Amantes
2 Capítulo 2
Notas iniciais
—Tohr, isso dói._ Ela falou entre dentes, se contorcendo.
—Eu sei. Calma. Vem cá._ Peguei-a nos braços e a levei para cama. Peguei meu celular e liguei para Zsadist.
—Que foi Tohr?_ Ele perguntou áspero. Pelo visto a noite estava ruim.
—Z, é a Nalla. A transição começou._ Falei ao mesmo tempo em que abafei um gemido de dor por ela ter esmagado minha mão.
—O que? Agora? Já to indo pra ia. Onde vocês estão?_ Ele perguntou esbaforido e o som de botas batendono chão ecoando pelo telefone.
—É tão difícil assim? Calma Nalla, assim você vai quebrar a minha mão._ Reprimi um gemido de dor.
—Já sei. Seu quarto. Chego em 20 minutos. Aguenta firme._ Ele desligou o telefone.
—Ele ta vindo? Diz que sim. _ Ela abafou um grito.
—Esta sim. Calma, seu pai já vai chegar pra te alimentar._ Falei botando a cabeça dela no meu colo e acariciando os seus cabelos.
Z não queria que ninguém além dele alimentasse Nalla no dia da transição. Ele tinha medo de que ocorresse algo. Queria ter certeza de que o sangue usado para alimenta-la seria forte o bastante, puro o bastante para ajuda-la.
Quem não soubesse que Phury era irmão gêmeo de Z. diria que Nalla era filha dele. Ela tinha o cabelo multicolorido do tio, mas o gênio do pai e a personalidade impulsiva da mãe. Uma combinação um tanto perigosa.
Já havia passado meia hora e nada do Z, as dores de Nalla só aumentaram e eu não vi outra saída, o tempo que ela poderia esperar estava acabando. Mordi meu pulso e coloquei na boca dela.
—Sei que não sou seu pai, mais é melhor que deixar você morrer. Eu não posso deixar você morrer. Agora vamos, tome o quanto precisar._ Falei enquanto acariciava seus cabelos com a outra mão. Eu não poderia perder outra pessoa para o fade, não mesmo.
—Tem certeza?_ Ela perguntou num sussurro.
—Claro que sim meu anjo. Agora beba o quanto quiser._ Dei-lhe um beijo na testa.
Ela começou devagar, mais logo depois que a sede falou mais alto tragava longos goles do meu sangue e sentia seus dentes dilacerarem meu pulso. Aquilo estava mexendo com os meus instintos. Eu estava com uma vontade louca de me deitar em cima dela e faze-la minha, beijar cada parte daquele lindo corpo, te-la em meu pescoço.
—Cheguei..._ Z se cortou no meio da frase. Ele farejou o ar e é claro que ele sentiu o cheiro da minha excitação. O rosnado veio baixo, porem controlado.
—Calma Z, eu não fiz nada com ela. Você demorou demais, estava ficando sem opções e sem tempo, então eu a estou alimentando. _ Me defendi rápido.
Ele me olhou com desconfiança, vendo a filha no meu colo apenas vestindo a minha camisa e eu apenas de toalha, e é claro, aquele cheiro de excitação no ar. Eu não o culparia.
—Para o bem da sua integridade física, eu espero que não tenha acontecido nada. E me desculpe pelo atraso, o tira teve problemas no Zerosum e eu tive que ajuda-lo._ Se retratou sentando do outro lado da cama e pegando a mão de Nalla.
—Tudo bem, ela já esta quase no fim mesmo. Mais é serio, depois dessa nunca mais dou minha mão pra ela segurar quando estiver com dor. Tenho quase certeza que ela quebrou minha mão._ Dei uma risada baixa.
—Pode ter certeza que quebrou. A mãe dela fez o mesmo comigo quando Nalla nasceu, só que em vez da mão ela quebrou meu braço em três lugares. _ Ele riu alto e eu também. Foi engraçado vê-lo com gesso no braço por uma semana e Bela pedindo-lhe desculpas.
—Pois é, tal mãe, tal filha._ Passei os dedos pelo cabelo dela.
—Há quanto tempo ela esta bebendo de você? _ Ele me olhou preocupado.
—Acho que uns 20 minutos. Por quê?
—Eu espero que ela não te seque irmão._ Ele deu outra risada alta.
—Acho que por ela eu daria cada gota do meu sangue._ Falei baixo observando o ritmo que ela bebia do meu pulso, agora já mais lento .
—Tohr, você gosta da minha filha não é? _ Perguntou Z me olhando de lado.
—Claro que sim. Acho que chego, que... acho que a amo Z. Não sei quando isso aconteceu. Perdi Wellsie e meu filho a tanto tempo, isso faz oque, 30 anos? Não sabia que seria capaz de amar outra mulher. _ Falei olhando Nalla soltar meu pulso e virar de lado para dormir.
—Wellsie foi uma grande perda para todos nós. Quase perdemos você também. _ Ele suspirou fundo. _ Acha que teria forças para toma-la como sua? Mesmo depois de tudo? Você a amaria verdadeiramente? _ Ele perguntou sentando do outro lado da cama e acalentando a filha.
—Acho que sim. Isso se ela desejasse obviamente._ Ao mesmo tempo senti sua pulsação aumentar o ritmo.
—Acho que ela ouviu._ Z gesticulou com a boca.
—Eu percebi._ Respondi da mesma maneira.
—Vou deixar vocês dois sozinhos._ Z levantou e deu um beijo em Nalla.
—Obrigado. Não se preocupe, qualquer coisa eu te chamo._ Falei enquanto via-o saindo pela porta.
— Eu sei. Ela está em boas mãos. _ Falou fechando a porta.
Fiquei algumas horas vendo Nalla dormir. Não que nunca tivesse visto. Por muitas vezes ela dormia no escritório me esperando terminar a papelada dos treinamentos, outras vezes a encontrei dormindo na minha cama depois de uma noite inteira de patrulha. Ela dizia que queria ter certeza que eu estava bem.
Ela dormia tranquilamente, respirava lentamente. Às vezes se remexia um pouco e suspirava , até que começou a falar.
—Por favor, não me deixa aqui._ Ela falou chorosa.
Ela girou no meu colo e se agarrou na minha perna.
—Não me deixa aqui sozinha._ Ela pediu chorando novamente.
—Nalla acorda._ Falei segurando ela pelos ombros.
—O que?_ Ela falou confusa deixando mais algumas lagrimas caírem.
—Calma, era só um sonho._ Abracei-a e deixei que ela terminasse de chorar._ Então, com o que você sonho? O que aconteceu?
—Eu sonhei que você era morto por um redutor*, eu não queria que você me deixasse._ Ela falou deixando mais algumas lagrimas rolarem.
—Calma. Eu não estou aqui? Eu nunca vou deixar você. Jamais._ Falei dando um beijo em sua testa.
—Eu sei, é que foi tão real._ Ela soluçou.
—Calma, vem cá. Acho que você precisa de um banho, né? Você esta toda suada, posso te dar um banho? _ Perguntei afastando alguns cabelos que estavam grudados na sua testa.
—Pode sim. Penso que seu eu me mexer meus ossos viram farelo._ Ela riu um pouco.
—Eu sei como é isso. Pode ter certeza.
Peguei Nalla no colo e a levei pro banheiro. Tirei a camisa que ela vestia. Olhei pra ela pedindo permissão para tirar suas roupas intimas. Ela apenas assentiu com a cabeça não querendo fazer muito esforço.
Tirei sua lingerie e a coloquei dentro da banheira. Ela suspirou de alivio assim que a água quente banhou o seu corpo. Eu a deixei lá por um tempo. Aproveitei para me vestir, afinal eu ainda estava de toalha.
—Tohr._ Ela me chamou do banheiro.
—Fala minha vampirinha._ Fiz graça pra ela.
—Eu te machuquei?_ Ela perguntou temerosa.
—Que nada. Estou ótimo. Firme e forte._ Falei enquanto flexionava os músculos do braço.
—Só você pra me fazer rir numa hora dessa e no estado em que eu me encontro. Mais falando serio, ainda bem que a gente só passa por isso uma vez. Porque parece que eu quebrei todos os meus ossos. Quando botaram isso na nossa biologia estavam com raiva da gente. Só pode._ Ela riu um pouco.
—E você acha que eu não sei. E comigo foi pior ainda. Eu cresci sei lá quanto do dia pra noite, literalmente eu passei a encostar a cabeça no teto do quarto que eu ficava. Você deve ter crescido no máximo uns 15 centímetros. _ Peguei uma toalha para enxugá-la.
—Obrigada por cuidar de mim._ Ela sussurrou.
—Que isso minha vamp. Amanhã você vai estar inteira novamente pra acabar com aqueles maricas do treinamento. _ Fiz graça.
—Sabe de uma coisa, você não devia me enxugar. To vendo a hora de você ficar mais vermelho que uma pimenta._ Ela passou os dedos pela minha bochecha.
—Desculpa, é que é meio desconcertante fazes isso._ A enrolei na toalha.
—Afinal, direitos iguais. Eu me enfio aqui toda vez que você vai tomar banho, né?
—Isso é verdade. Agora, você, cama. E dormindo até amanhã na hora do treino. Eu venho acordar você para o jantar. _ Falei vestindo nela uma calça de moletom e uma blusa do mesmo tecido, eram minhas, ou seja, ficaram enormes nela, mais ao mesmo tempo lindas.
—Sim senhor meu ”hellren**”._ Ela riu alto.
—Bom mesmo minha “shellan***”_ Ri também, mas algo dentro de mim tomou isso como uma verdade, e não como uma brincadeira. Aquela voz familiar de anos atrás gritava mais uams vez "MINHA".
Fale com o autor