Amantes Secretos
7 Troca de Presentes Parte III
Notas iniciais
A guilda inteira ficou em silêncio quando Lucy anunciou o nome de Natsu e em seguida todos olharam para ele. Natsu por sua vez, sorriu largamente antes de pular até o palco, Lucy ao vê-lo abaixou a cabeça e estendeu o embrulho quando o rosado andou em sua direção, mas o dragon slayer a puxou pela mão antes de pegar o presente. Assim como Gajeel, ele agarrou a maga nos braços e pulou a multidão de magos que gritavam bravos com ele.
— Isso não vale Natsu! – Protestou Wakaba que estava ansioso para ver Natsu anunciar quem havia sorteado.
— Natsu!! – Exclamou Lisanna.
— Todos estão fugindo! – Mencionou Laki irritada.
— Não deixem ele escapar!! – Gritou o mestre.
Antes mesmo dos magos começarem a correr, Natsu já estava fora da guilda, correndo e rindo à custa dos amigos.
— Hahaha, vocês nunca vão nos pegar vivos!
— Por favor me peguem viva! – Lucy gritou e se segurou mais forte com medo de cair. — Me coloca no chão Natsu!
— Ainda não Luce, logo chegaremos.
— Chegaremos aonde?
— Você verá quando chegarmos.
(...)
Quando Lucy percebeu onde Natsu a levava, sentiu-se uma idiota por não ter percebido antes, ambos frequentavam aquele restaurante há anos desde que se conheceram, era geralmente ali que comemoravam datas importantes. Ela adorava aquele lugar, era calmo e aconchegante, a decoração e os móveis no estilo oriental, a comida além de ser deliciosa estava sempre em promoção.
— Vejo que acertei ao te trazer pra cá.
— Eu gosto muito daqui, lembra-se que foi neste restaurante que comemoramos nossa primeira missão juntos?
Ela sorriu ao adentrar no local, se surpreendeu ao ver a decoração natalina e luzes que piscavam indicando uma mesa solitária com uma placa escrito "reservado".
— Foi exatamente por isso que a trouxe aqui, perguntei ao Happy e ele disse que você iria gostar.
Lucy começou a indagar-se como Natsu tramara aquilo durante esse tempo e ela nem ao menos desconfiou.
— Você já destruiu esse lugar algumas vezes, não sei como ainda te deixam entrar.
— Sou um cliente VIP.
Natsu puxou a cadeira para Lucy sentar e se acomodou ao lado dela, em seguida o garçom veio até eles para anotar os pratos, ambos pediram costelas de boi ao molho agridoce, batatas fritas, macarrão, musse de chocolate e outras coisas que Natsu ditava para o garçom. Quando o rosado terminou seu pedido, o garçom suspirou e saiu rapidamente dali como sempre acontecia.
— Você planejou tudo isso sozinho?
— O Happy me ajudou. – Ele deu de ombros e apontou para um dos embrulhos nas mãos dela. — Agora pode abrir seu presente.
Lucy sem aguentar a curiosidade acabou abrindo o pacote e se deparou com uma chave em formato de dragão, confeccionada em madeira. Ela olhou confusa para Natsu, sendo uma maga estelar conhecia todas as chaves celestiais e aquela definitivamente não pertencia ao zodíaco, com certeza Natsu fora enganado por algum vendedor que lhe empurrou uma chave falsa.
— Natsu essa chave é...
Parou de falar quando viu o largo sorriso no rosto dele, e então começou a sorrir junto.
— Fui eu que fiz!
A maga estelar tentou conter algumas lágrimas que queriam escorrer de seus olhos, porém, logo as sentiu descer por sua face. Era um presente simples, mas ela jamais imaginou ganhar algo tão precioso, todas as suas chaves tinham um valor sentimental incalculável e aquela chave feita pelas mãos de Natsu seria amada para sempre.
O dragon slayer ao mesmo tempo que Lucy, levou as mãos até o rosto dela e juntos tocaram a pele avermelhada.
— Você está bem? – Ele recuou quando a viu enrubescer. — Por que começou a chorar? Não gostou do presente?
Lucy negou com a cabeça e tornou a sorrir, tranquilizando-o ao prender a chave junto as demais em seu chaveiro.
— Eu adorei, obrigada. – Ela se lembrou do presente que havia feito. — Também tenho uma coisa para te dar.
Foi então que Natsu recordou-se do amigo secreto e do anúncio que Lucy fizera pouco antes dele arrastá-la para fora da guilda.
— A caixa brilhou quando você me tirou? – Ele perguntou, cruzando as mãos atrás da cabeça para fingir que não se importava.
Lucy avermelhou-se e desviou o olhar, deixando Natsu curioso a respeito.
— E aí ela brilhou?
— Não! – Lucy mentiu, motivada pela vergonha. — Foi mera coincidência...
Natsu abaixou os olhos até as mãos dela, e estendeu a mão em sua direção para pegar o presente.
— Já adianto que não é algo caro ou...
— Não se preocupe Luce, eu sei que vou gostar.
Quando ela lhe entregou o presente ele o abriu sem cerimônias, retirou de dentro da caixa mediana uma espécie de caderno encapado com letras coloridas, escrito: “Nossas memórias”.
Curioso para saber do que se tratava ele folheou o caderno e descobriu ser um álbum de fotografias. Natsu estava presente em todas as fotos juntamente com a loira à sua frente, automaticamente ele começou a recordar de todas as ocasiões retratadas nas imagens, e seu coração palpitou ao constatar que todas essas lembranças foram felizes porque Lucy estava com ele, porque ela era o seu verdadeiro motivo para sorrir, Lucy era a razão das mais diversas emoções que se apoderavam dele nos últimos meses. Natsu finalmente percebeu que sem Lucy ele não poderia mais viver.
“Lucy Heartfilia era a sua felicidade”
— ❀ —
— Gray-sama...
Juvia chamou por seu amado ao avistá-lo poucos metros à frente, e então observou Gray se virar para encará-la. Quando seus olhos se encontraram um choque acelerou o coração de Juvia, ao ver os olhos de Gray banhados em lágrimas, a maga não conteve suas emoções e correu para abraçá-lo.
— O que está fazendo aqui Juvia? – Gray rapidamente limpou as lágrimas e antes que ela o abraçasse, se afastou. — Por que veio atrás de mim?
— Gray-sama, a Juvia... – Os olhos dela marejaram e ela tentou esconder a tristeza que afligia seu coração. — Estava preocupada.
O moreno desta vez não tentou reprimir a vontade de consolá-la e a abraçou.
— Me perdoe Juvia... – O aperto se tornou mais forte. — Eu estava enganado.
— Sobre o que Gray-sama?
— Sobre tudo. – Ele recuou alguns passos apenas para olhá-la. — Sobre nós. – Tornou a dizer. — Sobre meus sentimentos por você.
A maga da água permaneceu calada sem entender, então observou Gray retirar uma caixinha do bolso e estender em sua direção.
— Isto é para você, minha amante secreta.
E antes que Juvia pudesse processar tudo aquilo, Gray à beijou.
— ❀ —
Durante a troca de presentes Erza se focou em procurar por seu amigo secreto, olhou por toda a guilda e nem sinal dele. Estava no segundo andar quando viu Lucy ser chamada e anunciar seu amigo secreto, a titânia não se surpreendeu já que sabia quem a amiga havia tirado pouco após o sorteio.
Viu Natsu pular no palco e sequestrar Lucy, era bem a cara dele fazer aquele tipo de coisa. Erza poderia tê-lo impedido, no entanto ela não estava com cabeça para seguir as regras do jogo, um jogo que fora feito apenas para atormentá-la com ilusões.
Depois que Natsu saiu da guilda a brincadeira praticamente acabou, todos os magos começaram uma confusão ao estilo Fairy Tail com direito a brigas, gritaria e objetos voadores. O mestre perdeu totalmente a compostura depois de ter seus planos arruinados, Makarov começou a chorar aos pés de Mavis que também se lamentava por ter falhado. Muitos magos aproveitaram a algazarra da guilda para fugir, outros entregaram seus presentes ali mesmo sem serem anunciados.
A Scarlet estava pronta para desistir, olhou no relógio e faltavam apenas vinte minutos para à meia noite, desceu a escada e foi saindo porta à fora, ninguém sequer reparou em sua presença. Ao passar pelo portão da guilda deparou-se com Elfman agarrado à Evergreen, os dois se atracavam como cães selvagens e seus amassos constrangiam as pessoas que passeavam por ali.
Com passos largos se afastou do casal, continuando a andar sem rumo pelas ruas de Magnólia, em sua caminhada viu Laxus e Mirajane sair de uma casa no centro da cidade, viu também Gray e Juvia andarem de mãos dadas na calçada. Chegou a ver até Natsu e Lucy em um restaurante, todos os amigos pareciam felizes e resolvidos com seus parceiros, e isto a fez se sentir ainda pior.
Por que apenas ela não podia ser feliz?
Por que só ela não podia revelar seus sentimentos?
Por que ele não aceitava os próprios sentimentos de uma vez?
Será que ele não conseguia ver que sua flagelação a machucava? Será que Jellal nunca aceitaria que era ele quem ela desejava, que não importava o passado, não importavam os erros, os pecados, nada importava para Erza.
Tudo o que ela mais queria na vida era ficar ao lado dele.
Do grande amor da sua vida.
— Jellal...
Pronunciou seu nome com amargura, os lábios tremendo de frio e pelo choro que começara a cair, no mesmo instante como mágica Erza ouviu a voz dele soar atrás de si.
— Não vai mais participar do amigo secreto Erza?
A maga virou-se rapidamente para constatar que não estava alucinando e ao se deparar com ele, sentiu as pernas fraquejarem. Jellal estava com o rosto vermelho e parecia ofegante, como se tivesse corrido muito para chegar até ali, a titânia não conseguiu respondê-lo e seu silêncio o fez sorrir.
— Você adora estragar minhas surpresas.
— ❀ —
A enfermaria da Fairy Tail era pequena e acolhedora, as cores claras das paredes passavam um ar de tranquilidade o que ajudava na recuperação dos pacientes.
Quando Levy abriu os olhos a primeira coisa que viu foi o rosto de Gajeel a centímetros do seu, ele a olhava com preocupação, estava tão próximo que Levy pode sentir o calor de sua respiração.
— Hey, baixinha.
A voz dele preencheu seus ouvidos e ela percebeu que não estava sonhando. Com certa dificuldade tentou esquecer do que dissera à minutos atrás e se forçou a encará-lo pela primeira vez aquela noite.
— Já disse para não me chamar assim.
— Vejo que está melhor. – Ele suspirou aliviado. — Já está até me retrucando.
— O que aconteceu comigo?
— Você desmaiou depois de declarar seu amor por mim. — Ao dizer aquilo viu Levy corar como uma pimenta. — Mas acho que ninguém além de mim pode ouvir os seus sussurros no microfone.
— Aquilo não foi uma declaração!! – Levy gritou envergonhada e tentou se levantar para fugir daquela situação constrangedora.
— Calma, calma. – Gajeel riu tentando contê-la. — Eu estava só brincando.
— Você é um idiota Gajeel!
“Gi-hi”
O sorriso que ele dera era tão caloroso que Levy esqueceu da raiva e da vergonha que sentia, e quando o moreno colocou um embrulho colorido em seu colo, ela sentiu o coração acelerar com os pensamentos que se passaram em sua mente.
— Isto é para mim? – Perguntou hesitante e o olhar que ele dirigiu a ela dizia claramente “é óbvio que sim”. — Obrigada.
— É a primeira vez que participo de um amigo secreto.
O dragon slayer mencionou enquanto a via rasgar o embrulho, e também começou a abrir o presente que Levy lhe dera. O silêncio durou pouco, pois as exclamações de surpresa e satisfação tomaram conta de ambos os magos. Gajeel estava maravilhado com a bandana vermelha que Levy fizera, era de linho e ele estava louco atrás daquela cor. Em contrapartida Levy estava extasiada ao ver a linda pulseira de prata com o nome dele gravado.
— Eu adorei a pulseira, é linda!
Quando Gajeel escutou a palavra pulseira, seus olhos automaticamente se fixaram na joia que Levy acabara de colocar no pulso, e ao lembrar-se de seu nome entalhado no objeto, ele corou.
— Oh... – A voz de Levy o fez voltar a olhar para a caixa de presente. — Tem mais uma pulseira aqui.
— Me dá essa pulseira! – Ele quase gritou, puxando a caixa da mão dela rapidamente, mas fora tarde demais a azulada já havia pego a pulseira.
— O que foi Gajeel, por acaso está arrependido de me dar o presente?
— Não é isso, é que essa pulseira é minha.
Os olhos de Levy observaram a segunda joia e ela reparou que nela estava escrito o seu próprio nome, o que indicava que as pulseiras foram feitas para serem usadas por um casal.
Apenas a ideia fez Levy flutuar e sua mente girou tentando entender as intenções de Gajeel, e ao mesmo tempo o dragon slayer juntava coragem para declarar seus verdadeiros sentimentos a ela, mas tudo o que conseguia era amaldiçoar seu exceed naquele momento.
“Maldito Lily”
— ❀ —
Lucy nunca pensou que se sentiria desconfortável perto de seu melhor amigo.
O olhar que Natsu lhe dava era tão profundo que fora quase impossível encará-lo de volta, aos poucos sentiu as bochechas arderem e todo o sangue se concentrar em seu rosto à medida em que Natsu folheava o álbum de fotografias, ele sorria e intercalava olhares nela e nas fotos, o que a deixava cada vez mais encabulada.
— E aí, você gostou?
Perguntou para quebrar o silêncio e obteve um “shii” como resposta, Lucy franziu a sobrancelha incomodada por ele fazer tanto mistério, mas logo Natsu voltou a falar.
— Esta foto. – O mago apontou para uma fotografia no álbum. — Você consegue lembrar do que aconteceu nesse dia?
Lucy olhou a imagem e tentou recordar sobre o dia em que fora tirada, suas memórias sobre essa época estavam bagunçadas, talvez por ter bebido ela não conseguia se lembrar de muita coisa.
— Lembro que estávamos treinando para os jogos mágicos, e que neste dia esperávamos vocês para jantar.
— Você também se lembra que bebeu junto com a Erza, a Levy, a Juvia e que até embebedou a pobre da Wendy?
A maga estelar não conseguia se lembrar de nada do que acontecera depois que tomou o primeiro gole de saquê, nem sequer conseguia recordar de como a bebida fora parar em suas mãos. Ao constatar que sua memória estava em branco, ela negou com a cabeça e Natsu tornou a falar.
— Nesse dia você me obrigou a carregá-la até o banheiro, eu a levei porque não tive escolha e seria muito pior ficar naquele lugar cheio de bêbadas malucas. – Apesar de sua voz soar como uma bronca, Natsu sorria. — Você encostou a cabeça nas minhas costas e disse que eu era quentinho...
Se os tons de vermelho tivessem mil escalas Lucy teria alcançado todas elas em um só segundo, seu rosto queimou como brasa ao ouvir aquilo e sem ter para onde fugir ela abaixou a cabeça.
— Eu te levei até o banheiro, mas você não conseguia se manter em pé. Tive que ajudá-la a usar o sanitário e também a coloquei para dormir.
Natsu percebeu que Lucy não parecia disposta a erguer a cabeça, então ele mesmo a forçou a encará-lo ao colocar as mãos em seu rosto.
— O que estou tentando dizer é que nós dois temos tanta intimidade e mesmo assim sentimos vergonha de contar essas coisas. – Ele agora parecia sem jeito, tentava buscar as palavras certas, mas nada vinha à sua mente.
— Natsu... – Lucy murmurou ao tocar as mãos dele, e desta vez seus olhares se encontraram. — Eu...
“Gosto de você”
Sua mente gritava em alto e bom som, porém, seus lábios não pronunciaram tais palavras. Lucy não conseguia se declarar, mesmo sentindo a imensa vontade de fazê-lo naquele momento.
— Eu gosto de você.
Ouviu novamente aquela frase, mas desta vez não fora a sua mente que dissera. Era a voz de Natsu, foram os lábios dele que pronunciaram aquelas palavras, fora ele o primeiro a revelar seus sentimentos.
— Eu gosto de você Luce.
Tornou a dizer desta vez mais alto, viu Lucy arregalar os olhos e sua boca formar um “O” perfeito, sua vontade era poder agarrá-la e beijá-la ali mesmo, mas tinha que confirmar se seus sentimentos eram recíprocos.
E em resposta aos seus indagamentos, depois de Lucy piscar várias vezes e sair do estado de choque, a viu corar fortemente ao aproximar o rosto do seu e puxá-lo para um beijo.
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