Amante Sofrido
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Notas iniciais
PDV VISHOUS
—Que?
—Exatamente isso. Uma despedida! Eu vou embora amanhã!
—Damon não. Para, por favor. Não faça isso comigo ! -gritei em desespero levantando pra ir até ele.
Mas minha pernas simplesmente bambearam e e ele terminou de vestir num piscar de olhos e ali ele me olhou.
—Bom dia, Vishous. -ele disse pegando as sua roupas de dormir no guarda-roupa e simplesmente saiu do quarto, fechando a porta, sumindo.
(...)
Simplesmente desmoronei na cama não acreditando naquilo.
Sem controle as lagrimas embaçaram meus olhos, e rapidamente molhando todo meu rosto.
Isso não podia acontecer. Eu não aceitava. Não depois de tudo e ainda mais desse nosso momento.
Eu havia me entregado totalmente a ele. Ele me teve de uma forma que ninguém nunca me teve ou terá.
Sem controle eu estava chorando mais ainda aos soluços.
Até que fui surpreendido por uma batida na porta que vem pela passagem secreta.
Meu coração ficou mais ainda acelerado.
Fiquei paralisado sem saber o que fazer enquanto as lágrimas desciam.
Eu não tinha controle.
—Vishous? -sua voz potente soou.
Era possível perceber a fúria e a preocupação nela.
—Eu sei que você está acordado. Me atenda, isso é uma ordem. -a voz do rei soou mais firme ainda.
Droga.
O quarto estava uma bagunça, fora eu no estado que me encontro.
Não havia o que fazer. Simplesmente levantei pegando um lençol no guarda-roupa envolvendo minha cintura e caminhei pra porta, abrindo.
Wrath no mesmo instante me analisou chocado.
—Que porra é essa ? -ele perguntou me vendo chorando, com mordida no meu pescoço, sangue havia descido até o ombro.
Analisou o quarto, entrando , vendo a cama bagunçada, com mordaça, amarras, com sangue e gozo no lençol. Fora a vela apagada na mesa e o chicote no chão.
—Esta tudo bem, senhor. -digo abaixando o olhar.
—Bem? Fala sério Vishous. Você acha que está enganando quem ? Olha pra você. Todo machucado, sangrando, chorando. O que aconteceu?
—Nada de mais . -disse.
—Para de mentir pra mim. Eu sei que ele esteve aqui! Eu o vi saindo do corredor e subindo a escada! Damon te machucou ?
—Não. -digo rapidamente.
—Não minta pra mim. -ele rosnou. -Eu quero a verdade.
—Eu não estou mentindo, meu senhor. Ele não me machucou, eu juro. -disse.
Ele apenas ficou alguns segundos me olhando, vendo as marcas em meu pulso.
—Vishous, por favor... Você é meu melhor amigo. Eu me preocupo com você. Quero saber e entender o que está acontecendo. E se ele fez algo, eu prometo que eu não vou passar a mão na cabeça dele.
—Eu sei Wrath. Mas ele não fez nada de errado comigo. Tudo o que aconteceu aqui, foi consentido. -digo olhando pelo quarto e depois as marcas em meu corpo.
—Se ele não fez... Por que está chorando então ?
—Depois que ... Depois que passamos alguns momentos juntos, que transamos, eu queria cuidar dele, você sabe...
—Sei como é isso. Esse sentimento de macho vinculado.
—Exatamente. Mas ele não quis. Disse que não queria tomar banho comigo, nem ficar aqui. E simplesmente disse que tudo o que havia acontecido, tudo não passava de uma despedida. -sussurrei chorando mais ainda. -Que ele irá embora amanhã.
—Vishous se acalma! -Wrath ordenou tocando meu ombro. -Sei, bom, pelo menos imagino o que esteja sentindo . Tão confuso, com tanto medo de o perder... Ainda mais depois de ter algumas horas de sexo, de amor... E ele agora simplesmente agindo ao contrário, tão ríspido.
—Sim. -sussurrei concordando.
—Então, entendo. Mas você precisa se acalmar. Olha seu estado! E Damon não irá embora tão fácil assim!! Entendeu ? Eu não permitirei tal loucura. Ele terá que passar por cima de mim, me enfrentar pra conseguir isso.
O olhei chocado e agradecido por ele não deixar aquilo acontecer tão facilmente.
—Me promete ? -pergunto o olhando. -Que não o deixará ir ?
—Prometo. Eu vou resolver essa situação. Eu juro. Meu filho não sairá da mansão, de Caldwell e de nossas vidas assim tão fácil! Ok?
— Se ele for, e se esse maldito emparelhamento acontecer... Dessa vez eu não irei sobreviver. -soltei passando a mão em meu cabelo , completamente desesperado.
—Como assim dessa vez não irá sobreviver? O que você quer dizer com isso?
Ali cai em si o que havia acabado de falar.
Droga.
—Nada. Modo de dizer. -digo suspirando.
—Você está mentindo! O que você está escondendo?
—Nada Wrath.
—Você tem hora que parece tão ingênuo, Vishous! Você acha mesmo que está falando com qualquer um ?
—Não, é claro que não...
—Você se esqueceu que te conheço a séculos? -ele perguntou furioso balançando a cabeça. -Eu já queria ter essa conversa com você desde de mais cedo. Mas não tive a oportunidade! Quero que me explique isso que acabou de dizer e o porque da Virgem Escriba se envolver nessa história! Eu conheço bem, e sei que nem mesmo ela, sendo tão poderosa, tem ou poderia trazer alguém de volta dos mortos! Se pudesse, se fosse permitido, quantos irmãos ela não poderia ter salvado ? -Wrath diz caminhando se um lado pro outro.
Droga.
Que filho da puta, observador e inteligente ele é!
Nem mesmo ela tem o direito de mudar a lei natural das coisas. Mudar um destino, uma morte!
-Eu quero a verdade, agora! -Ele disse me analisando .
Suspirei caminhando até a cama sentando, enfiando minha cabeça em minhas mãos .
Porra isso não podia estar acontecendo.
Ele aproximou sentando na poltrona .
—E então Vishous? -ele perguntou pressionando.
Querendo uma resposta.
—Eu... Aquela hora que os deixei sozinhos no beco com Damon, eu materializei em meu apartamento. Estava desesperado, fora de controle, surtando...
—Ficamos loucos atrás de você. Pois já imaginávamos como você estaria... E que poderia fazer uma besteira.
—Eu só não poderia... -suspirei profundamente. -Como eu fiz . -sussurrei olhando pras minhas mãos.
—Que? -ele perguntou já em choque me olhando.
—Eu fiz...
—O que você fez ?
—Balancei a cabeça. -Eu tentei me matar.
No mesmo instante ele já estava na minha frente segurando meu rosto. Me fazendo o olhar.
—Como?
—Eu me joguei na sacada do meu apartamento.
Pude ver o choque invadir seu corpo, seu rosto.
Ele estava apavorado.
—Céus. Que porra . Vishous! -ele disse rosnando. -Merda. Onde você estava com a cabeça?
—Eu só pensava nele. Se eu nunca mais o teria. Eu preferia a morte.
—Caralho. -ele gritou furioso. -Quem te salvou foi ela não é?
—Sim. Ela me salvou. -digo indignado ainda não entendendo o porque ela havia feito aquilo. -Ela sei lá. Por um instante, ela parecia abalada por eu ter feito aquilo. Me salvando, me consolando como uma mãe faria. -digo dando uma risada sínica.
—Droga. E depois ela vendo seu estado , vendo que você continuaria se colocando em perigo deu a você escolha de o trazer de volta, não é?
—Exato.
—Entendo. Ela não podia ter interferido . Tanto na morte de Damon! Como na sua tentativa de suicídio!
O olhei chocado sem entender.
—Que? Por que ?
—É. Eu entendo toda sua raiva para com ela. Mas nesse caso ela não podia. Ela passou por cima de toda naturalidade da vida, das escolhas, das consequências... E ela tinha que cobrar algo por essa atitude. Por esse ritual.
—Wrath... -comecei sem entender, extremamente confuso.
—Isso Vishous! Ela não podia, não tinha autoridade pra fazer isso. E como foi feito, ela tinha que fazer uma cobrança, um pagamento. Uma vida por outra vida. Um acordo por outro acordo. É a natureza!
—Merda... -sussurro me sentindo tonto. -Então... Não tem nada que posso fazer pra quebrar esse acordo?
—De certa forma há sim. Mas terá que fazer outro acordo pra substituir esse. Mas tem que ser algo grande. Pensa... Você assumiria seu posto e iria reproduzir vários filhos. Vários guerreiros. Então não é qualquer acordo que compensa e entre “ substitui isso tão facilmente. E isso nem é algo que a agrade, mas sim a lei natural.
Porraaaaa.
Agora sim que estou confuso e preocupado.
Antes já não fazia ideia o que poderia lhe agradar, lhe interessar. Agora sabendo que nem é tanto ela...
Céus, eu estou ferrado.
Damon não aceitara isso!
Eu vou o perder pra sempre assim!
—Vishous! -sua voz potente soou me trazendo a realidade.
—Sim?
—Você não me ouviu né ?
—Desculpa. O que você falou?
—Ele sabe? Sabe da sua tentativa de suicídio?
—Não. -sussurrei. -Ninguém sabe. Somente Virgem e você agora.
—Céus. -ele disse furioso. -Por que você não contou ?
—Isso mudaria o que meu senhor ? Não mudaria nada. Sua raiva, nojo seriam o mesmo. Pensaria igual, que eu aceitei de muito agrado e que quero pagar esse acordo, reproduzir.
—Merda. Se mudaria algo eu não sei. Mas ele tinha direito de saber disso.
Suspirei profundamente me sentindo cansado, tanto fisicamente como mentalmente.
Eu não estava nada bem, meu emocional estava péssimo.
Só queria que tudo resolvesse.
—Você está cansado. Péssimo. Vá, tome um banho, tome um remédio pra te ajudar a acalmar e vá dormir. Tudo dará certo. Damon não irá embora, isso é uma promessa! Agora quero que você descanse. Isso é uma ordem. Está me entendendo?
—Sim, senhor.
—Ótimo. Bom dia Vishous! -ele sussurrou saindo do quarto, e sumindo pela passagem secreta.
Céus...
Suspirei profundamente arrumando toda aquela bagunça.
Guardei meus brinquedos, tirei o lençol jogando num canto, coloquei um limpo, indo pro banho.
Me lavei deixando a água quente cair sobre todo meu corpo dolorido.
Eu me sentia pesado, cansado.
Mas pelo menos satisfeito sexualmente.
Sai me enxugando , tomando um remédio bem forte pra dormir e rapidamente já estava deitado na cama fechando os olhos tentando afastar todos os problemas...
E sem demorar o cansaço mais o efeito do remédio me venceram e apaguei entrando na inconsciência...
PDV DAMON
Essa noite, preciso de uma despedida. Preciso me aliviar, me acalmar.
—Olha o que você está fazendo comigo . Porraaaaa. -disse virando todo o resto do liquido que havia naquela garrafa.
Levantei me vestido e sem pensar em nada sai do quarto caminhando pelo corredor e logo descendo a escada .
E rapidamente seguido pela passagem secreta pra seu quarto...
(...)
Oh droga quando cheguei em seu quarto eu o encontrei acordado, bebendo e se drogando sem parar, era visível pelo maço de cigarro já vazio na mesinha.
V parecia não acreditar que eu estava lá , ainda mais depois de nossa briga.
Aproximei mesmo ele me repreendendo, por causa do cheiro de sua droga. E eu pensava que era até de uma certa forma exagero dele... Mas ali pude ver que era muito real o que ele falava.
Só um Trago que ele deu e assim soltando aquela fumaça no ar, pude sentir aquele cheiro delicioso me atingir.
Eu estava tenso, nervoso, e quando inspirei aquilo eu senti uma enorme calma, meu ombro que estava tenso rígido, se acalmou, relaxando...
Oh céus, aquilo é bom. Forte, potente.
Em momentos de desespero, nervosismo, aquilo deve ser simplesmente maravilhoso.
Depois aproximando pude ver que ele já estava com desejos assim como eu. E é claro tudo aquilo terminou em sexo.
Sim, ambos queriam aquilo, é impressionante e incrível isso. Estamos ligados, sentimos e queremos a mesma coisa.
Estávamos com saudade, desejos, e com tanta vontade de matar isso, que era chocante.
Somos viciados um no outro, completamente.
Essa é a verdade!
V quis que eu praticasse dominação com ele e não consegui controlar meus instintos.
Eu queria o marcar de todas as formas e assim fiz.
Queria que todos e principalmente as escolhidas soubessem que ele dias antes desse emparelhamento ele havia se entregado a mim, seu dono.
E assim foi feito.
Eu o domei, lhe dando muito prazer.
Sim, ele estava completamente fora de si, de prazer, tesão... Ele gozou várias vezes enquanto eu fazia aquilo.
E eu não poderia deixar de estar dentro dele, ainda mais daquele seu estado, todo entregue, exposto.
Sem controle o invadi, lhe tocando , lhe amando, possuindo cada pedacinho de seu corpo enquanto eu fazia aquele vai e vem extremamente delicioso.
Rapidamente eu já estava socando freneticamente dentro dele.
Oh porraaaaa.
Aquilo era fascinante, delicioso. Gostoso de mais. Gozei o preenchendo.
E logo já estava dentro dele novamente sentindo aquele aperto frenético contra minha ereção, e assim o mordendo, chupando seu sangue maravilhoso.
Oh caralho , ele é minha perdição.
Com minha velocidade e força eu o tomei com força, pressão e fúria.
Ele é meu . Somente meu.
E ninguém o terá como eu.
Ninguém o satisfará como eu.
Ninguém o domara como eu!
Ele é inteiramente meu.
E assim logo que gozamos novamente, eu sem pensar, eu queria o marcar mais ainda, mais de uma vez.
E mais ainda íntimo.
E assim o chupei inteiramente e logo o mordi na virilha bebendo seu sangue ali mesmo.
Oh céus.
Aquilo foi o auge do prazer. Ambos gemíamos de prazer e gozávamos com força.
Sim...
Sorri mentalmente, ele estava marcado totalmente . Tanto de corpo, como de coração, como de alma.
A marca da minha mordida em seu pescoço , tanto como as marcas em seu pulso, canela, como as do chicote , como a mordida em sua virilha , ahh demorariam um bom tempo pra sair...
Então, tudo indica que no emparelhamento ele chegará ainda todo marcado.
Isso.
E é exatamente isso que eu quero.
Quero que Virgem Escriba e todas aquelas mulheres saibam que ele se entregou ao seu amor, dias antes.
E que elas nunca o satisfarão...
Sorrio.
Agora estou aqui já em meu quarto , tomando um banho, me lavando.
Havia o deixado transtornado no quarto, pois não quis ficar e o deixar cuidar de mim.
Eu sei que agora ele deve estar triste , mas não era por mal...
Assim é melhor.
Eu preciso ir embora.
Isso esta me machucando de mais. Esta me destruindo por dentro!
Ele irá entender...
Suspiro me enxugando e assim saindo do banheiro pegando minha calça de moletom e uma camiseta regada vestindo.
E foi ali que fui surpreendido.
Pude escutar passos lentamente e super cuidadosos.
A pessoa não queria fazer barulho, isso era visível . Mas eu com meu poder consigo escutar direitinho.
E pra meu choque, um toque suave e fraco soou contra a porta.
Droga, será que eu havia acordado alguém ?
Eu tinha tomado todo o cuidado, tanto na cozinha, como na sala, escada, como aqui no quarto.
Tanto que eu estou agora, no escuro somente a luz do banheiro está acesa.
Então não tinham como ver que eu estava acordado.
—Damon? -um sussurro quase inaudível saiu, mas ele sabia que eu escutaria.
Merda, não podia ser.
Droga!
Suspirei caminhando na porta , abrindo sem fazer barulho...
Acabei dando de cara com ele, meu pai.
Mesmo no escuro eu podia ver sua expressão séria, tensa.
Ele nada disse apenas fez sinal com a cabeça, que era pra eu o seguir.
Merda.
Suspirei caminhando silenciosamente o acompanhando , descendo as escadas indo pro seu escritório.
Ele não queria acordar ninguém isso era visível.
Queria conversar comigo e só podia ser sério, porque sua expressão não era das melhores.
Suspirei o encarando, já dentro do seu escritório.
—Precisávamos conversar muito sério, meu filho . -sua voz saiu baixa enquanto me encarava.
—Ok. -disse confuso não entendendo aquilo.
Como ele estava acordado e como sabia que eu também estava ?
—Eu sei que você estava no quarto do Vishous.
—Ele...
—Não. Ele não me contou. -ele disse me cortando. -Eu vi. Eu estava aqui cozinha quando te vi voltando de lá, subindo a escada.
—Droga. -sussurrei sentando.
Aquilo, essa conversa seria intensa e demorada.
—Eu fui ver como ele estava. E a cena que eu encontrei foi horrível.
O encarei sem entender.
—Vishous totalmente exposto, triste, chorando feito uma criança. Eu nunca o vi assim, tão frágil.
Suspirei profundamente me sentindo triste com isso.
—Ele estava transtornado e eu o forcei a me contar tudo! Ele estava daquele jeito porque você disse que irá embora amanhã, ainda mais depois de terem...
Ali me sinto ficar um pouco sem graça. Era engraçado isso, eu nunca tive vergonha desses assuntos. Ou das pessoas.
Mas ali era meu pai. E ele me apoiava, apoiava esse relacionamento.
Droga.
—Transado. -ele suspirou. -Tem algumas coisas que infelizmente você nunca entenderá sobre a nossa raça meu filho. Mas você é tudo para ele. Seu Pyrocant, você é uma droga para ele. Ele é totalmente viciado, dependente de você. Ele precisa de você pra sobreviver. Sei que você ouvindo isso pode parecer e achar que é exagero, que isso não pode ser real. Mas é real. Fora a necessidade que um macho vinculado tem de proteger, amar e cuidar de seu companheiro é fora de base. Você o tomar daquela forma... E depois você se negar de o permitir cuidar de você, ficar com ele, e ainda mais dizer que irá embora... Isso é torturante. Tenta entender o que eu quero dizer.
—Eu não fiz por mal. -digo balançando a cabeça. -Não quis o torturar ou o magoar. Eu só ... -comecei mas logo fiquei em silêncio .
—Se abre comigo. Coloque pra fora. Preciso que você seja sincero comigo nessa conversa.
—Eu só não vou aguentar ficar aqui. Vendo tudo isso. Isso está me torturando. Me matando pro dentro. -digo desesperado. -Isso dói.
—O que dói?
—Isso. O que sinto por ele, isso de o ver prometido a casar e procriar com quarenta mulheres. Isso tudo dói. Eu sinto tudo intensificado pai. Vocês agora que não entenderão isso sobre a minha raça. Mas é isso. Imagina a pior dor sentimentalmente possível e multiplique por mil. É isso, essa dor sufocante , alucinante que eu sinto. Eu não tenho controle. -digo sentindo meu peito se contrair.
E minha respiração ficar acelerada, incerta.
Eu estava ficando em pânico, sem controle.
—Filho. -ele diz preocupado. -Se acalme.
—Eu estou tentando. Isso que vocês não entendem. -digo levantando e andando de um lado pro outro.
—Estou lutando contra minha própria natureza, contra meus sentimentos. Mas isso dói de mais. Eu nunca me senti assim. Eu... Oh céus, não sei como fui permitir isso tudo.
—O que você quer dizer com isso?
—Eu não me importava com nada e com ninguém. Eu era tão foda-se pra tudo. Eu antigamente nunca iria sofrer por isso. Por esses sentimentos ridículos... eu me tornei um fraco, um bobo apaixonado e totalmente frouxo.
—Damon! -ele disse em choque. -Você realmente pensa isso ?
—Sei lá se isso é certo. Mas o amor sempre machuca as pessoas. Você sempre espera de mais, cria expectativas de mais, deseja de mais, faz planos de mais. Amor era pra ser algo bom, sempre bom não é? E toda vez que eu tento amar alguém. Seja como amigo, ou agora num relacionamento eu sempre saio magoado. Eu sempre saio quebrado. Sempre saio destruído! O amor não tinha que ser assim. -digo sentindo as lagrimas embaçarem meus olhos.
—Eu entendo perfeitamente o que você quer dizer. Mas nem sempre tudo na vida são flores. Nem tudo dará certo, tudo ocorrerá bem. Assim será no amor. Infelizmente sempre terá ou algum problema ou alguma pedrinha ali e cabe a gente lutar , não desistir disso. Tende ? No amor infelizmente também é assim. Seria ótimo se fosse tudo só paz, felicidade, tudo dando certo... Mas não é. Infelizmente. Mas mesmo assim no final da luta, do problema resolvido o amor ainda vale a pena! Esse problema que vocês estão passando agora é maior que os momentos bons que vocês passaram, estiveram? Isso mata seu amor por ele?
Eu simplesmente o olhei, sem controle, já sentindo as lagrimas descendo pelo meu rosto.
—Não ne? Se tivesse matado esse amor, esse sentimento, você não estaria sofrendo. Se você sente, se você se importa, se você lembra... E porque isso, esse amor, é forte. Maior que tudo isso, maior que qualquer problema.
Apenas Suspirei profundamente, sentindo minha respiração ofegante enquanto as lágrimas não param de descer pelo meu rosto.
—Vishous, não aceitou esse acordo por mal. Não foi pra te magoar, pra te torturar. Ou aceitou amando tudo isso. Pelo contrário, ele fez isso num momento de desespero. Totalmente transtornado.
—Ele não precisava fazer isso por mim. Poderia muito bem me deixar morto. -rebato rapidamente, sentando.
—Isso é fácil falar. Mas na pratica isso é totalmente diferente! Me diz Damon. Se fosse só contrário, Vishous morto e você sofrendo horrores. E você tivesse uma chance de o trazer de volta. Mesmo que o pagamento fosse ruim, muito ruim pra você. Você faria? Você aceitaria? Ou você deixaria seu amor morto ?
Droga.
Com aquilo eu fui puxado pra uma realidade alternativa onde me via nessa situação citada.
Se tivesse qualquer chance ou possibilidade de o trazer de volta a vida, eu faria.
Sim. O salvaria, mesmo que eu tivesse que matar minha liberdade, minha felicidade.
Ou até mesmo pagar com minha própria vida.
Mesmo que ele fosse me odiar depois, me culpar.
Eu faria!
Pois sou egoísta! E iria fazer de tudo pra que ele tivesse uma vida digna, justa e uma nova chance de viver, de ser feliz...
Mesmo que eu não pudesse fazer parte disso.
Porraaaaa.
Sem controle eu chorava ainda mais.
Querendo ou não, a verdade é essa... Eu faria como ele. Teria feito de tudo pra o trazer de volta.
Suspiro profundamente , balançando a cabeça.
Droga!
—Me responda... Com toda sinceridade do mundo! Você o ama ?
Olho pras minhas mãos , piscando algumas vezes, sentindo as lagrimas ainda caindo.
—Filho?
—Sim. Com todo o meu ser. -sussurro o olhando, enxugando meu rosto.
Ele suspirou profundamente e logo um sorriso se formou em seus lábios.
—Ele também te ama.
Dei um sorriso triste.
—Você precisa saber de uma coisa, que ele não te contou, bom, está escondendo, pra ser sincero...
Ali já fiquei sério o encarando.
—Me escondendo?
—Sim.
Já sinto o nervosismo tomar meu corpo.
—Fale! -já peço nervoso.
—O porque da Virgem Escriba se intrometer/ interferir nessa história é porque ela foi ajudar, bom, salvar Vishous.
—Como assim salvar? Do que você está falando pai?
—Vishous depois que viu você morto. Ele surtou de vez, sumiu, se materializando no apartamento... -ele suspirou. -Ele tentou se matar.
—Que? -bem dizer gritei.
—Exatamente isso. Ele se jogou da sacada. Ele só conseguia pensar em você. Se culpar . A dor havia o consumido.
Eu fiquei paralisado em choque.
Abri a boca várias vezes, iria dizer algo mas simplesmente não consegui.
Eu estava perplexo.
Meu peito se contraiu de uma forma que me senti , tonto, minha vista se embaçou totalmente.
Que porraaaaa.
Como ele fez isso ?
—Droga. -sussurrei me sentindo sem chão.
Uma enorme tristeza, medo, angústia me invadiu.
O medo de o perder, de imaginar ele morto, era torturante de mais.
Eu comecei a buscar ar freneticamente, me sentindo sufocado, totalmente.
—Damon! Se acalme. -ele disse rapidamente já em minha frente segurando meu rosto preocupado. -Se controle. Calma!
—Isso... Oh céus.
—Ela o salvou. Ela não tinha esse direito. De interferir na escolhe dele. E nem te trazer de volta .
—Ela...
—Eu sei toda merda que ela fez. Todas as escolhas erradas que foi feita. E tudo isso como foi ruim e torturante para Vishous! Eu sei... Mas no fundo acredito que ela se arrependeu disso tudo. E ela o ama, sente amor de mãe. Mas não sabe aproximar. Sabe que V nunca a perdoará ou deixará ter contato, finalmente ter laço de sangue. Mas é isso. Primeira vez que ela fez algo por V. O salvou e isso não podia ser feito.
—Merda. Por que ele não me contou isso ? Por que escondeu isso de mim? -pergunto furioso saindo de seu toque, levantando e andando de um lado pro outro.
—Ele achava que isso não mudaria nada. Que você continuaria furioso, bravo com ele. Por ter aceitado ...
—Porraaaa. -gritei, sentindo a raiva , e o medo de invadir totalmente.
—Damon, isso não vem no caso agora ou importa! A questão é... Você irá desistir dele, de vocês assim tão fácil?
Ali o olhei paralisado.
E eu me sentia confuso, me senti perdido.
Eu, Damon Salvatore, nunca desistiria de algo que eu quero. Ou simplesmente daria ou abriria mão de algo que é meu. Algo que desejo.
Suspiro balançando a cabeça.
—E se, mesmo eu lutando por ele, por nós, eu não conseguir impedir tudo isso ? Como eu fico pai ?
—Eu sinceramente não sei Damon! Mas você está sendo pessimista. E se você conseguir o ajudar ? O salvar? Salvar o relacionamento de vocês ? E aí ? Quem garante que você não conseguiria ?
Bufo.
—E outra coisa. Ir embora, fugir, sumir pelo mundo não mudará seus sentimentos! Seu amor... Isso não resolverá nada e você sabe disso. -ele diz dando de ombros.
—Ok. Já entendi. Você não irá me deixar ir embora não é?
—Bom isso era o menos importante nessa conversa. Mas sim, você não irá embora. Não posso permitir. De tudo que você já sabe, pelos lesser’s, Ômega. Eles tudo já sabem de você. Infelizmente ou felizmente sua vida nunca será mais a mesma. Você pertence a esse mundo também filho. Você sabe disso no fundo ...
—É. Isso tudo já faz parte mim de uma forma que não posso fingir que não sinto, que não é real... -sussurro.
—Então. Bom, era isso que eu queria falar com você. Te ajudar, te apoiar, te entender... Pense nisso tudo que conversamos. Só isso que te peço.
—Esta bem. Eu pensarei.
—Vem, já está tarde. -ele sussurra me envolvendo em seu braço, me puxando pra fora do escritório, escada acima e até o corredor.
—Se acalme e durma. Amanhã é um novo dia. Uma nova chance. Tudo dará certo. -ele sussurrou tocando meu rosto e assim sumindo.
Suspirei entrando, fechando a porta.
Céus, me sentia tão cansado.
Tanto fisicamente, como principalmente mentalmente.
Eu queria e precisava de umas horas de paz, de silêncio.
Arrumei a cama deitando me cobrindo. Fiquei olhando pro teto, no escuro.
Oh céus...
Minha cabeça estava uma loucura, mas me acalmei afastando esses pensamentos.
Fechei os olhos apreciando aquilo, aquele silêncio, aquela paz momentânea.
E um bom tempo depois , horas depois, pra ser exato, finalmente consegui ficar em paz ...
Assim entrei na escuridão, adormecendo.
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