Amantes
1 Capítulo 1
Notas iniciais
—Pelo amor da Virgem, Nalla, some daqui. Você não é mais uma criança para ficar no banheiro se escondendo do seu pai._ Falei meio irritado.
—Fale serio né. Não tem nada ai que eu não tenha visto nos últimos 20 anos, sabia? E além do mais, eu não estou me escondendo dele, ele nem está em casa._ Falou Nalla se sentando no chão e pegando o celular do bolso.
—Quer saber, desisto de você. Fica aí então._ Joguei as mãos pra cima num ato de rendição.
Enquanto tomava banho fiquei à observando. Afinal, ela estava crescida e não faltava muito para a sua transição. Nalla tinha ficado bonita, criado corpo, estava muito parecida com sua mãe.
Lembrei-me da primeira vez que a encontrei no meu banheiro. Ela se escondia de Z. Me assustei, é claro, ela devia ter seus seis anos. Eu não me importei muito, afinal ela era só uma criança e o box do chuveiro escondia meu corpo. Mas com o passar dos anos já tinha virado rotina ela se enfiar aqui enquanto eu tomava banho para conversarmos.
Quantas vezes a vi chorando por causa de um pré-trans* que havia acabado o namoro quando ela tinha seus 14 ou 15 anos. Quantas vezes ficava fazendo piadas dos meus cortes depois que chegava das patrulhas e, as vezes, até me encobrindo em algumas besteiras que Wrath jamais poderia saber. Ela era minha protegida, minha melhor amiga.
—Sabe Nalla, eu estava lembrando de umas coisas aqui._ Falei puxando um pouco a cortina do boxe. Apesar de ser transparente da metade pra cima.
—Qual é a da vez?_ Ela perguntou colocando o celular no chão.
—Lembra quando Z te pegou aqui no meu banheiro quando você tinha uns, acho que 17 anos?_ Perguntei rindo da lembrança.
—Claro, você tem as marcas no pescoço até hoje para lembrar._ Ela riu alto.
—Ri mesmo, não foi você que quase foi enforcado duas vezes._ Lembrei das mãos de Z no meu pescoço e também a encenação com a forca que ele havia preparado no meio da sala de jantar.
—Ainda bem que o Rei interveio por você._ Nalla falou se segurando para não rir mais.
—É assim né._ Sai do boxe e peguei-a no colo levando para debaixo da água fria junto comigo.
—Tohr, não. A água ta fria. Você não conhece a tal da água quente não? Pelo amor de Deus._ Ela perguntou tentando me bater.
Eu comecei a rir de seu esforço inútil. Foi quando pisei no sabonete que eu havia deixado cair antes de pega-la fazendo com que ela cai-se em cima de mim.
Fiquei de costas pro chão, enquanto ela ficou por cima. Sua boca na altura da minha, olhando aqueles olhos amarelos que, com o passar dos anos, me acostumei a observar profundamente, fiz com que o espaço entre nossas bocas findasse, não perdi tempo, e a beijei como não fazia a semanas.
No começo ela ficou um pouco sem saber o que estava acontecendo mais logo depois correspondeu prontamente. No começo, nada urgente, só um simples beijo. Mas, depois, ela passou os dedos pelo meu cabelo e as pernas pela minha cintura. A segurei pelas cochas, mantendo-a no lugar, não queria que ela me escapasse, não agora.
Não queria parar, mais o ar já estava fazendo falta nos meus pulmões. Ela me olhou meio que surpresa mas ao mesmo tempo com um pouco de malicia.
—Por que você fez isso?_ Ela tentou se levantar.
—Só deu vontade. Acho que estava com saudade dessa boca._ Segurei mais forte as suas cochas.
—Você não presta né. Mas eu também estava com saudade._ Disse com um sorriso maroto nos lábios e me deu mais um selinho.
—Serio?_ Fiquei um pouco surpreso. Por momentos ela se fazia indiferente a ficávamos algumas semanas sem nos tocar.
—Serio._ Ela deu um sorriso safado.
Eu conhecia aquele sorriso. Era o mesmo que Z dava para Bela em meio a jantares chatos momentos antes de saírem correndo para o quarto mais próximo. Foi quando reparei que ela estava com uma blusa branca, que por causa do chuveiro ainda ligado, estava encharcado e deixando a mostra um sutiã vermelho de renda preta.
—É... Nalla. É melhor você se levantar antes que eu faça alguma besteira e Z me mande pro Fade antes da hora._ Falei ficando vermelho. Eu estava ficando meio desconfortável com o fato de eu estar nu de baixo dela.
—É mesmo. Afinal, você ta meio que como veio ao mundo, né?_ Ela levantou tentando não me olhar muito, o que não deu muito certo. Me estendendo a toalha, ela deu uma olhada pelo meu corpo discretamente, não que tenha dado muito certo.
—Obrigado._ Enrolei a toalha na minha cintura. Mas quando eu levantei o olhar para Nalla, ela estava sem camisa e desabotoando a calça._ Nalla? O que você esta fazendo?
—Você realmente acha que eu vou sair pingando pela casa? Fritz me mataria se eu fizesse isso. Além do mais, ele limpou a mansão toda hoje. Eu não vou estragar polimento do piso._ Ela tirou a calça e começou a torcer a camisa.
Eu a observei durante algum tempo. Ela era mais bonita sem aquela roupa toda. Tinha as pernas torneadas por causa dos treinamentos de combate – e sim, ela treinava pra virar uma guerreira também, e era melhor que muito macho que treinava lá — o bumbum era proporcional ao corpo, à barriga era lisa, os seios médios....
Ta bom, chega Tohr, pelo amor da Virgem. Você realmente esta analisando o corpo da Nalla? Até parece que você nunca a viu quase sem roupa. Ela tinha o péssimo habito de quando chegava ao meio do treinamento retirava a camisa e ficava só de top e short. Já havia perdido as contas de quantas vezes Z, pra lá de irritado, a mandou colocar a camisa e ela dizia não, até o dia em que ele desistiu de tentar. Afinal, lidas com uma copia de se mesmonão é nada facil.
Claro que os pré-trans e os que já haviam passado pela transição que treinavam com ela ficavam babando. Algum até tentavam tirar uma casquinha dela se arriscando chamando-a para lutar. Mais é claro, eles beijavam a lona entes mesmo de poderem dizer Virgem Escriba**.
—Nalla, você ta provocando, não reclama quando eu fizer algo com você._ Dei um tapinha em sua bunda quando passei por ela.
Nós nos permitíamos esse tipo de intimidade. Afinal, ela já tinha me visto nu sei lá quantas vezes. Não me surpreendia mais quando entrava no quarto dela, e ela pedia para desabotoar os espartilhos que ela insistia em usava na justificativa de ficar com a cintura mais fina.
—Acho que é essa a intenção._ Ela falou largando a blusa na pia e puxando a toalha da minha cintura.
—Garota, você é tão tarada quanto o seu pai, sabia?_ Puxei a toalha da mão dela e me enrolando de novo.
—Fazer o que? Ta no meu DNA._ Ela deu um sorriso malicioso.
—Você é perigosa Nalla. Agora vem cá, coloca essa camisa aqui enquanto a sua roupa seca. E também vai que o Z aparece e acha que eu estou abusando de você._ Falei enquanto entregava a minha menor camisa, que ainda ficava parecendo um vestido nela.
Apesar de tudo, Z até que aceitava o fato de minha amizade com Nalla chegar aos status de “amizade colorida”, como ela mesma chamava. No inicio, ele achou que eu estava querendo me aproveitar dela, porém, depois de um tempo, ele viu que era mais fácil acontecer exatamente o contrario.
Às vezes a gente se beijava por ai, mais nunca chegamos ao nível de acabarmos na cama. Ela que impunha esse limite. Dizia que não queria passar essa linha, pelo menos ainda não. Se bem que vontade nunca falto de leva-la para a cama e faze-la gritar meu nome.
Comecei a rir com os meus pensamentos quando ela me chamou a atenção.
—Sabe T..._ Ela parou de falar. Curvou-se um pouco e fez uma careta. Voltou a se esticar e logo depois caiu deitada no chão.
—Nalla, o que foi?_ Perguntei apreensivo. Foi quando eu senti aquele cheiro, almíscas com rosas. Ela estava passando pela transição.
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