindo do seu lugar entre os deuses e juntando-se aos mortais.

Perto de si, tão perto de si, que Star podia ver os olhos azuis. Quente. Gelado. Morno. Ela não sabia como dizer, explicar, olhos calorosos e gélidos, que a aquecia e mesmo assim a deixava com um pé atrás – eles eram Fey, essa era a resposta, tudo que precisava ser dito. Eles não a machucariam, não podiam, mas... você desejava que sim; eles podiam ter empatia por você e ainda desejar sua morte, ainda tramá-la sem colocar um dedo em cima.

A Rainha levantou o dedo mindinho e Star teve certeza que ela desejava sua morte. Dedo mindinho? Sério? Juramento do dedo mindinho? Dos amantes desafortunados? Não cumpra e tenha algo pior do que a morte, tipo, Star não sabia, quem sabe perde sua alma gêmea para sempre e sempre e...

—Star – chamou a Rainha. – Ainda aqui?

—Você tem uma alma gêmea? – questionou ela, repentinamente.

A Rainha olhou para baixo, seus ombros tremendo, seu corpo tremendo – e Star não sabia o que fazer. Ela tinha perdido-o quando era Áries? Era um assunto sensível? Trocada, traída no mundo dos humanos?

—Você está... rindo – percebeu Star, surpresa.

—Alma gêmea – zombou a Rainha, levantando a cabeça com um sorriso. – Eu não o chamaria disso.

—Ah... isso é... – Star olhou ao redor, procurando uma saída, mas estavam sozinhas.

—Quando isso acabar, eu o apresentarei. Agora – ela levantou o menor dedo novamente.

Star respirou fundo antes de entrelaçar o seu próprio dedo com o dela – era uma promessa... e nunca você sentia-se que estava fazendo uma promessa justa quando a fazia com um Fey.

—E, Star – a Rainha sorriu, não soltando seu dedo — essa será a última vez que você morrerá, essa será a última vida sua e a de Henry, eu prometo.

—Por que você está fazendo isso? – perguntou Star. – Parece meio injusto para mim. Você é uma Fey. E uma Fey nunca perde, nunca sai sem ganhar.

—Eu estou ganhando – discordou.

—O que?

A Rainha sorriu.

—Segredo.

—E essa é minha nova conselheira, a 12ª Zodíaca...

—Star — completou Henry num sussurro, não sentindo as palavras saindo da sua boca, sua língua se mexendo, seu coração batendo.

—Quem é você? – questionou a Rainha, embora já soubesse, querendo ouvir as palavras saindo da boca dela.

Palavras tinham poder.

Nomes podiam controlar.

E, se você desse o seu nome a alguém, ela o teria.

—Cassiopéia — terminou a Rainha. — Seu nome é Cassiopéia.

—Cassiopéia – respondeu Star, respondeu a 12ª Zodíaca, respondeu Peixes, respondeu Cassiopéia.