Amante Sofrido
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Notas iniciais
PDV VISHOUS
Acariciando seu cabelo tão macio e sedoso.
Fechei os olhos apreciando aquele momento . Depois de tudo que aconteceu na última noite aquele abraço era tudo que eu precisava . Era a certeza que toda aquela merda de Primale tinha sido enterrada pra sempre. E que eu finalmente poderia ficar e estar com meu verdadeiro amor...
(...)
Quando voltei a consciência abri os olhos me sentindo confuso e ainda tonto. Minha cabeça estava rodando um pouco. E ali todas as lembranças se fizeram presentes..
Nós no ZeroSum, a mulher sentando em meu colo Damon surtando. Depois viemos pro meu apartamento onde ele pediu pra ver o quarto secreto e ele quis sexo masoquista.
Suspirei, firmando a visão e eu vi que me encontrava no quarto avistando todos os brinquedos pendurados, olhei pro meu lado e ele estava ali dormindo todo sereno. Pelado completamente somente coberto com o lençol de cetim que marcava seu lindo corpo, completamente.. Eu estava da mesma forma. Meu corpo estava todo dolorido e cheio de marcas.
Lembrei de tudo que fiz com ele. O amarrei transei com ele vendado.
Agora podendo colocar os pensamentos em ordem e também completamente são, Ele parecia tão confortável com tudo aquilo. Sinceramente a pessoa quando vai Ser submissa pela primeira vez, fica desconfortável, assustada, com medo e insegura . Mas ele não, ele estava tão bem com tudo aquilo!
Senti um arrepio passar por mim e não sei porque senti que esse não foi sua primeira vez. O olhei sentindo meu peito doer. Quando ele acordar preciso conversar com ele sobre isso, sobre nós. Infelizmente uma pessoa como ele, como eu, já vivemos muita coisa e sinceramente eu sinto que tem muita coisa sobre sua vida que eu nem sequer sonho em saber.
A muitos segredos envolvendo a ele...
E não vou aguentar isso. Preciso conhecer o homem que estou completamente apaixonado...
Suspiro sentindo cada pedaço do meu corpo dolorido.
As lembranças se fizeram mais presentes ainda... Depois que gozamos eu o soltei e ficamos deitado na cama relaxando . Mas é claro que nossos desejos ainda estavam acesos e Damon me tomou, me possuiu completamente. Ainda posso sentir seu toque , seu beijo, sua mão firme me segurando, me apertando . E ele entrando dentro de mim freneticamente com força e pressão, usando sua velocidade vampiresca. Pelo efeito do álcool ele estava sem controle, sobre si mesmo e até sobre a sua força, que era simplesmente extraordinária. Onde ele me prendia segurava e batia em minha bunda com força, muita força.
Sorri.
Nada que eu não tenha amado em ter recebido é claro. Gosto de sexo assim. Só que agora tenho que conviver com as dores pelo corpo.
Claro que Ele tem uma experiência absurda no sexo, isso e óbvio com 178 anos de vida. Mas ele tem traços de masoquista/sadomasoquista. Isso parando pra pensar agora é perceptível. Muito perceptível.
Alguém ensinou isso a ele. Ou pessoas ...
Droga sinto o ciúmes frenético em meu corpo. Preciso saber sua vida . Sobre tudo dele. E infelizmente não me dou muito bem em pensar nele transando com outras pessoas, mulheres.
Sinto uma pontada em minha cabeça.
Droga, preciso de um remédio. Levanto devagar, sem fazer barulho não o quero acordar.
Saio caminhando pra cozinha enchendo um copo com água gelada, caçando um remédio pra dor de cabeça.
Achei bebendo toda água. Sinto meu lábio dolorido e lembro que o pedi pra me morder...
Caminho pra sala pegando meu celular que ficou ali na poltrona.
Vejo que ainda é cedo , 11:00 horas. Suspiro sentindo todos aqueles pensamentos martelando em minha cabeça.
Passado de Damon, emparelhamento, o marcar, sua vida sexual. Tudo !
Sinto a pressão em meu peito, o nervosismo ... Preciso me acalmar . Pego meu maço, acendendo meu cigarro turco .
Trago fortemente sentando na poltrona. Até terminar já começo a me sentir mais calmo, relaxado, a droga fazendo o feito sobre mim.
Levanto voltando pro quarto. Ele estava do mesmo jeito, apagado. Estava tão sereno, calmo, tão lindo. Deitei na cama tentando fazer o mínimo movimento e barulho possível. Ali ele suspirou virando pro meu lado e simplesmente me abraçou.
Inspiro seu cheiro maravilhoso o abraçando e fecho os olhos relaxando ainda mais.
Até que entrei na inconsciência...
(...)
De repente abri os olhos assustado. Eu me encontrava no quarto e Damon ainda estava dormindo tão profundo ...
Levantei e fui pro meu quarto tomar um banho, me arrumar. Tomei um banho bem demorado e quente . Quando me enxuguei olhei no espelho e pude ver meu lábio inchado meio roxeado, avermelhado e os dois furos de sua presa ali.
Ok, se aquela vez todos perceberam em meu pescoço quem dirá agora. Sorrio balançando a cabeça e saio indo pra cozinha pra fazer algo pra eu comer . Fiz um café bem forte pra curar a ressaca. Comi frutas, bolachas, bolo, pão. Estava faminto, mais do que geralmente sinto. Sempre fico assim depois de uma noite de sexo com ele.
Sorrio.
Fiz um suco de limão e arrumei um copo com água com remédio pra levar pra ele.
Assim que terminei de arrumar tudo ali . Subi pro quarto, deixando na escrivaninha enquanto eu fui escovar meu dente. Assim que voltei sentei na poltrona o admirando .
(...)
E sem demorar muito ele acordou...
Abriu os olhos olhando aonde se encontrava, um pouco confuso.
—Boa noite bela adormecida. -digo.
—Boa noite. -sua voz saiu extremamente rouca. -Que dor de cabeça. -Ele sussurrou enquanto passava a mão por seu cabelo.
—Imaginei mesmo... -digo caminhando até ele sentando na cama e entregando a ele o copo com água e o remédio. -Eu também acordei com dor.
—Obrigado.
—Nos dessa vez exageramos na bebida.
—sim -Ele diz gargalhando, com certeza lembrando de tudo.
Ali ele olhou a tudo minuciosamente em nossa volta.
—Você pediu pra vir pra cá. -comento.
—Eu sei Vishous. Relaxe. -Ela suspirou e quando me olhou detalhadamente seu olhar mudou pra preocupação.
—Seu lábio...
—Esta tudo bem, Nallum. Eu que te pedi.
—Mas eu não devia ter feito. Eu estava bem tonto e com certeza na hora do sexo não tive controle da minha força. Desculpa...
—Pare, não tem porque pedir desculpas. Tudo que fizemos aqui foi perfeito. Não foi ? -pergunto tocando seu rosto.
—Sim. -Ele sussurra apreciando meu toque.
—Então. Relaxe... -digo lhe dando um selinho . -Fiz esse suco pra você.
Ele tomou tudo e logo já tinha indo pro banho, se arrumar.
Enquanto isso arrumei o quarto tirando o lençol pra lavar. Assim que estava tudo pronto, caminhei pra sala o esperando.
Sem demorar ele desceu a escada todo lindo , cheiroso. Mas com as roupas de ontem.
—Preciso conversar com você. -falo o analisando.
—Ok... -ele diz sentando na poltrona de frente pra mim, me olhando curioso.
—Trazer algumas roupas e coisas suas pra cá. -solto com medo da sua reação.
—É. Não é péssima ideia. -Ele diz rindo .
Ok aquilo estava indo melhor do que imaginei, pelo menos até agora .
—Tem sido difícil pra mim me controlar sobre você, em questão a você ser meu pyrocant e tem sobre meu cheiro... -comento.
—Como assim ? -Ele pergunta me analisando.
—Sabe aquele cheiro que sai de mim quando estamos juntos?
—Sim...
—Então . Eu tenho que me controlar de mais pra não deixar esse cheiro estar em você, te marcar... Se eu te marcar todos da nossa raça quando te verem, sentirão aquele cheiro em você, em todo seu ser e eles vão saber que você é meu! Então por isso, por não saber como você iria reagir a tudo isso . Eu tenho que me controlar. mas sinceramente é muito difícil pra mim. Principalmente vendo as pessoas dando em cima de você. Se eu já tivesse te marcado elas nem se quer olhariam pra você... -digo sendo sincero.
Damon piscou várias vezes enquanto me olhava .
—Bom. Entendo... mas não é justo. -Ele diz.
—O que não é justo? -pergunto sem entender.
—E você ? Como as pessoas saberão que você me pertence ? -Ele solta aquilo com certa ironia.
—Damon, eu ...
—Ah é, eles não saberão... Porque eu não consigo fazer ou ter os poderes que era pra eu ter não é mesmo ? Me tornei um outro tipo de vampiro. -Ele diz irritado levantando e andando de um lado pro outro.
Suspiro ...
Entendo o que ele quer dizer e entendo a sua irritação.
Um silêncio mortal tomou conta do local.
—O que você pensa sobre emparelhamento? -pergunto quebrando aquele clima.
—Casamento? -ele pergunta chocado. -Em toda a minha existência eu nunca se quer pensei ou desejei isso. Bom, nem sei o que falar sobre esse assunto.
Sinto meu peito doer ... Ele não aceitaria, isso é obvio. Não iria aceitar se casar comigo e muito menos me deixar o marcar com meu, com meu cheiro.
Suspiro me sentindo muito chateado com tudo aquilo e pra piorar tinha mais coisas a o perguntar.
—Depois de ontem, antes de ontem, ficou bem claro seus traços masoquista e sadomasoquista. Comigo, foi seu primeiro sexo BDSM?
Ali pude o ver ficar assustado, me olhando em choque. Sua afeição mudou, parecia nervoso, ansioso.
—Vishous ...
—Foi sua primeira vez ? -pergunto novamente o pressionando.
—Que pergunta é essa... -Ele diz tentando desconversar.
—Me responda, Damon, por favor... -peço, quase implorando mesmo.
Pois lembro e sei como é difícil pra ele se abrir, contar seus sentimentos, seu passado.
Ele suspira fechando os olhando e balançando a cabeça.
—Não. Não foi a primeira vez. -Ele diz passando a mão em seu cabelo.
Fecho os olhos, tentando não surtar . Nada que eu já não suspeitava.
—Quem foi que ensinou ou fez em você?
—Eu não quero falar sobre isso.
—Damon quem foi? -pergunto o pressionando.
—V, por favor ... -Ele fala calmamente.
—Eu quero saber quem foi! Quero sabe sobre essa história. -digo seco e extremamente irritado.
—Vishous para. Deixa isso pra lá. Isso não vai mudar ou fazer diferença alguma, e muito menos tem importância! -Ele pede.
—Tem importância sim. -digo automaticamente. -Eu quero saber. Agora! -grito ordenando.
—Mas que porra?! Que merda! Qual é o teu problema? Inferno. -Ele diz descontrolado levantando e dando um soco na mesinha, onde foi atingindo afundou completamente .
—Você não se abre. E nem se quer confia em mim ...
—Quem disse que não confio em você ? -ele perguntou furioso.
—sinceramente pelas suas atitudes, não parece! -retruco suspirando. -Eu preciso, necessito te conhecer mais a fundo. Saber seu passado. Eu só queria, que você sentisse confiança e vontade de se abrir comigo. Sei que é difícil pra você. Eu sei e entendo. Igual pra mim foi complicado e muito, muito difícil lhe mostrar meu passado. O medo de você me negar, ter vergonha ou raiava de mim... Mas foi bom, porque eu queria que você me conhecesse e me estivesse por inteiro. Todo aberto e exposto pra ti.
—Se você soubesse tudo do meu passado, o que já fiz e o que sou capaz de fazer você não iria querer ficar comigo! Teria e sentiria nojo de mim.
—Que ? Não fale besteira. Eu nunca sentiria nojo de você! -rebato no mesmo instante não entendo tudo aquilo.
Ele simplesmente balançou a cabeça, me dando as costas, se afastando o máximo possível e ali andando de um lado pro outro.
Dava pra ver e sentir o nervosismo fluindo do seu corpo.
Jogo minha cabeça pra trás na poltrona tentando me acalmar. Eu estava perdendo totalmente meu controle.
Ficamos um tempo assim em silêncio ...
E isso era horrível, torturante demais.
Suspiro não aguentando mais isso...
Ali ele caminhou sentando na poltrona.
—Tudo começou alguns depois que minha mãe morreu. Giuseppe só bebia e um belo dia, a noite umas senhoritas, bem novas, passaram o visitar. Eu não fazia ideia o que elas eram . Mas logo elas passaram a morar na casa ao fundo de nossa mansão. Eu estava com 14 anos ... Até que um dia a noite eu senti sede e quando fui pra cozinha e voltei, acabei vendo pela porta entreaberta, ele no escritório com elas. As beijando, tocando elas , eles estavam semi nuos.—Ele parou olhando pra sua mão.
Meu coração já batia rapidamente só com aquele começo da história. Sentia que coisa boa não sairia dali ...
—Tinha até algumas delas com os seios a mostra. E ele as tocando, chupando. Nunca havia visto uma mulher exposta ate então. -ele confessou sem graça. — Eu por um tempo fiquei olhando aquilo não por maldade, mas sim de certa forma choque, curiosidade e até inocência. Só que ele acabou me vendo ali .
No mesmo instante sai dali as pressas. Fui direto pro meu quarto deitando e ficando ali debaixo das cobertas . Tentei dormi mais não consegui. Até que algum tempo depois , foram minutos ou hora não sei ao certo... Escutei seus passos pelo corredor e assim a porta do meu quarto sendo aberta lentamente. Todos estavam dormindo, então...
Até que ele retirou a coberta de meu rosto corpo. Avistei, ele estava muito tonto, seu olhar era indecifrável. Não esqueço suas palavras:
“-Já que você ficou observando a tudo escondido. Feito um rato.. Acredito que você gostou do que viu não é mesmo? E acredito que você nunca viu uma mulher, certo?”
No mesmo instante já pedi desculpas e expliquei que não havia feito por mal. Que acabei vendo porque precisei beber agua. Mas não adiantou. Ele estava furioso. E ali disse que eu já tinha passado da hora de virar um homem... Que ele tinha planos. Que iria arrumar um casamento arranjado pra mim, que seria bem lucrativo para ele. Que assim eu pelo menos lhe serviria pra alguma coisa. Ele simplesmente amarrou minha boca meu braços e me levou arrastado pela escada, pra fora da mansão, tentando fazer o mínimo de barulho possível. Me levando pra casa delas... Chegando lá todas estavam assustadas com aquilo . Mas ele não se importando me agrediu, me derrubando ao chão. Elas ficaram em choque, pedindo pra ele não fazer aquilo . Ele disse que se quisessem que ele parasse que elas fizessem o que ele queria. Que me fizessem “homem”.
Ok, agora meu coração batia mais rápido ainda. Aquilo não era nada bom.
—O que ele queria dizer com te fazer homem? -pergunto.
Mas no fundo eu já desconfiava o que era realmente.
E àquilo era horrível...
—Iniciar minha vida sexual. Tirarem minha virgindade .
O olhei em choque. Sentindo o ar ficando denso. Não podia ser. Não podia ser o que eu estava entendendo...
—Sim . -ele sussurrou. -Ele as obrigou a ficarem comigo. Elas é claro não queriam aquilo. Mas ele ordenou e as obrigou. Agrediu uma delas pra se dar o exemplo. Que elas tinham que fazer tudo que ele queria. Ele as xingavam, chamando de puta, vadias... E que elas eram as cadelas dele. E que tinham que o obedecer sempre se não as colocaria pra fora, pra rua. E obrigou cada uma delas a transarem comigo. E o pior de tudo foi ele ter ficado ali assistindo a tudo... —sua voz morreu me olhando.
Não !
Não !
Não !
Não pode ser !
Não poder ser!
Minha mente gritava freneticamente.
Eu estava paralisado, não podia acreditar naquilo. Meu coração estava disparado , eu estava em choque... Me senti tonto completamente.
—Elas eram prostitutas, e assim pude entender aquilo. Elas foram obrigadas a fazer tudo aquilo... Transei com cada uma delas, e isso não foi somente nessa noite. Mas sim todas as noites, durante anos...
Só que pelo menos ele já não ficava mais ali feito um maníaco assistindo. Foram elas, elas que me ensinaram tudo sobre “sexo”, sobre satisfazer, dar prazer e de como deixar uma mulher louca na cama.—ele suspirou . —Elas passaram a cuidar de mim, mas não só assim sexualmente, mas normalmente também. As agressões, torturas que Giuseppe faziam contra mim continuavam e só pioravam. Elas cuidavam, curavam meus machucados e me alimentavam as escondidas. Eu ficava dias trancado no quarto sem comer. Apesar do trauma de tudo aquilo eu no fundo, passei a gostar daquilo, de suas companhias, do sexo, dos ensinamentos, do prazer que elas me davam. Elas, meu irmão e as outras empregadas da casa eram tudo que eu tinha. E foi assim durante anos e anos...—Ele disse olhando para suas mãos.—Criamos afeição um pelo outro e foi assim com todas elas. Uma delas era masoquista e ela me ensinou tudo sobre isso, sobre esse assunto... E ela foi minha submissa, me ensinou a ser um dominador. É isso, cada uma delas me ensinou algo. Me deram prazer e me ensinaram tudo que eu poderia saber .
Céus, não! Não podia aceitar e acreditar naquilo! Damon havia sido abusado, violado.
Totalmente humilhado.
Eu estava agitado, meu coração martelava. Sentia meu sangue circulando freneticamente.
Sentia a raiva, fúria me invadindo.
—Durante esses anos, onde eu acabava ficando mais velho, entrando definitivamente na adolescência, já me tornando um homem, elas assumiram estarem apaixonadas por mim. Eu as tratava bem, gostava delas e eu já estava expert no sexo, então eu era o pretendente perfeito. Novo, bonito, gentil e as fodias como ninguém .
Elas acabaram não dando tanta mais atenção a Giuseppe. Sim, ele ainda transava com elas, a força, bem dizer as estuprando-as, infelizmente. Elas eram obrigadas, humilhadas e espancadas. E eu também cuidava delas, de seus machucados. E ele percebendo toda aquela aproximação, o quanto eu me tornei bem melhor que ele na cama, e em todos os outros sentidos. O sentimento que tínhamos entre nós e principalmente o sentimento delas por mim, ele levou isso como uma grande traição. Simplesmente movido pelo ódio, raiva e o rancor ele me fez ver e presenciar ele as torturando, agredindo e simplesmente no final as matando com tiros a queima roupa. E depois bom, ele me agrediu, torturou como nunca. Sinceramente não sei como não morri naquela noite. -ele suspirou balançando a cabeça. -Foi assim que eu criei certo gosto pelo sexo e pela prática de BDSM.—ele parou me olhando esperando que eu falasse algo.
E eu simplesmente permaneci imóvel, grogue, tonto. Eu estava perplexo. Simplesmente em choque. Não conseguia imaginar como era a mente de Damon ao fundo. Como ele diria tudo isso.
Todos esses traumas...
E isso me preocupava mais ainda.
-Depois de tudo, ele estava arrumando, fazendo um acordo para eu me casar com uma garota qualquer, filha de um homem importante, rico da cidade. Não podia imaginar tal coisa ou aceitar esse absurdo. Eu nunca a tinha visto e sinceramente não queria nada daquilo. Já não aguentava toda aquela tortura, eu estava péssimo, já estava transtornado, louco, abalado totalmente... Eu precisava fugir de tudo aquilo ou eu enlouqueceria de vez, o que não estava tão longe né ? Ou definitivamente mataria meu “pai”. Eu passava 24 h por dia o odiando, e planejando como eu poderia o matar. Mas ao mesmo tempo eu pensava em meu irmão. Ele nunca fez nada de mal para Stefan, pelo contrário, por mais que não tenha conseguido cuidar dele, pois viva bêbado, Ele o amava , então nunca faleiz contei pra Stefan o que eu passava. Não podia quebrar sua ilusão de seu : “De seu pai, protetor, de seu herói.”
Ou eu aceitava aquela merda de casamento, ou eu me matava ou eu o matava... E assim teria o ódio de meu irmão para sempre.
Ou eu fugia daquilo tudo. Nem que fosse por algum tempo. E eu então decidi, fugir...
—Como assim fugir ? O que você fez ? -pergunto curioso e preocupado.
Céus... Ele definitivamente não tem bons pensamento e lembranças relacionados a isso de casamento. Por isso ele nem se quer chegou pensar nisso durante toda a sua vida. E muito menos agora!
Porraaaa.
Eu preciso dele. Preciso desse emparelhamento. Se a gente se ama, não tem porque não oficializarmos isso, esse sentimento, nosso amor, nosso relacionamento!
—Eu me inscrevi por livre vontade as escondidas pro exército. Estávamos passando por uma guerra então era óbvio que aceitariam um rapaz, jovem, se oferecendo. Giuseppe quis morrer quando eles foram me buscar. Além dele não saber de nada, a dois dias seria o maldito casamento. Além da minha loucura, a humilhação pra ele foi enorme. E assim de certa forma foi ali onde pra me salvar eu abandonei meu irmão. Eu o amava com todo meu ser. Mas não aguentava ficar ali mais, com toda aquelas torturas psicológicas e físicas contra mim. Sabia que ele estaria bem , seria muito bem cuidado pelas empregadas. Eu preferi me arriscar, me enviar pra morte certa do que continuar naquele inferno de casa.
—Damon...
—Eu queria, eu preferia, morrer no campo de batalha do que ter que voltar pra casa, e passar por tudo aquilo novamente. -sua voz era baixa e incerta.
Dava pra ver as lágrimas embaçando seus olhos...
Meu peito de contraiu de Uma forma que fiquei grogue, sem rumo.
Dava pra ser toda sua dor, todos os transtornos sendo exalados de seu corpo.
—Ele suspirou, e como viu que eu não tinha condições de falar nada ele continuou. —Mas bom, depois que me transformei em vampiro, no começo eu não tinha controle sobre mim. Sobre o que eu sentia, pensava ou desejava. Eu não tinha controle de nada, principalmente da força. Estava louco, transtornado. Só sentimentos ruins me tomavam: ódio, raiva. Queria vingança, sangue, morte. E o desejo de sexo tão intensificado, eu queria aquilo o tempo todo. Mas acabei machucando e matando várias mulheres, enquanto tentava praticar. Depois disso tentei guardar essa merda a sete chaves. Não pratiquei mais. Sabia que não teria controle sobre isso e para isso. Depois de anos e anos, conseguindo treinando minha mente, meu corpo para ter controle somente para o sexo “normal em si” ... Acabei te conhecendo. Quando vi que você gostava disso. Tudo que eu tentava manter escondido, em segredo, se fizeram presente. Aquela noite que Te procurei quando você se entregou pra mim, pediu pra te domar , céus...
Foi incontrolável, delicioso e prazeroso.
E ontem depois de bastante álcool em meu sistema não consegui manter isso escondido.
Por medo, não me perdoaria se te machucasse. Mas, pelo menos satisfazer essa parte minha, essa vontade, por isso pedi pra ser dominado. Eu nunca havia sido submisso... Eu não aguentava mais. Precisava e ansiava daquilo...—ele diz abaixando a cabeça com vergonha enquanto fitava sua mão.
Ok. Depois de tudo isso meu coração martelava freneticamente. Eu não conseguia respirar, eu não podia acreditar naquilo. Giuseppe já era um monstro . Depois daquilo, daquele absurdo! Céus ... Ele fez elas abusarem dele. Ele só era uma criança... Inocente, porra! Fazer aquilo com ele e ainda assistir era monstruoso de mais. Era nojento, horrível.
Um absurdo .
Mas que porra era isso? Ele só podia ser louco, pra que tanto ódio, tanta maldade contra Damon ?!!
Eu não sabia o que falar, o que sentir. Eu só conseguia sentir meu corpo tremer, o ódio, raiva , revolta e muita tristeza, me preenchendo.
Pensando em tudo, como que ele deve ter sentido, todos os medos, inseguranças, receios e principalmente todos os traumas...
Sinto um poder muito forte saindo de cada pedaço do meu corpo atingindo o ar. Era puro ódio...
Damon me olhou sentindo aquele poder. E quando se expandiu completamente atingiu tudo ali na sala que era de vidro , simplesmente espatifou em mil pedaços.
—Vishous... Acalme-se!
—Eu sinto tanto ódio. Como ele podia ser assim? -grito.
—Isso já passou está no passado. -Ele diz aproximando de mim.
—Não. Não está . Olha o que ele fez com você. Céus... Qual era o problema desse filho da puta? -grito sentindo as lágrimas descendo pelo meu rosto.
—Vishous pare. -Ele diz me segurando.
—Pare você... Pare de tentar fingir que está tudo bem. Pois não esta! Ele fez tudo o que podia e não podia pra te atingir, pra te machucar. Desde de humilhação, agressão, prisão, fome... Olha o que ele fez . O que ele as obrigou?! Você foi abusado Damon! Não só uma vez, mas várias e varias vezes, por várias mulheres enquanto ele assistia! Por anos. -rosno .
—Chega. -Ele gritou com ódio. -Cala a maldita boca.
—Quer saber... Por mais que tenha criado um sentimento bom entre você e elas. Essa é a verdade... Você foi abusado! E você não entende e aceita isso pelo jeito. Se ilude com outro tipo de pensamento... Seja lá qual for . -cuspo as palavras sem me controlar, totalmente cego pela raiva.
E ali fui atingido pela realidade, vendo sua expressão de choque e ódio me olhando, que realmente percebi a merda que eu tinha acabado de fazer, de falar.
E todo o meu poder que estava no ar sumiu completamente.
—Eu sei que você também sofreu todos os tipos de torturas, abusos psicológicos, você era obrigado ver seu pai e todas aqueles machos fodendo aquelas fêmeas. Não só elas como os machos entre si, estuprando um aos outros. Fora que você também foi obrigado a abusar daquele macho. E sem falar a tentativa de castração... Mas nem por isso joguei essa merda toda na sua cara. Quer saber de uma coisa? Pra mim já deu . -Ele rosnou.
Me dando as costas indo pra sacada .
Eu paralisei.
—Que merda... -digo suspirando, caindo sentando na poltrona com meu rosto em minhas mãos. -O que eu fiz ? -sussurro, balançando a cabeça.
Ali meu celular começou a tocar, era Wrath.
—Oi.
—Vishous? Você estão vindo? Estamos esperando vocês pro jantar.
—Já estamos indo.
—Que foi ? Sua voz está tensa. Aconteceu alguma coisa ?
—Não. Eu que estou um pouco esgotado com os últimos acontecimentos, desculpa.
—É somente isso V?
—sim.
—Ok. -Ele diz conformado mas sei que ele não havia acreditado em uma palavra se quer. -Bom então venha logo. Até...
—Ate, meu senhor.
E ali ele desligou.
Suspiro, criando coragem... olhando pela janela de vidro e o vendo na sacada olhando a vista, a cidade.
Caminho até ele.
—Damon? -sussurro.
Ele nada fez. Nem falou, nem me olhou, nem se quer movimentou . Apenas continuou do mesmo jeito, parado estático.
Caminho pro seu lado o olhando.
—Seu pai está nos esperando. Temos que ir...
E ali quando ele virou pude ver seu olhos lacrimejados. Sua expressão era péssima.
Ele rapidamente virou, dando dois passos pra sair.
—Damon ? -digo rapidamente o segurando. -Me perdoa, por favor...
Ele simplesmente puxou seu braço com rispidez, caminhado pra dentro.
Balanço a cabeça em desespero o seguindo.
E assim rapidamente já tínhamos saído do meu apartamento, do elevador e já estávamos no estacionamento . Entramos no carro e eu saí acelerando pelas ruas.
Damon nem se quer disse uma palavra, muito menos me olhou.
Me culpando mentalmente o olho e o vejo sério, rígido, tão frio, olhando pra fora...
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