PDV VISHOUS

Não podia ser... Caralho não podia ser!

[...]

Por um momento eu continuei em transe. Não podia ser...
A situação desse garoto é muito mais séria e complicada do que eu imaginei. Misericórdia.
Droga...

Wrath precisa saber disso imediatamente. Ele vai surtar quando souber. E o garoto então, nem se fala. Suspiro sabendo que isso não será nada, mais nada fácil.

Meu coração martela tão forte. Parecia uma escola de samba.
Respiro fundo na tentativa de me acalmar.

Porra eu precisa de um cigarro. Espera um não quem sabe um maço inteiro, conseguiria me acalmar... Me drogar, me relaxar.

Mas agora não e hora de ser um viciado de merda.

Saí rapidamente vendo meus irmãos ansiosos e preocupados.

—E ai? -eles perguntaram assim que aproximei.

—Eu preciso falar com o Wrath. -digo nervoso sem conseguir esconder meu nervosismo.

—Então, você descobriu alguma coisa? -Rhage perguntou.

—Sim.

—Então fale. -eles disseram juntos.

—Nada dá. Eu preciso falar com ele primeiro. -digo saindo correndo.

—V... -eles chamaram curiosos e preocupados.

Não dando ouvido eu rapidamente saio dali e correndo para um beco e simplesmente me concentro e materializo...

Rapidamente eu já estava na irmandade. Entrei batendo as portas e caminhando pela sala e logo pra porta do escritório dele... Bati.

—Entre V. -sua voz saiu abafada e já preocupada.

Pelo meu show com as portas e óbvio que ele ouviu.

Abro entrando e ali ele já me olhou desconfiado e preocupado.

—Posso sentir a sua preocupação e até de certa forma susto, fluindo de você. O que está acontecendo? Geralmente essa hora você estaria no ZeroSum... -ele fala apontando a cadeira.

Sento ficando de frente pra ele e suspiro profundamente, sem saber como começar e falar aquilo...

—Vishous... -ele diz sério me repreendendo pelo silêncio.

—Sim. Eu estava lá, mais aconteceu algo que eu precisava lhe contar, meu senhor.

—O que aconteceu? –perguntou já não gostando de ter mais problemas.

—Não sei se você está sabendo sobre um rapaz que apareceu no ZeroSum... -digo mexendo no meu cavanhaque.

—Eu ouvi um comentário entre Rhage, Tohr e Phury. Mais não sei de nada. O que têm o garoto? -perguntou já me analisando.

—No dia que ele apareceu eu tentei entrar em sua mente só que ele conseguiu me barrar e não consegui ler nada.

Pude ver sua expressão de surpresa. Sua boca quase formou um O. Mas se conteve em sua elegância.

—Isso seria impossível pra um humano. -ele diz já entendendo onde eu quero chegar.

—Sim. E ai comecei a desconfiar que ele poderia ser filho de algum irmão e tal, assim como aconteceu com John e Beth.

—Entendo. Faz muito sentido irmão. E o que aconteceu hoje? -perguntou curioso.

—Hoje ele acabou brigando com um dos nossos alunos.

—Com quem?

Sua expressão já era séria, muito séria.

Ok,ok isso não é nada bom .

—Alexx, filho de Brystz.

—Mas Alexx já não passou pela transformação?

—Sim.

—Como esse garoto é? Ele parece ter passado pela transformação?

—Não, ele não parece. Quer dizer... Tipo ele e mais baixo. Não é alto e musculoso como quem já passou pela transformação, como nós. Isso o que está me deixando sem entender.

—Se ele não passou, não era pra ele ter essa força mental. E física!?-perguntou querendo saber da briga.

—Sim, ele é forte. Tanto mentalmente com fisicamente. Ele conseguiu o enfrentar. Pra ser sincero, ele conseguiu machucar Alexx bem mais. -digo dando um risinho de felicidade por isso.

Ele levantou o óculos e massageou os olhos, e logo pois ele no lugar.

—O que esse garoto é? -ele diz levantando e andando de um lado pro outro. -Precisamos estar frente a frente com ele...

—Wrath... -digo nervoso.

—Sim?

—Depois que os separamos a briga, ele foi pro banheiro e fui atrás. E ali eu descobri uma coisa.

—O que? –ele perguntou curioso misturado com nervosismo, me fitando.

—Alexx tinha derrubado a bebida na camisa e na jaqueta, então foi onde a confusão começou e ali ele estava limpando a jaqueta, e como ele estava sem camisa. eu pude ver a tatuagem no braço direito pra cima do pulso.

—Não me diga que é a tatuagem que todos nós temos, dizendo a nossa descendência na língua antiga...

—sim. Digo...

—E de quem vêm a sua descendência?

Suspiro fortemente.

Como não tinha percebido isso antes? Eu sentia que o garoto me lembrava a alguém próximo, mais não pensei que seria a alguém tão, mais tão próximo.

Merda...

—Encaro os seus olhos por detrás daquela lente. -Damon, filho de Wrath, descendente de Wrath.

Pude ver a cor abandonar o seu rosto e a palidez tomar conta de si...

.

.

.

PDV DAMON
Já faz mais de um mês que estou nessa cidade e frequentando aquela boate ZeroSum. E todas as vezes aquele homem de cavanhaque e tatuagem perto dos olhos está lá.

Sentado na sessão vip, me olhando intensamente, bebendo, fumando feito uma chaminé... Mas nunca o vi aceitar os olhares de outras pessoas, mulheres. Quem se oferecem tão facilmente.

E muito menos o vi ir ao pra banheiro pra dar uma rapidinha com alguma daquelas putas. Apenas ficava ali me olhando. Sim... Olhando-me, e por incrível que pareça eu não conseguia não olhá-lo.

Seus olhos pareciam ímã...

Um azul tão claro.... Tão lindo.

Só sei que eu todas as noites eu o olhava, desejava e não conseguia não olhar. E fora a parte de não saber quem ele é, por que me olhava daquele jeito tão intensamente; como se quisesse conhecer o meu mais íntimo; e por que tentará entrar na minha mente...


Claro que achei tudo isso muito esquisito.

Estanho...

Nunca fui de ficar olhando pra homem nenhum. Até muitas vezes prometi que não iria ficar olhando pra ele, mais todas às vezes falhei.
Hoje não foi diferente.

Cheguei e antes mesmo de sentar eu olhei pra sessão vip e dei de cara com ele, que já me olhava. E ficamos nos encarando, até que eu percebi que isso é estranho pra porra.

Viadagem de mais...

Superei desviando o olhar e sentando.

Rapidamente fui atendido, e logo eu já estava bebendo, divertindo. Até que fui numa rapidinha no banheiro com uma morena e quando eu estava voltando, um cara grandão derrubou a bebida em mim. Esta certo que o lugar estava que nem um formigueiro...

Mais o cara me derruba a bebida e ainda vem discutir? Me provocar?

Tá de sacanagem né ? Está achando que tá mexendo com quem ?

Eu sou Damon Salvatore.

Ninguém , ninguém faz graça com a minha cara e fica por isso mesmo.

E não deu outra, acabei estressando e no que gerou em uma boa briga. Mais pra minha surpresa aquele homem com seus amigos nos separaram... E quando ouvi a sua voz...

Eu simplesmente me senti estranho, muito estranho. Achei sua voz linda e sensual.

Me senti quente. Sim.

Não gostando desses sentimentos eu fui rapidamente pro banheiro. Cheguei respirando fundo e me amaldiçoando por tais pensamentos e pela reação em meu corpo. Tirei a camisa e a jaqueta.


Suspirei começando a secar a jaqueta, pois já a camisa... Ela não teria mais solução mesmo. E eu estava ali secando quando sou surpreendido por aquele homem.

Ele entrou vindo até mim, e ficando parado um bom tempo tipo em transe atrás de mim, me olhando. E aquela quentura só aumentou e sem esperar meu pênis deu sinal se vida. Senti ele começando a endurecer.

Droga... Que porra é essa ?

Que está acontecendo... Por que ele me olha assim? Por que estou me sentindo assim na sua presença?
Não pode. Eu nunca fui de olhar, de desejar e muito menos de ficar de pênis duro por um homem.

Eu não sou gay, merda!

Porra...
E não aguentando mais aquele olhar resolvi colocar um fim naquilo...

—perdeu alguma coisa ai? –minha voz saiu petulante e ousada.

—Não. Não perdi nada. –ele diz calmamente andando pro meu lado esquerdo, enquanto mexia em seu cavanhaque. -Só queria saber como você está. –diz.

O encaro serio por não entender aquilo. Ele tenta ler meus pensamentos, fica me encarando, sinto essas coisas estranhas em sua presença e ainda diz que quer saber como eu estou?

O que está acontecendo aqui?

—E porque você estaria interessado em meu bem? –digo bufando e voltando a atenção pra jaqueta.

—Por que... –começa. -por que sim.

—Você achou mesmo que eu não ia dar conta do grandão? Só porque eu sou baixinho? Talvez aparento ser fraco? É isso o que você pensa? –pergunto.

—Não. –diz rapidamente. –você não é baixinho e nem fraco.

—Realmente não sou. Vocês que são exagerados. –digo o olhando da cabeça aos pés.

—Desculpe... Eu só. –ele dizendo quando de repente parou.

Olhei pra ele, pra saber o que aconteceu e pude o ver fitando a minha tatuagem.

Quer dizer... Todos desde de quando eu era pequeno acham que isso aqui é uma cicatriz, algo do tipo.

já eu vejo como tatuagem. Apesar que esse desenho não faz o menor sentido pra mim. Não sei o que é, o que significa, nada. Pode até ser uma cicatriz de nascença, vai saber...

—Gostou da tatuagem?! –pergunto bufando por não gostar da forma que ele está fitando o desenho.

E vendo que ele não diria nada, suspirei vestindo minha camiseta e jaqueta e indo embora.

Sai indo pro salão pagando a conta, e rapidamente fui embora, não entendo essas coisas e ali prometi a mim que eu nunca voltaria naquela boate de merda.


Não posso ficar sentindo essas coisas assim por ele, por um homem.


Não posso e o melhor que eu faço é ficar longe, muito, mais muito longe...