Amantes
1 Entre as estrelas
— Vêri, cuidado!
— Haha! Me segure, Tomás!
Para os amantes, até as brisas geladas são melódicas.
O jovem casal ria, dando passos animados pelas ruas cobertas pela fina névoa da madrugada.
Uma esquina.
O karaokê do fim de semana passado.
Uma praça.
Ruas de paralelepípedos extremamente simétricos.
Até chegarem ao velho sobrado de paredes vermelhas.
O homem, notando que a felicidade — causada pelo vinho — começava a afetar o equilíbrio da loira, tomou-a nos braços, arrancando uma risada sonora da figura esguia enquanto subiam as escadas de ferro antigo.
O pequeno apartamento, refúgio dos recém-casados, presenciou a música da lua — que cantava para acolher os apaixonados — começar a ladainha.
Os pés delicados tocando o chão. Pontas dos dedos sobre os botões da camisa social branca.
Lábios e mãos em uma luta por espaço. O aroma de baunilha das ondas loiras se misturando ao cedro dos cabelos curtos e negros.
A luz vinda da janela iluminava as peles cada vez mais expostas, sem as camadas de roupas que iam ficando pelo chão.
O toque delicado do cavalheiro sobre a pele suave de sua dama agora começava a ganhar requintes de desespero. Não por algo mundano, mas pela fusão vital dos corpos, que pareciam arder sobre o desejo de pertencer um ao outro.
Os movimentos contidos cedendo espaço para a rispidez que a urgência pedia.
Algo queimava.
Algo emergia e depois afundava, se rendendo ao paraíso feito para o amor. Um jardim rosa e delicado, que pedia por cuidados precisos daquele a quem pertencia.
Tudo regido pela orquestra das estrelas, uma multidão que vibrava de felicidade ao perceber o brilho que repousava sobre os corpos cansados. Emaranhados.
Conectados.
Vivos.
A melodia ia diminuindo até sumir entre as carícias. Os amantes sorriam, felizes pelo baile de antes e ansiosos pelo recomeço da banda.
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